domingo, 31 de julho de 2016

ainda sobre a elite autoritaria

Para a filosofa Marilena Chauí para que possamos compreender a sociedade brasileira temos de aceitar que ela é autoritária e violenta. A sociedade brasileira seria autoritária e violenta.

Essa afirmação contraria a ideia consagrada de que no Brasil há uma cultura que seria formada pelo acolhimento recíproco e pela cordialidade, só por isso merece atenção e reflexão.

Numa entrevista que nossa filosofa concedeu à CULT[1] ela diz que não se trata de considerar os brasileiros individualmente violentos, mas de reconhecer históricas que produzem uma vida social em que o espaço público e republicano é submetido aos interesses privados de uma elite medieval, fato que reproduz esses interesses e as relações de poder no cotidiano social.

Como exemplo desse autoritarismo, formador das nossas estruturas de poder, pode-se citar o Golpe de Estado que se construiu com o concurso da mídia para afastar a Presidente Dilma Rousseff e empossar um lacaio dos interesses privados, dando inicio de uma espécie de ditadura parlamentar, tutelada pela própria mídia, pelo MPF e por uma vara federal de Curitiba, revelando a falta de apreço que a elite nacional e a classe média urbana tem pela democracia.

Aliás, como escreveu Roberto Amaral, no Brasil a democracia representativa nunca encontrou um campo fértil, jamais deu à vontade soberana do povo e ao voto a sua importância genuína[2].

Vivemos, segundo ele, “...desgraçadamente nessa ordem -, construindo uma sociedade autoritária e, daí, um Estado autoritário, regido por um direito autoritário.”.



[1] CULT, Nº 209, p. 9 a 17.
[2] “Apontamentos para a reforma política – A democracia representativa está morta; viva a democracia participativa”, in Brasília a. 38 n. 151 jul./set. 2001.

sábado, 30 de julho de 2016

Elite: consumista, ridícula, ignorante, colonizada, subserviente, babona, golpista e entreguista.




“A elite brasileira é engraçada. Gosta de ser elite, de mostrar que é elite, de viver como elite, mas detesta ser chamada de elite, principalmente quando associada a alguma mazela social. Afinal, mazela social, para a elite, é coisa de pobre.[1] (Antonio Lassance)

Acredito que toda desigualdade no país é responsabilidade de sua elite.

Há muito ódio à vista hoje em dia, ódio semeado e cultivado pela elite, um ódio que ataca nordestinos, negros, analfabetos, mulheres e outras minorias; trata-se um ranço de classe, de uma elite que nunca aprendeu a conviver com o povo, pois nunca quis conhecer e compreender a beleza e grandeza do povo brasileiro.

O Brasil possui uma elite tão medíocre que sequer admitiu a abolição da escravatura; tão burra que “Bolsa Família” para ela é uma revolução socialista e investimentos sociais é desperdício de dinheiro público.

A elite brasileira é atrasadíssima, ignorante e semeia ódio. O povo é muito melhor que a elite.

Tanto é verdade que enquanto o capitalismo se modernizava na Europa o Brasil, dos séculos XVIII e XIX, seguia orientado por sua elite patrimonialista e atrasada, sobrevivendo da monocultura e do trabalho escravo, sem projeto de nação.

É possível afirmar que o atendimento aos interesses da elite brasileira atrasou a industrialização no Brasil, basta lembramos que o café, constituiu-se como principal produto de exportação do país, chegando quase a preencher toda a pauta de exportação.

A elite nacional, que tem em seu currículo apoio a todos os movimentos antidemocráticos de nossa História, apóia hoje em dia o Golpe de Estado travestido de legalidade e parece não se incomodar com os abusos cometidos pelo pessoal de Curitiba ou com o Estado totalitário que se insinua.

PRIMEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL[2].

E podemos lembrar que a Primeira Revolução Industrial ocorreu na Inglaterra, ainda no século XVIII, quando a elite nacional orientava o “desenvolvimento” nacional como colônia de Portugal. Por volta de 1830, a Primeira Revolução Industrial se completou na Inglaterra, e daí migrou para o continente europeu. Chegando à Bélgica e França, países próximos do arquipélago britânico. Por volta de meados do século XIX, atravessou o Atlântico e rumou para os Estados Unidos. E, no final do século, retornou ao continente europeu para retomar seu fio tardio na Alemanha e na Itália, chegando, também, ao Japão. Mas por aqui nossa elite “cheirosinha” impediu qualquer desenvolvimento.

O ramo característico da Primeira Revolução Industrial é o têxtil de algodão. Ao seu lado, aparece a siderurgia, dada a importância que o aço tem na instalação de um período técnico apoiado na mecanização do trabalho. As imagens marcantes desse período são a máquina de fiar, o tear mecânico, todas movidas a vapor originadas da combustão do carvão, a forma de energia principal desse período técnico. O sistema de transporte característico é a ferrovia, além da navegação marítima, também movida à energia do vapor do carvão. A base do sistema é o trabalho assalariado, cujo cerne é o trabalhador por ofício.

Por isso, para compreender o que era o Brasil nos séculos XVIII e XIX, o atraso aqui instalado e a responsabilidade da elite, temos de pensar nos moldes em que o Estado Nacional brasileiro foi se construindo. Olhar para a estrutura do poder, para a manutenção das desigualdades sociais e para a concentração de riqueza nas mãos de poucos, para a repressão, para a passagem do modelo de corte do 2o Reinado para a república dos coronéis no século XX, tudo sem qualquer participação popular. O povo nunca foi verdadeiramente preocupação da elite até a eleição de Lula.

SEGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL.

Mas voltemos ao século XIX.

Enquanto nossa elite escravocrata estava preocupada em manter seus “ativos” as mudanças no mundo seguiam, tanto que a partir de 1.870, novas mudanças aconteceram na economia da Europa. As transformações se basearam na descoberta de novas fontes de energia e nos avanços científicos e técnicos. Começava a segunda Revolução Industrial. A base dessa segunda fase industrial foram duas novas fontes de energia: a eletricidade e o petróleo.

Mas o Brasil seguiu seu caminho medíocre determinado por sua elite, tanto que durante quase todo o século XIX prosseguiria o lucrativo e odioso comércio de escravos, sem nenhum peso na consciência.

É verdade que o Império, tendo à frente D. Pedro II, encontrava-se num dilema, de um lado a pressão externa européia, em especial da Inglaterra, para eliminar a escravidão e seu comércio, e de outro lado a pressão interna por sua manutenção; a abolição de tal prática significaria a perda de sua maior fonte de apoio, os grandes latifundiários escravagistas, causando conseqüentemente o fim da Monarquia. Assim, a situação arrastou-se até 1888, com a abolição tardia da escravidão, e o igualmente previsível resultado de queda do Império; ou seja, o fim da monarquia e a implantação da republica não foi uma decisão do povo e sim da elite ressentida.

REFORMA AGRARIA.

No Século XIX nos EUA ocorria outro fato que considero de enorme relevância para compreender o caráter corrosivo da nossa elite.

Para ocupar o oeste norte-americano por colonos de todas as partes do país e do mundo, o presidente Abraham Lincoln sanciona em 20 de maio de 1862 o Homestead Act (Lei da Fazenda Rural). Tratou-se de um programa destinado a conceder terras públicas a pequenos fazendeiros a baixo custo. A lei concedia 160 acres – 650 mil metros quadrados – a todo solicitante, desde que fosse chefe de família e tivesse 21 anos ou mais, e garantisse permanecer e trabalhar a terra por no mínimo cinco anos, pagando uma pequena taxa de administração.

Mas lá como cá a elite atrasada atrapalhou o necessário processo de ocupação do oeste. O Homestead Act fora inicialmente proposto em 1850, contudo os congressistas do Sul temiam que a ocupação do Oeste por pequenos fazendeiros criasse uma alternativa agrícola ao sistema escravagista sulista. Em 1858, uma lei de reforma agrária foi derrotada por apenas um voto no Senado e, em 1859, um projeto de lei foi aprovado em ambas as casas tendo sido, no entanto, vetado pelo presidente James Buchanan.

Coube ao republicano Abraham Lincoln encaminhar a solução correta e o modelo baseado na pequena propriedade, aliado à mão de obra familiar, resolveu a questão agrária norte-americana (hoje em dia Lincoln seria chamado de comunista pela nossa elite, uma elite tão ridícula que desfila com a camiseta da corrupta CBF nas manifestações contra a corrupção, manifestações financiadas pela FIESP e FEBRABAN, manifestações que possuem área VIP com espumante e canapés).

Já no Brasil o modelo de colonização contribui para a perpetuação de um sistema fundiário baseado na grande propriedade, sempre a interesse da elite. Não se pode esquecer que o início da colonização no Brasil se deu através da concessão de grandes latifúndios no nordeste do país, chamadas Capitanias Hereditárias e Sesmarias.

O processo de criação dos latifúndios apenas aumentou com a vinda de diversos imigrantes ao Brasil e com a mecanização da agricultura principalmente durante o período da ditadura militar.

A primeira iniciativa em prol da reforma agrária foi a criação da SUPRA – Superintendência Regional de Política Agrária – em 1962, 100 anos depois do Homestead Act. Por conta do debate sobre as reformas de base, especialmente da reforma agrária, o Presidente João Goulart foi chamado de comunista pela elite nacional, elite que apoiou e financiou o golpe civil-militar de 1964.

ELITE RIDICULA.

Há fatos que nos revelam de forma mais lúdica o caráter e natureza da elite nacional, como o de uma milionária, de férias no litoral, que mandou o cão para o veterinário de helicóptero, porque viu o cãozinho comer a marmita de seu segurança[3].  Esse fato mostra a absoluta falta de vergonha da elite nacional e demonstra o seu caráter e a natureza.

Há ainda a história de uma senhora chamada Vera Loyola que teria enviado seu cãozinho para o cabeleireiro de helicóptero e, em seguida, explicado aos jornalistas que o fez "porque o Rio é uma cidade muito violenta".

CONCLUSÃO.  

Esses fatos ilustram a existência uma herança maldita: temos uma elite com a cabeça colonizada, saudosa dos tempos da nobreza e da realeza. Uma elite, consumista, ridícula, ignorante, colonizada, subserviente, babona, golpista, entreguista e que sonha com o dia em que o Brasil será uma mistura dos paraísos europeus e estadunidense.

São essas as reflexões de hoje.



[1] http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Como-pensa-a-elite-brasileira/4/31431
[2] http://www.coladaweb.com/geografia/as-tres-revolucoes-industriais
[3] http://antigo.brasildefato.com.br/node/6930

domingo, 24 de julho de 2016

ESCOLA SEM PARTIDO. O QUE É ISSO AFINAL?


O tal “Programa Escola sem Partido” [1] apresenta-se como iniciativa de estudantes e pais, que estariam preocupados com o grau de contaminação político-ideológica das escolas brasileiras, em todos os níveis. Mas não é isso, é apenas mais um exemplo da inflexão conservadora, mais um movimento que busca afirmar sua própria ideologia e o faz de forma dissimulada.

Tentando apresentar-se ideologicamente asséptico o grupo revela-se ideológico e partidário quando afirma: “A pretexto de transmitir aos alunos uma “visão crítica” da realidade, um exército organizado de militantes travestidos de professores prevalece-se da liberdade de cátedra e da cortina de segredo das salas de aula para impingir-lhes a sua própria visão de mundo.”.

O que o grupo liderado por um senhor chamado Miguel Nagib pretende é implantar uma espécie de macarthismo em nossas escolas, implantando odiosa censura, através de uma vigilância policialesca a conteúdos apresentados pelos nossos professores. O jornalista Luiz Carlos Azenha escreveu um belo artigo[2] sobre essa questão. 


Há até um Projeto de Lei tramitando no congresso o qual, sob o pretexto de defender princípios tais como "neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado", "pluralismo de idéias no ambiente acadêmico", “liberdade de consciência e de crença” coloca, na prática, o professor sob constante vigilância, principalmente para evitar que afronte as convicções morais dos pais.


Mas quais seriam as convicções morais do país sob risco de afronta, segundo os zelosos estudantes e pais?


A Constituição Federal responde essa questão. No seu artigo 205 a CF traz como objetivo primeiro da educação o pleno desenvolvimento das pessoas e a sua capacitação para o exercício da cidadania para, em seguida, enunciar também que o propósito do processo educacional é a qualificação para o trabalho.

Não há enunciados inúteis em nossa constituição. A ordem posta (1º capacitação para a cidadania e 2º qualificação profissional) não está ao acaso. Nossa constituição busca orientar a atuação estatal dentro de uma visão e ação plural da sociedade nacional.

Noutras palavras, a escola é espaço livre para a construção da cidadania, espaço onde se colocam livremente as idéias num processo dialético e mágico, um processo formativo da cidadania, uma cidadania fundada no respeito e pluralidade; esse é o país que nossos constituintes indicaram, um caminho que não se pode alterar com leis ordinárias oportunistas.

O Projeto de Lei da “Escola sem Partido”, assim como o tal Programa Escola sem Partido” mentem descaradamente quando propõe uma “neutralidade ideológica”. A "neutralidade ideológica" é uma impossibilidade, temos que defender a pluralidade das idéias, a rica diversidade como processo necessário de construção cotidiana da cidadania.

O que esse tal Programa Escola sem Partido” pretende é impor sua ideologia promovendo crenças e valores compatíveis com ela, desqualificando idéias que possam desafiar suas certezas e excluindo formas colidentes com o seu pensamento. Esse tal Programa Escola sem Partido” obscurece a realidade social de modo a favorecer sua própria ideologia.

Outro aspecto a ser observado é que não há ideologia neutra. Ao contrário a ideologia é uma forma de "pensamento de identidade", que expulsa para além de suas fronteiras singularidade, diferença e pluralidade, noutras palavras o oposto da ideologia não é a “verdade” ou a “teoria”, mas a heterogeneidade.

Por isso o Projeto de Lei sob comentário é retrato do inconformismo dos derrotados em 1988, e o discurso que procura qualificá-lo flerta com o mau-caratismo tão próprio daqueles que combatem a vitória das diversas lutas emancipatórias contempladas em nossa constituição.

Nesses tempos sombrios uma de nossas tarefas é a defesa de uma sociedade aberta a múltiplas e diferentes visões de mundo; manter a escola como espaço estratégico para a emancipação política, convivência com a diversidade, entendimento global e a construção de uma cultura de paz e respeito.

Ademais, como muito bem alertou o MPF a iniciativa legislativa nasce eivada de inconstitucionalidades, pois o projeto de lei que quer implementar o tal Escola Sem Partido é inconstitucional, pois impede o pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, nega a liberdade de cátedra e a possibilidade ampla de aprendizagem e contraria o princípio da laicidade do Estado. 




[1] http://www.escolasempartido.org/quem-somos
[2] http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-professora-e-o-macartismo-201celes-acusam-eles-julgam-eles-punem201d-9045.html

sábado, 16 de julho de 2016

NICE E ISTAMBUL


Minha solidariedade às populações da França e da Turquia. 
Especialmente à de Nice, linda cidade da Côte d'Azur, cidade que conheci ao lado do meu amor e aplausos ao povo turco que corajosamente saiu às ruas defendeu sua democracia. 
Não podemos relativizar atos de terrorismo; são fatos inaceitáveis. 
É inegável que o terrorismo e a barbárie vêm se tornando fenômenos mundiais.  Eles podem chegar ao Brasil? Talvez já tenha chegado de outra forma... Só em 2012 morreram cerca de 60 mil pessoas no Brasil vítimas de violência.
A barbárie parece pautar as ações da tal humanidade.
Mas vamos à História... Cerca de 200 milhões de ameríndios foram mortos por espanhóis, ingleses e portugueses entre os séculos XVI e XX e com as bênçãos da santa amada igreja. O numero é tão assustador que algumas vezes parece ser mais fácil ignorar e não chorar essa vergonha e esses mortos.
Só no Peru no século XV viviam cerca de 9 milhões, mas após a chegada dos espanhóis no XVI a população nativa foi sendo dizimada e chegou a menos de 500.000 nativos no século XVII; naquilo que era chamado de Nova Espanha (México e América Central) a população era de 25 milhões de pessoas antes da conquista e no século XVIII os nativos representavam um total de 2,5 milhões, neste caso as epidemias novamente foram o fator mais destrutivo, mas muitos nativos morreram em combate ou escravidão.
A ação portuguesa, não foi menos bárbara. Dizimou grande parte da população nativa do Brasil, estima-se que havia 10 milhões de índios e atualmente existem cerca de 500 mil.
Na América do norte as estatísticas indicam que havia cerca de 10 milhões de nativos e poucos sobraram já que na terra dos bravos a máxima usada para justificar o processo de extermínio era “índio bom, é índio morto”.
Mais de 20 milhões de africanos foram sequestrados escravizados, sem que isso causasse indignação às pessoas de bem entre os séculos XVI e XX. A escravidão no Brasil perdurou por 388 anos...
Inocentes aos milhares foram queimados nas fogueiras da "santa" inquisição.
Mais de 50 milhões morreram nas duas grandes guerras. A interesse de quem?
Apenas civis e aos milhares, morreram em Hiroshima e Nagasaki vítimas da bomba atômica.
Cerca de 25 milhões de soviéticos e chineses morreram vítimas do totalitarismo.
Incontáveis comunistas e socialistas foram presos e desapareceram nos EUA no período do macarthismo.
A gerações inteiras a liberdade foi negada graças a ditaduras cruéis apoiadas pelas grandes potências e seus interesses impublicáveis, especialmente na América Latina e África.
Guerra da Coréia, Guerra do Vietnã, Invasão à Baía dos Porcos, Invasão ao Afeganistão, "Guerra Ira x Iraque", colônias europeias na África e Índia também semearam ódio e ressentimento são outros exemplos da barbárie.
No Iraque desde 2001 morreram cerca de 350 mil civis, especialmente mulheres, crianças e idosos. Tudo com apoio da Inglaterra, Espanha e França...
A guerra na Síria já provocou mais de 191 mil mortes, segundo a ONU (mas há outra contagem que anuncia 318.910 mortes documentadas), bem todos nós temos amigos sírios e libaneses, mas esse fato não repercute como deveria entre nós. O numero de mortos na Síria reflete a barbárie humana e tudo acontece na terra natal dos meus amigos Fawaz e Nawaf, onde ainda vivem seus irmãos e irmãs, sobrinhos e sobrinhas; um conflito interno que estaria sendo fomentado e financiado por interesses ocidentais, segundo o presidente sírio, mas independentemente dessa consideração entre 120 mil a 250 mil civis morreram nesse conflito, mulheres, crianças e idosos.
A humanidade SEMPRE esteve a desafiar a vida é a desprezar o outro, como se o outro não fosse tão importante quanto eu, apesar das nossas diferenças.
Dai a necessidade de falarmos sobre a Cultura da Paz.
A Cultura de Paz é um conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida baseados no respeito à vida, no fim da violência e na promoção e prática da não-violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação; no pleno respeito aos princípios de soberania, integridade territorial e independência política dos Estados e de não ingerência nos assuntos que são, essencialmente, de jurisdição interna dos Estados, em conformidade com a Carta das Nações Unidas e o direito internacional; no pleno respeito e na promoção de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais; no compromisso com a solução pacífica dos conflitos; nos esforços para satisfazer as necessidades de desenvolvimento e proteção do meio-ambiente para as gerações presente e futura; no respeito e promoção do direito ao desenvolvimento; no respeito e fomento à igualdade de direitos e oportunidades de mulheres e homens; no respeito e fomento ao direito de todas as pessoas à liberdade de expressão, opinião e informação; na adesão aos princípios de liberdade, justiça, democracia, tolerância, solidariedade, cooperação, pluralismo, diversidade cultural, diálogo e entendimento em todos os níveis da sociedade e entre as nações.

sábado, 9 de julho de 2016

Celinha minha


Acima da linha 
o Céu azul
o Sol
abaixo do Céu 
o horizonte

Abaixo ainda 
o vale
a luz 
o dia 


Sempre o Céu
e seu mistério
depois da linha
um vale 
uma fonte
a irrigar 
a terra
a semente 
brotou do Céu
Céu e linha
doces sorrisos os teus
olho o Céu e a linha
minha
Celinha 

COMBATE À INTOLERÂNCIA AO TOTALITARISMO.



“Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta da ONU, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor do ser humano e na igualdade de direitos entre homens e mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,… a Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações…”.
(Preâmbulo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948)

Acredito que as pessoas devem lutar contra a exploração sistêmica que oprime o ser humano e retira dele a liberdade; desejo uma sociedade onde não apenas os direitos, mas também as oportunidades sejam idênticas, uma sociedade que, de maneira consciente, defenda a emancipação do Brasil, defenda a soberania nacional antes de qualquer interesse privado, compreenda a importância do desenvolvimento social e econômico e lute pela paz mundial.

Acredito nas pessoas simples, pois são elas a fonte genuína dos valores da igualdade de direitos, liberdade e solidariedade, de uma moral e ética humanista e democrática.

Por isso todas as espécies de totalitarismo devem ser denunciadas e combatidas, todas.Devemos estar sempre atentos à sua aproximação e indesejado desenvolvimento.

Segundo Hannah Arendto totalitarismo pode ser compreendido e percebido nas formas de governo e de dominação e está baseadona organização burocrática de massas, no terror e na ideologia.

No totalitarismo a sociedade convive com os horrores e o radicalismo da negação à liberdade e da privacidade, o que é inaceitável.

Penso que é possível encontrarmos elementos do totalitarismo hoje em dia, especialmente porque a moral e a ética no totalitarismo são inexistentes ou estão em decomposição; a desumanidade (tão própria do fascismo, do stalinismo, franquismo, salazarismo e de algumas democracias liberais de direita que se pautam apenas pelos interesses do mercado ignorando o ser humano) é o ponto fundamental a ser compreendido e combatido. 

Daí a importância de compreendermos a importância dos Direitos Humanos e valores humanos e progressistas serem defendidos.

Os direitos humanos são escuto e aríete e devemos usá-los, pois são direitos inerentes a todos os seres humanos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição.

Os direitos humanos incluem o direito à vida e à liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre e muitos outros. Todos merecem estes direitos, sem discriminação.
O Direito Internacional dos Direitos Humanos estabelece as obrigações dos governos de agirem de determinadas maneiras ou de se absterem de certos atos, a fim de promover e proteger os direitos humanos e as liberdades de grupos ou indivíduos e desde o estabelecimento das Nações Unidas, em 1945 tem entre seus objetivos fundamentais promover e encorajar o respeito aos direitos humanos para todos, conforme estipulado na Carta das Nações Unidas.
Qualquer narrativa que os negue deve ser denunciada e combatida. Não podemos ter como natural a maldade que está contida nos discursos totalitários, os quais se nos são embalados lindamente, apenas para dissimular a maldade, a intolerância características tão próprias dos regimes totalitários.
O Brasil vive uma inflexão conservadora, de viés inegavelmente totalitário, e o simulacro de impeachment em curso, assim como o golpe que levou ainda interinamente ao Planalto Michel Temer contem elementos próprios do totalitarismo.

E esse momento triste apoiadores do golpe e de Temer flertam com o totalitarismo, um movimento que tem centralidade na questão moral e imoral do totalitarismo, no mal e na autonomia, consequências inevitáveis do regime.

Bolsonaro por exemplo, apoiador do golpe, defende a tortura e torturadores, defende o Golpe Militar, uma guerra civil, a morte de inocentes, o fechamento do Congresso Nacional e ataca o direito ao voto, se colocando assim como os militares da Ditadura Militar, contra as eleições diretas[1],só por isso ele mereceria ser processado e condenado, afinal no parágrafo único, do artigo 1º da Constituição, artigo que enuncia os fundamentos da republica, temos que “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente...” e o artigo 3°, que trata dos objetivos, determina ser nosso dever “I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;II - garantir o desenvolvimento nacional;III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”.

Alguém escreveu com correção que o conservadorismo tanto no campo político-social quanto o conservadorismo que existe em cada pessoa se posiciona a favor do impeachment de Dilma e a consequente ascensão de Michel Temer à presidência. Mas o que isso significa?
Significa que o é nosso dever combater a intolerância e o totalitarismo, defender a liberdade de expressão, as liberdade de imprensa, as liberdades civis todas, compreender o significado e importância dos Direitos Humanos e a partir dai, de forma propositiva, negar a possibilidade de um retrocesso, afirmar os valores da democracia, refutar golpes e manobras que relativizem a vontade popular, banalizem a maldade e o totalitarismo; sempre inspirados nos valores da igualdade de direitos, liberdade e solidariedade, de uma moral e ética humanista e democrática.



[1] https://www.youtube.com/watch?v=qIDyw9QKIvw