segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Os excessos do senhor Arnaldo Jabor


Ouço a CBN praticamente todos os dias pela manhã indo para o trabalho e algumas vezes ouço também o comentário do cineasta Arnaldo Jabor, nem sempre concordo com as suas idéias que soam conservadoras e liberais, ele me parece um tanto ressentido, não sei exatamente com o que ou porque, mas todos tem o direito de pensar e expressar suas convicções livremente, contudo não acredito que a liberdade seja um conceito absoluto, ela é válida em relação à justiça, à verdade e ao interesse público. A defesa irracional dessa palavra algumas vezes acoberta ações politicas ou institucionais nem sempre legitimas ou simplesmente levianas.
Mas vamos lá, num dos seus comentários o cineasta reformado ao criticar Hugo Chaves e seu governo, criticas necessárias e corretas, por criticar também Simón Bolívar, o que se afigura renuncia ao justo.
Simón Bolívar pregou e praticou a construção de que o mundo deve estar constituído por nações livres e independentes, unidas entre si por um corpo de leis em comum que regulem seus relacionamentos externos. Por essa frase é possível afirmar que Simón Bolívar era um homem à frente de seu tempo, de idéias progressistas e revolucionárias.
Hugo Chaves é um ditador que abusa das instituições, as manipula, despreza a democracia pluralista, desrespeita a liberdade e tem se mostrado incompetente gestor da economia e dos interesses do povo venezuelano.
Já Simón Bolívar afirmava a necessidade de as nações serem livres, sem o comando das metrópoles da época. Buscava que as nações fossem Independentes, tanto politicamente como economicamente, Bolívar pregava a união dos povos, tanto com objetivo de formar blocos, sejam políticos ou econômicos, como para discutir problemas de ordem mundial. Isso na primeira metade do século XIX. Só por isso qualquer comentário negativo sobre Simón Bolívar ou é ignorância ou má-fé de quem o fez.
Simón Bolívar não foi apenas um idealizador, mas um verdadeiro guerreiro, enfrentando as mais diversas batalhas. Mas ele não estava sozinho nessa luta, os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade haviam se enraizado nos povos latino-americanos, pois o que se viu não foi uma luta isolada de Simón e seus fiéis seguidores. Foram lutas por toda a América Latina, onde cada região teve o seu "libertador", como era chamado Simón. Chaves, por seu turno, não é libertador é um usurpador da liberdade do povo venezuelano.
Na questão de independência, Bolívar via como necessário não só uma nação independente, mas também democrática, ao contrário de Chaves. Bolívar dizia: "Somente a democracia, no meu conceito, é suscetível de uma liberdade absoluta" vinculando a idéia de um governo democrático, além do fato também, de ver a necessidade de que se tenha um projeto de desenvolvimento econômico e social.
Ele propõe a união dos povos entre si "por um corpo de leis em comum que regulem seus relacionamentos externos" através da diplomacia que praticou, basta que lembremos do Tratado de União, Liga e Confederação Perpétua, assinado no Congresso do Panamá.
Simón Bolivar também foi um grande defensor da separação dos poderes temporal e espiritual (Estado e religião), posição essa fortemente influenciada pelos princípios maçônicos que professava ao lado de outros libertadores americanos, como San Martin.
Em 1826, Bolívar tentou promover uma integração continental ao convocar o Congresso do Panamá. Compareceram apenas os representantes dos governos do México, da Federação Centro-Americana, da Grã-Colômbia (Colômbia, Equador e Venezuela) e do Peru. Era o princípio das Conferências Pan-americanas. 
Hugo Chaves e seu governo merece criticas, mas os ideais e a vida exemplar de Simón Bolívar devem ser respeitadas, até pelo todo poderoso Arnaldo Jabor contra quem poucos tem direito à réplica.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Sobre controle social.

Acredito que controle social se faz com politicas públicas, planejamento e democracia pluralista e não com censura ou leis, sejam elas constitucionais ou não. O curioso é que tanto a vanguarda quanto as forças reacionárias buscam o controle social, o ponto fundamental, creio, é não perder de vista que liberdade não é um conceito absoluto. A liberdade é válida em face do interesse público.
Não podemos ser ingênuos e crer que a palavra liberdade, que tantas vezes foi, é e será usada para acobertar ações politicas pouco ou nada corretas e para validar agressões às instituições, às nações e ao interesse público, tenha por si só força absoluta, tudo é processo de construção.

Sobre o passado

O passado é bem público, por isso todos devemos conhecê-lo, compreendê-lo e preservá-lo. Pois, como afirmou Humberto Eco, "a memória é a nossa alma.".

"Todos nascemos originais e morremos cópias"

Jung teria dito: "Todos nascemos originais e morremos cópias".
Não sei se é de Jung esse pensamento, mas não há nada mais verdadeiro. Dai a necessidade de vencermos o medo de sermos diferentes, pensarmos diferentemente da maioria que está no nosso entorno a luta e nos mantermos originais.

a covardia dos crimes praticados pela internet.


Eu e minha mulher participamos de um e-group no qual vários casais buscam trocar experiências gastronômicas e idéias sobre a arte de viver e conviver. Contudo recebemos recentemente recebemos um e-mail cujo conteúdo trata de forma apócrifa e mentirosa fato que envolveria um dos filhos do Presidente Lula.
É verdade que existe a livre manifestação de pensamento, mas é vedado o anonimato pelo artigo 5o., inciso IV, da CF e o direito à livre manifestação do pensamento não é absoluto, sendo naturalmente limitado por outros interesses tutelados pelo ordenamento jurídico.
O conteúdo do e-mail poderia ser visto como uma espécie de “brincadeira”, mas penso que transmitir ou retransmitir e-mails de conteúdo duvidoso ou evidentemente falso, que sequer indica a “fonte”, em nada contribui com qualquer coisa.
Esse assunto merece reflexão, pois não havendo indicação da fonte quem responsabiliza pelo conteúdo do e-mail transmitido e/ou retransmitido? Quem se responsabiliza pelo seu conteúdo criminoso? Quem "apenas" retransmite um email apócrifo e de natureza criminosa também pratica o crime?
E pergunto ainda: como cada um de nós se sentiria se um bando de invejosos e meio-classistas ressentidos e covardes (porque nem assinam o que fazer circular na web) publicasse uma foto de um dos nossos filhos ou filhas e escrevesse um texto ridículo e mentiroso sobre eles?
Pensemos nisso. Faço essas observações e outras abaixo e espero com isso contribuir de alguma forma com algo muito necessário chamado REFLEXÃO.
NINGUÉM tem o direito de caluniar, injuriar ou difamar quem quer que seja, especialmente através de um texto apócrifo, e nós, em tese educados e instruídos, não podemos compactuar com a prática de crimes contra a honra através do anonimato da web.
É pura covardia e desespero, pois o fato é que para surpresa de uma suposta elite, financeira e culturalmente decadente, o Brasil sob o governo Lula cresceu, ganhou respeito internacional, reduziu os juros de 29% para 8,75% ao ano, realiza a maior transferência de renda da história e retirou da miséria cerca de 45 milhões de pessoas (ou 11 milhões de famílias) e os verdadeiros empreendedores estão colhendo os frutos de uma política econômica correta e a nação os frutos de uma política social necessariamente justa.
E na falta de criticas substantivas ao presidente e seu governo atacam covardemente sua família. O Brasil é o pais do presente e do povo brasileiro, pois o povo enquanto povo é melhor que a elite enquanto elite.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Felicidade?


Gozamos depois de alguns anos de trabalho e muita renuncia aos sonhos da infância e da juventude daquilo que cremos ser a felicidade do cotidiano familiar.
Casa grande, filhos lindos, esposa companheira e leal.
Mas por baixo da superficialidade há os ressentimos, alianças que ameaçam a base de nossas vidas, segredos, mas os dias seguem assim ao lado de uma percepção de que a qualquer momento nosso mundo pode desabar...
Por que?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

BRASIL O PAIS DO PRESENTE.


O Brasil começa 2010 com reconhecimento da grande maioria da população brasileira e da comunidade internacional acerca da competência com que o seu governo Lula enfrentou e superou os reflexos da crise econômica mundial iniciada em 2008, uma crise causada pela mesma lógica liberal que tanto ataca o governo Lula. E o reconhecimento decorre também da capacidade de transformar uma mera política compensatória, que seria o bolsa família isoladamente, numa face de uma verdadeira mudança de paradigma, algo sem precedentes na história do Brasil.
É verdade que a turbulência da crise ainda ronda inúmeras nações, mas por aqui apenas os setores conservadores ignoram a vitória do país e dos brasileiros, comandado por Lula e sua equipe, mas não conseguem enxergar que o país conseguiu fechar 2009 com a criação de 1,4 milhão de empregos e que a adoção de medidas corretas possibilitaram ao Brasil retomar a trilha do crescimento sustentável e responsável. Poderia ser melhor? Com certeza, poderia ser melhor, mas foi o melhor possível no campo tópico e não utópico.
E mais àqueles que imaginavam que Lula fosse FHC e que buscaria, através de uma emenda constitucional, um terceiro mandato só resta que reflitam sobre cumprimento da constituição por parte do Presidente e o desprendimento de Lula.
A oposição, sem discurso ou propostas, e por clara motivação político-eleitoral insiste ofuscar a verdade com a criação de factoides, mas a história e a população os julgarão. E às vésperas da campanha presidencial de 2010, o debate tem sido pobre e ainda inoculados de preconceitos que se julgavam superados, como afirmou recentemente e com inteligência Ricardo Berzoini.
Os tucanos e seus parceiros do DEM, verdadeiros neoUDN, buscam através de recursos midiáticos manterem-se vivos, mas a verdade vence a versão e o povo, enquanto povo é muito melhor que a elite enquanto elite.
O programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, poderá, em 15 anos, resolver o histórico déficit de moradia do país, gerando emprego, trabalho e renda, ou seja, é um programa de Estado e não desse ou daquele governo.
O país deverá chegar a 354 escolas técnicas no final de 2010, quase três vezes mais que o número existente em 2002; foi resultado de decisão estratégica, que já antevia a necessidade de preparação de mão de obra qualificada para o salto de desenvolvimento no país. O Estado foi fortalecido, e o Brasil ganhou força para enfrentar a crise. O salário mínimo teve um aumento real de 46% desde 2003, influenciando a pirâmide salarial. Para o governo, que não é só do PT, é evidente a necessidade de continuar e aprofundar o projeto vitorioso, que deu ao país uma nova feição, com grandes avanços em diferentes setores.
O Brasil passou a ser respeitado no mundo graças ao nosso projeto de desenvolvimento com geração de empregos e distribuição de renda, preservando os interesses nacionais. O país deixou de ser subserviente aos interesses estrangeiros. Passou a ser ouvido sobre os destinos do mundo.
E nessa linha merece registro um artigo do Professor Luiz Carlos Bresser Pereira, por quem tenho grande respeito em razão da sua produção intelectual intensa, a qual compartilha generosamente em seu site. Há as divergências ideológicas talvez, mas um grande respeito por alguém que escreve e publica regularmente idéias.
O professor Bresser Pereira recentemente argumentou que o aumento da taxa média de crescimento da economia brasileira de 3% para 5% do PIB a partir do terceiro ano do governo Lula deveu-se, em um primeiro momento, ao fortalecimento da demanda externa impulsionada por uma taxa de câmbio competitiva e pelo aumento do preço das commodities e, em um segundo momento, pelo crescimento da demanda interna provocado pelo aumento do salário mínimo, pelo Bolsa Família e pelo crédito consignado. 
O professor André Singer num artigo publicado nos Novos Estudos Cebrap de novembro de 2009 cujo titulo é "Raízes ideológicas e sociais do lulismo", teria tido a felicidade, segundo palavras do Professor Bresser Pereira completado a análise, argumentando que da eleição de 2002 para a de 2006, vencidas por Lula teria havido uma mudança das suas bases de apoio.
Segundo André Singer o Governo Lula adotou uma política econômica ortodoxa e em razão da crise do mensalão, perdeu parte substancial do apoio da classe média intelectualizada e de esquerda, mas, em compensação, ganhou o apoio dos setores de baixa e, principalmente, de baixíssima renda. Os novos apoios de Lula emergem segundo os tucanos, de um imenso eleitorado formado pelas famílias que recebem menos de dois salários mínimos e que constituem quase 47% da população brasileira.
Nos primeiros quatro anos de governo, Lula logrou o apoio dessa massa popular, em primeiro lugar graças ao aumento do salário mínimo, ao Bolsa Família e ao crédito consignado a renda dessas famílias aumentou, sendo certo que significativa parcela dessas famílias teriam ascendido à condição de classe C ou de "classe média", some-se a isso tudo o PROUNI, o aumento de 10% ao ano de investimentos em pesquisa, o programa minha casa minha vida, as obras do PAC que projetam investimento, trabalho e renda para mais de uma década, etc, etc.
Mas curiosa é a análise feita pelo Professor Bresser Pereira quando ele afirma que as famílias que recebem menos de dois salários mínimos são historicamente caracterizadas pelo "conservadorismo popular", tanto que elegeram Collor e FHC (pois ela, segundo o Professor Bresser Pereira, identifica a direita, com a "ordem", no caso representada pela estabilidade de preços, etc., por isso teria votado em candidatos mais conservadores nas eleições anteriores) mudou de lado e passa a identificar a esquerda com progresso, ordem e desenvolvimento humano real.
Mas essa significativa massa, 47% da população percebeu que o governo Lula trabalha para esta e para outras gerações e não de olho nas próximas eleições, então ela pode confiar. O Professor Bresse Pereira afirma que o governo federal foi fiscalmente responsável e capaz de manter a estabilidade de preços, além de haver estabelecido um caráter social e políticas de transferência de renda extremamente importantes para ela, tanto que mudou o seu apoio para ele já em 2006. Por esse raciocínio do Tucano Bresser Pereira podemos concluir que Dilma, comunicando-se adequadamente com a essa parcela da população torna-se uma candidata viável e fortíssima.
Lula é carismático, fala diretamente ao coração povo, e com trabalho e resultados que nem mesmo a oposição pode responsavelmente negar ganhou apoios de parcelas significativas, não apenas porque as favoreceu em termos concretos, mas também porque o fez com responsabilidade fiscal e não deixou que a inflação retornasse.
O governo Lula rompeu com o populismo fiscal irresponsável, que era o temor de tantos e constrói políticas sociais com grande responsabilidade e ao remeter projetos de lei ao Congresso Nacional busca pela via democrática, transformá-las em Políticas Públicas de Estado e não desse ou daquele governo.
O professor Bresser Pereira afirma que as decisões do Presidente Lula representam um ato de coragem, acrescento que foi decisão de um grande estadista, decisão do Presidente do Brasil e não do Presidente de Honra do Partido dos Trabalhadores, pois como me ensinou o ex-Prefeito Jacó Bittar: o chefe do executivo não pode transformar a administração pública em trincheira ideológica, esse é o papel dos partidos e, até certo ponto, do parlamento, onde todos os debates são democraticamente necessários.