terça-feira, 13 de março de 2012

A SANTA INQUISIÇÃO E ZÉ DIRCEU.


O que o ex-ministro Zé Dirceu vem passando desde 2005 lembra a Santa Inquisição

A Santa Inquisição foi aquela medonha e vergonhosa corte religiosa, que era operada por autoridades da igreja e que decidia quem eram os hereges e se uma pessoa fosse considerada herege, a punição era entregue às autoridades seculares, pois "a igreja não derramava sangue". 


Parte da imprensa (a mesma imprensa que expressamente apoiou José Serra em 2010) tem feito as vezes da “santa inquisição” e decidiu que Zé Dirceu é “herege” e cobra (pressiona) do Poder Judiciário não um julgamento justo, mas uma punição dura. A "santa inquisição" moderna já condenou Zé Dirceu, já o declarou herege, bruxo, mafioso.

E fez tudo isso desprezando o princípio de inocência ou Presunção da Inocência que é um princípio jurídico aplicado ao direito penal que estabelece a inocência como regra. Esse principio é solenemente ignorado por setores da imprensa e da classe política, os quais apesar de saberem que somente após um processo concluído em que se demonstre a culpabilidade do réu, o Estado poderá aplicar uma pena ou sanção, em relação a Zé Dirceu diariamente o expõe a vergonha pública e ele é tratado como se condenado fosse.

Esses setores da mídia desprezam a Constituição Federal que prevê no art. 5° LVII "Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado em sentença penal condenatória", e tratam o ex-ministro como condenado o que eu considero anti-jornalismo, postura que lembra o método de propaganda do fascismo e a santa inquisição.

Que fique claro: não tenho nenhuma divergência à necessária investigação e condenação de culpados, mas divirjo do método de espetacularizar circunstâncias e condenar previmente aqueles que são, em principio e por principio, inocentes.

Esses setores da imprensa, assim como a santa inquisição, expõe o ex-ministro a  vergonha pública recorrente (na idade média o herege era obrigar o uso do sambenito, uma roupa de penitente, usar máscaras de metal com formas de burro, usar mordaças). E esses mesmos setores da impresa não informam que boa parte das acusações iniciais contra Zé Dirceu foram abandonadas pela Procuradoria Geral da União e que as demais não estão baseadas em nenhuma prova documental ou testemunhal (http://www.zedirceu.com.br/a_94562986/resumo.pdf), tratando-se de verdadeiro auto-de-fé e se ele for condenado será a vitória desses setores e daqueles que eles representam.

Alguns desses veículos qualificam o dirigente partidário e ex-ministro Zé Dirceu como chefe de uma organização criminosa e a capa de uma revista semanal referiu-se a ele como “O Poderoso Chefão”. Há condenação? Não, não há.

Mas há freqüente desrespeito à privacidade e intimidade do cidadão Zé Dirceu, fato que por si só já mereceria atuação firme do Ministério Público e do Poder Judiciário, além de desagravo político do campo progressista.

Por que não se aplica o Princípio de Inocência ou Presunção da Inocência ao ex-ministro?


Por que esses setores são tão generosos e comedidos com José Serra e sua filha Verônica Serra, apesar de todos os documentos apresentados pelo jornalista Amaury Ribeiro Junior e tão pouco responsáveis e republicanos com Zé Dirceu?

Merece registro que Zé Dirceu nunca foi condenado por nenhum crime, mas apesar disso a mídia interfere no senso comum ignora a presunção de inocência e cria fatos, transformando em verdades suas versões oportunistas e fim: “Zé Dirceu é um herege e merece ser queimado em praça pública”, essa é a mensagem. Isso merece reflexão.

Mauro Santayana escreveu faz muitos anos que os semeadores a discórdia não precisam de terra boa para semear, pois transformam a terra mais infértil em fecunda usando como adubo a irresponsabilidade da mentira e da versão. É o que setores da mídia faz com um único objetivo: prestar-se a manter viva a campanha ideológica de combate às políticas macro-econômicas e às políticas sociais inauguradas no governo Lula e que seguem firmemente no atual governo da Presidenta Dilma e tentar criar cizânia entre o ex-presidente Lula e a Presidenta Dilma, entre o dirigente partidário Zé Dirceu e a Presidenta.

Há outros elementos a serem considerados.

Como a oposição não tem elementos de critica substantiva, pois o governo federal além de bem avaliado é competente, acabou abraçando, com o apoio de veículos conservadores a bandeira da moralidade e da ética (menos por acreditar e praticar nessas categorias do que pela impossibilidade de fazer criticas de natureza substantiva ao governo federal e às suas políticas).

Penso que o combate à corrupção é necessário, mas não é uma agenda propriamente dita, não se deve suspender os programas e projetos de Estado ou de governo por conta disso, pois ele deve estar contido nas ações cidadãs, nas ações de Estado e de todas as estruturas e instituições publicas e privadas do país, por outro lado como afirmou Walter Pomar, dirigente nacional do PT, a uma revista recentemente a nossa postura em relação à corrupção deve ser “Denunciar, combater os efeitos e eliminar as causas. Para o que se faz necessário entender as raízes da corrupção” [1].
É uma pena que parte da mídia se preste a isso, pois é uma pauta hipócrita, quando há tanto a mostrar aos brasileiros acerca da verdadeira revolução estrutural e estruturante pela qual passa o país.

Mas quem é de fato Zé Dirceu ou José Dirceu de Oliveira e Silva? Zé Dirceu é herói de uma geração e isso tenta ser apagados através das mentiras e das versões repetidas milhares de vezes pelos serviçais dos setores conservadores e preconceituosos.

Por que herói? Porque, sob qualquer prisma que se analise, o jovem Zé Dirceu foi um Herói.

Foi líder estudantil, presidente da UNE - União Estadual dos Estudantes, da qual é presidente de honra, combateu a ditadura e por isso foi preso, em 1968, ao organizar e participar do 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Ibiúna (SP), um congresso organizado corajosamente na clandestinidade, foi um dos 15 presos libertados por exigência dos seqüestradores do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, foi banido do país pela ditadura militar.

Banido Zé Dirceu exilou-se em cuba, onde trabalhou e estudou, tendo corajosamente voltado clandestinamente ao país por duas vezes.  Na primeira, permaneceu no Brasil entre 1971 e 1972. Voltou, em 1974, quando residiu em Cruzeiro do Oeste, no Paraná, por cinco anos. Com a anistia, voltou à legalidade, em dezembro de 1979.

Não há registro de que ele tenha participado da luta armada. Faço essa ressalva porque a luta armada mereceu e merece criticas - enquanto ação tática de combate, resistência e denuncia contra o regime de exceção - mas nenhuma critica racional retira dos jovens que tombaram ou daqueles que sobreviveram o único adjetivo que validamente lhes cabe: HERÓIS e suas ações são exemplo clássico de heroísmo. Por isso é injusta a perseguição em curso, especialmente com olhos no jovem Zé Dirceu.

E aquela geração toda que combateu, resistiu e denunciou as atrocidades cometidas pelos maus militares é cheia de exemplos heróicos e o jovem Zé Dirceu é desses heróis.

O jovem Zé Dirceu estava disposto, na luta pela democracia e por seus ideais, dar a vida aos seus irmãos, é herói porque renunciou a tanto e nada buscava para si próprio, ele e todos os jovens daquela geração são heróis porque eram mais que justos, eram generosos.

Por outro lado Zé Dirceu maduro, foi deputado estadual constituinte (exercendo mandato entre 1987 e 1991, nesse período, notabilizou-se pela forte oposição à administração do então governador Orestes Quércia), foi deputado federal (no exercício do mandato de deputado federal, foi o autor - ao lado do senador Eduardo Suplicy - do pedido para a instalação da CPI que levou o então presidente Fernando Collor de Mello ao impeachment), foi coordenador da campanha vitoriosa de Lula em 2002 e ministro de Estado, na vida pública do Zé não há uma mácula sequer anterior aos fatos de 2005.

Zé Dirceu nunca foi condenado pelos fatos de 2005 e a sua cassação pela Câmara dos Deputados será julgada pela história ou revista por aquela casa um dia. Ele, então um dos homens mais poderosos da republica, foi banido da vida pública pela segunda vez, mesmo sem prova documental ou testemunhal, mas esse é o jogo político, o objetivo era tentar desestabilizar o Governo do Presidente Lula.  Mas Zé Dirceu manteve-se resignado. Uma atitude heróica, mais uma vez herói?

E novamente os representantes dos derrotados em 2002, 2006 e 2010 tentam atacando Zé Dirceu atingir Lula e Dilma. Mas a verdade vai triunfar derrotar a mentira e a versão, armas dos mentirosos e dissimulados.


[1] Caros Amigos, outubro 2011, p. 20.

domingo, 11 de março de 2012

O que é ser comunista hoje?


Antes é importante respondermos as questões: afinal o que é “direita” e o que é “esquerda” no final da primeira década do século XXI? Essas categorias políticas ainda tem significado? Ainda fazem sentido hoje em dia?

Penso que “direita” e “esquerda” são categorias universais da política e que fazem parte de conceitos básicos que informam genericamente o funcionamento das sociedades contemporâneas, por isso emprestam significado genuíno e necessário à compreensão e o sentido.

Em sendo assim um artigo do Professor Alberto Carlos, publicado recentemente mostrou-se bastante oportuno, especialmente quando ele afirma que o “PT se transformou em típico partido socialdemocrata europeu, guarda enormes semelhanças com partidos de centro esquerda da Europa: (…)” e afirma também que o PSDB tem a sua prática política próxima à dos partidos mais conservadores do mundo.

O Professor Alberto Carlos afirma que o PT como os partidos de centro-esquerdo da Europa “começaram muito pequenos e radicais”, mas todos “foram ficando extremamente moderados na medida em que cresciam. Abandonando o antigo ideário socialista para apenas defender o aumento do consumo para os mais pobres. Todos querem mais Estado na economia e mais política social.”, esse é um comentário parcialmente falacioso, pois dizer que o PT defende apenas o aumento do consumo pelos mais pobres não é verdade e não é honesto. O PT e os demais partidos de esquerda que compõe o atual governo vêm, através de políticas públicas de centro-esquerda, transformando o país pelo viés da cidadania. Essa é a verdade.

E Professor Alberto Carlos escorrega também ao afirmar que seriam as regiões mais pobres do país que votam nos partidos como o PT e no PCdoB. Trata-se de um argumento não verdadeiro, pois se o PT venceu no nordeste e 2010, como afirma o articulista, ele, talvez por desinformação, esqueceu-se que o PT venceu também no sul e no sudeste, as quais não podem ser qualificadas como das “regiões mais pobres”.
Bem, sendo o PT um partido de centro-esquerda ou, como afirma do Alberto Carlos Almeida, um verdadeiro socialdemocrata, o partido de “direita” ou conservador estaria representado pelo PSDB evidentemente, que reúne em torno de si os liberais. Compreendendo “liberais” como aqueles que apresentam um discurso articulado e sedutor, sobre a “eficiência na economia e na administração pública”, em redução de impostos, etc., mas que na prática são os responsáveis, através de sua prática desumana, quebrar a economia mundial em 1929 e em 2008 e sem nenhum constrangimento e socorrer-se do “vilão” Estado. Para conhecê-los bem, de maneira lúdica e numa linguagem de fácil compreensão é importante assistir o último documentário de Michel Moore: “Capitalismo; Uma história de Amor”. É revelador.
Mas vamos lá. O que é ser comunista ou socialista no século XXI? Eu acredito que é necessário o afastamento critico da tradição e da práxis autoritária que caracterizou a URSS em especial e passar a imaginar uma sociedade justa livre e pluralista. Cuba é um exemplo de avanços no campo social, nos direitos sociais, mas a revolução falhou no que diz respeito aos direitos civis e políticos. Quem é verdadeiramente de esquerda não pode deixar de fazer essa critica.

Ser de esquerda é: compreender que a riqueza da humanidade está na sua diversidade; ser um combatente das desigualdades sociais e econômicas; ser um defensor da diversidade, da tolerância; ser defensor e praticante do respeito às diferenças; ser defensor das liberdades civis todas (sem regulação ou censura); além de acreditar que o caminho para a democracia verdadeira passa pelo respeito às diferenças, inclusive ideológicas, e pela ampliação de espaços institucionais de aconselhamento e deliberação como os conselhos, as ONGs, os sindicatos, as associações, etc.

sábado, 3 de março de 2012

"Caminha Livre" (poema para a alma peregrina da Celinha)





Caminha meu amor
peregrina livre 
o caminho liberta os medos
o caminho cura as dores
o caminho revela além das luzes...

Em cada gota de suor
que escorrer pela sua face rosa
meu amor
há fragmento de dor
presente de Deus,,
conquista e liberdade...

O prazer de desafiar o desconhecido
vencendo o medo
esquecendo tudo pra lembrar de tudo

e caminhar
é seu
como eu sou seu
como você é o meu céu
e o sonho, nosso sonho, na linha do horizonte...

Não existirá nada
nada existe
pra se preocupar
viva o caminho e o momento
siga além do além 

e afasta todo tormento
é seu
é mágico e apaixonado
como o movimento

toda paisagem
e as lembranças
do primeiro olhar
do primeiro beijo
do primeiro desejo
do primeiro choro de cada filho
do primeiro gozo com o amor eterno...

Caminha e traga novidades
volta leve, 

e sempre linda
em sorrisos únicos
pois
Luz 
Felicidade 
e as Mensagens de Deus
frutos da nossa paixão 

e eu
estaremos ai 
e você aqui
nossa inspiração...