segunda-feira, 27 de julho de 2009

Crise de moralidade? A solução são ações cidadãs


Parece que não é apenas o Legislativo e o Executivo que necessitam de providências cidadãs urgentes, leiam a matéria do CONSULTOR JURÍDICO...

"Processos iniciados há dez anos estão sem desfecho

http://www.conjur.com.br/2009-jul-26/juizes-aguardam-liberdade-julgamento-processo-iniciado-10-anos

O juiz Paulo Theotonio Costa, condenado em primeira instância por vender decisão judicial e o desembargador Roberto Luiz Ribeiro Haddad, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que responde pelo mesmo crime, esperam há 10 anos o desfecho dos processos.
As denúncias contra os dois sugiram depois de a Folha de S.Paulo revelar que os patrimônios dos juízes contrastavam com o padrão comum dos magistrados do país. Dez anos depois, o jornal traz nova reportagem para dizer que, nesses anos, nenhuma das denúncias resultou em condenação definitiva. Haddad ainda julga no TRF-3 e Theotonio foi afastado de suas funcões. Leia na íntegra a reportagem

Juízes respondem por ações em liberdade

Dez anos depois de a Folha revelar, em julho de 1999, que os patrimônios dos desembargadores Paulo Theotonio Costa e Roberto Haddad, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, contrastavam com o padrão comum dos magistrados do país, várias ações judiciais foram propostas contra os dois a partir daquela reportagem, mas nenhuma resultou em condenação definitiva.
Afastado do cargo desde 2001, Theotonio Costa foi condenado em 2008, por corrupção, acusado de vender decisão judicial. Ainda cabe recurso. Em agosto, o Superior Tribunal de Justiça decidirá se aceita nova denúncia contra o juiz, por lavagem do dinheiro.
Afastado do cargo em 2003, denunciado sob a acusação de falsificar documento público, Haddad retornou ao tribunal em 2006, quando o Supremo Tribunal Federal trancou a ação penal por falsidade. Em 2008, foi denunciado na Operação Têmis, que apura a suspeita de venda de decisões judiciais para favorecer empresas. Foi acusado dos crimes de formação de quadrilha, advocacia administrativa, exploração de prestígio e porte de arma de uso restrito.
Theotonio Costa continua recebendo seus vencimentos como desembargador, apesar de estar fora do TRF-3. O MPF tenta evitar que o juiz obtenha a liberação de bens bloqueados.
Roberto Haddad está em plena atividade no TRF. Recentemente chegou a concorrer ao posto de corregedor do tribunal -ou seja, o juiz responsável em investigar outros magistrados- mas perdeu na votação feita pelos colegas.

Ostentação de riqueza

Na edição de 11 de julho de 1999, a Folha listou a coleção de 33 automóveis de Haddad — incluindo três Mercedes-Benz, dois BMW e uma caminhonete Mitsubishi —, uma superlancha, além de imóveis rurais adquiridos nos dois anos anteriores. Revelou ainda o conjunto residencial de sete prédios de Theotonio Costa, no Mato Grosso do Sul, e outros imóveis, em São Paulo.
“Dez anos desde a matéria da Folha, sem que haja condenação definitiva — sendo que um dos envolvidos o STF se incumbiu de livrar da ação penal — é expressão eloquente de que o foro por prerrogativa de função só é bom para a pessoa que detém o cargo e faz mal uso dele", diz a procuradora regional da República Ana Lúcia Amaral. Em julho de 1999, ela foi uma das responsáveis pela abertura da investigação do Ministério Público Federal.
Acusados de sonegação, os juízes valeram-se da legislação que extingue a punibilidade se o acusado paga o débito antes do recebimento da denúncia.
No caso de Haddad, uma perícia do Serviço de Criminalística da Polícia Federal comprovou a falsificação de declaração retificadora do Imposto de Renda. Para o MPF, ele tentou iludir a Justiça, simulando a retificação de uma declaração inexata antes das reportagens da Folha.
Como Haddad pagou o tributo devido e o STJ arquivou inquérito que apurava a suspeita de enriquecimento ilícito, o STF entendeu que houve apenas uma infração tributária e trancou a ação penal por falsificação de documento público.
Uso de "laranja"BR> Em outubro de 2008, o STJ condenou por unanimidade Theotonio Costa a três anos de reclusão em regime aberto e à perda de cargo por corrupção passiva. Ele foi acusado de receber dinheiro por uma decisão que proferiu, em 1996, para beneficiar o grupo Bamerindus.
O juiz usou o advogado Ismael Medeiros como "laranja" em ação que permitiu ao Bamerindus receber crédito de R$ 150 milhões do Banco Econômico, então sob intervenção judicial. Sem experiência nesses casos, Medeiros -também condenado pelo STJ- recebeu R$ 1,5 milhão do Bamerindus a título de "assessoria jurídica". Segundo o MPF, Theotonio Costa fraudou a distribuição do processo e decidiu favoravelmente ao banco. Posteriormente, Medeiros fez dois "empréstimos" a duas empresas do juiz, em Campo Grande (MS).
O STJ vai decidir sobre denúncia do MPF, que acusa Theotonio Costa de "lavar" o dinheiro obtido no caso Bamerindus com a compra de uma fazenda em Mato Grosso do Sul no nome de um terceiro.
Os desembargadores Roberto Haddad e Theotonio Costa foram citados nos interrogatórios da Operação Anaconda, em 2003. Haddad é mencionado nas interceptações telefônicas do ex-juiz João Carlos da Rocha Mattos e de Norma Regina Emílio Cunha, ex-mulher de Rocha Mattos. Nas agendas de ambos ele é identificado apenas por apelidos.
Entre os papéis apreendidos na Anaconda, estava a intimação enviada pela Receita Federal a Haddad, na ação fiscal de 1999, e cópia da denúncia contra o desembargador na investigação instaurada a partir da reportagem da Folha."

fonte:

domingo, 19 de julho de 2009

Num café em Austerlitiz...



Apenas imagens sobrepostas
reflexos no espelho num café em Austerlitiz
Paris é assim: sobreposição de imagens
a vida também é assim...

O garçon traz o café e água
cobrou dez francos
paguei e ele seguiu servindo outras mesas
não houve um sorriso
são apenas negócios...

O que buscamos não é a troca
na vida vale a surpresa
o amor juvenil é surpreendente
capaz de loucuras
o tempo o transforma em uma troca
uma troca como a de Austerlitiz
dez francos...

Paris, 02/01/1999

quarta-feira, 15 de julho de 2009

uma história secreta de domínio público


Eu a amo tanto
e amei sempre
mas a única forma possível
foi tornar eterno o amor
foi renunciar publicamente a ele
para tê-lo perfeito
como um desejo ou um sonho
e viver dele dia após dia...

O amor que vivemos
uma história secreta de domínio público
teve de parecer morto e esquecido
para ser presente, onipresente...

terça-feira, 14 de julho de 2009

apenas um homem amou tua alma peregrina



QUANDO FORES VELHA

Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,

Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,

Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.

William Butler Yeats

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Sobre o amor, mais uma vez


Amo você eternamente
sem passado nem presente
sem adornos que escondem o amor...

Amo você nua,
exilada da própria alma.
Amo a lágrima
a jura do dever ser
irrealizado...

Amo você em preto-e-branco
com o coração aos prantos,
saudade revelada,
a emprestar cor,
guiar e proteger.
Iluminar o caminho percorrido
devolver o gozo interrompido,
restabelecer o sorriso jamais esquecido,
marcado pelo tempo.
Silêncio e fé no reencontro...


Campinas, 28/04/2002


quinta-feira, 9 de julho de 2009

Advocacia em debate


A Constituição Federal é organizada em Títulos, esses divididos em Capítulos, que são sistematizados em seções. O artigo 133 da Constituição Federal está inserido na Seção III, que trata da Advocacia e da Defensoria, do Capitulo IV, que trata das FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA (são elas o Ministério Público e Advocacia) do Titulo IV da Constituição, o qual trata da “Da Organização dos Poderes”.

Ou seja, apesar de todo esforço desenvolvido por parte do Poder Judiciário em desqualificar a advocacia o artigo
133 da Constituição está lá e expressamente afirma que “O advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei.”.
Estou na realidade cansado de assistir inerte às reiteráveis violações às garantias dos advogados, no exercício do direito de defesa dos interesses e direitos de seus clientes, quem vive a advocacia e da advocacia sabe a que estou me referindo.
Não fosse real e significativo esse fato a Comissão de Constituição e Justiça do Senado não teria convocado no último dia 2 de julho deste ano, audiência pública para debater o Projeto de Lei 83/08, que objetiva criminalizar a violação de qualquer uma das prerrogativas estabelecida no artigo 7° da Lei 8.906/94.
Mas o que vivenciamos parte da magistratura, do ministério público e das polícias, a parte mais conservadora e elitista, contra a aprovação do referido projeto e a OAB, de uma maneira geral tímido na defesa do projeto ou, no mínimo, do debate.
Lei Federal afirma que “não há hierarquia nem subordinação entre advogados, magistrados e membros do Ministério Público”, mas as diferenças de tratamento entre advogados e promotores são gritantes. Nas audiências na Justiça Federal, por exemplo, o Ministério Público senta à direita do magistrado. Um símbolo sobre o qual temos de refletir. E não é só, o Ministério Público pode ter acesso a todas as provas, mas nós advogados, mesmo com procuração, temos de requerer vistas ao “todo poderoso magistrado”, aquele mesmo que a lei federal diz que não subordina advogados.
Promotores e magistrados podem circular livremente pelos Tribunais, no horário que for preciso, enquanto nós advogados só podemos circular em horário de expediente, a todo o momento se identificando com a carteira profissional e com algum constrangimento muitas vezes.
O fato é que a advocacia está sob risco e isso é efeito colateral do processo de judicialização da política o qual transborda, algumas vezes, para a politização da Justiça, ou do Poder Judiciário. Fica o tema para reflexão.

domingo, 5 de julho de 2009

Sobre a injusta escolha de Sarney como o bode expiatório.


O Senado está em maus lençois (expressão que no site www.dicinárioinformal.com.br significa “Situação de dificuldade, passada por uma pessoa, em conseqüência de fatos ou ações que tenha praticado” e, em razão dos atos praticados pelo próprio Senado, de responsabilidade de cada um dos senadores, sem exceção, está em busca de um bode expiatório.
Parece que o bode escolhido pelo Senado (entendo-se por “senado” os senadores seus burocratas e toda a cultura patrimonialista que eles representam) é o Presidente José Sarney. Afastar Sarney é menosprezar a inteligência da sociedade. Será ele o único culpado pela farra reinante no Senado? Evidentemente que não.
Nunca é demais lembrar que patrimonialismo é a característica de um
Estado que não possui distinções entre os limites do público e os limites do privado, e que foi comum em praticamente todos os absolutismos e mantêm-se em sociedades de atrasadas e sem clara noção do que é interesse público.
Como o termo sugere, o Estado acaba se tornando um patrimônio de seu governante, porque no passado o monarca gastava as rendas pessoais e as rendas obtidas pelo governo de forma indistinta, ora para assuntos que interessassem apenas à seu uso pessoal (compra de roupas, por exemplo), ora para assuntos de governo (como a construção de uma estrada).
A quem afirme que essa prática se instaurou na Europa através dos
germanos que invadiram Roma. Os romanos tinham por característica a república, forma onde os interesses pessoais ficavam subjugados aos da república, já os bárbaros vindos da Germânia, que aos poucos foram dando forma ao Império decadente, tinham o patrimonialismo como característica, onde o reino e suas riquezas eram transmitidas hereditariamente, de forma que os sucessores usufruiam dos benefícios do cargo, sem pudor em gastar o tesouro do reino em benefício próprio ou de uma minoria, sem prévia autorização de um senado.
É mais ou menos o que ocorre no Senado, falta de pudor, por isso vale a pena falar um pouco sobre o significado da expressão “bode expiatório”. Bem, em sentido figurado, um "bode expiatório" é alguém que é escolhido arbitrariamente para levar (sozinho) a culpa de uma calamidade, crime ou qualquer evento negativo (que geralmente não tenha cometido).
A busca do bode expiatório é um ato irracional de determinar que uma pessoa ou um grupo de pessoas, ou até mesmo algo, seja responsável de um ou mais problemas. É uma busca covarde, mesquinha e mediocre.
Eleger o Presidente José Sarney como bode expiatório é um importante instrumento de propaganda, e um clássico exemplo são os judeus durante o período nazista na Alemanha, que eram apontados como culpados pelo colapso politico e pelos problemas econômicos daquele pais, dentre outras “culpas” que a propaganda oficial lhe impunha.
Quando Senadores, homens que representam seus estados e um dos Poderes da República buscam transferir a uma pessoa apenas as responsabilidades que é de todos, inclusive da sociedade, estão equiparando-se e validando práticas nazistas.
Ao longo da História os grupos usados como bode expiatórios foram muitos, variando de acordo com o local e o período. Os negros, os imigrantes, os comunistas, os capitalistas, os "nordestinos no Brasil", as "bruxas", as mulheres, os pobres, os judeus, os leprosos, os homossexuais, os deficientes físicos e/ou mentais, os ciganos, etc, de acordo com a conveniência e oportunidade, mas hoje é intolerável o uso de bodes expiatórios, o que o Senado deve fazer é auditar com independência e dar publicidade à auditoria realizada, para que a sociedade, através da imprensa responsável, possa conhecer e expressar-se e julgar livremente.
O Senado deve enviar ao Ministério Público Federal o resultado da auditoria para que todos aqueles que praticam ou praticaram atos ilegais, imorais, secretos e ineficientes, ou seja, todos que descumpriram o artigo 37 da CF devem responder por isso.
É verdade que na teologia cristã, a história do bode expiatório no Levítico é interpretado como uma prefiguração simbólica do auto-sacrifício de Jesus, que chama a si os pecados da Humanidade, tendo sido expulso da cidade sob ordem dos sacerdotes, mas Sarney não é Jesus e o Senado não é a humanidade.

sábado, 4 de julho de 2009

Sobre Wilson Santarosa.


As relações entre o sistema judicial e o sistema político atravessam um momento de tensão sem precedentes cuja natureza se pode resumir numa frase: a judicialização da política conduz à politização da justiça, essa é a opinião não é apenas minhas, mas também do Sociólogo Português Boaventura Santos[1].

Toco no tema da JUDICIALIZAÇÃO DA POLITICA por conta das noticias envolvendo uma das grandes personalidades do processo de redemocratização no país: Wilson Santarosa.

Conheço o Gerente Executivo da Petrobrás Wilson Santarosa faz mais de trinta anos, éramos secundaristas e ele é ao lado de Jacó Bittar, Demétrio Vilagra, Alencar, Caravante e outros sindicalistas, para minha geração de militantes do movimento estudantil, referência próxima de ação política válida de combate ao autoritarismo, defesa da democracia e competência profissional por isso tenho certeza na correção de sua conduta como agente público.

Em sendo assim as matérias jornalísticas sobre as investigações do Procurador da República Mario Lucio Avelar, que pediu à Justiça Federal e Cuiabá a quebra do sigilo bancário do Santarosa por uma suposta (e absurda) ligação dele com os “aloprados” vejo mais um capitulo, triste, da utilização do judiciário e da imprensa para fazer política, afinal, a informação sobre o pedido de quebra do sigilo telefônico já havia sido noticiada em 2006 pela Folha de S. Paulo, onde está a novidade então?
Para quem tem boa memória e o mínimo de decência vale lembrar que em 16 de dezembro de 2006 a FOLHA publicou: “O relatório final da CPI, encerrada na quinta, destaca que a PF pediu a quebra do sigilo telefônico de Wilson Santarosa (...) e do empresário Paulo Eduardo Nave Maramaldo, sócio da empresa NM Engenharia e Anti-Corrosão Ltda., contratada da estatal”.

É verdade que a Petrobras em seu post diz que “Jornal O Globo requenta factóide de 2006”, e afirma que o jornal “procura dar sobrevida ao episódio”, mesmo sem ter fatos novos. O fato é que a oposição incompetente e inoperante tenta, assim, manter a Petrobras no foco do noticiário denuncista e vazio, usando o Ministério Público o Judiciário e a imprensa.
A Direção do PCdoB, por exemplo, afirma que o problema não é propriamente a politização das discussões através de mecanismos institucionais, como a CPI, mas o objetivo oculto, qual seja: a criação de palanque político para os partidos de oposição.

O PSDB e DEM estimulam a criação da CPI de forma inconseqüente, pois segundo o professor universitário e dirigente do PC do B, Neto Vale, o próprio Governo Federal dispõe de mecanismos para se investigar irregularidades na Petrobras, sem a necessidade de se instalar uma CPI.

O grave, na minha maneira de ver, é que pessoas de bem como o de Wilson Santarosa são usados de forma irresponsável pela oposição que renuncia ao debate e busca atalhos e distorções institucionais... Mas vamos lá: há judicialização da política sempre que os tribunais, no desempenho normal das suas funções, afetam de modo significativo as condições da ação política, ou seja, sempre que uma decisão judicial altera de forma substantiva a democracia ou a vontade popular e há distorção da liberdade de expressão sempre que a imprensa é usada para destruir ao invés de informar.

A Judicialização da Política pode ocorrer por duas vias principais: uma, de baixa intensidade, quando membros isolados da classe política são investigados e eventualmente julgados por atividades criminosas que podem ter ou não a ver com o poder ou a função que a sua posição social destacada lhes confere; outra, de alta intensidade, quando parte da classe política, não se conformando ou não podendo resolver a luta pelo poder pelos mecanismos habituais do sistema político democrático (como é o caso do PSDB e do DEM) transfere para os tribunais os seus conflitos internos através de denúncias, quase sempre infundadas como é o caso do uso do nome de Santarosa, do Ministério Público e do Poder Judiciário para criar factóides, diante da incapacidade da oposição em fazer Política legitima e válida.

É isso que estamos vendo e lendo nos jornais: a renunciaram ao debate democrático da classe política e o uso e abuso do Ministério Público, do Poder Judiciário e da imprensa para manter vivos interesses mesquinhos e antidemocráticos.

Santarosa e muita gente boa têm sido vítimas dessa tática é que, através da divulgação da existência de uma simples investigação, ocorre a exposição do adversário, e nós sabemos que qualquer que seja o desenlace, o acusado sai enfraquecido politicamente e ferido emocionalmente, ou seja, é prática questionável sob o ponto de vista ético e democrático.

O Professor Boaventura Santos afirma que no momento em que ocorre a sociedade, ou parte dela, renuncia ao debate democrático e transforma a luta política em luta judicial não é fácil saber o reflexo do seu impacto no sistema político e judicial, mas ele é sempre negativo, pois: “... tende a provocar convulsões sérias no sistema político”
[2].

O uso do Judiciário e da imprensa para fazer política afasta a oposição de suas tradições e origens democráticas e nega a tradição republicana.

A judicialização da política pode a conduzir à politização da justiça e esta consiste num tipo de questionamento da justiça que põe em causa, não só a sua funcionalidade, como também a sua credibilidade, ao atribuir-lhe desígnios que violam as regras da separação dos poderes dos órgãos de soberania, é com isso que os bem falantes senadores do DEM e do PSDB estão brincando.

A politização da justiça coloca o sistema judicial numa situação de stress institucional que, dependendo da forma como o gerir, tanto pode revelar dramaticamente a sua fraqueza como a sua força
[3].

A politização da justiça patrocinada pela oposição busca transformar a plácida obscuridade dos processos judiciais na trepidante ribalta mediática dos dramas judiciais, e isso é inaceitável.

O deslocamento desmedido de questões políticas para o campo judicial e sua divulgação inconseqüente pela imprensa pode revelar ausência de espírito democrático da oposição e ausência de reflexão dos meios de comunicação envolvidos, o que lhes aproximaria daquilo que chamamos de litigância de má-fé, pois Senadores do PSDB e do DEM usam e desvirtuam em verdade e usam o processo para atingir seus fins, procedem de modo temerário e provocam através de suas falaciosas declarações fatos infundados
[4].

Fica o registro sobre Wilson Santarosa, um democrata, um homem de bem e um exemplo de brasileiro e fica o alerta aos políticos irresponsáveis que renunciam ao debate democrático e buscam deslocar a ação política para o Judiciário e para a imprensa.


____________________________________________________________


[1] Santos, Boaventura, “Judicialização da Política”, http://www.ces.uc.pt/opiniao/bss/078.php.
[2] Santos, Boaventura, Ob. cit.
[3] “Revelará a sua força se atuar celeremente, se mostrar ao país que, mesmo em situações de stress, consegue agir segundo os melhores critérios técnicos e as melhores práticas de prudência e consegue neutralizar quaisquer tentativas de pressão ou manipulação.”, ob. cit.
[4] Artigo 17, II, III e VI do CPC.

O Curioso Caso de Benjamin Button


Acabei de assistir o Curioso Caso de Benjamin Button (DVD, tenho ido pouco ao cinema), me emocionei com o amor de Benjamin e Daisy, não sei se é um grande filme, não foi com os olhos de critico que o assisti...

É verdadeiramente poético o caso de amor entre Benjamin e Daisy... Acho que os temas fundamentais desse filme são o amor, o tempo e uma certa meditação sobre a nossa mortalidade.

O amor entre eles não era impossível, era real e foi vivido na medida do possível, pelo tempo possível e na forma e oportunidade que o tempo e interesses de cada um permitiu...

Mas nunca deixou de ser amor.

Assim deve ser o amor: verdadeiro e indelével.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sobre a necessária formação acadêmica do Jornalista


O senador Antonio Carlos Valadares do PSB de Sergipe apresentou, na quarta-feira (1º/7), Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que torna obrigatória a exigência de diploma para exercer a profissão de jornalista. Há quem diga que se aprovada a emenda já nasceria inconstitucional porque o Supremo Tribunal Federal afirmou recentemente que a liberdade de expressão é cláusula pétrea e não pode ser restringida. Acredito que regulamentação da profissão proposta pelo Senador socialista não fere a clausula pétrea da liberdade de expressão, pois há indubitavelmente aspectos tecnicos, filosóficos e éticos que somente a universidade pode oferecer ao jornalista, especialmente nesses tempos em que há inumeros meios de comunicação, nos tempos da multimidia.
Acredito que a consequência óbvia da não obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão será a rápida desqualificação do corpo de profissionais da imprensa do país. Empresas jornalísticas poderiam passar a contratar qualquer um que se declare como jornalista, fato que interessa às corporações e não à sociedade.
A PEC vem em boa hora e devolve à sociedade a possibilidade do debate e de acordo com o parlamentar, teria foi elaborada para superar o impasse provocado pela decisão do Supremo Tribunal Federal. Os ministros consideraram inconstitucional o Decreto-lei 972/69, que previa a obrigatoriedade de diploma, a proposta, entretanto, apresenta duas ressalvas, ao permitir que colaboradores possam publicar artigos ou textos semelhantes, e os jornalistas provisionados continuem atuando, desde que com registro regular. Os jornalistas provisionados com registro regular são aqueles que exerciam a profissão até a edição do Decreto-lei, não sei se essa é a melhor forma de tratar talvez fosse o caso de criar duas categorias: a do jornalista profissional e do colaborador.
Conforme o senador, a principal atividade desenvolvida por um jornalista é "a apuração criteriosa de fatos, que são então transmitidos à população segundo critérios éticos e técnicas específicas que prezam a imparcialidade e o direito à informação", como será possível a quem não tenha a necessária e adequada formação técnica e ética desenvolver validademente essa atividade?
Concordo com o Senador Valadares quando ele rebate as críticas dos que consideram que a PEC é uma afronta ao Supremo, afinal a exigência do diploma diz respeito não à liberdade de expressão, mas à qualificação indispensável para uma atividade profissional que interfere diretamente, e de forma ampla, no funcionamento da sociedade, e há um fato que não se pode ignorar: em todos os órgãos de imprensa do Brasil existe a figura do colaborador e isso é uma prova de que a liberdade de expressão não está sendo impedida, muitopelo contrário.
Há médicos, advogados e outros profissionais que escrevem textos técnicos sobre os campos onde atuam, ou até sobre outras áreas que envolva seu conhecimento e vivência, mas não são os colaboradores que "fazem" o jornal, são os jornalistas. O que deve ser garantido, e vem sendo, é a liberdade de expressão.
Fica o registro e a idéia.