quarta-feira, 25 de março de 2009

20 ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM


O fim do comunismo no leste europeu, simbolizado pela queda do Muro de Berlin, completará 20 anos. O distanciamento temporal do fato possibilita uma reflexão sobre o que aconteceu.
Leon Trotsky afirmou que a sociedade soviética era uma sociedade de transição entre o capitalismo e o socialismo, e profetizou que havia o risco de uma contra-revolução restabelecer o capitalismo na URSS se a classe trabalhadora politicamente não derrotasse a onipotência da burocracia e não implantasse uma democracia socialista.
Talvez a Perestroika[1] tenha significado, na prática, a contra-revolução prevista por Trotsky, pois restabeleceu o capitalismo na URSS.
A Perestroika e a Glasnost[2], políticas introduzidas na União Soviética por Mikhail Gorbatchev, em 1985 deu início ao fim do sonho da revolução de outubro de 1917, e quem reconduziu a URSS ao capitalismo foi o proprio PCUS, sua burocracia e o distanciamento entre o Partido e a sociedade.
A falta de democracia, a incapacidade de a burocracia conviver com a critica e o com o contrário[3] deram início à degeneração de um Estado que poderia ter sido o parâmetro para um mundo mais justo.
Aliás, os partidos de esquerda do Brasil e do mundo todo tem de fazer uma análise de suas práticas, pois os teóricos do marxismo são, em geral, muito habeis ao criticar a teoria das elite[4]s e sua aplicação nos estados capitalistas, mas não são igualmente diligentes no estudo do fenômeno nos paises de orientação socialista.
Nesse sentido Bobbio[5] afirma que essa caracteristica da esquerda faz com que a maior produção dos teóricos socialistas sejam as criticas e análises sobre o capitalismo e sobre a sociedade burguesa, havendo, por paradoxal que seja, pouca produção intelectual critica sobre as sociedades socialistas.
A falta de debate, de participação social, de participação real sobre as constituição das instituições e estruturas do Estado socialista comprometeu o projeto de construção de um Estado Operário, com base na democracia socialista.
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[1] A Perestroika (do russo: Перестройка, significa reconstrução, reestruturação) foi, em conjunto com a Glasnost, uma das políticas introduzidas na União Soviética por Mikhail Gorbatchev, em 1985. A palavra perestroika, que literalmente significa reconstrução, ganhou a conotação de 'reestruturação econômica'. Gorbachev talvez cooptado pela lógica neo-liberal negou a história e a Revolução de Outubro e passou a afirmar que a economia da União Soviética estava a falhar, que o sistema socialista, apesar de não ter de ser substituído, certamente necessitava de uma reforma, e isto seria levado a cabo pelo processo da perestroika.
[2] Glasnost (do Russo: гла́сность, significa transparência) foi uma medida política implantada juntamente com a Perestroika na URSS durante o governo de Mikhail Gorbachev. A Glasnost contribuiu em grande parte para a intensificação de um clima de instabilidade causado por agitações nacionalistas, conflitos étnicos e regionais e insatisfação econômica, sendo um dos fatores causadores da ruína da URSS.
[3] Contrário: categoria da lógica formal. As proposições são contrárias porque ambas podem ser falsas, mas não podem ser verdadeiras simultaneamente.
[4] A teoria das elites surgiu no final do século 19 tendo como fundador o filósofo e pensador político italiano, Gaetano Mosca (1858-1941). Em seu livro "Elementi di Scienza Política" (1896), Mosca estabeleceu os pressupostos do elitismo ao salientar que em toda sociedade, seja ela arcaica, antiga ou moderna, existe sempre uma minoria que é detentora do poder em detrimento de uma maioria que dele está privado.
[5] “Qual Socialismo? Discussão de uma alternativa”, Bobbio, Norberto, 3. edição, ed. Paz e Terra, p. 23.

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