quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

sobre pessoas grandiosas

As pessoas grandiosas não são construídas, não andam em bandos e costumeiramente não são compreendidas.
Essas pessoas se constroem, andam em comunhão com suas consciências e sequer percebem a incompreensão do entorno, amam de forma genuína e seguem caminhando de maneira simples na direção certa.

sábado, 24 de dezembro de 2016

A SANASA INSTRUMENTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL E INTEGRAL.


“Os recursos (...) estão a ser depredados também por causa de formas imediatistas de entender a economia e a atividade comercial e produtiva. ” (Papa Francisco).

Campinas tem muito orgulho da sua companhia de tratamento de água e esgoto; temos orgulho da SANASA, uma das principais companhias do seu segmento no país.

A SANASA, cuja missão é contribuir para a qualidade de vida da população de Campinas, atender às necessidades atuais e futuras de saneamento básico, planejar e promover ações para o saneamento ambiental municipal, participar de atividades vinculadas ao saneamento no âmbito nacional e internacional e desenvolver ações voltadas à responsabilidade socioambiental, é instrumento fundamental para o desenvolvimento sustentável e integral de nossa cidade e é inspiração para toda RMC.

A questão ambiental e a sustentabilidade a estruturar o desenvolvimento são questões fundamentais, tanto que na encíclica Laudato Si’ o Papa Francisco trata da questão ambiental e nos lembra que ao tempo da Guerra Fria, quando havia o risco de uma crise nuclear e destruição ou degradação da natureza e de parcela da humanidade, o Papa João XXIII escreveu uma encíclica na qual transmitiu uma proposta de paz, na sua mensagem Pacem in terris conversou com todas as pessoas a todo o mundo, católicos ou não. 

Francisco lembrou também que o Papa Paulo VI  tratou da questão ecológica como uma crise de consequências dramáticas, pois a exploração desmedida da natureza expõe o ser humano ao risco de destruir-se e à humanidade, falou da possibilidade duma “catástrofe ecológica sob o efeito da explosão da civilização industrial” e ressalvou a “necessidade urgente duma mudança radical no comportamento da humanidade”, porque “os progressos científicos mais extraordinários, as invenções técnicas mais assombrosas, o desenvolvimento económico mais prodigioso, se não estiverem unidos a um progresso social e moral, voltam-se necessariamente contra o homem”.

O Papa João Paulo II também se dedicou à questão ecológica na sua primeira encíclica e advertiu que o ser humano parecia “não dar-se conta de outros significados do seu ambiente natural, para além daqueles que servem somente para os fins de um uso ou consumo imediatos”, para noutro momento convidar a todos para uma conversão ecológica global. João Paulo II teria lamentado o pouco empenho da humanidade em “salvaguardar as condições morais de uma autêntica ecologia humana”, pois a destruição do ambiente humano é um fato muito grave, por isso, propôs uma atitude de cuidar e melhorar o mundo, a começar pelo nosso estilo de vida, pela mudança dos modelos de produção e de consumo (assim como das estruturas consolidadas de poder, que hoje regem as sociedades), pois o progresso humano autêntico possui um caráter moral e pressupõe o pleno respeito pela pessoa humana, mas deve prestar atenção também ao mundo natural e ter em conta a natureza de cada ser e as ligações mútuas entre todos, num sistema ordenado.

Até o conservador Bento XVI falou em “eliminar as causas estruturais das disfunções da economia mundial e corrigir os modelos de crescimento que parecem incapazes de garantir o respeito do meio ambiente” e criticou o desperdício, numa clara reflexão sobre o consumo que nos consome e degrada.

O Papa Francisco trata como urgente a proteção da natureza e das coisas comuns através de um novo modelo de desenvolvimento sustentável e integral, especialmente a questão da água. A construção e a defesa das coisas comuns são tarefas nossas, pois as consequências da degradação ambiental na vida humana é uma enorme tragédia, especialmente para os mais pobres e as futuras gerações só terão uma vida se mudarmos de verdade e passarmos a proteger o meio ambiente e nesse contexto nos preocuparmos com o sofrimento dos excluídos.

Voltemos à questão da água.

Indicadores preveem a impossibilidade de sustentar o nível atual de consumo de água, seja nos países mais desenvolvidos, nos setores mais ricos da sociedade (onde o hábito de desperdiçar atinge níveis constrangedores) ou nos países pobres e nos setores mais humildes.  

A água potável e limpa constitui uma questão de primordial importância, porque é indispensável para a vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestres e aquáticos.

Um problema particularmente sério é o da qualidade da água disponível para os pobres, que em muitos lugares ceifa muitas vidas. Há relatos da ocorrência de doenças relacionadas com a água em razão de serviços de higiene e reservas de água inadequados (os quais constituem um fator significativo de sofrimento e mortalidade infantil), essa é uma realidade distante de Campinas graças à SANASA, mas está presente em muitos lugares, alguns não tão distantes da nossa cidade. Daí a importância da Secretaria do Verde em Campinas e integração de seus projetos e políticas com a SANASA, Educação, Planejamento, etc.

Em alguns lugares cresce a equivocada tendência para se privatizar este recurso escasso, tornando-o uma mercadoria sujeita às leis do mercado. Na realidade, o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos.


No que diz respeito à qualidade da água é importante que se registre o trabalho desenvolvido pela SANASA aqui em Campinas, bem como a lucidez do Prefeito Jonas Donizete acerca da importância estratégica da companhia com as características que tem, não apenas para cumprir adequadamente sua missão, mas especialmente para contribuir com a construção de uma cidade num modelo de desenvolvimento sustentável e integral. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

NATAL, TEMPO DE GENEROSIDADE.


No início do ano, um ano tão conturbado e cheio de injustiças e dor por todo o mundo, o Papa Francisco chamou nossa atenção em uma homilia sobre o estilo cristão de construção de uma vida virtuosa.

A construção de uma vida cristã passa pela cruz, esse é o caminho que que nos leva à alegria; e no caminho temos de buscar a companhia da humildade, da mansidão e da generosidade.

Francisco, que na minha opinião é o maior desde João XXIII, a partir do Evangelho de S. Lucas refletiu sobre esta frase de Jesus: “Se alguém quer vir após de mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me. ”, segundo ele vida cristã não pode ser vivida fora deste caminho ou distante dessas virtudes.

Nós não podemos pensar a vida cristã fora do caminho da humildade, mansidão e generosidade, pois apenas o exercício dessas virtudes nos salvarão e à humanidade, e nos conduzirão à alegria que a paz de espirito proporciona.

Temos de nos afastar do consumo irrefletido, vencer o egoísmo e a vaidade e, arrependidos, reparar os erros cometidos.

Bem, estamos próximos do Natal, uma época de pensarmos numa dessas virtudes: a generosidade. Penso que Jesus Cristo esteve entre nós também para semear essa virtude divina, que ao lado do amor, nos leva a outra dimensão, relevante, bonita, mas ao mesmo tempo de difícil prática.

O Natal é um tempo de pensarmos sobre o necessário exercício dessa virtude, pois ela nos aproxima da Santíssima Trindade, mesmo que seja por breve instante e, se Deus é amor, o exercício da generosidade nos aproxima Dele.

A virtude amor merece uma breve reflexão.

O que fazemos por amor sempre se consuma além do bem e do mal, dizia Nietzsche; eu digo: o amor é Deus e por isso é o próprio bem, basta que pensemos no que sentimos pelos nossos filhos, filhas, pais, esposas e maridos e o quanto isso nos emociona... Onde há amor há a possibilidade de vivermos a perfeição, mesmo numa sociedade imperfeita e cheia de injustiças como a nossa.

Mas voltemos à generosidade. Ela é uma virtude divina e é muito maior que a Justiça, pois vai além.

É certo que a Justiça é virtude humana fundamental, mas a pessoa generosa não se limita a dar ao outro aquilo que é dele ou lhe pertence, vai além e é capaz de dar ao outro o que faz mais falta ao outro.

Enquanto a justiça é uma virtude que depende, sobretudo, da reflexão, a generosidade depende apenas do coração e do temperamento.

E não se pode confundir generosidade com caridade, pois se a segunda é uma ação altruísta de ajuda a alguém, sem busca de qualquer recompensa, a generosidade está na gênese dela e a estrutura, possibilitando a sua existência.

O filosofo Comte-Sponville distingue, assim, a generosidade da justiça de forma precisa: "é certo que a justiça e a generosidade têm ambas que ver com as nossas relações com os outros; mas a generosidade é mais subjetiva, mais singular, mais afetiva, mais espontânea, ao passo que a justiça, mesmo aplicada, conserva algo de objetivo, de mais universal, de mais intelectual ou mais refletido".

Nesses tempos sombrios, onde as versões e as injustiças se apresentam triunfantes, que o Natal possibilite reflexão honesta e que essa semeie em nossos corações o desejo de realizarmos ações generosas, dizermos palavras generosas e nos reconciliarmos, assim, com a verdade e com a Justiça.

Feliz Natal

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

além da vida, há vida

O olhar
busca movimento, luz e registros
lembrança
além do tempo
não há tempo...
Há alma desnuda
no olhar
há vida a caminhar
além da vida
há vida.

Escolha e angústia.

Apenas horizontes opacos 
tempestades 
caminho, escolhas 
ideal distante 
sem certeza 
otimismo ou aurora 
apenas angústia 
tristeza indisfarçável.
Nas encruzilhadas 
escolhas 
onde estava a razão? 
nos tantos momentos 
de lamento 
companheira solidão.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A REPUBLICA ESTÁ MORTA! VIVA A REPUBLICA!


A República Federativa do Brasil não existe mais, está morta.

A inegável tensão existente entre os três poderes transformou-se em caos definitivo.

A Judicialização da Politica transformou-se em Politização do Poder Judiciário e o Judiciário, que tem o monopólio da jurisdição, mas não da Justiça, legitima e patrocina a catástrofe institucional e o fim da república.

Só nos resta refundar a república e gritar: Viva a República!

Como?

A pauta necessária é (i) a convocação de uma assembleia nacional constituinte exclusiva; (ii) eleições diretas e imediatas não só para Presidente e Vice-presidente, mas para Senadores e Deputados Federais e a (iii) realização de consulta popular acerca da necessidade de renovação, pelo menos parcial, dos tribunais superiores, dos Tribunais Regionais Federais, Tribunais Regionais do Trabalho e Tribunais de Justiça, além da extinção dos tribunais de contas no formato que eles têm hoje, pois é “muita corte” para uma só república.

Por que?

Porque A República Federativa do Brasil não existe mais, está sendo apropriada pela aristocracia urbana e por interesses econômicos internacionais.

E Aécio Neves da Cunha tem grande responsabilidade nisso tudo. Ao negar-se a aceitar a derrota nas urnas em 2014 colocou fogo no país, instalando uma crise política comparável apenas àquela que Carlos Lacerda e a velha UDN impuseram a Getúlio Vargas e a que antecedeu o golpe de 1964.

A História vai julgar Aécio Neves e seu memorial será erguido no mesmo lugar onde os estão os monumentos aos assassinos de Getúlio e aos golpistas de 1964, na esquina do escárnio com a vergonha.

A irresponsabilidade desse filhote da velha política levou à cassação de uma presidente honesta.

Mas Aécio não é o único vilão, por isso ao lado do seu monumento estarão os monumentos de todos aqueles que prestaram serviço aos interesses das Big Oil, que destruíram as grandes companhias nacionais, agravaram o desemprego e comprometeram o PIB em mais 140 bilhões de reais.

A História vai julga-los também, assim como julgará todos os investigados, denunciados e condenados por corrupção ativa e passiva e os juízes que os julgam, os promotores que os denunciam e os policiais que os investigaram, pois, o tempo é primo-irmão da verdade e seu definitivo guardião.

A República Federativa do Brasil não existe mais porque o Poder Judiciário tenta se apropriar do Poder Legislativo: Golpe!

A República Federativa do Brasil não existe mais porque o Ministério Público tenta se apropriar do Poder Executivo: Golpe!

O que vivemos é um Golpe de Estado a serviço de interesses internacionais, um golpe “legitimado” pelo Poder Judiciário e manejado pelo Ministério Público.

Um golpe que busca fechar o congresso e domesticar o executivo, tudo com o apoio da mídia corporativa; a mesma mídia que impôs sofrimento ao país a Getúlio, a mesma mídia que apoiou o golpe civil-militar de 1964 e que vem publicando opiniões e versões como se verdades fossem.

A serviço de quem esses golpistas estão? Não sei exatamente, mas não é a serviço do Brasil.


Por isso tudo, estando morta a república - tal qual foi concebida em 1988 - é tempo de criarmos uma nova, mais progressista, popular e generosa, uma república no nos honre para que possamos gritar: VIVA A REPÚBLICA!