sábado, 16 de março de 2013

"A democracia não significa ... que o povo realmente governa"


Joseph Schumpeter (1883-1950), um dos mais influentes pensadores liberais, capitalista portanto, definiu bem a democracia existente no capitalismo, Para ele, "a democracia da teoria clássica não passa de uma utopia. Na prática, deve ser apenas um método de escolha entre candidatos pertencentes às elites. Ao povo caberia apenas o papel de votar, de tempos em tempos...", deixando aos figurões mais ilustrados das classes dominantes a participação política efetiva.

Nas palavras do próprio Schumpeter: "A democracia não significa e não pode significar que o povo realmente governa (...). A democracia significa apenas que o povo tem a oportunidade de aceitar ou recusar os homens que os governam". Schumpeter via o cidadão comum com um fantoche nas mãos da imprensa e da máquina de propaganda dos partidos "razoáveis", isto é, comprometidos com o capitalismo.

A competição política, segundo ele, deve ocorrer dentro de um "leque restrito de questões, de maneira a jamais colocar em jogo as estruturas da sociedade e os pontos de consenso entre as elites".

sexta-feira, 15 de março de 2013

Habemus Papam e uma Igreja Católica está em crise.


O Papa Francisco é eleito e recebe uma igreja em crise. Ele próprio é acusado de haver colaborado com a ditadura argentina. Bem, a inegável crise da Igreja Católica Apostólica Romana decorre do fato dela não haver encontrado o seu lugar no mundo moderno e  no mundo globalizado.
As estruturas da Igreja Católica são medievais, essa não é apenas a minha opinião, mas de Leonardo Boff e de Francisco Isolino de Siqueira, com quem conversamos meu primo Mauro Calais Siqueira e eu alguns meses antes de seu falecimento. A Igreja é uma monarquia, e o que é pior, uma monarquia absolutista, que concentra o poder em pouquíssimas mãos. Nesse sentido ela está em contradição com o sonho originário de Jesus que foi o de criar uma comunidade fraterna de iguais e sem nenhuma discriminação.
E a Igreja Católica pode (e deve) se modernizar sem perder a essência de seus princípios e, consequentemente, sua identidade, basta libertar-se do Direito Canônico anacrônico, o qual foi escrito, também segundo Boff “para legitimar desigualdades e conservadorismos”. Todas as pessoas têm direito de receber a mensagem de Jesus na linguagem de nossa cultura moderna, coisa que a Igreja não faz. Ela coloca sob suspeita e até persegue quem tenta fazer, vide o que fizeram João Paulo II e Bento XVI com os Teólogos da Libertação.
Um bom começo para o Papa Francisco seria subscrever a Carta dos Direitos Humanos da ONU, o que a Igreja Católica ainda não fez, sob o pretexto de que ela não faz nenhuma referência a Deus. Bem como apoiar a Unicef, independentemente do fato da Unicef aconselhar o uso de preservativos para combater a Aids e fazer o planejamento familiar. Sem esses movimentos não será, para mim possível levar a sério também esse Papa.

A Igreja Catolica que eu desejo estimulará a ordenação de mulheres, pois as mulheres, nos evangelhos, nunca traíram Jesus, como fez Pedro, foram as primeiras testemunhas do fato maior para a fé cristã, que é a ressurreição, e também foram discípulas, isso tem de significar algo. A Igreja dos meus sonhos vai debater o casamento dos padres.
A Igreja que eu desejo deve enfrentar o debate sobre pedofilia e celibato, pois entre a pedofilia e o celibato há um denominador comum que é a ­sexualidade. A educação sexual que os candidatos ao sacerdócio é inadequada e falseada, pois é feita longe do contato com as mulheres. Sabe-se que o homem amadurece sob o olhar da mulher e vice-versa. Quando se tolhe um desses polos da equação, pode surgir o recalque, a sublimação e as eventuais distorções. A pedofilia é uma distorção de uma educação sexual mal realizada. Ademais, a pedofilia é um pecado e um delito. O pecado pode ser perdoado, mas o delito tem de ser punido. Esse é o ponto.
A Igreja Católica que eu desejo respeita os muçulmanos, os judeus, as mulheres, os homossexuais e todas as religiões do mundo. A Igreja de Francisco de Assis jamais baniria os teólogos da libertação.
A minha Igreja Católica é a Igreja de João XXIII, é dom Helder Câmara, é a Irmã Dulce, a Irmã Doroty Stang, é dom Pedro Casaldáliga, a de Leonardo Boff e tantos e tantas.