terça-feira, 31 de março de 2009

SOBRE O AMOR...


"Notável como o amor tem o padrão similar ao da insanidade." (Francês, do filme MATRIX).

SOBRE AS ESCOLHAS...


A única forma de você saber se fez a escolha certa é perguntar-se: eu escolheria esse caminho novamente?

FURIA DOS GOVERNANTES


"Para manter a sociedade a beira da fome, a guerra é a furia dos governantes contra suas próprias ideologias. E o objetivo não é a vitória ..., mas manter a própria estrutura da sociedade intacta." (George Orwell)


O pessoal do WASP* leva ao pé da letra essa observação do Orwell...
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* WASP é a sigla que em inglês significa "Branco, Anglo-Saxão e Protestante" (White, Anglo-Saxon and Protestant). Alguns ainda traduzem como "Branco, Americano, Sulista e Protestante" (White, American, Southern and Protestant).
Surgiu no início do século XX tendo como base o combate à raça, nacionalidade (ou regionalidade) e religião alheia. Inicialmente combatiam os negros e qualquer aspecto relacionado a eles (principalmente a música, jazz e blues, que começava proliferar em discos e rádios), mas logo voltaram seus ideais contra outros grupos, que do seu ponto de vista não cumpriam os seus critérios: os italianos, pois bebiam demais o que levou o governo a criar a Lei Seca na década de 20; os irlandeses, por tolerarem os italianos e também pela questão do alcoolismo; e os judeus, por começarem a dominar a estrutura bancária do país através dos empréstimos de dinheiro.
A cultura WASP é focada nos chamados valores tradicionais e fortemente baseada numa religiosidade inflexível e
visões ditas "tradicionais" da sociedade em todas as suas vertentes desde a família e sexualidade aos papéis homem/mulher em geral.

DILEMAS MODERNOS E PÓS-MODERNOS


Faz algum tempo era comum vivenciarmos o seguinte dilema: TRABALHO PARA VIVER OU VIVO PARA TRABALHAR?


Hoje o dilema é ainda mais cruel: VIVO PARA CONSUMIR OU CONSUMO PARA VIVER?


Esses dilemas moderno e pós-moderno merecem reflexão... Os filmes METROPOLIS, TEMPOS MODERNOS e CLUBE DA LUTA podem ajudar...

domingo, 29 de março de 2009

NEM ESTADO FORTE, NEM LIVRE MERCADO, MAS DEMOCRACIA LIVRE E FORTE.


O Presidente Lula fez declarações importantes na 6a. Cupula de Lideres Progressistas realizada no Chile.
O nosso Presidente defendeu um "Estado forte" e emendou "o mundo está pagando o preço do fracasso de uma aventura irresponsável daqueles que transformaram a economia mundial em um grande cassino".
Lula está conceitualmente correto, essa crise global nasceu grandemente em razão da inexistência de agências reguladoras internacionais.
Mas o mundo precisa mesmo é de Democracia livre e forte, pois se o povo estiver no poder, de verdade, tudo seria melhor e mais legitimo.

SOBRE A VIDA


"Amigo, a vida toda é só um lampejo,
Mero momento de insignificância.
Quiséramos nós que ela fosse um beijo,
Mas, indiscutivelmente, ela é ansia!"
(Vitor Maciel)

Interessante esse argumento poético, mas acredito que possamos fazer da vida um beijo adolescente, apaixonado e cheio de desejo. A escolha é nossa...

sábado, 28 de março de 2009

PASSANDO A LIMPO.


Parabéns ao Ministério Público que vem investigando e denunciando crimes que até algumas décadas eram "tolerados"... Investigações que envolvem supostas doações ilegais de empreiteiras a partidos politicos é um bom exemplo de que o país não é a "republica da pizza", apesar do esforço da elite conservadora em dizer que "as coisas sempre foram e que sempre serão assim". O que o MP não pode esquecer é que ele não é Policia, e que as policias precisam de respeito e estrutura.

sexta-feira, 27 de março de 2009

QUEM CAUSOU A CRISE ECONÔMICA GLOBAL?


Equivocou-se o Presidente Lula, pois a crise econômica global foi causada por comportamentos irracionais de capitalistas, pela estupidez humana e pela omissão dos Estados Nacionais e dos organismos econômicos internacionais, independentemente da cor da pele e dos olhos.

É uma crise estrutural do capitalismo global.

quinta-feira, 26 de março de 2009

PARABÉNS À 1a. TURMA DE BACHAREIS EM DIREITO DA METROCAMP


Escrevo para homenagear os bacharelandos do curso de Direito da Metrocamp em Campinas, escrevo para cumprimentar os jovens bacharéis pela graduação, cuja data se aproxima, para compartilhar algumas idéias e para agradecer a generosa acolhida que tive como Professor de Lógica Jurídica e Direito Administrativo. Acredito, desde os tempos do Pátio dos Leões, que o centro de gravidade do desenvolvimento jurídico não está propriamente na legislação, na ciência do direito ou na jurisprudência, mas na sociedade mesma. Há na sociedade - entre a ação humana e as estruturas sociais - uma tensão contínua, pois na primeira a diversidade se contrapõe à unidade da segunda. Sendo as estruturas e instituições artefatos humanos caberia ao Direito harmonizar a tensão entre ação humana e estruturas sociais, assim como compatibilizar diversidade e unidade. Tanto isso é verdade que podemos afirmar que as estruturas e instituições transformam-se continuamente. Mas em tempos de grandes tensões isso não é fácil.As transformações ocorrem ou através de rupturas institucionais ou pelas reformas. Não acredito que sejamos apenas o que representamos na estrutura econômica, que as estruturas sociais são limitadores da ação humana ou que simplesmente as estruturas se reproduzem. Acredito que há um importante espaço de atuação para o Direito e para os estudantes de Direito.Tanto é verdadeira essa afirmação que há fatos a exemplificá-la: a ação humana pode transformar as estruturas quando não reconhece a legitimidade das próprias estruturas de poder. A sociedade é um conjunto de relações sociais ou de ações sociais e o exercício da nossa condição de cidadãos ocorre através do diálogo, trata-se do exercício comunicativo da liberdade.E em decorrência disso acredito que durante o processo de preparação do aspirante aos nossos círculos é necessário trazer à tona a consciência crítica do cidadão, porque um profissional do Direito é um intelectual com a incumbência primeira e fundamental de atuar na sociedade, para ao conhecê-la, levar a ela o inconformismo da necessária mudança. Para professores conservadores as normas do direito positivo - mesmo admitindo a existência de fontes secundárias - têm alcance de dogmas indiscutíveis dos quais não podemos fugir, mas a verdade não é essa. Acreditar nisso é crer numa grande ficção, o que querem esses juristas é que a dogmática jurídica seja realidade, e eles usam a lógica formal e o raciocínio dedutivo para nos convencer disso.Mas estudar Direito não é apenas estudar a legislação e a jurisprudência, estudar Direito é conhecer e compreender a sociedade, suas estruturas, instituições, ações criativas e criadoras, os conflitos, suas causas e efeitos. Estamos às voltas com um ensino jurídico que, em muitas instituições, sofre as limitações do conservadorismo e da irracionalidade reducionista, passional e tradicionalista, além da servidão às necessidades do mercado. Estudar Direito é mais, muito mais, que isso. O Professor Roberto Lyra Filho em 1984 fez uma conferência na 1ª Semana Jurídica dos Estudantes da Universidade do Distrito Federal sobre o tema 'Por que estudar Direito, hoje?', na qual ele conclama os estudantes ao engajamento e ironiza o estudante que engole um capítulo por semana, assimila a comida reacionária e passa nos exames, arrotando tolices convenientes. Lyra Filho diz que bom estudante era Castro Alves, que quando procurava exprimir um protesto jurídico, não encontrando nos livros de sua época, o fazia ao expor a miséria da estrutura social então assentada no trabalho escravo e na exploração dos brasileiros também. Castro Alves foi capaz de ver e denunciar a escravidão socioeconômica e política de sua época.

DEMOCRACIA E ELEIÇÕES EM CUBA


Sobre o tema da democracia em Cuba, especificamente as eleições neste referido País, há muitos mitos e pouca informação objetiva. Em primeiro lugar se afirma, erroneamente, que em Cuba não há democracia; há quem, inclusive, acredite que em Cuba não existem eleições.


Há democracia e eleições em Cuba. Por que afirmo tão categoricamente a existência de democracia na ilha, se praticamente todo o mundo, orientado pela democracia liberal, nega o fato?


Bem, primeiramente busco em Norberto Bobbio, "Dicionário de Política", ed. UNB, 9ª. Edição, Vol. 1, o significado formal de democracia: "Na teoria política contemporânea (... ) nos Países de tradição democrática liberal, as definições de Democracia tendem a resolver-se e a esgotar-se num elenco mais ou menos amplo, segundo os autores, de regras de jogo, ou como também se diz ´procedimentos universais´. (...)". E Cuba preenche todas elas: (1)há órgão político máximo, a quem é assinalada a função legislativa, ele é composto por membros eleitos diretamente pelo povo; (2) ao lado do parlamento há outros órgãos da administração local; (3) todos os cidadãos, sem distinção de raça, religião, sexo podem votar; (4) todos os eleitores devem ter voto igual; (5) o pleito deve conter reais possibilidades de escolha.Em Cuba, cada cidade divide-se em circunscrições eleitorais em relação à quantidade de habitantes de uma zona. Nesta área, em específico, o povo se reúne em Assembléia e elege entre dois a oito candidatos - em níveis de município, o equivalente aos nossos vereadores; de província, o mesmo que é feito em nossos Estados; e nível de Assembléia Nacional, que seria o Parlamento.Esses candidatos, ou esses postulantes, em número de dois a oito, passam ao período eleitoral. Passam às eleições onde têm de alcançar 50% mais um dos votos, para poder galgar cada um dos níveis já citados. Nestas assembléias do povo, onde se elegem os pré-candidatos, qualquer pessoa de qualquer credo político ou religião pode propor um nome, basta apenas que a pessoa aceite ser candidato. Eleições que, além disso, serão por voto livre (o voto não é obrigatório), secreto e direto. Procede-se a um segundo turno caso os candidatos não alcancem os votos necessários a validar a representação. Isto, em sentido geral, na base, é a essência das eleições cubanas. Quando se chega, digamos, à Assembléia Nacional, deverá ter passado por este filtro das eleições e alcançar 50% mais um; qualquer candidato, inclusive Fidel Castro, sem exceção, tem que ser proposto pela base, e competir, na base, com os outros candidatos que foram propostos, e chegar aos 50% mais um, sem exceção. O regime em Cuba não é presidencialista, é parlamentarista. Então, a Assembléia Nacional do poder popular - entenda-se, o parlamento cubano - é o responsável máximo pelo governo do País. Todas as leis devem ser apresentadas a este parlamento para a sua aprovação, sem exceção. O Parlamento, eleito desta forma, é quem define por sua vez o Conselho do Estado. Mas o que é o conselho do Estado? É a presidência do País e as vice-presidências que, também, têm que ser eleitas por este parlamento da mesma forma - 50% mais um dos votos - senão não pode ser nem presidente, nem vice-presidente do País.Por conta do regime parlamentarista, o presidente de Cuba tem menos faculdades. Isso significa que Fidel Castro, presidente do Conselho do Estado, não pode estabelecer nenhuma lei por decreto se não tem 50% mais um da aprovação. O que falta a Cuba, então, se lá há democracia e eleições? Falta pluralismo político (concepção que reconhece na sociedade vários grupos ou centros de poder aos quais, mesmo em conflito entre si, é atribuída a função de limitar, controlar e contrastar, com o centro do poder dominante, historicamente identificado com o Estado) e, por isso, deve mudar aspectos de sua estrutura política.A luta que o pluralismo trava tem sempre duas frentes: (i) uma contra a concentração do poder no Estado e (ii) outra contra o atomismo. É uma luta travada em nome de uma sociedade articulada em grupos de poder que se situam, ao mesmo tempo, abaixo do Estado e acima dos indivíduos, e, como tais, constituam uma garantia do indivíduo contra o poder excessivo do Estado, por um lado e como garantia contra a fragmentação individualista.E nem se alegue que a democracia é incompatível com o socialismo. Trata-se de falácia, afinal o ideal democrático representa um elemento integrante e necessário do socialismo. Na teoria marxista-engelsiana "(...) o sufrágio universal, que para o liberalismo em seu desenvolvimento histórico é o ponto de chegada do processo democratização do Estado, constitui apenas o ponto de partida." (Bobbio).Creio que o elemento que falta é o pluralismo. É necessário o reconhecimento de outros grupos e centros de poder, cuja função é o aperfeiçoamento da Democracia, na medida em que a função desses grupos ou centros de poder, que horizontalmente se opõem ao poder hierarquizado, é a de limitar, controlar e contrastar de tal sorte a eliminar os excessos, assim como as democracias liberais devem reconhecer que a democracia cubana, em sua forma, propiciou grandes conquistas ao povo cubano.

HILDEBRANDO SIQUEIRA FALA SOBRE "ERUDIÇÃO"


"Há homens eruditos que me lembram garçons.
Os garçons conhecem meio mundo...
De vista."

HILDEBRANDO SIQUEIRA: ESTÉTICA


"Uma obra de arte que não emociona lembra uma mulher sem seios..."

MAIS DE HILDEBRANDO SIQUEIRA


"Àgua mole em pedra dura, bate, bate...Depois muda de direção..."

HILDEBRANDO SIQUEIRA


"Em terra de cegos, quem tem um olho é apedrejado..." (1.930)

Raposa Serra do Sol e os “limites” do STF


A decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a demarcação da reserva indígena “Raposa Serra do Sol” resolve mais do que uma simples pendenga legal. Estabelece uma regra e define os “limites” de ação dos envolvidos em futuras contendas desse sempre controverso tema: a demarcação de terras indígenas.
Entre nós prevalece, majoritariamente, o entendimento de que é legítimo e pacífico a demarcação das terras indígenas, embora haja opiniões discordantes. Como o assunto não é matéria de princípios e sequer foi fruto de deliberação entre nós, as divergências são legítimas e devem ser resolvidas pelo convencimento político.
Do ponto de vista da concepção produtivista a demarcação de terras indígenas deve ser evitada porque isso inviabilizaria o “desenvolvimento” da Amazônia pelo bloqueio de grandes áreas, o que seria desproporcional ao quantitativo de índios segundo esses polemistas. O lema deles é “a produção é tudo, a preservação é nada”.
Para eles é inconcebível o convívio e a conciliação de interesses entre uma sociedade capitalista “produtiva” e grupos tribais que ainda vivem à base do escambo. Por essa lógica, os índios e seu modo de vida “primitivo” seriam apenas mais um estorvo a ser eliminado para não retardar o “progresso”. Seus heróis estão no figurino do general Custer e sua faxina étnica no faroeste americano.
Já os santuaristas defendem a demarcação de grandes áreas - seja como unidades de conservação ou reservas indígenas - como um recurso tático à teoria do bloqueio, pela qual a Amazônia deve ser transformada num santuário intocável, destinada a suprir as demandas futuras de recursos naturais do império de plantão. A hipótese de emancipação dessas áreas também faz parte desse roteiro, embora não seja algo tão claro para boa parte desses ativistas. Os santuaristas, portanto, vêem nos índios e no seu estágio de produção capitalista incipiente um atrativo a mais para a defesa intocabilidade da Amazônia. Um santuário florestal, pleno de recursos naturais, repleto de seres humanos isolados e sem qualquer convívio social com os demais humanos desse planeta – a exceção deles, obviamente – é tudo o que eles desejam.
As duas concepções, a meu modo de entender, são equivocadas, anticientíficas.A dialética assegura que “na natureza, como na sociedade, todos os fenômenos são interligados e interdependentes”, logo se conclui que é irracional e anticientífico defender um modo de “desenvolvimento” que ao invés de incluir promova a exclusão de milhares de pessoas detentoras de uma vasta cultura, mais de 200 línguas e uma capacidade única de compreender e conviver com a complexidade amazônica.Por outro lado, se é verdadeiro que “a natureza e a sociedade se transforma e evolui permanentemente”, é pouco razoável imaginar seres humanos apartados do conjunto da sociedade, isolados, privados de qualquer conhecimento cientifico e tecnológico contemporâneo e expostos numa vitrine para visitação estrangeira, tal qual se faz num zoológico urbano.
Por isso os sustentabilistas entendem que a demarcação é legitima, tanto para assegurar a sobrevivência física e cultural de nossos ancestrais como para estabelecer certo “colchão” de proteção contra o uso irracional, predatório e indiscriminado da vasta e complexa imensidão amazônica.
O desenvolvimento sustentado pressupõe o uso racional dos recursos naturais, a convivência com as diferenças, respeito à diversidade e a promoção do bem estar geral da humanidade, no qual o desenvolvimento harmonioso é premissa e não opção.Baseado no princípio de que “a prática é o critério da verdade” e no histórico de utilização dos recursos naturais pela sociedade capitalista e, em certa medida, também pela sociedade socialista, concluiremos que a humanidade tem sido extremamente predatória na utilização desses recursos estratégicos. Se medidas concretas não forem adotadas nós caminharemos, sem dúvidas, para o colapso.
Diante dessa encruzilhada os produtivistas questionam: “por que teríamos que preservar os nossos recursos naturais se os ricos se desenvolveram precisamente destruindo todo o manancial que possuíam em seus países?”.
Imediatamente os santuaristas argumentam que a biodiversidade da região é a maior do planeta e a sua destruição teria impacto global, daí porque “a Amazônia deveria ser entendida como patrimônio da humanidade”, uma vez que as autoridades brasileiras não estariam aptas a gerir tão rico e complexo bioma.
Os sustentabilistas ponderam que embora seja verdadeiro que uma eventual destruição da floresta amazônica teria impacto global, também é absolutamente verdadeiro a necessidade de se manter e elevar o padrão de vida dos mais de 20 milhões de habitantes que vivem na Amazônia. Assim, tendo presente que não há ação humana que não produza impacto ambiental, é preciso recorrer a ciência para encontrar mecanismos de produção efetivamente sustentáveis e duradouros, com um mínimo de impacto ambiental. Sem essas providências o destino da humanidade sobre a face da terra estará comprometido em médio prazo.
Como se pode ver, a contraposição ou concordância com a demarcação de reservas indígenas se orienta por concepções ideológicas e políticas inconciliáveis, as quais tende a radicalização mesmo após os “limites” determinados pelo STF. Os limites definidos pelo STF, no fundamental correto, ajudariam a racionalizar esse debate se não houvesse preconceito e certo desconhecimento sobre o assunto.
A explicitação de que as Forças Armadas e a Policia Federal tem livre trânsito na área, inclusive com a instalação de unidades militares, elimina o argumento de que as áreas indígenas estão apartadas do território nacional. Com a definição de que compete ao instituto ambiental e não a FUNAI autorizar a presença de pesquisadores na área, os projetos de pesquisa tende a se intensificar. E o STF define, também, que a área pode (e obviamente deve) ter atividade produtiva.
O preconceito e o desconhecimento se expressam no argumento de que as terras indígenas ficarão improdutivas e que Roraima será desabastecida de arroz com a retirada dos “arrozeiros”, que, aliás, foram para área após a demarcação original.Os índios podem e devem produzir com eficiência igual ou superior ao que hoje fazem os produtores não índios naquela área. Isso é uma questão de tecnologia e, claro, de certa tradição cultural.
Os 325 mil que habitam Roraima consomem algo como 6 mil toneladas de arroz por ano. Em 3 mil hectares ou ínfimos 0,013% de seu território é possível se produzir todo o arroz que Roraima necessita. Se quisermos alimentar os 22 milhões de habitantes da Amazônia com arroz de Roraima vamos necessitar de 402 mil toneladas ou de uma área de 202 mil hectares, simbólicos 0,89% do território de Roraima.
Como pode a demarcação, então, inviabilizar a atividade produtiva do estado? Não creio que os discordantes tenham se preocupado em fazer essas contas. É evidente que se deve discutir alternativas aos não índios que para lá foram de boa fé, mas essa alternativa não pode ser negando o direito secular dos índios às suas terras e tampouco violentando a matemática e o bom senso.
Resta o argumento da internacionalização que tem persistido ao longo dos tempos. A cobiça internacional sobre a Amazônia não aumentará e nem diminuirá com ou sem demarcação de áreas de preservação ou reservas indígenas. Essa cobiça tem causa objetiva: abundantes recursos naturais, posição geográfica estratégica, baixo índice de desenvolvimento e reduzida presença do estado nacional. Um tratamento inadequado a esses temas, especialmente por parte da esquerda, isola as forças progressistas e, conseqüentemente, facilita a tarefa dos que advogam a tese de que a Amazônia é patrimônio da humanidade.
Estamos lidando com seres humanos que sequer falam português e boa parte dos que falam não compreendem o nosso modo de viver, a nossa cultura. Os Tikunas do alto Solimões habitam o Brasil, Colômbia e Peru, mesmo assim eles se entendem como brasileiros. E assim permanecerão se os demais brasileiros demonstrarem um mínimo de respeito as suas tradições e modo de viver.
A consolidação da soberania nacional sobre esse vasto território necessita mais do que boa vontade e uma visão estratégica correta sobre a sua complexidade. Requer uma tática adequada, projetos concretos de desenvolvimento sustentado, respeito à diversidade lingüística e cultural das diversas etnias, profundo conhecimento científico sobre a região e a presença real do aparelho de estado.
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*Eron Bezerra, Engenheiro Agrônomo, Professor da UFAM, Deputado Estadual Licenciado, Secretário de Agricultura do Estado do Amazonas, Membro do CC do PCdoB.
fonte: http://www.vermelho.org.br/

quarta-feira, 25 de março de 2009

SOBRE A REVOLUÇÃO DE 1.917.


Não há dúvidas sobre o seguinte fato: a revolução russa de 1.917 foi o maior acontecimento da história no século XX, pois o capitalismo e sua lógica foram abalados com a possibilidade de novos sistemas, econômico e político, serem implantados em todo o mundo, com a participação direta da classe trabalhadora.
A Rússia, depois a URSS, poderia ter sido um Estado operário[1] saído de uma revolução campesina e proletária, que aboliu o regime capitalista e instaurou formas de propriedade coletiva e planificação da economia, mas perdeu-se na burocratização do poder, um processo que comprometeu a legitimidade institucional e na burocratização do partido.
Mas não é possível mais fechar os olhos a um fato não menos verdadeiro: a criação dos mitos e mentiras referentes à Revolução de Outubro de duas categorias.
A primeira categoria de mitos e mentiras é composta pelos que provêm da burguesia ou dos social-democratas. Poder-se-ia listar uma extraordinária antologia de afirmações conservadoras e levianas de autoria de jornalistas e homens de Estado, os quais a partir de 1.917 só davam uma existência de dias, quando muito de semanas, a um Estado acusado de ser composto por homens incultos e capazes das piores monstruosidades, etc., etc.
A segunda categoria de mitos e mentiras é fabricada por homens que a partir de 1.923, estiveram na direção da União Soviética e foram levados, por razões e circunstâncias que fogem ao objetivo deste ensaio, a reescrever a própria história da Revolução de Outubro, chegando algumas vezes a desfigurar seus protagonistas, seja divinizando Lenin ou caluniando outras dirigentes, dente eles Trotsky, atribuindo a eles papéis que não representaram.
Ainda no campo de ação dessa segunda categoria há um fato a ser ponderado: durante muito tempo esses dirigentes pintaram a imagem de que a URSS era um país onde reinava a felicidade e onde só alguns seres maléficos, desejosos de restabelecerem o capitalismo e o soldo de potências estrangeiras, causavam de tempos em tempos perturbações prontamente sufocadas[2]. Essa segunda categoria de mitos e mentiras não tinha como destinatário o rebanho burguês, como a primeira, mas os operários.
Mas qual a razão disso? Acredito que a História nos pregou uma peça, pois ao contrário do que Marx previa a revolução irrompeu na periferia e não no centro do capitalismo.
Como sabemos a Revolução socialista teve início na Rússia atrasada e não na Alemanha, Inglaterra ou França, mais desenvolvidas em termos capitalistas, o que tornou-se um problema para seus dirigentes, pois em não havendo uma classe operária consolidada, articulada e organizada na URSS os dirigentes revolucionários passaram num primeiro momento a substituir a classe trabalhadora e depois o Partido passou a ser uma espécie de tutor político da classe trabalhadora, o que pode causou um distanciamento do Partido em relação aos desejos e aspirações dos trabalhadores[3], um distanciamento que o tempo pode ter conduzido a URSS à perestroika.
Os dirigentes soviéticos tornaram-se porta-vozes da burocracia, uma burocracia que se por um lado nega à classe que diz representar o direito à efetiva participação no poder e na construção do Estado socialista, por outro lado, à sua maneira, defende a manutenção das novas relações de produção (coletivização da propriedade e planificação da economia), uma contradição?
Para Trotsky a contradição é apenas aparente, pois é através dos instrumentos não democráticos de coletivização e planificação que a burocracia cria e mantém seus privilégios (e passou a buscar exclusivamente sua a manutenção do poder, dos seus privilégios, renegando a internacionalização, que teria sido o papel histórico da Revolução de Outubro) reduzindo a URSS a um Estado operário e em processo de degeneração pela burocracia estata. Nessa linha acredito que foi o distanciamento da classe trabalhadora e a burocracia do PCUS que lançou as sementes da perestroika (em certa medida, Trotsky antecipou isso quando afirmou que “... ou uma contra-revolução social vitoriosa reconduzirá a União Soviética ao sistema capitalista ou então o desenvolvimento da revolução socialista mundial e das massas soviéticas, estimuladas pelos progressos econômicos do país, entrarão em conflito com as algemas burocráticas que saberão quebrar por meio de uma revolução política, e assim a construção do socialismo continuará no quadro da democracia soviética restaurada.” [4]).
Parece que Trotsky estava certo e a burocracia asfixiante trouxe sob o nome de perestroika a tal contra-revolução social que reconduziu a União Soviética ao sistema capitalista.
Há quem diga[5], inclusive, que o próprio Lênin nos últimos meses de sua vida política verificou que estava em minoria no Bureau Politique e tendo como seu único aliado Trotsky buscou organizar o XII Congresso do PCUS com objetivo de recolocar a burocracia do partido no seu devido lugar. Essa é uma afirmação séria, pois no documento “Carta e Notas ao Congresso, 23 a 31 de Dezembro de 1.922” Lênin apresenta propostas de combate ao perigo burocrático, dentre elas está a necessidade de ocorrer: “... um alargamento dos órgãos dirigentes, principalmente pela introdução de ‘numerosos operários’, situados abaixo da camada que há cinco anos se meteu nas fileiras dos funcionários dos Sovietes e que pertenciam antes ao numero dos simples operários e dos simples camponeses.” [6]
E no mesmo congresso Shliapnikov, falando em favor da Oposição dos Trabalhadores,jocosamente cumprimenta os burocratas dizendo: “Vladimir Ilich disse ontem que o proletariado como classe, no sentido marxista, não existe (na Rússia) Permitam-se congratular-me com vocês por serem a vanguarda de uma classe inexistente.” [7]
Em 2009 completar-se-á 20 anos da queda do muro de Berlim, mas o mundo não está melhor. De lá para cá assistimos em cores, via satélite e ao vivo mortes. Millhares de mortes e a paz prometida pelo neoliberalismo não aconteceu. O que falta ao mundo é o exercício da generosidade, da justiça e do afeto, virtudes que devem ser fruto da construção coletiva, participativa e, fundamentalmente, democrática.
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[1] Trotsky afirma em A REVOLUÇÃO TRAIDA que a URSS, devido a um concurso excepcional de circunstâncias como o isolamento internacional, refluxo da revolução no mundo, atraso econômico e cultural do país, etc., sofreu uma contra-revolução política que não atentou contra as novas relações de produção, estabelecidas pela Revolução de 1.917, mas roubou o poder político ao proletariado para o transmitir a uma burocracia, cujos interesses são distintos dos da classe trabalhadora e opostos. (conforme Pierre Frank na Introdução de A REVOLUÇÃO TRAIDA, Edições Antídoto, Lisboa, PORTUGAL com Introdução de Pierre Frank e Traduzida por M. Carvalho e J. Fernandes.


[2] Conforme afirma Pierre Frank na edição portuguesa de A REVOLUÇÃO TRAIDA.
[3] O próprio Lênin se mostrava incomodado com esse fato, tanto que num congresso dos sovietes em dezembro de 1921 ele,argumentando contra os que se intitulavam, com demasiada insistência, “representantes do proletariado” disse: Desculpem-me, mas o que consideram proletariado? A classe trabalhadora empregada na indústria em grande escala. Mas onde está a indústria em grande escala (de vocês)? Que tipo de proletariado é esse? Onde está a indústria? Por que ele está ocioso? (Sochibenya, vol. XXXIII, p. 148, citado por Isaac Deustscher no livro TROTSKY, O PROFETA DESARMADO, ed. Civilização brasileira, p.39).
[4] Conforme Pierre Frank em A REVOLUÇÃO TRAIDA, p. 14, Edições Antídoto, Lisboa, PORTUGAL com Introdução de Pierre Frank e Traduzida por M. Carvalho e J. Fernandes.
[5] “Jornal das Secretárias de Lênin” e “O ultimo combate de Lênin”, de M. Lewis, citado por Pierre Frank no livro A REVOLUÇÃO TRAIDA, ob. cit.
[6] Carta e Notas ao Congresso, 23 a 31 de Dezembro de 1.922, Lênin
[7] Il Syezd RKP (b), p. 109, fato citado às fls. 39 do livro de Isaac Deuscher.

SOBRE OS BUROCRATAS.


“A burocracia assemelha-se a todas as castas dirigentes pelo fato de se encontrar sempre pronta a cerrar os olhos perante os mais grosseiros erros dos seus chefes em política geral se, em contrapartida, estes lhe forem absolutamente fiéis na defesa dos seus privilégios.” [1]


[1] Leon Trotsky, in A Revolução Traída, p. 269, Edições Antídoto, Lisboa, PORTUGAL com Introdução de Pierre Frank e Traduzida por M. Carvalho e J. Fernandes.

MAIS LEMBRANÇAS E UM BOM CONSELHO...



“Aos oito anos todo menino é guerreiro,
aos quinze somos todos poetas,
depois disso nem sempre somos alguma coisa.”
(Hildebrando Siqueira, 1930)



Muitos amigos comentaram o LEMBRANÇA DO PATIO DOS LEÕES postado recentemente. As minhas lembranças, incompletas e imprecisas, despertaram nesses bons amigos outras lembranças, igualmente queridas, de um tempo que não precisa voltar porque ainda vive nos nossos corações e na nossa memória.

Confesso que fiquei surpreso com a quantidade comentários, pois penso que noutros artigos trato de assuntos mais importantes e relevantes, necessários à reflexão de todos e de cada um.

Nos contatos alguns amigos diziam: - No próximo artigo conte a historia do ..., outros me corrigiram a imprecisão, etc e tal. Mas em cada um dos contatos senti muito carinho, não necessariamente em relação a mim, mas principalmente em relação à época em que nós jovens e com a vida toda pela frente alimentávamos nossos dias com certezas, sonhos e esperanças.
Comentei esse fato e a repercussão com o meu pai, ele ouviu atentamente e disse: - Filho, não se trata de manifestação de amizade, mas de afeto, tanto a você quanto àquela época. Não entendi e pensei em discordar, mas como já não tenho a necessidade de discordar a priori de tudo que não compreendo disse a ele simplesmente que não havia entendido e pedi que ele me explicasse o ponto de vista dele.

E ele, ajeitando-se no sofá da sala de estar, suspirou e disse: - Estou falando sobre virtudes. A amizade e o afeto são virtudes. E cada uma das virtudes pode ser ensinada, mais pelo exemplo e pela vida do que pelos livros, por isso é maravilhosa a vida e os ensinamentos de cada dia. As pessoas que se manifestaram sobre o seu artigo, seja por telefone ou por e-mail, podem ser seus amigos ou não, porque a ‘amizade’ é o caminho necessário ao exercício cotidiano do afeto, do amor. Seu exercício requer tempo, esforço e trabalho para manutenção da amizade. A amizade é uma forma de amor, mas é uma virtude da razão, ao passo que o afeto, ou amor, caminha por outra seara, é uma virtude divina, espontânea, sem estreiteza, sem limites, atemporal, que não depende de esforço ou trabalho para existir, as pessoas às quais você se refere tem uma ligação profunda com você, atemporal, estou falando de amor... E a gente aprende na 1ª. comunhão que ‘Deus é amor’, não é? Então, parabéns filhão! Mais do que amigos você ama e é amado, e isso é coisa de Deus.

Depois das palavras do meu pai ficamos em silêncio, pensei nos amigos, nas nossas histórias, nas aventuras e desventuras, nos momentos de comemoração pela vitória e nos momentos em que o que nos restava era disfarçar as lágrimas e seguir o caminho e conclui como é bom amar o caminho percorrido, as pessoas e as possibilidades.

25 ANOS DAS DIRETAS JÁ.


Em 1.984 nosso grupo estava à frente do DA - Diretório Acadêmico XVI de Abril na PUC de Campinas, em 1.982 vencemos as eleições na faculdade com Caio Carneiro Campos e em 1.983 com João Roberto Medeiros, o primeiro do PCdoB e o segundo do PMDB, mas a composição seguiu de centro-esquerda (PT, PSB e PDT estavam representados).


O nosso grupo quem em 1.982 e 1.983 venceu todas as eleições na faculdade e na universidade e ainda levou ao “nobrinho” (salão de conferências do prédio central da PUCC) os candidatos ao governo do estado de São Paulo, Lula, Rogê Ferreira, Montoro, Quércia estiveram na faculdade apresentando suas idéias e os então novos partidos, a ação política do nosso grupo modificou muitas coisas por lá...


Com Caio na presidência e sob coordenação do DA em 1.983 levamos ainda à Semana Jurídica Theotônio Vilella, Paulo Brossard, Rogê Ferreira e Jânio Quadros, dentre outros grandes nomes comprometidos com o processo de abertura política.


Mas foi em 1.984 o grande ano no que diz respeito aos movimentos civis, foi o ano das “Diretas Já”. Participamos e contribuímos com reuniões, assembléias, comícios em Campinas e São Paulo.


A campanha das “Diretas já” foi um dos maiores movimentos civis desse país, reivindicava eleições presidenciais diretas no Brasil, isso aconteceu em meados de 1984, e nós “revolucionários do Pátio dos Leões” participamos da campanha e sofremos muito com a derrota.


A História é a seguinte: bastaria a aprovação da proposta da Emenda Constitucional - apresentada pelo Deputado Dante de Oliveira - pelo Congresso Nacional que teríamos eleições diretas para presidência da república.


Foi um movimento mágico no qual se agregaram diversos setores da sociedade brasileira, inúmeros partidos políticos em oposição ao governo militar, além de lideranças sindicais, civis, estudantis e jornalísticas, unidas pelo desejo de eleições diretas para presidente da república.


A quem diga que foram essas manifestações que fizeram com que o regime militar perdesse seu prestígio junto à população menos politizada, e até entre os militares de baixo escalão, descontentes com seus salários consumidos pela inflação. Não sei, mas esse foi o clímax da luta pela redemocratização, foi um momento de mais Importância cidadã que a eleição de Tancredo e Sarney em 1.985, que a constituinte 86/88, ou que as eleições de 1.989.


A Emenda Dante de Oliveira foi rejeitada por um congresso conservador e desconectado dos desejos da sociedade, e não alcançou o número mínimo de votos para sua aprovação. Mas não tenho qualquer dúvida, no entanto, que o movimento pelas “Diretas já” teve enorme importância na redemocratização do país, e repito: participamos dele.


Decorre do mesmo movimento o processo de redemocratização, o qual completou-se com a volta do poder civil no ano de 1985, com a aprovação de uma nova constituição federal em 1988 e com a realização, em 1989, das eleições diretas para presidente da república.


Quando a emenda constitucional foi rejeitada a direção do DA decidiu fazer um protesto cívico no Pátio dos Leões. Convidaríamos alunos e professores para, de luto, cantar o Hino Nacional num ato cívico no qual não haveria discursos, a bandeira e o hino, que haviam sido esbulhados pelo regime militar, voltava a nos pertencer, eles perderam esses símbolos para a sociedade. Tudo corrida bem (afinal os professores e os alunos de todas as salas estavam, como nós “dirigentes”, entristecidos com o resultado da votação no congresso) até que certo professor de Direito Constitucional, então Delegado do DOPS e DOI CODI (era assim que ele se apresentava em sala de aula) decidiu não liberar os alunos de sua sala para o ato.


Houve alguma tensão especialmente entre este escriba, a também diretora do DA Frida Cristina Barbosa, então militante do PCdoB e que hoje vive na Itália, e o tal Professor.


Não conseguíamos entender como um professor de Direito, por mais conservador que fosse, estivesse numa freqüência histórica tão distante da do resto do país. Os alunos ignoraram o professor conservador e nós “dirigentes” acabamos sendo conduzidos pelos colegas até o Pátio dos Leões, onde colocamos a bandeira do Brasil no alto e cantamos o hino, foi emocionante.


Desse episódio e do movimento das Diretas Já participou, também como diretor do DA, Aderbal Bergo, que anos mais tarde tornou-se Presidente da OAB Campinas e cujo irmão, o Dr Marcelo Bergo, é Juiz de Direito em Americana.

A QUEM PERTENCE O MANDADO DO DEPUTADO PEDRO BIGARDI?


O Mandado pertence à coligação PT-PCdoB. Essa é a resposta objetiva. E por isso errou, para dizer pouco, a Presidência da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, o que foi corrigido pelo Poder Judiciário. É verdade que o Deputado Estadual Pedro Bigardi, a quem não conheço pessoalmente, disputou as eleições em 2006 pelo PT, mas numa coligação entre PT e PCdoB, portanto os votos nesse caso não pertencem ao PT ou ao PCdoB e sim à coligação que se formou para aquela disputa. Teria razão a presidência da assembléia em ignorar o Deputado de Jundiaí e chamar o próximo suplente se ele tivesse deixado o PT e se filiado a outro partido que não o PCdoB, não tendo ocorrido dessa forma errou feio o Presidente Tucano.

Quem perde é Jundiaí, pois o suplente de deputado estadual Pedro Bigardi (PCdoB), preparava-se para assumir a condição de deputado no dia 5 de janeiro, em razão da eleição de deputados estaduais da coligação PT-PCdoB como prefeitos, assumiriam o dois primeiros suplentes diplomados pela ordem de votação: Beth Sahão (PT, 51.931 votos) e Pedro Bigardi (PCdoB, 51.741 votos), e o curioso é que o presidente da Casa, deputado Vaz de Lima (PSDB) em encontro mantido com uma comissão de dirigentes do PCdoB, entre eles o próprio Pedro Bigardi e o ex-deputado Nivaldo Santana, havia dito que “salvo medida judicial em contrário”, estava garantida a posse de Bigardi, mas mudou estranhamente de idéia.

Mas o presidente da Assembléia Legislativa mudou de opinião e de conduta justamente nos últimos dias do ano e fez publicar, no Diário Oficial do dia 1o. de janeiro, a decisão de convocar para a posse o suplente Carlos Néder (PT, 43.036 votos), baseando-se em solicitação enviada pelo presidente estadual do PT, Edinho da Silva, em que este “informava” que Pedro Bigardi se desfiliara do PT sem justa causa e reivindicava o mandato para um suplente do PT, argumentando que a coligação não deveria ser considerada. O mesmo pleito foi apoiado pelos 20 deputados estaduais que compõem a bancada do PT na Assembléia Legislativa, que tem o deputado Donizetti Braga ocupando o cargo de primeiro Secretário na Mesa da Alesp.

E assim, sem nenhuma decisão jurídica, sem nenhuma comunicação anterior, sem garantir o inalienável direito de defesa e do contraditório, sem ao menos anexar um parecer jurídico por escrito – nem mesmo da assessoria técnica da própria Assembléia –, acatando como bastante suficiente a palavra de um único interessado (no caso o Partido dos Trabalhadores), violou-se a vontade popular, a soberania das urnas e a tradição parlamentar brasileira de respeito aos mandatos, até que haja um processo tramitado e concluído na Justiça Eleitoral ou na Casa Legislativa correspondente, de acordo com cada caso.

O deputado Vaz de Lima outorgou exclusivamente a si próprio a condição de substituir a Justiça Eleitoral na prerrogativa de analisar e julgar casos de infidelidade partidária, bem como a autoridade de arrostar o direito legítimo de um suplente que foi mais bem votado que o outro de tomar posse no mandato. É flagrante caso de abuso de poder, agravado ainda mais pelo fato de voltar-se contra um partido que não está representado na Assembléia, na atual legislatura, e nem poderia resistir ou se defender no âmbito da Casa.

É uma decisão política, um possível acordo entre o PT e PSDB, que polarizam campos políticos opostos em plano nacional e estadual, atuaram juntos para impedir a posse de Pedro Bigardi.

Não é demais lembrar que Jundiaí é uma cidade importante e é governada há mais de 20 anos pelo PSDB e, na eleição de 2008, seu candidato a prefeito Miguel Haddad (PSDB) foi condenado em primeira instância em seis processos por abuso de poder político e econômico, só conseguindo tomar posse depois de obter liminar no TRE. Neste mesmo pleito, Pedro Bigardi ficou em segundo lugar, com 35% dos votos, curioso.

É um triste episódio da política e do legislativo paulista, com reflexos graves para Jundiaí e região.

É necessário consignar também que o PT e o PCdoB estiveram coligados nas disputas estaduais de 1990 (Plínio de Arruda Sampaio para governador), de 1994 (José Dirceu), 1998 (Marta Suplicy), 2002 (José Genoíno), 2006 (Aloísio Mercadante). Nestas disputas majoritárias foram eleitos também em coligação os senadores do PT Eduardo Suplicy e Aloísio Mercadante.

No caso de 2006, a chapa que enfrentou o PSDB e a candidatura de José Serra, foi composta por Aloísio Mercadante governador e Nádia Campeão, do PCdoB, como candidata a vice-governadora, ou seja, a mudança de Pedro Bigardi do PT para o PCdoB não caracteriza, sob nenhum aspecto, infidelidade partidária, afinal há clara proximidade programática entre os dois partidos.

Quem perdeu até a correção do TJ foi Jundiaí e o parlamento paulista.

20 ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM


O fim do comunismo no leste europeu, simbolizado pela queda do Muro de Berlin, completará 20 anos. O distanciamento temporal do fato possibilita uma reflexão sobre o que aconteceu.
Leon Trotsky afirmou que a sociedade soviética era uma sociedade de transição entre o capitalismo e o socialismo, e profetizou que havia o risco de uma contra-revolução restabelecer o capitalismo na URSS se a classe trabalhadora politicamente não derrotasse a onipotência da burocracia e não implantasse uma democracia socialista.
Talvez a Perestroika[1] tenha significado, na prática, a contra-revolução prevista por Trotsky, pois restabeleceu o capitalismo na URSS.
A Perestroika e a Glasnost[2], políticas introduzidas na União Soviética por Mikhail Gorbatchev, em 1985 deu início ao fim do sonho da revolução de outubro de 1917, e quem reconduziu a URSS ao capitalismo foi o proprio PCUS, sua burocracia e o distanciamento entre o Partido e a sociedade.
A falta de democracia, a incapacidade de a burocracia conviver com a critica e o com o contrário[3] deram início à degeneração de um Estado que poderia ter sido o parâmetro para um mundo mais justo.
Aliás, os partidos de esquerda do Brasil e do mundo todo tem de fazer uma análise de suas práticas, pois os teóricos do marxismo são, em geral, muito habeis ao criticar a teoria das elite[4]s e sua aplicação nos estados capitalistas, mas não são igualmente diligentes no estudo do fenômeno nos paises de orientação socialista.
Nesse sentido Bobbio[5] afirma que essa caracteristica da esquerda faz com que a maior produção dos teóricos socialistas sejam as criticas e análises sobre o capitalismo e sobre a sociedade burguesa, havendo, por paradoxal que seja, pouca produção intelectual critica sobre as sociedades socialistas.
A falta de debate, de participação social, de participação real sobre as constituição das instituições e estruturas do Estado socialista comprometeu o projeto de construção de um Estado Operário, com base na democracia socialista.
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[1] A Perestroika (do russo: Перестройка, significa reconstrução, reestruturação) foi, em conjunto com a Glasnost, uma das políticas introduzidas na União Soviética por Mikhail Gorbatchev, em 1985. A palavra perestroika, que literalmente significa reconstrução, ganhou a conotação de 'reestruturação econômica'. Gorbachev talvez cooptado pela lógica neo-liberal negou a história e a Revolução de Outubro e passou a afirmar que a economia da União Soviética estava a falhar, que o sistema socialista, apesar de não ter de ser substituído, certamente necessitava de uma reforma, e isto seria levado a cabo pelo processo da perestroika.
[2] Glasnost (do Russo: гла́сность, significa transparência) foi uma medida política implantada juntamente com a Perestroika na URSS durante o governo de Mikhail Gorbachev. A Glasnost contribuiu em grande parte para a intensificação de um clima de instabilidade causado por agitações nacionalistas, conflitos étnicos e regionais e insatisfação econômica, sendo um dos fatores causadores da ruína da URSS.
[3] Contrário: categoria da lógica formal. As proposições são contrárias porque ambas podem ser falsas, mas não podem ser verdadeiras simultaneamente.
[4] A teoria das elites surgiu no final do século 19 tendo como fundador o filósofo e pensador político italiano, Gaetano Mosca (1858-1941). Em seu livro "Elementi di Scienza Política" (1896), Mosca estabeleceu os pressupostos do elitismo ao salientar que em toda sociedade, seja ela arcaica, antiga ou moderna, existe sempre uma minoria que é detentora do poder em detrimento de uma maioria que dele está privado.
[5] “Qual Socialismo? Discussão de uma alternativa”, Bobbio, Norberto, 3. edição, ed. Paz e Terra, p. 23.

POEMA EM LINHA RETA (Fernando Pessoa)


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Lembranças do ‘Pátio dos Leões’...


O “Pátio dos Leões” é o espaço no prédio central da PUC (Pontifícia Universidade Católica) Campinas, descoberto e fechado por muros ao qual se tem acesso através de um grande portão de ferro. O pátio é guardado por dois imponentes leões de pedra que ficam no alto de colunas que sustentam o portão.
Nesse local, ou a partir dele, nos anos de 1982 a 1986, vivemos e compartilhamos validamente sonhos e construímos nossa vida profissional, social e política. Eu, particularmente, devo à sorte - força dívida reguladora dos acasos -, muita coisa que vivo hoje, pois foi no Pátio dos Leões que conheci meus grandes amigos, os adversários mais respeitáveis, foi lá que conheci Celinha, meu amor, e a partir de lá passei a crer na ação política como força legítima necessária para transformar a realidade.
E há uma história muito legal que aconteceu em 1982, que envolve o vereador Bileo Soares (PSDB). Eu estava lá e sou testemunha.
O ano era 1982, e a “direita” dominava a política estudantil na faculdade de Direito da PUCC, em Campinas, e isso nos parecia inadmissível, afinal vivíamos numa época de reconstrução da democracia. Por conta disso, deixamos de lado as diferenças e unimos forças para vencer as forças organizadas do atraso. Estavam ombreados: o PT, PCdoB, PMDB e o ainda embrionário PSB.
As lideranças estudantis progressistas na faculdade de Direito eram Caio Carneiro Campos, pelo PCdoB, João Roberto Medeiros, pelo PMDB e este escriba pelo PT. Havia ainda Frida Cristina Barbosa, João Facciolli, Angélica Marinho, Orlando Bueno, José Antonio Lemos, Miguel Valente Netto, enfim, tanta gente boa que não vou me lembrar de todos agora.
E numa reunião, da qual Bileo não participou, concluímos que ele deveria ser o candidato a presidente do DA (Diretório Acadêmico), por seu espírito democrático e por ter bom trânsito também no campo conservador.
Reunimo-nos, cerca de 20 ou 30 “jovens revolucionários” no Centro Acadêmico de Psicologia para entregar a Bileo a tarefa. Foram 12 horas de reunião e Bileo permaneceu em silêncio a maior parte do tempo. Falávamos, discursávamos, brigávamos e nos reconciliávamos. Bem, lá pelas 5 ou 6 horas da manhã Bileo posicionou-se e não aceitou a indicação. Caio ocupou a cabeça de chapa e vencemos as eleições com MUITA sobra, para desespero da faculdade - bastante conservadora naquele momento -, passamos a enviar representantes aos congressos da UEE (União Estadual dos Estudantes) e UNE (União Nacional dos Estudantes), além do ENED (Encontro Nacional de Estudantes de Direito) e democratizou as relações institucionais na faculdade.
Vencemos ainda em 1982 e 1983, mas perdemos em 1984 e 1985 (nesse ano fui candidato presidente, com uma chapa pura petista). Outra curiosidade: perdemos para um grupo que julgávamos alienados e conservadores, denominado “Delírio Acadêmico” e que tinha como um dos seus articuladores o hoje petista, advogado e ex-secretário dos negócios jurídicos Nilson Lucilio.
Outra história curiosa envolve o deputado federal Carlão Sampaio (hoje no PSDB). Ele era do nosso grupo, mas na faculdade Carlão era considerado “café com leite”. Sempre nos lembrávamos dele para o Departamento e Esportes, coisas assim, ademais, a liderança da família Sampaio era o irmão mais velho Afonsinho Sampaio.
O interessante é que a orientação política da família Sampaio sempre foi progressista, de esquerda mesmo, tanto que o Dr. Afonso Celso, pai do Carlão, foi candidato a vice-prefeito de Campinas em 1982, numa sublegenda do PMDB, na chapa encabeçada pelo médico sanitarista Sebastião de Morais, todos da esquerda do PMDB, fortemente influenciado pelo PCdoB. E hoje o advogado do Carlão tenta - infundada e desesperadamente - caçar o mandato do vereador Sérgio Benassi do PCdoB.
Há muitas histórias daquele tempo e de pessoas que hoje ocupam importantes funções políticas no Executivo, Legislativo, na magistratura, na advocacia, no Ministério Público e nas polícias. Aos poucos eu conto.

CRISE OU COLAPSO ESTRUTURAL?


Não sou economista, mas a crise pela qual passa o capitalismo global me parece mais séria do que gostaríamos de admitir. Trata-se, creio de verdadeiro colapso estrutura que revela a incapacidade do capitalismo, agora global em distribuir, com justiça e generosidade, a riqueza produzida pela ação humana.
Afirmo isso porque o que começou como uma crise financeira no centro do império rapidamente chegou à Europa, tanto à zona do Euro como fora dela, revelando-nos a cada dia que os profetas do “Fim da História” estavam errados.
Apenas para relambrarb: o Fim da História, como sabemos, é uma teoria iniciada no século XIX por Georg Wilhelm Friedrich Hegel e posteriormente retomada, no último quarto do século XX, no contexto da crise da historiografia e das Ciências Sociais no geral, segundo essa teoria estariamos diante do fim dos processos históricos caracterizados como processos de mudança.
Para Hegel isso iria acontecer no momento em que a humanidade atingisse o equilíbrio, representado, de acordo com ele, pela ascensão do liberalismo e da igualdade jurídica, mas com prazo indeterminado para ocorrer.
Retomada ao final do século XX, essa teoria já adquire caráter de situação ocorrida pois, de acordo com os seus pensadores, a História terminou no episódio da Queda do Muro de Berlim.
Naquele momento, os antagonismos teriam terminado pelo fato de, a partir de então, haver apenas uma única potência - os Estados Unidos da América - e, conseqüentemente, uma total estabilidade.
A idéia ressurgiu em um artigo, publicado em fins de 1989 com o título de "O fim da história” e, posteriormente, em 1992, com a obra "O fim da história e o último homem", ambos do estado-unidense Francis Fukuyama.
Fukuyama desenvolveu uma linha de abordagem da História, desde Platão até Nietzsche, passando por Kant e pelo próprio Hegel, a fim de revigorar a teoria de que o capitalismo e a democracia burguesa constituem o coroamento da história da humanidade.
Na sua ótica após a destruição do fascismo e do socialismo, a humanidade, à época, teria atingido o ponto culminante de sua evolução com o triunfo da democracia liberal ocidental sobre todos os demais sistemas e ideologias concorrentes. Em oposição à proposta capitalista liberal, restavam apenas os vestígios de nacionalismos (sem possibilidade de significarem um projeto para a humanidade) e o fundamentalismo islâmico (restrito ao Oriente e a países periféricos). Desse modo, diante da derrocada do socialismo, Fukuyama concluiu que a democracia liberal ocidental firmou-se como a solução final do governo humano, significando, nesse sentido, o "fim da história" da humanidade, errou feio.
Nesse contexto acredito seja importante que todos que acreditam em alternativas progressistas de sociedade reflitam sobre o que fazer para que o sociedade e não apenas o mercado tenham vez e voz daqui para frente.