domingo, 31 de agosto de 2014

ARENA CONTA ZUMBI

Ganhei dos meus filhos de dia dos pais a biografia de EDU LOBO, meu compositor favorito. 

Lendo o texto me reencontrei com lembranças que merecem ser compartilhadas... 

Me refiro a "Arena conta Zumbi" um musical escrito por Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal em 1965, com música de Edu Lobo, com direção de Augusto Boal e direção musical de Carlos Castilho. 

Assisti ARENA CONTA ZUMBI aqui em Campinas em 1981 ou 1982, duas vezes no Centro de Convivência em Campinas. Nunca havia visto nada igual e não tenho medo de dizer que foi impactante e determinou muitas das minhas escolhas....


Aqui o link com o Áudio da peça: https://www.youtube.com/watch?v=Bb4-x9D5RIw




sábado, 30 de agosto de 2014

"riso de criança é o que importa"

Tantas pedras há
pesadas e inesperadas
que o desanimo se oferece companheiro
mas, como disse Dona Maura: 
"riso de criança é o que importa".

E um passeio rápido
aqui pertinho
nos oferece mais que pedras...

Marina foi cooptada pelo mercado? E o PSB?

Ouvi que Marina, se eleita, planeja reduzir a importância do pré-sal na produção de combustíveis. Teria dito num encontro com produtores de etanol, na Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética (Fenasucro), em Sertãozinho que “temos que sair da idade do petróleo”, prometeu que vai revigorar o álcool, dando incentivo para os produtores do setor. “Reduzir a importância do pré-sal” atende a quais interesses?
Antes é necessário dizer que o governo estima que em dez anos o Brasil destinará extrairá 112,5 bilhões de dólares para a área de saúde e educação com os recursos do pré-sal. Estaria a candidata a dizer que “saúde” e “educação” não precisam desses recursos?
Ademais, sabe-se que em pouco tempo o país se tornará um exportador de petróleo, o que significa não apenas a nossa autossuficiência energética, mas o Brasil também se tornará um país ainda mais importante do ponto de vista geopolítico.
É isso que está em jogo, é isso que está em jogo e que incomoda profundamente os interesses corporativos transnacionais, a quem não interessa o desenvolvimento do Brasil e muito menos o nosso fortalecimento internacional. Um Brasil forte não interessa aos interesses do Império. Estará Marina, ex-petista, ex-verde, fundadora da REDE e hóspede do PSB alinhada a quem pensa assim?
Não posso acreditar.
Mas não é possível ignorar que o interesse pela PETROBRÁS e pelo pré-sal estão por traz de tudo isso. As companhias internacionais querem a privatização da PETROBRÁS, querem que extração nas camadas de pré-sal seja entregue a grandes empresas privadas, se possível, americanas, aliás essa é a verdadeira causa da campanha midiática que procura convencer a nação que há incompetência e corrupção na estatal brasileira. Estão os proxenetas do mercado “preparando o terreno” para os liberais privatizarem a PETROBRAS, caso vençam as eleições. Marina foi cooptada pelo mercado? E o PSB?
Li que a campanha de Marina vai lidar com o assunto, criando um grupo de especialistas para avaliar os riscos envolvidos na exploração do pré-sal e vai apresentá-los à sociedade.
Se, hipoteticamente, a PETROBRÁS interromper a exploração por um determinado tempo e decidisse voltar a explorar o pré-sal, já estaríamos defasados tecnologicamente, superados, o país teria de terceirizar a exploração. Ou seja, em nome de um risco potencial, não efetivo, em nome de uma causa, em tese ecológica, vamos entregar nossas reservas e abrir mão do nosso futuro?
Uma mudança de orientação dessa magnitude seria uma decisão estratégica que alteraria substancialmente a capacidade de investimentos do país em duas áreas fundamentais para o Brasil entrar numa rota de desenvolvimento social, a Educação e a Saúde. Pergunto novamente: Marina e o PSB estão dizendo que os investimentos em “saúde” e “educação” podem esperar?
É evidente que diminuir investimento na exploração e extração do pré-sal não é uma boa estratégia, aliás seria uma estupidez, porque o país perderia a liderança tecnológica na exploração da camada do pré-sal.
Temos que ponderar, contudo, que que diminuir investimento na exploração e extração do pré-sal não é uma boa estratégia para os brasileiros, para o Brasil e para a PETROBRÁS, mas será considerada “necessária” e “correta” para os interesses das companhias dos EUA e para suas empresas de exploração, como a Exxon... Estarão Marina e o PSB alinhados a interesses estranhos ao interesse público e aos interesses nacionais?
A Marina, então Senadora, que conheci em 2002 e que me foi apresentada pelo então Deputado Luciano Zica não existe mais, mas não concordo, a priori, com Valter Pomar quando ele escreve que Marina Silva converteu-se ao neoliberalismo e converteu-se à política externa subalterna.

Lembro-me do dia que a conheci, estávamos no restaurante do Senado para a cerimônia de filiação do Senador Roberto Saturnino ao PT. Roberto Saturnino, eleito pelo PSB, deixou a legenda em razão da candidatura de Anthony Garotinho à presidência naquele 2002. Havia muita gente lá naquele momento... E Marina estava ao lado da atriz e diretora Lucélia Santos, elas chegaram juntas em seus simpáticos sorrisos e Zica nos apresentou.
Mas voltemos à análise da declaração da “nova” Marina...
Interromper a exploração do pré-sal será uma irresponsabilidade e não acredito que isso ocorra, salvo para atender interesses e compromissos impublicáveis.

Mas, como diz meu pai: “o que esperar de quem agora diz que nunca foi contra os transgênicos e que que está se comprometendo a priorizar acordos bilaterais em detrimento do Mercosul, desrespeitando a própria constituição da república?”.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

QUEM VAI VENCER AS ELEIÇÕES PARA PRESIDENTE?


Ainda não sei quem vai ganhar, mas já é possível afirmar que a candidatura de Aécio Neves perdeu força e importância. Alguns diriam em tom jocoso “perdeu playboy!”. Aécio perdeu sim, mas o Brasil ganha com ele fora do páreo porque o país não precisa da volta dos liberais e seus discursos pasteurizados e sua ação permanentemente pró-interesses do mercado financeiro.

Em 11 de junho escrevi no meu blog[1] e a imprensa da região publicou artigo onde eu dizia o seguinte: “A Presidente Dilma vem liderando a corrida presidencial, mas penso que setores do próprio PT são os seus maiores adversários e podem levar a presidente à derrota. A quais setores eu me refiro? Aos que, diferentemente da presidente e de Lula, passaram a crer que o país não existia antes deles, aqueles que se tornaram desprezíveis burocratas.”.

Escrevi e reitero que toda a burocracia partidária assemelha-se às castas, pelo fato de se encontrar sempre pronta a cerrar os olhos perante os mais grosseiros erros dos seus chefes em política geral se, em contrapartida, estes lhe forem absolutamente fiéis na defesa dos seus privilégios.

O fato: a morte de Eduardo Campos. E  Marina Silva alçada à condição de protagonista no processo eleitoral mudou o cenário todo, temos outra eleição a ser analisada. Aliás, dois fatos haverão de ser, no futuro, considerados determinantes para a possível derrota de Dilma e do PT. O primeiro fato são os movimentos de junho de 2013, os quais sacudiram o país e reduziram significativamente a vantagem de Dilma e o segundo é a morte de Eduardo Campos.

Estou tratando nesse artigo da possibilidade de o PT ser derrotado apesar dos enormes avanços econômicos e sociais e de suas causas. Justo? Injusto? Não sei. A História será contada e os fatos avaliados no futuro, sem a paixão desse momento, com o distanciamento necessário.

Reafirmo também que o país não precisa nem de neoliberais, nem de burocratas, o país precisa de brasileiros de verdade, capazes de ouvir as legítimas demandas de todos os setores, pois vivemos numa democracia e nas democracias as diferenças precisam ser respeitadas, as vozes precisam ser ouvidas. E, com todo respeito, não há entre os candidatos postos pelos partidos, ou pelos agrupamentos que se apresentam como tal, candidato ou candidata com todas essas qualidades.  

Penso que Dilma reúne mais qualidades que Aécio e que Marina e mais, representa um projeto, uma visão de mundo moderno, uma sociedade justa, políticas públicas generosas e responsáveis, mas parece ter tomado decisões erradas, assim como é certo não ter sido capaz de apresentar-se, de comunicar-se validamente com os brasileiros, não foi capaz de estabelecer uma interlocução necessária com a sociedade, aparentemente tem dificuldade em conviver com a contrariedade e reconhecer que a nossa sociedade é essencialmente plural e que os interesses de cada setor têm de ser ouvidos e respeitados.

Alguém que eu respeito teria dito que o erro fundamental foi não ter chamado o ex-presidente Lula para ajudá-la em momentos de tensão política ou institucional, não sei se ele disse, mas Lula é um Estadista com uma visão estratégica única e se não foi ouvido trata-se, de fato, um grande erro.

Bem, o quadro está consolidado, com Dilma e Marina no 2º. Turno, com a ex-petista, ex-verde, fundadora da REDE e atualmente hóspede do PSB com grandes possibilidades de subir a rampa do Planalto. Mas não está nada garantido para ela, pois Dilma tem Lula, o PT e cinco vezes mais tempo de televisão para apresentar obras e ações que, lamentavelmente, a mídia recusa-se a mostrar.

Já o PSDB e Aécio Neves sabem que sua candidatura tende a ter seu tamanho e relevância real, qual seja, nenhuma. Penso que o PSDB com Aécio Neves renunciou à possibilidade de vitória. Por que? Porque o tucano mineiro é um político que, ao contrário de José Serra, não possui nenhuma das qualidades necessárias ao exercício da Presidência da República, pois não representa um projeto, uma ideologia ou uma geração, ele é personagem dele mesmo, o eterno neto de alguém que foi grande sem nunca ter sido. Eleito Senador em 2010 voltará ao Senado para, quem sabe, exercer de fato o mandato para qual foi eleito pelo povo de Minas Gerais.

Se em 11 de junho escrevi que naquele momento cada um dos candidatos, a presidente Dilma, o ex-governador Eduardo Campos e o Senador Aécio Neves eram “adversários de si próprios” com setembro chegando e com as campanhas “na rua” já não é bem assim mais.

Quanto a mim mantenho-me onde sempre estive, nas fileiras dos setores progressistas, dos trabalhadores, do micro, pequeno e médio empresário, confiante e com a certeza de que o Brasil pode e deve seguir avançando nas mudanças iniciadas em 2003.




[1] http://odireito-oavesso.blogspot.com.br/2014/06/quem-e-adversario-de-quem-2014.html

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Salmon Fishing in the Yemen

Confesso que adoro assistir comédias românticas.

Esses dias assisti uma que compartilho com vocês.

A história: Um xeique visionário (Amr Waked) acredita que a arte da pesca do salmão pode transformar a vida de sua gente e decide levar a pesca esportiva para o meio do deserto. Sem medo do quanto essa ideia iria custar, mas disposto a fazer o seu sonho tornar-se realidade, ele tenta contratar um especialista britânico em peixe e pesca, o Dr. Alfred Jones (Ewan McGregor), que a princípio acha a história toda um grande absurdo e pensa em recusar a oferta. 

O assunto morreria ali se não fosse a interferência do governo britânico, que vê na iniciativa uma boa oportunidade de trazer ao público uma notícia positiva referente ao Oriente Médio, o que desviaria a atenção sobre a participação do exército no Afeganistão.


Se tiver oportunidade assista.

Vejam o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=juK6X0Hz1Kk 



segunda-feira, 25 de agosto de 2014

OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA


Faz alguns dias, a pedido de um amigo, acompanhei o produtor de cinema Antônio de Andrade a uma visita ao “Pólo Cinematográfico de Paulínia”. Confesso que não conhecia nada além do “Theatro de Paulínia”. Visitar o “Polo” foi uma experiência fantástica.
O “Pólo” foi idealizado pela Secretaria da Cultura daquela cidade e custou muito investimento em estrutura aos cofres públicos, trata-se da maior estrutura para a produção audiovisual brasileira. São quatro estúdios, escritórios temporários, motor-home (casa motorizada), trailer (camarim móvel), e uma escola de formação técnica, a ESCOLA MAGIA DO CINEMA e muito mais (eu não teria competência para descrever tudo, mas posso afirmar que é uma obra magnifica, com um potencial fantástico e que merece atenção de todos da cidade, da RMC e do país).
Merece registro também que Antônio de Andrade é filho do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, cineasta que tem na sua filmografia obra importante e emblemática como Macunaíma, (1969), grande vencedor dos festivais de Festival de Brasília 1969 e do Festival Internacional de Mar del Plata 1970 (Argentina).
Esses antecedentes, pensei, tornaria o encontro interessante.
Foi de fato interessante o encontro, mas não pelas razões que imaginei, pois Antônio de Andrade é uma pessoa brilhante pelo que é, não apenas por ser filho de quem é ou afilhado de quem é (ele é afilhado de Tom Jobim).
Depois de um dia longo de trabalho a caminho do aeroporto pudemos conversar sobre temas que nos inquietam e ele, num dado momento, fez referência a um documentário chamado “Obsolescência Programada”, é isso que quero compartilhar com o leitor.
O documentário “Obsolescência Programada”, sugestão do meu novo amigo, deve ser assistido por todos, está lá no youtube, de graça... Fiquei muito impressionado com o documentário.
Esse conceito "obsolescência programada" faz parte de um fenômeno industrial e mercadológico surgido nos países capitalistas no início do século XX e que ganhou força nas décadas de 1930 e 1940 conhecido como "descartalização". 
A tal "obsolescência programada" faz parte de uma estratégia de mercado que visa garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar ou tornem-se obsoletos em um curto espaço de tempo, tendo que ser obrigatoriamente substituídos de tempos em tempos por mais modernos.
Ou seja, uma estratégia baseada na fraude.
O documentário revela, dentre outras coisas, que a indústria de lâmpadas nos anos 20 decidiu que seus produtos, as lâmpadas, não poderiam “durar tanto”. Os zelosos industriais do setor reuniram-se em um cartel e definiram o tempo máximo de durabilidade de seu produto.
Havia e há tecnologia disponível para fazer uma lâmpada durar décadas, mas o objetivo estabelecido pelo cartel é que as lâmpadas durassem no máximo 1000 horas, ou seja, pouco mais de 45 dias. TODOS os produtos que compramos estariam hoje contaminados com um conceito que desconsidera a finitude dos recursos naturais ou a sustentabilidade. Um crime da indústria de bens de consumo à humanidade.
Essa “obsolescência programada” é a decisão do produtor de propositadamente desenvolver, fabricar e distribuir um produto para consumo de forma que se torne obsoleto ou não-funcional especificamente para forçar o consumidor a comprar a nova geração do produto.
Isso é ético? Esse conceito respeita os valores e o conceito de sustentabilidade?  
A resposta a essas questões é negativa, mas a “obsolescência programada” é uma realidade. Garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar ou tornem-se obsoletos em um curto espaço de tempo, tendo que ser obrigatoriamente substituídos de tempos em tempos por mais modernos é, salvo melhor juízo, verdadeiro crime contra o mercado de consumo ou um estelionato praticado pela indústria ao longo dos anos.
Esse é o mundo que desejamos? Um mundo em que fomos condenados a consumir para sustentar um sistema que não se sustenta?
Encontrei também um texto que afirma que a “obsolescência programada” foi criada, na década de 1920, pelo então presidente da General Motors Alfred Sloan. Ele procurou atrair os consumidores a trocar de carro frequentemente, tendo como apelo a mudança anual de modelos e acessórios. Bill Gates, fundador da Microsoft, também adotou esta estratégia de negócio nas atualizações do Windows, assim como a Apple e tantas outras companhias.

Uma curiosidade: inspirado na Centennial Bulb, lâmpada que continua em funcionamento desde 1901, o espanhol Benito Muros, da SOP (Sem Obsolescência Programada) desenvolveu uma lâmpada de longa durabilidade e recebeu ameaças por conta desta invenção...
Vamos celebrar a estupidez humana?

domingo, 24 de agosto de 2014

Obsolescência Programada

O documentário Obsolescência Programada merece atenção do leitor. 

Recentemente o diretor e produtor carioca Antonio de Andrade sugeriu que eu assistisse o documentário. Boa dica.

Esse conceito "obsolescência programada" faz parte de um fenômeno industrial e mercadológico surgido nos países capitalistas nas décadas de 1930 e 1940 conhecido como "descartalização". 

Faz parte de uma estratégia de mercado que visa garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar ou tornem-se obsoletos em um curto espaço de tempo, tendo que ser obrigatoriamente substituídos de tempos em tempos por mais modernos.


https://www.youtube.com/watch?v=JVRjnvv5UNk

sábado, 23 de agosto de 2014

Boleto a mis hijos, mis amigos y mi amor




Cuando los dias 
parecen sin direción 
recuerda que camino no hay
o que hay son las personas e su trabajo 
sus pasos y sus amores 

Así que sueña, dibuja y elige su camino, 
sin prisas vivir y enamorarse 
hoy siempre hoy

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Meus filhos



Nesses dias longos 

dias de dor e lamento

seguidos de noites insones

ausentes a luz e o túnel

são os sorrisos seus

as lembranças

sagradas

das infâncias mágicas

que mantém o movimento

a possibilidade do movimento

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

NOTAS SOBRE A CANDIDATURA DO PSB E A PRESIDÊNCIA


A candidatura de Eduardo Campos parece não decolar. Mas por quê?

Bem, escrevi recentemente que acredito ter havido um erro tático de Eduardo, um erro que contaminou a militância socialista.

O erro: o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) é o principal adversário do ex-governador Eduardo Campos (PSB) na disputa pela Presidência da República por uma vaga num eventual 2o. turno, não a Presidente Dilma.

E o PSB tem se mostrado agressivo demais nas críticas, sempre necessárias, ao governo e, por outro lado, é dócil com o tucano mineiro, seu principal adversário. Essa docilidade me parece extremamente inadequada e pode ser uma das causas de a candidatura socialista não atingir os patamares que seu candidato merece afinal Campos é muito mais consistente e tem mais conteúdo que o tucano.

Aécio, adversário natural e direto de Eduardo Campos nesse momento, vem sendo preservado das criticas dos socialistas. Se o objetivo do PSB é ir para segundo turno essa aliança não favorece em nada tal objetivo.

O PSB está preparado, está estruturado para a disputa, mas não basta ter um bom candidato e ter estrutura. Para uma candidatura à Presidência da República, é fundamental ter uma boa nominata de candidatos a deputado federal e a deputado estadual em todos os Estados. Talvez seja esse outro aspecto que emperra a candidatura de Campos.

O ex-ministro Roberto Amaral, com quem convivi bastante, afirma que a candidatura de Eduardo Campos “em hipótese alguma uma candidatura de oposição. Mas é uma candidatura que promete avançar nas conquistas já alcançadas” e que a vitória dos socialistas determinará correções necessárias e aprofundará no governo uma opção que reúne a opção pelas políticas sociais, mas com a eficiência da gestão. O ex-ministro é enfático “precisamos avançar na eficiência da gestão”, diminuindo os investimentos públicos de manutenção da máquina e aumentando o investimento público na economia, o investimento que é produtivo, ou seja, está a afirmar o caráter desenvolvimentista de um governo socialista.

Há um aspecto que merece nota. Setores do PT dizem que o PSB e Eduardo Campos teriam sido “ingratos”. Não concordo com isso.

Penso que o PSB deveria preparar-se para 2018, apoiar mais uma vez o projeto desenvolvimentista e lutar para colocar o brilhante Eduardo como vice de Dilma, mas esse cenário não se apresentou, mas a candidatura do PSB é legitima.

Legitima especialmente porque o PSB é um partido ético e correto. Apoiou Lula em 1989 quando ele tinha 2%, fez oposição ao governo Collor e Fernando Henrique Cardoso, apoiou Lula em 1994 e em 1998, quando todos sabiam que a eleição era perdida. Mesmo em 2002, vencido o delírio da candidatura de Garotinho (razão da minha saída do PSB em 2002), o PSB no segundo turno de 2002 apoiou Lula. Em 2006 em 2010 estiveram juntos com o PT e o PCdoB desde o inicio.

Sobre a candidatura de Garotinho em 2002 é necessário que eu seja honesto. Aquela candidatura foi tática, pois o PSB estava ameaçado pela cláusula de barreira. Então, o objetivo ali era fazer com que os socialistas vencessem tal obstáculo, pois, como sabemos, toda a candidatura presidencial é positiva nesse sentido. O PT cresceu muito apresentando-se.  E o PSB teve excelente desempenho nas eleições proporcionais de 2002.  Mas a candidatura de Eduardo é diferente, especialmente porque trata-se de um quadro dirigente do partido, governador de Estado. Não é uma candidatura meramente tática ou operacional, mas fundamental, essencial para difundir as idéias do partido e em condições de disputa. Mas eu imaginei que ela pudesse ser mais competitiva.


Em resumo: que Roberto Amaral que assuma a orientação da campanha de Eduardo para por nos trilhos o discurso e a ação política, harmonizando-os, pois o projeto do PSB precisa ser apresentado e “pelo andar da carruagem” a vaga no segundo turno ficará com os liberais, os mesmos cujo projeto Arraes combateu e que o PSB ajudou a tirar do poder em 2002.

E se isso ocorrer os socialistas Jamil Haddad, Antônio Houaiss, Evandro Lins e Silva e Miguel Arraes, de onde estiverem, ficarão bem decepcionados.