quarta-feira, 30 de julho de 2014

PARA QUEM ELES FALAM?

Depois da turbulência gerada pelos fatos que envolveram o SANTANDER e o tal Empiricus Research e suas análises, de caráter ideológico e de eleitoral é pertinente respondermos as seguintes perguntas: Para quem eles falam? A interesse de quem falam esses senhores?

Antes vale a pena dizer que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, descartou o risco de recessão para a economia brasileira neste ano.

Apesar de o Produto Interno Bruto (PIB) ter crescido 0,2% no primeiro trimestre deste ano, em ritmo menor que no quarto trimestre do ano passado, o ministro disse que não há possibilidade de o País fechar 2014 com índices negativos e quem fala em recessão está equivocado. Para o ministro, apesar de aumentar o volume de recursos em circulação (refere-se à decisão do Banco Central de injetar R$ 45 bilhões na economia – R$ 30 bilhões da liberação de compulsórios e R$ 15 bilhões de redução de riscos de crédito) a medida reativará a demanda sem pressionar a inflação. A inflação estaria em queda e continuará a cair nos próximos meses. A redução do preço dos alimentos, que pressionaram os índices no primeiro semestre, contribuirá para trazer a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para abaixo do teto da meta, de 6,5%, até o fim do ano.

O SANTANDER enviou aos seus clientes de alta renda um relatório que apontava risco de deterioração da economia caso a candidata do PT se estabilize na liderança das pesquisas de intenção de voto. Esse relatório foi de fato uma interferência da instituição financeira, a qual depois se retratou publicamente. Por que uma interferência?

Por que o SANTANDER não tem compromisso com a nação, aliás, nenhum banco ou banqueiro o tem. O compromisso deles é com seus acionistas e investidores, é para essa gente que esses senhores falam e não para o povo brasileiro, por isso é de fato ilegal e inadmissível para qualquer país, principalmente um país que é a sétima economia do mundo, aceitar qualquer nível de interferência de qualquer integrante do sistema financeiro de forma institucional na atividade eleitoral.

E há a agravante de a imprensa reproduzir a opinião desses economistas e analistas dos bancos e das tais consultorias sem dizer “para quem de fato eles falam” e a interesse de quem eles falam. A imprensa não tem cumprido adequadamente o seu papel de informar. O que está em disputa são dois projetos, duas visões de mundo diferentes: o DESENVOLVIMENTISMO e o NEOLIBERALISMO, essa é a verdade.

Gente séria analisa de forma bastante otimista a economia brasileira.

economista Jim O’Neill, criador do BRIC, afirma que apesar do fraco desempenho registrado no PIB desde a segunda metade do ano de 2011 é necessário, se quisermos fazer uma análise honesta, colocar o resultado desapontador de 2011 e 2012 no contexto do ciclo brasileiro. Em 2001, 2002 e 2003 o Brasil cresceu, respectivamente, 1,3%, 2,7% e 1,1% e a partir daí acelerou. Noutras palavras, não é possível avaliar o baixo crescimento desses dois últimos anos fora desse contexto e sem analisar-se também a crise pela qual passa o capitalismo mundial. Jim O’Neill afirma ainda que há condições de projetar-se um crescimento de 4% para os próximos anos, percentual ainda abaixo da possibilidade, mas indicativo de uma tendência.


E a disputa é entre dois projetos antagônicos, o liberal versus o desenvolvimentista, o mercado versus o Estado, a focalização exclusiva nos mais “pobres” versus a universalização dos direitos da cidadania, os valores do Estado mínimo versus os do Estado de bem-estar. Os direitos sindicais e laborais versus as relações de trabalho flexíveis, como escreveu Eduardo Fagnani, e os banqueiros e consultorias não tem NENHUM compromisso com o país, apenas com o lucro, mesmo que isso custe à nação, noutras palavras, mesmo que custe às pessoas comuns que não são os “seus clientes de alta renda” e para esses que eles falam.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Liberdade


Quanto mais útil e pragmático possa ser um pensamento, mais pobre ele, paradoxalmente, pode ser para o ser humano se não houver reflexão permanente.

Ser um homem com os "pés no chão" ou com a "cabeça nas nuvens" é uma escolha?

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Filhos



Filhos
a vocês direciono toda a pouca magia que tenho
pouca magia, mas toda ela...
É possível o todo ser pouco?

domingo, 20 de julho de 2014

O aeroporto do tio do Aécio


“Banalizar” é um verbo transitivo direito e significa fazer com que algo que deveria causar mal-estar fique banal ou comum. Significa também tornar vulgar. Já “banalização” é substantivo feminino que significa tornar vulgar, tornar comum, tornar banal.

O que li esse final de semana é de tirar o folego... Lá nas Minas Gerais no final de seu segundo mandato o então governador Aécio Neves gastou 14 milhões de reais na construção de um aeroporto dentro da fazenda de seu tio-avô Mucio Tolentino, irmão de sua avó Risoleta Neves, viúva de Tancredo Neves.

O aeroporto fica no município de Claudio e, apesar de ter sido construído com 100% de dinheiro público, é o tio-avô do Senador do PSDB que fica com as chaves do portão do aeroporto “público” e, segundo a notícia, para pousar ali é necessário pedir autorização aos filhos do tio Múcio. A operação desse aeroporto é considerada ilegal pela ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil e uma curiosidade: o município de Claudio fica a 150 km de Belo Horizonte e quando o “aeroporto da família” foi construído o município vizinho de Divinópolis, a 50 km de Claudio, já dispunha de um regular e regularizado. Mas o senador-candidato afirmou à imprensa, sem nenhum constrangimento, que na escolha da fazenda do tio Múcio foram adotados apenas critérios técnicos.

Absurdo?

Sim um absurdo, pois o tratamento dado ao fato é inusitado e ignora a presença do indesejado “patrimonialismo”, tão absurdo que lembrei do “teatro do absurdo (designação criada pelo crítico húngaro Martin Esslin -1918-2002), tentando sintetizar uma definição que agrupasse as obras de dramaturgos de diversos países que, apesar de serem completamente diferentes em suas formas, tinham como centro de sua obra o tratamento inusitado de aspectos inesperados da vida humana.
Esse fato é exemplo do que chamamos de patrimonialismo. O patrimonialismo é a característica de um Estado que não possui distinções entre os limites do público e os limites do privado. Foi comum em praticamente todos os absolutismos. O monarca gastava as rendas pessoais e as rendas obtidas pelo governo de forma indistinta, ora para assuntos que interessassem apenas a seu uso pessoal (compra de roupas, por exemplo), ora para assuntos de governo (como a construção de uma estrada). Como o termo sugere, o Estado acaba se tornando um patrimônio de seu governante. 
Esse é melhor o candidato da oposição. Meu Deus do céu!

Aguardemos cenas dos próximos capítulos.

sábado, 19 de julho de 2014

Bertrand Russel e Socialismo de Guilda

Encontrei esse belo material e compartilho com vocês. Esse é o link do video: https://www.youtube.com/watch?v=Ut7drCi2mts

Trata-se de uma entrevista de quase 30 minutos com Bertrand Russel. Aqueles que acreditam como eu, que o intelecto livre e o amor são os principais ou únicos motores válidos do progresso humano, não pode deixar de ser fundamentalmente contra tanto o (i) mercado e sua lógica, contra o tal (ii) comunismo que se praticou na URSS ou sob sua inspiração, (iii) quanto à Igreja de Roma. 

As esperanças que inspiram cada um deles, em geral, tão admiráveis, mas eles são postos em prática com fanatismo e tendem portanto a fazer muito mal. Todo fanatismo é deformador do sonho e neutralizador das possibilidades. Por isso vale a pena ler Russel, que eu já citei aqui nesse blog...

Russell passou os anos 1950 e 1960 envolvido em várias causas políticas, principalmente relacionadas com o desarmamento nuclear e a oposição à Guerra do Vietnã . O Manifesto Russell-Einstein de 1955 foi um documento pedindo o desarmamento nuclear assinado por 11 dos físicos nucleares mais proeminentes e intelectuais da época. Ele escreveu muitas cartas aos líderes mundiais durante este período, e esteve em contato com Lionel Rogosin enquanto o último estava filmando seu filme anti-guerra Good Times, Wonderful Times, em 1960. 

Tornou-se um herói para muitos dos membros da juventude da New Left. No início de 1963, em particular, Russell tornou-se cada vez mais crítico quanto à desaprovação do que ele sentia serem políticas quase genocidas do governo dos EUA no Vietnã do Sul. Em 1963, Russell tornou-se o destinatário inaugural do Jerusalem Prize, um prêmio para os escritores preocupados com a liberdade do indivíduo na sociedade. Em outubro de 1965, ele rasgou o cartão do Partido Trabalhista InglêsLabour Party, porque suspeitava que o partido iria enviar soldados para apoiar os EUA na Guerra do Vietnã. Ao longo de sua vida Russell escreveu diversos livros e ensaios criticando e propondo novas soluções para a sociedade em diferentes momentos, desde a virada do século XIX até boa parte do século XX. Em Roads to Freedom: Socialism, Anarchism, and Syndicalism, o autor sugere um modelo de Socialismo de Guilda, alternativo ao das principais correntes da época, como Socialismo SoviéticoCapitalismo IndustrialImperialismoNeocolonialismo, baseando-se em críticas ao próprio Socialismo, bem como ao Anarquismo e ao Sindicalismo

Russell propõe um novo modelo de sociedade baseado em valores como justiça social, máxima liberdade individual e mínimo de controle eopressão de poderes centrais sobre os indivíduos, porém com grande papel do estado para assuntos econômicos e financeiros. Seus pensamentos são baseados no socialismo de guilda e no anarquismo.



domingo, 13 de julho de 2014

UM PROXENETA GLOBAL?

“A vulnerabilidade das crianças aumenta significativamente quando elas são separadas de suas famílias, ficam desacompanhadas, órfãs ou deslocadas por crise humanitária” (Najat Maalla M’jid - relatora especial das Nações Unidas sobre a venda de crianças, prostituição infantil e pornografia infantil)

Li que o apresentador Luciano Huck teria tuitado notícia sobre um novo quadro do Programa “Caldeirão do Huck” (aliás, esse “caldeirão” deveria ser retirado do ar pela família Marinho, tão ciosa de valores como moralidade e ética) e tal tuite teria gerado polêmica.
O tuite em questão é o seguinte: “@LucianoHuck Ta no Rio? Solteira? Quer 1 príncipe encantado entre os “gringos” q estão na cidade. Mande fotos e o pq; namoradaparagringo@globomail.com”.

Pode ser que eu esteja ficando “implicante”, adjetivo usado pela minha avó Maria para definir os ranzinzas em geral, mas o fato é assustador, pois aparentemente que não se trata de um programa de namoro simplesmente (como já existiram tantos, ou até existem), mas da mensagem subliminar contida na ideia toda, ideia direcionada a um público adolescente, a ideia de “príncipe encantado estrangeiro”, por que estrangeiro? No Brasil não há jovens que cumpririam o perfil dos príncipes? Outro aspecto degradante: “mande fotos”? Por que as fotos? As jovens seriam escolhidas por quais atributos? Com que proposito? E vai na contramão das políticas públicas brasileiras de combate à prostituição e do relatório da ONU sobre o tema.
A ideia desconsidera toda a luta nacional para o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes e a situação de cuidado especial que grandes eventos proporcionam.
Com todo respeito a quem pensa diferente, mas o apresentador agiu como um proxeneta, vulgarmente conhecido por cafetão, afinal procurava “candidatas a namoradas de estrangeiros”, prometeu implicitamente administrar clientes para as tais candidatas, exatamente como fazem os cafetões com as prostitutas, recebendo em troca uma audiência que vale muito.
Costumeiramente, um proxeneta oferece proteção e uma vida melhor àquelas com quem quer lucrar, suas prostitutas, o que ele busca é apenas usar jovens e manipular sonhos e esperanças.
Num momento em que o governo fez uma série de ações justamente para coibir a exploração sexual durante a Copa do Mundo, incluindo aplicativos para notificação automática, o apresentador global comete um erro dessa magnitude.  A exploração sexual é uma tragédia presente em todo o mundo e que atinge milhares de adolescentes brasileiros também, trata-se de prática criminosa, chama-se “Favorecimento da Prostituição ou Outra Forma de Exploração Sexual”, está prevista no artigo Art. 228 do Código Penal, veja “Induzir ou atrair alguém à prostituição ou outra forma de exploração sexual, facilitá-la, impedir ou dificultar que alguém a abandone: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.”.

Espero que o diligente Ministério Público tome providências.

domingo, 6 de julho de 2014

VAI COMEÇAR A CAMPANHA E TEMOS QUE ENTENDER O CRESCIMENTO ECONÔMICO


Um dos desafios da Presidente Dilma é explicar durante a campanha eleitoral a questão do crescimento econômico.
Penso tratar-se de uma grande oportunidade para ela esclarecer a todos, seus eleitores ou não, aspectos relativos ao tema e, quem sabe, sepultar a cantilena neoliberal de que tudo está uma tragédia, pois não estão.
Antes um registro necessário: FHC saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Penso que esses números merecem respeito e reflexão honesta de todos nós. Por que tão significativa diferença?
Bem, em primeiro lugar é possível afirmar que os oito anos do PSDB no Planalto representam um grande fracasso econômico, pois a verdade, segundo economistas sérios, é que apesar da importância do Plano Real (implantado no Governo Itamar Franco e não no Governo FHC) não foi o plano que acabou com a inflação. O professor Theotonio dos Santos afirma que os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%, mas a partir de 1994, todas as economias do mundo apresentaram uma queda da inflação para menos de 10%, segundo ele:
 “... cada país apareceram os ‘gênios’ locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário”
e, no caso brasileiro, a nossa inflação girou próxima dos 10% mais altos, ou seja, o país teve no governo do PSDB uma das mais altas inflações do mundo e a população percebeu isso.
Ademais, a política econômica do PSDB não derrubou a inflação, ao contrário, sob o governo tucano a inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo, o real foi uma moeda drasticamente debilitada.
Outro aspecto a ser analisado é a questão da Política Fiscal. O PSDB foi um fiasco no que tange ao chamado rigor fiscal, pois elevou a dívida pública do Brasil de 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois.  A irresponsabilidade dos criativos economistas tucanos chegou ao ponto de o governo pagar 50% ao ano de juros pelos títulos públicos e depositar os valores captados dos investimentos do exterior a juros de 3% a 4% a.a., ou seja, o PSDB criou uma dívida colossal para cobrir déficits comerciais enormes gerados por uma moeda sobrevalorizada que impedia a exportação.
Durante o governo FHC o Brasil não tinha sequer dinheiro para pagar os juros devidos ao FMI, o descontrole e a irresponsabilidade podem ser identificados no tempo. Em 1999, por exemplo, o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido todas as suas divisas e teve que pedir ajuda aos EUA que colocou à sua disposição 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. O governo tucano não foi capaz de aumentar as exportações do país para gerar divisas para pagar esta dívida. O professor Theotonio dos Santos afirmou em 2003 que:
“O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. (...) Sua política externa [do PSDB] submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar...”

As credenciais do PSDB à frente da economia não são positivas, pois se ocorreu estabilidade inflacionária (e de fato ocorreu entre 1994 e 1998) o custo foi altíssimo: (a) sobrevalorização da moeda nacional, com consequente déficit comercial e nas transações correntes e da taxa de juros média real mais elevada do mundo (22% a.a.); (b) entre 1999 e 2002, o ônus foi a sobredepreciação da moeda nacional, para corrigir as contas externas, a manutenção da taxa de juros média real mais elevada do mundo (11% a.a.), (c) a estagnação econômica e a (d) explosão da dívida pública líquida.
A partir de 2003 estratégia utilizada por Lula e Dilma para estabilizar relação dívida/PIB foi (a) resgatar a dívida dolarizada, (b) diminuir as taxas de juros reais e (c) estimular o crescimento do PIB.
Houve relativo sucesso, é inegável, pois houve a retomada do crescimento econômico, que atendeu à demanda social de emprego, permitiu o aumento da arrecadação fiscal e, consequentemente, a capacidade de pagamento da dívida. Para diminuir o serviço da dívida, foi reduzida a taxa de juros real, assim como foi parcialmente desdolarizada a dívida. Foram resgatados os títulos de dívida pública com correção cambial, nos vencimentos das parcelas. Um sucesso, vejam o quadro abaixo:



Mas e o baixo crescimento? Quais as causas? É responsabilidade dos governos Lula e Dilma? Bem, antes os gráficos que podem mostrar muito:





O gráfico mostra que desde que o Lula e Dilma estão à frente da economia em seis anos o crescimento ficou acima da média, considerando-se todo o período da redemocratização, um desempenho muito superior ao dos tucanos.
É verdade que um nível maior e mais sustentado de crescimento econômico é o que desejamos evidentemente, mas esse crescimento desejado exige, dizem os especialistas, um esforço renovado em reformas estruturais, para dar mais peso ao mercado interno como motor da atividade. Aliás, é essa a conclusão um estudo dos economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado no dia 12 de junho, chamado “Mercados emergentes em transição: perspectivas de crescimento e desafios”. Os economistas do FMI, tão respeitados pelos neoliberais tucanos afirmam que, no curto prazo, o crescimento maior dos países desenvolvidos deve garantir maior demanda por produtos dos emergentes, não é difícil concluir que a crise pela qual passam tais países atrapalhou o ciclo virtuoso do Brasil e dos mais emergentes.

O estudo destaca que depois de serem estrelas de crescimento econômico, os emergentes estão amargando taxas decepcionantes, não só abaixo dos níveis pós-crise financeira mundial, mas também piores que os patamares na década pré-crise. O Brasil não seria diferente numa economia globalizada e temos de conviver com a realidade de, após a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2003 e 2010, vê-la reduzida desde 2010/2011, para “meros” 2,5% em 2013.

Mas o FMI é mais honesto que os críticos tucanos, pois afirma claramente que parte desta desaceleração é por conta de fatores cíclicos e não porque tenha a equipe econômica do governo manejado equivocadamente os instrumentos a disposição. O estudo diz que a recuperação maior esperada para os países avançados, como os Estados Unidos, deve ajudar os emergentes, na medida em que os mercados desenvolvidos vão demandar mais exportações.

Mas o que são as tais “reformas estruturais” necessárias a dar peso ao mercado interno como motor da atividade econômica? Bem, o Brasil já convivei com tal expressão. A década de 1990 foi marcada por importantes transformações de caráter estrutural ocorridas nos ambientes econômico e institucional, ligadas tanto ao novo conjunto de políticas macroeconômicas adotado, quanto à implementação de reformas de cunho liberalizante, ou seja, orientadas pelo neoliberalismo que imperava naquele então. O objetivo daquelas medidas adotadas era de estabelecer condições para a retomada do crescimento da economia, de forma a que a crise da década anterior fosse superada. Na realidade já no final da década de 1980 e início dos anos 1990, iniciou-se um processo de tentativa de superação da crise através de esforços no sentido de reformar a economia e promover a estabilização macroeconômica. O período foi marcado pela adoção de uma nova estratégia de políticas de ajustes, com reformas estruturais orientadas para o mercado sob forte influência das recomendações do chamado “Consenso de Washington”, que identificou uma série de medidas consideradas como necessárias para os países em desenvolvimento criarem um ambiente econômico e institucional propício para a entrada em uma trajetória de crescimento autossustentável.

Na verdade já no final da década de 1980 e início dos anos 1990, iniciou-se um processo de tentativa de superação da crise através de esforços no sentido de reformar a economia e promover a estabilização macroeconômica. O período foi marcado pela adoção de uma nova estratégia de políticas de ajustes, com reformas estruturais orientadas para o mercado sob forte influência das recomendações do chamado “Consenso de Washington”, que identificou uma série de medidas consideradas como necessárias para os países em desenvolvimento criarem um ambiente econômico e institucional propício para a entrada em uma trajetória de crescimento autossustentável. O tempo mostrou que o as políticas neoliberais tiveram um efeito corrosivo nas estruturas e instituições nacionais e globais, causando crises sucessivas até a crise global de 2007/2008.

Por isso espero que o FMI e os seus simpatizantes quando falam em reformas estruturais não percam de vista que aquele modelo liberalizante falhou e lançou parte do mundo no caos, roubando vidas e aniquilando sonhos de uma geração toda. 

Gente séria analisa de forma bastante otimista a economia brasileira. O economista Jim O’Neill, criador do BRIC, afirma que apesar do fraco desempenho registrado no PIB desde a segunda metade do ano de 2011 é necessário, se quisermos fazer uma análise honesta, colocar o resultado desapontador de 2011 e 2012 no contexto do ciclo brasileiro. Em 2001, 2002 e 2003 o Brasil cresceu, respectivamente, 1,3%, 2,7% e 1,1% e a partir daí acelerou. Noutras palavras, não é possível avaliar o baixo crescimento desses dois últimos anos fora desse contexto e sem analisar-se também a crise pela qual passa o capitalismo mundial. Jim O’Neill afirma ainda que há condições de projetar-se um crescimento de 4% para os próximos anos, percentual ainda abaixo da possibilidade, mas indicativo de uma tendência.

Outro aspecto a ser registrado é que o neoliberalismo já teve sua chance no Brasil e foi um fiasco retumbante, assim tem-se de ficar atento a esse agrupamento político, que vestido de azul a amarelo e com projeto de dirigir novamente o país, está a construir - com a ajuda de parcela significativa da mídia - uma narrativa ficcional do seu passado de fracassos para criticar o que deve ser mudado e justificar sua “tarefa histórica”. Mas sua tarefa é apenas tutelar interesses privados, não tem dimensão ou expressão do interesse público de superar crises causadas ou distribuir riqueza e buscar um desenvolvimento social.