domingo, 26 de abril de 2009

Ignorância...


"ninguém chora por bem que não conhece. Ignorância é ventura."
(Martins Aires)

Reflexão...


Nada é verdadeiramente importante... Só o amor.
O pior que pode acontecer a uma pessoa é achar que sua vida é mais importante que a Vida.
Acredito que o que nos move é a busca pelo prazer e o desejo do amor verdadeiro.
O que fazemos é ou será banal ou trivial, por isso é um erro levar-se a muito sério, afinal tudo que a uma pessoa faz um dia desaparece e a humanidade segue seu curso sem sentir falta do que nos parece algumas vezes inquisições profundas e acertadas...
Somos absolutamente prescindíveis para a história. Por isso o que nos resta de verdadeiro, original, único e válido é o amor.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

ELOGIO A FRANCISCO ISOLINO DE SIQUEIRA.


O substantivo masculino “elogio” tem origem no latim elogiu e significa “fazer um discurso em louvor de alguém”, pretendo fazer dessa crônica um elogio a Francisco Isolino de Siqueira, pelas razões que explico abaixo.

Numa noite dessas estive na Acadêmica Campinense de Letras para ouvir a palestra do acadêmico Francisco Isolino de Siqueira, meu tio mais querido, irmão mais velho de minha mãe e pessoa cujo exemplo foi, é e será inspiração para mim e para todos que podem ou puderam validamente conviver com ele, ou mesmo aqueles que, como eu, não convivendo tanto podem tê-lo onipresente em seus corações.

Voltemos aos fatos motivadores desse elogio.

Chegando à academia tomo conhecimento que o tema da palestra, mais uma vez, é o quão significativa foi a vida de Hildebrando Siqueira, seu pai, meu avô e Patrono da cadeira n. 8.

É verdade que o Professor e Jornalista Hildebrando Siqueira foi segundo Francisco Ribeiro Sampaio, um dos mais preclaros professores com que contou o magistério paulista, um intelectual que - de acordo com importante trabalho acadêmico de Eustáquio Gomes - teve significativa participação no movimento modernista, um homem descrito também como alguém esquecido das coisas práticas e que, por conta disso, era capaz de por horas sem conta burilar frases ou esmiuçar os conhecimentos da língua pátria, debruçado sobre os livros sempre amigos.

Menotti Del Picchia, amigo de meu avô, escreveu no CORREIO PAULISTANO em 1.930 que Hildebrando Siqueira “pertence ao ‘clan’ dos Alvaros Moreiras”, e continua dizendo que Hildebrando escreve com graça e pensa com sagacidade.

Mas foi de sua filha a Professora Maria Zélia, minha queridíssima tia Zélia, a descrição mais carinhosa. Emocionada, ela que o perdeu quanto tinha apenas onze anos, o descreveu como um pai amoroso, calmo e presente.

Ontem ouvi novamente o quão válida e significativa foi a curta vida de meu avô, que faleceu aos 42 anos de idade.

Mas a apresentação do palestrante, feita pelo acadêmico Rubem Costa, tratou-o como coadjuvante, o que me causou um incomodo grande, pois Isolino Siqueira jamais foi ou será coadjuvante, ele é e será sempre protagonista, em vários sentidos.
Francisco Isolino Siqueira é protagonista, como no grego protagonistés, que significa o principal lutador, ele desempenha e desempenhou protagonismo na vida de tantos, influenciando e interferindo valida e construtivamente.
Evidentemente não o conheci meu avô, mas ele deve realmente ter sido uma pessoa especial, pois sua memória segue viva mesmo após mais de sessenta anos de sua morte. Mas como? Por que meu tio Francisco Isolino de Siqueira, renunciando a si próprio, dedicou-se à dupla missão, por primeiro ainda menino tornou-se o homem e o provedor de tantos, para em seguida, garantida a dignidade da família, honrar o nome de seu pai.

Talvez impressionado e pressionado pelas palavras de Francisco Ribeiro Sampaio, que quando da posse de meu tio na academia disse “se não tivemos a ventura de nos pôr de presença a presença de Hildebrando Siqueira neste grêmio literário, hoje, por um desses eventos felizes que nos arma a Providência, temo-lo entre nós na poltrona esmaltada e sobredoirada pelo seu fulgido nome e ocupada pelo filho e que ele continua.”, tenha deixado em segundo plano sua própria obra, o seu inegável valor intelectual, sua capacidade criativa e a originalidade de seu texto, renunciando a si próprio para dar-se sempre e cada vez mais.

Voltei para casa pensando nisso.

Quantos de nós seríamos capazes conter a vaidade, sentimento tão humano, e exercitar por toda uma vida o amor e a generosidade, dando tanto e recebendo tão pouco?

Francisco Isolino de Siqueira intelectual ativo, criativo e original, autor de mais de 1.200 crônicas publicadas semanalmente nos jornais de Campinas por mais de duas décadas, dedicou sua vida a honrar a memória de seu pai, mas isso não reduz a sua importância como intelectual, jornalista, professor, advogado brilhante e fundamentalmente exemplo de virtude.

Assim é Francisco Isolino de Siqueira, um intelectual a ser compreendido, conhecido, revelado, descoberto, amado, odiado, construído, desconstruído, estudado, abandonado, resgatado, pois sua obra é original, seu texto único e sendo ele original e virtuoso é merecedor desse elogio e de uma reflexão: por que não dar perenidade à sua magnífica obra organizando as crônicas dando a elas forma de livros?

terça-feira, 21 de abril de 2009

A LULA E A BALEIA

Outro filme que assisti nesse feriado foi THE SQUID AND THE WHALE, EUA, 2005, de Noah Baumbach, que conta com Jeff Daniels, Laura Linney, Jesse Eisenberg, Owen Kline, William Baldwin e Anna Paquin no elenco, vale a pena conferir.

Transcrevo abaixo uma critica bem legal sobre o filme.

"Um jogo de tênis abre A LULA E A BALEIA e, como em MATCH POINT de Woody Allen, funciona como uma metáfora sobre o que virá em seguida. Enquanto Allen refletia sobre a relatividade da sorte, o diretor e roteirista Noah Baumbach prenuncia a guerra que está prestes a ser declarada entre Bernard (Jeff Daniels, ótimo) e Joan Berkman (a sempre competente Laura Linney).
Casados há 17 anos, vêem seu relacionamento deteriorando desde que Joan resolveu seguir os passos do marido e ingressar na carreira literária. A separação culminante é antecipada no jogo da abertura, assim como a tomada de posição entre os dois filhos, Walt (Jesse Eisenberg) e o caçula Frank (Owen Kline, filho de Kevin Kline e Phoebe Cates). O primeiro fica imediatamente do lado do pai, na quadra e no rompimento, enquanto Frank defende como pode a mãe.

Bernard, um escritor conceituado, mas ruim de vendas, o que na América configura em um perdedor, vê sua mulher alcançar o sucesso comercial que ele nunca experimentou. Há anos sem publicar um livro, sobrevive dando aulas de literatura. Já Joan desconta a frustração colecionando amantes na vizinhança. Os garotos ficam no meio da batalha, e, revezando-se entre as casas de ambos (“Custódia compartilhada é uma droga”, diz um colega de Walt, veterano de pais separados), aos poucos tomam posição e escolhem seus lados. Mas ainda assim terminam como baixas de guerra: enquanto Frank passa o tempo sozinho experimentando cerveja e outras bebidas alcoólicas, Walt se espelha no pai para criar uma imagem de intelectual que não corresponde à realidade. Até mesmo suas opiniões refletem as de seu progenitor.
Em um jantar familiar antes da separação, Bernard comenta com Walt que UM CONTO DE DUAS CIDADES é um Dickens menor, ao passo de que Joan o aconselha a conferir por ele mesmo. “Não quero perder meu tempo”, responde o garoto. Posteriormente, indica a uma namorada A METAMORFOSE só de ouvir o pai elogiar. Quando a tal garota vem comentar com ele sobre o livro, Walt só consegue observar que a obra “é bem kafkaniana”. O auge dessa farsa é quando Walt se apropria de uma letra do Pink Floyd e apresenta a canção num concurso escolar como se fosse composição sua.

Esse comportamento não é necessariamente conseqüência da separação dos pais, mas pode muito bem ter se originado na crise que já se estabelecia entre o casal. Baumbach sugere esta possibilidade em diálogos inteligentes e comentários saborosos, como os que Bernard despeja sobre seus filhos. Desprezando um dos amantes de sua ex-mulher, diz que “ele é um sujeito normal, não é um intelectual”. Em outro momento, explica à Frank que “Filisteus são aqueles que não curtem livros e filmes interessantes”, ao que o garoto humildemente responde: “Então acho que sou um filisteu”.

É através do ponto de vista dos garotos que a história será contada, o que permite uma leitura autobiográfica, acentuada pelo fato do cineasta situar a trama em meados da década de 80. E o faz com uma reconstituição impecável e ótimo senso de atmosfera. Baumbach captura suas imagens como se fosse um filme caseiro, com tons amarelados de um negativo vencido, aumentando a sensação de intimidade, como se estivéssemos presenciando a dinâmica daquela família de dentro. Baumbach demonstra um talento especial para construir personagens plausíveis, algo que não se percebe com a mesma clareza no trabalho do superestimado diretor Wes Anderson (que aqui atua como produtor), com quem colaborou em A VIDA MARINHA COM STEVE ZISSOU.

O título se explica por um trauma de infância de Walt. Quando criança, era levado pela mãe para visitar o Museu de História Natural, onde se encontra uma estátua reproduzindo a luta entre uma lula gigante e uma baleia, algo que amedrontava Walt a ponto deste tapar os olhos com as mãos. Após presenciar o embate paterno, a tal luta já não parece tão aterrorizante."

WOODY ALLEN EM BARCELONA


Não tenho ido muito ao cinema. Apesar de ser absolutamente apaixonado pela “grande tela” e sua magia, tenho assistido aos filmes na TV de plasma através do DVD em casa mesmo, o que me permite “pausar” o filme de vez em quando e ir até à minha pequena biblioteca para procurar nos meus livros, revistas, anotações e recortes de jornal referências ou coincidências com os roteiros, diálogos e personagens. Tenho me divertido dessa forma...
Nesse feriado assisti o “Vicky Cristina Barcelona”, filme nos mostra o melhor de Woody Allen. Vicky, interpretada por Rebecca Hall, e Cristina interpretada pela lidíssima Scarlett Johansson são duas amigas que vão passar uma temporada em Barcelona, onde a primeira busca elementos estéticos para a conclusão de seu mestrado, exatamente sobre a cultura catalã.
Barcelona é para mim uma cidade mágica. Isso contribuiu muito com o filme também.
Vicky, a prática, pensa querer um casamento seguro e uma vida burguesa ao lado de um marido com estabilidade financeira. Cristina, a sonhadora, é uma mulher que não sabe o que quer, mas sabe muito bem o que não quer: levar uma vida pequeno burguesa e convencional, acredito que elas se completam, poderiam ser a mesma pessoa como, por exemplo, os personagens de Brat Pitt e Edward Norton em o “CLUBE DA LUTA” de David Fincher, mas o filme se desenvolve de outra forma. Ambas se envolvem com Juan Antonio, interpretado por Javier Bardem.
O filme nos obriga a refletir sobre a vida burguesa de pessoas como nós que vivem vidas que verdadeiramente não desejam (e que muitas vezes odeiam ou desprezam), mas que em razão de um medo terrível renunciam à própria capacidade criativa, ao amor, à paixão, à aventura, ao prazer trocando tudo isso pela estabilidade pasteurizada da média e da moda.
O diretor dá um show e os atores estão fantásticos. Há ainda Penélope Cruz com um desempenho marcante. Vale a pena!

PATRIMONIALISMO E BARBÁRIE


Comentei recentemente sobre o fato de o Poder Executivo nomear para cargos em comissão pessoas de qualificação questionável para atender interesses de seus aliados do Legislativo, dos Partidos Politicos e até do Judiciário, essa é uma prática reveladora do viés patrimonialista que reina na Política brasileira, o fato mais recente esta relacionado ao uso de passagens de forma imoral por parlamentares do congresso nacional.
Vale a pena repisar o tema e relembrar que o patrimonialismo é a característica de um
Estado atrasado e que não possui distinções entre os limites do público e os limites do privado.
O patrimonialismo, comum em praticamente todos os
absolutismos, mantêm-se em sociedades de atrasadas e sem clara noção do que é interesse público, o triste é que parlamentares em tese progressistas, como Fernando Gabeira, confessam-se “vitimas” dessa confusão entre o público e o privado.
A luta pela derrota do patrimonialismo é a luta dessa geração, afinal como o termo sugere, o Estado acaba se tornando um patrimônio de seu governante, porque no passado o monarca gastava as rendas pessoais e as rendas obtidas pelo governo de forma indistinta, ora para assuntos que interessassem apenas à seu uso pessoal (compra de passagens, por exemplo), ora para assuntos de governo (como a construção de uma estrada).
A quem afirme que essa prática se instaurou na Europa através dos
germanos que invadiram Roma. Os romanos tinham por característica a república, forma onde os interesses pessoais ficavam subjugados aos da república, mas os bárbaros vindos da Germânia, que aos poucos foram dando forma ao Império decadente, tinham o patrimonialismo como característica, onde o reino e suas riquezas eram transmitidas hereditariamente, de forma que os sucessores usufruiam dos benefícios do cargo, sem pudor em gastar o tesouro do reino em benefício próprio ou de uma minoria, sem prévia autorização do senado.
Acredito que o fato desses traços de patrimonialismo estarem sendo divulgados, possibilitando uma reação de repúdio e indignação da sociedade terá como reflexo o apaerfeiçoamento institucional, o progresso cidadão necessário à construção de espaços públicos respeitáveis e respeitados.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

A TEORIA DAS ELITES APLICADA AO FUTEBOL...


Tenho a impressão que este ano a imprensa brasileira, de uma maneira geral (em especial os canais de TV por assinatura ESPN BRASIL e SPORTV), decidiu negar a magia, a história, à tradição e a paixão dos campeonatos estaduais e desqualificá-los de forma absolutamente infundada.
É verdade que este ano os times do interior de São Paulo não chegaram à semifinal ou à final do “Paulistão”, mas isso não retira da população de cada uma das cidades do Estado de São Paulo o direito à paixão pelo seu time, sua história e conquistas, por mais modestas e insignificantes que possam parecer, quando observadas pela lógica das elites. Essa lógica teima em transformar o futebol, verdadeira manifestação cultural, em simples produto de consumo submetendo tudo à lógica da eficiência e do lucro.
A idéia difundida pela imprensa (provavelmente a serviço dos interesses econômicos e corporativos) de que os campeonatos estaduais deveriam ser extintos ou deles fazer parte apenas os times grandes segue a lógica da “Teoria das Elites”.
Todos sabem que a teoria das elites surgiu no final do século 19 tendo como fundador o filósofo e pensador político italiano, Gaetano Mosca (1858-1941). Em seu livro "Elementi di Scienza Política" (1896), Mosca estabeleceu os pressupostos do elitismo ao salientar que em toda sociedade, seja ela arcaica, antiga ou moderna, existe sempre uma minoria que é detentora do poder em detrimento de uma maioria que dele está privado.
É isso que alguns jornalistas estão pregando? Estará a imprensa esportiva defendendo o poder da minoria em detrimento da maioria? Ou seja, por essa lógica – que vem sendo irrefletidamente repetida como verdade – um restrito grupo de clubes de futebol teriam mais direitos que outros e seriam eles os clubes uma espécie de classe dirigente. Ridículo!
Na teoria das elites a sociedade é dividida em dois grupos: os governantes e os governados. Os governantes são menos numerosos, monopolizam o poder e impõem sua vontade valendo-se de métodos legítimos ou arbitrários e violentos ao restante da sociedade. No mundo do futebol teríamos qual critério para definir os “governantes e os governados”? Provavelmente os aspectos econômicos exclusivamente seriam observados ou o potencial que cada time tem em gerar lucro nos vários quadrantes do mundo corporativo.
Estive em Lins, SP a trabalho algumas vezes esse ano e pude testemunhar o orgulho da população local com a boa campanha do CLUBE ATLETICO LINENSE, fundado em 1.927 e que honesta e organizadamente disputa a Série A2, talvez o LINENSE não obtenha o acesso à Série A1, mas e daí? Isso por acaso diminui o valor do trabalho lá realizado, as paixões que desperta e os valores significativos que mantém e amplia? Por que somos obrigados a consumir o inadimplente Flamengo, ou os exóticos Real Madri, Milan ou Manchester? Só por que são mais lucrativos aos interesses econômicos e corporativos?
O futebol como manifestação cultural que é contém uma contradição inconciliável com a lógica do lucro, da eficiência e da “corporativização” dos clubes, por isso à imprensa cabe refletir a quem serve e na qualidade de bacharel em comunicação social, não esquecer que no seu juramento prometeu buscar seus ideais, seguindo a meta de trabalho comunicar com ética, honestidade e responsabilidade, não esquecer o compromisso de promover a aproximação entre as pessoas para que possam compreender o sentido da comunicação na sociedade e na humanidade.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

57 ANOS DE FUNDAÇÃO DO C.A. XVI DE ABRIL


Acabei de chegar da PUC... Lá os atuais diretores do agora "Centro Acadêmico XVI de Abril" comemoram os 57 anos de fundação do C.A homenageando ex-diretores e colaboradores da entidade.

Sai de lá emocionado com a generosidade e com a consciência política daqueles meninos e meninas, jovens poetas, jovens guerreiros, sabem que para viver o presente e planejar o futuro é necessário conhecer e compreender o passado.

domingo, 12 de abril de 2009

O II PACTO REPUBLICANO E A ADVOCACIA.


Em dezembro de 2004, após a promulgação da Emenda Constitucional nº 45, foi celebrado o primeiro Pacto de Estado por um Judiciário mais rápido e republicano, firmado pelos chefes dos três Poderes.
A partir dele, e com a criação da Secretaria de Reforma do Judiciário no Ministério da Justiça, a prioridade para o Poder Executivo foi colaborar, articular e sistematizar propostas de aperfeiçoamento normativo e de acesso à Justiça. O Pacto criou um ambiente colaborativo, necessário ao aperfeiçoamento do acesso à Justiça.
Fortalecer a proteção aos direitos humanos, a efetividade da prestação jurisdicional, o acesso universal à Justiça e também o aperfeiçoamento do Estado Democrático de Direito e das instituições do Sistema de Justiça, são temas que o Ministério da Justiça tem trabalhado.
Agora, com a assinatura do II Pacto, os chefes de cada Poder se comprometem a zelar pelo cumprimento de seu teor, assim como a dar publicidade das ações relativas a ele.
Os Presidentes da República, Senado Federal, Câmara dos Deputados e Supremo Tribunal Federal se reúnem no Palácio do Buriti, em Brasília, para a assinatura do II Pacto Republicano de Estado por um Sistema de Justiça mais acessível, ágil e efetivo. Não acredito nessa efetividade enquanto a Advocacia, função do Poder Judiciário e indispensável à administração da Justiça não recolocar-se como protagonista de todo o sistema.
O pacto que tem por objetivos o incremento do acesso universal à Justiça, especialmente dos mais necessitados; o aprimoramento da prestação jurisdicional, sobretudo mediante a efetividade do princípio constitucional da razoável duração do processo e a prevenção de conflitos; e o aperfeiçoamento e fortalecimento das instituições de Estado para uma maior efetividade do sistema penal no combate à violência e criminalidade (por meio de políticas de segurança pública combinadas com ações sociais e proteção à dignidade da pessoa humana), precisa da Advocacia e não apenas de fóruns, juízes e serventuários, sem advogado não há justiça.
No documento há uma grande preocupação em se sistematizar a legislação processual penal, conferindo-se especial atenção à investigação criminal, recursos, prisão processual, fiança, liberdade provisória e demais medidas cautelares, para que sejam evitados excessos. Para isso se deve disciplinar o uso de algemas pelas polícias, por exemplo, de forma a atender ao princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, mas a advocacia é tratada praticamente nota de rodapé no II Pacto.
É verdade que o II Pacto tem méritos, pois haverá de definir novas condições para o procedimento de interceptação telefônica, informática e telemática, atualizando-se, para esse efeito, a Lei nº 9.296, de 1996, objetivando evitar violação aos direitos fundamentais. Assim como estão previstas alterações no Código Penal para dispor sobre os crimes praticados por grupos de extermínio ou milícias privadas, assim como da legislação sobre crime organizado, lavagem de dinheiro, perdimento e alienação antecipada de bens apreendidos, no sentido de tornar mais eficiente a persecução penal. A revisão da Lei de Execução Penal também é pretendida, no sentido de aperfeiçoar o sistema carcerário, garantindo tanto a função ressocializante da pena quanto a segurança pública.
Nessa mesma linha, as normas que definem o abuso de autoridade devem sofrer mudanças a fim de incorporar os atuais preceitos constitucionais de proteção e responsabilização administrativa e penal dos agentes e servidores públicos em eventuais violações aos direitos fundamentais.
Novas regras de atuação das Comissões Parlamentares de Inquérito devem ser adotadas. Institutos legais como a Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) e o mandado de segurança individual e coletivo sofrerão alterações. A ADPF poderá ser ajuizada por pessoas lesadas ou ameaçadas de lesão por ato do Poder Público; e a concessão de medida liminar e recursos referentes ao mandado de segurança serão melhor disciplinados.
Também serão aperfeiçoados o Programa de Proteção à Vítima e Testemunha, do Ministério da Justiça, para garantir maior segurança e assistência ao beneficiário da proteção; e a legislação material trabalhista, visando a ampliar, em especial, a disciplina de novas tutelas de proteção das relações de trabalho.
A fim de garantir maior celeridade e efetividade à prestação jurisdicional, o Pacto elenca 17 pontos que pretendem reformular a legislação vigente e traçar novas diretrizes de atuação perante o Judiciário, a saber:
1- Conclusão da Reforma Constitucional do Poder Judiciário e das normas relativas ao funcionamento do Conselho Nacional de Justiça, em especial das Propostas de Emenda Constitucional nº 358, de 2005 e 324, de 2009;
2- Aprimoramento normativo para maior efetividade do pagamento de precatórios pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios;
3- Regulamentação do processo e julgamento da representação interventiva perante o Supremo Tribunal Federal;
4- Regulamentação do processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade por omissão;
5- Normatização da convocação de juízes para instrução de ações penais originárias nos tribunais superiores;
6- Revisão de normas processuais, visando a agilizar e a simplificar o processamento e julgamento das ações, coibir os atos protelatórios, restringir as hipóteses de reexame necessário e reduzir recursos;
7- Aperfeiçoamento do sistema de execução trabalhista para incorporar aprimoramentos já adotados no processo de execução civil;
8- Aperfeiçoamento do recurso de revista, do recurso ordinário e do procedimento sumaríssimo no processo trabalhista;
9- Instituição de sistema de uniformização de jurisprudência no âmbito dos Juizados Especiais Estaduais, na esteira do sistema Federal;
10- Estruturação das Turmas Recursais dos Juizados Especiais Federais;
11- Revisão da legislação referente à cobrança da dívida ativa da Fazenda Pública, com vistas à racionalização dos procedimentos em âmbito judicial e administrativo;
12- Atualização do Código de Defesa do Consumidor, com o objetivo de conferir eficácia executiva aos acordos e decisões dos PROCONs, quanto aos direitos dos consumidores;
13- Regulamentação da responsabilidade civil do Estado para estabelecer formas de reparação, em especial no âmbito administrativo, de danos provocados pelo Poder Público, bem como as formas de regresso em relação aos seus causadores;
14- Revisão da Lei de Improbidade Administrativa, assegurando maior eficácia na recuperação de ativos, aprimorando a gestão da Administração Pública e prevenindo ações indevidas e malversação de recursos públicos;
15- Criação de colegiado para julgamento em primeiro grau nos casos de crimes de organizações criminosas, visando a trazer garantias adicionais aos magistrados, em razão da periculosidade das organizações e de seus membros;
16- Atualização da Lei Orgânica da Magistratura – LOMAN;
17- Nova disciplina constitucional para Medidas Provisórias.
No tocante ao direito constitucional de acesso à Justiça, o Pacto resolve fortalecer o trabalho da Defensoria Pública e dos mecanismos destinados a garantir assistência jurídica integral aos mais necessitados. Outras duas metas para se garantir o acesso de todo o cidadão ao Judiciário brasileiro são: a instituição dos Juizados Especiais da Fazenda Pública no âmbito dos Estados e do Distrito Federal, com competência para processar, conciliar e julgar causas cíveis, de pequeno valor, de interesse dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; e a revisão da Lei da Ação Civil Pública, de forma a instituir um Sistema Único Coletivo que priorize e discipline a ação coletiva para tutela de interesses ou direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos, objetivando a racionalização do processo e julgamento dos conflitos de massa. Para a realização dos objetivos estabelecidos nesse pacto, os chefes dos três Poderes assumem como compromissos, sem prejuízo das respectivas competências constitucionais relativamente à iniciativa e à tramitação das proposições legislativas, os seguintes pontos:
a) criar um Comitê Interinstitucional de Gestão do presente Pacto Republicano de Estado por um sistema mais acessível, ágil e efetivo, com representantes indicados por cada signatário, tendo como objetivo desenvolver e acompanhar as ações pactuadas;
b) conferir prioridade às proposições legislativas relacionadas aos temas indicados, dentre as quais se destacam a continuidade da Reforma Constitucional do Poder Judiciário e os temas relacionados à concretização dos direitos fundamentais, à democratização do acesso à Justiça, inclusive mediante o fortalecimento das Defensorias Públicas, à efetividade da prestação jurisdicional e ao aperfeiçoamento dos serviços públicos prestados à sociedade;
c) incrementar medidas tendentes a assegurar maior efetividade ao reconhecimento dos direitos, em especial a concessão e revisão de benefícios previdenciários e assistenciais;
d) fortalecer a mediação e a conciliação, estimulando a resolução de conflitos por meios autocompositivos, voltados à maior pacificação social e menor judicialização;
e) ampliar a edição de súmulas administrativas e a constituição de Câmaras de Conciliação;
f) celebrar termos de cooperação entre os Poderes com o objetivo de intensificar ações de mutirão para monitoramento da execução penal e das prisões provisórias, fortalecendo a assistência jurídica aos presos e familiares e promovendo ações de capacitação e reinserção social;
g) iincentivar a aplicação de penas alternativas;
h) integrar ações de proteção às crianças e adolescentes vítimas ou em situação de risco e promover medidas de aprimoramento do Sistema de Justiça em que se insere o menor em conflito com a lei;
i) aperfeiçoar a assistência e o Programa de Proteção à Vítima e à Testemunha;
j) estruturar e apoiar as ações dos órgãos de controle interno e ouvidorias, no âmbito das instituições do Sistema de Justiça, com o objetivo de promover maior transparência e estimular a participação social;
k) melhorar a qualidade dos serviços prestados à sociedade, possibilitando maior acesso e agilidade, mediante a informatização e desenvolvimento de programas de qualificação dos agentes e servidores do Sistema de Justiça;
l) fortalecer o exercício do direito fundamental à ampla defesa e da advocacia;
m) viabilizar os recursos orçamentários necessários à implantação dos programas e ações previstos neste Pacto.

Fonte: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=106058&tip=UN

sábado, 11 de abril de 2009

ENFRENTAR A VIDA OU CONTEMPLÁ-LA?


“Mas a história pode desatar nossas mentes, nossos corpos, nossa disposição para nos mexermos - para enfrentar a vida ao invés de contemplá-la como alguém de fora. Ela pode fazer isso alargando nossa visão para incluir as vozes silenciosas do passado, para olharmos além do silêncio do presente. Ela pode ilustrar a tolice de depender de outros para resolver os problemas do mundo - seja o estado, a igreja, ou outros benfeitores auto-proclamados. Ela pode revelar como idéias são empurradas para cima de nós pelos poderes de nossa época, e então nos leva a ampliar nossa mente além do que é dado. Ela pode nos inspirar ao relembrar aqueles poucos momentos no passado em que os homens de fato se comportaram como seres humanos, para provar que é possível.” (Howard Zinn)

SOBRE LIBERDADE.



"Liberdade é o direito de respeirar.

Não se pode respirar com leis rigidas.

Sem liberdade o Homem é uma sincope."



(Will Huroting, personagem de Matt Damon no filme GÊNIO INDOMÁVEL).

HOWARD ZINN


Uma sugestão de leitura é Howard Zinn. Ele nasceu em 24 de agosto de 1922, em Nova York, é um historiador, cientista político, crítico da sociedade, ativista e dramaturgo, muito conhecido por seu best-seller, A People's History of the United States. A filosofia de Zinn incorpora idéias do marxismo, anarquismo, socialismo e social-democracia.

Desde os anos 1960, ele tem sido uma figura marcante do movimento pelos direitos civis e movimento pacifista nos Estados Unidos.


O sugestão de leitura é de Will Huroting, personagem de Matt Damon no filme GÊNIO INDOMÁVEL. O livro em português de Zinn é "Você não pode ser neutro num trem em movimento: uma história pessoal dos nossos tempos".

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O DECLINIO DO IMPERIO AMERICANO



Assistir novamente o filme de Denys Arcand "O DECLINIO DO IMPÉRIO AMERICANO" é uma boa idéia nesse feriado.

Le Déclin de L'Empire Americain é um filme imperdível...
O filme é de 1.986, e tudo acontece enquanto os professores de História Rémy, Pierre, Claude e Alain preparam um saboroso jantar no campo, às margens do lago canadense Memphremagog, as amigas Dominique, Louise, Diane e Danielle fazem exercícios de musculação.

Sob o suave outono, os intelectuais vislumbram o declínio quase invisível de um grande império.

O desprezo pelas instituições, decadência das elites e queda da natalidade seriam os sinais crepusculares, segundo o filme.

Além disso com a obra apresente a idéia de que com a destruição do sonho marxista-leninista, e a inexistência de outro modelo de sociedade sob o qual se nos parecesse válida a existência, tudo perderia o sentido...

Vale a pena conferir.
______________________
FICHA TÉCNICA:

Título Original: Le Déclin de L'Empire Americain / Decline of the American Empire, The
Gênero: Comédia Dramática
Origem/Ano: CAN/1986
Duração: 101 min
Direção: Denys Arcand

O PUBLICO E O PRIVADO.


Sempre me pergunto por que o Estado, através da Policia Militar, tem de cuidar da segurança nos estádios de futebol? Lembrando que ao cuidar da segurança é objetivamente responsável pelos danos e prejuizos causados aos torcedores.

Me pergunto isso porque os jogos de futebol não são eventos públicos e não acontecem em bem de uso comum do povo, ao contrario, na maioria das vezes os estádios são bens particulares, e se é assim por que a sociedade tem privar-se de segurança e pagar pela segurança nos estádios?

Talvez seja uma tradição... E também é verdade que os batalhões de Polícia de choque têm, historicamente, as seguintes atribuições: (i) Controle de Distúrbios Civis; (ii) Policiamento em Praças Desportivas; (iii) Policiamento em Eventos Artístico-Culturais; (iv) Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas). Aliás, o 2º. Batalhão de Policia de Choque, por exemplo, criado no dia 07 de maio de 1934, através de publicação inserta no Boletim Geral n° 35 da então Guarda Civil, com o nome de Divisão Reserva, tinha por finalidade atender aos serviços extraordinários, inclusive ações de controle de tumultos e policiamento disciplinar, em virtude do efetivo das demais tropas ser empregado nas missões comuns de policiamento. Foi também nessa época que começou a surgir uma especialidade: Policiamento em Praças Esportivas, aliás, o primeiro policiamento executado em estádios foi realizado no Parque Antártica, no dia 03 de junho de 1934, com um efetivo de 207 homens.

A Polícia Militar é serviço público cuja função é o policiamento no âmbito das forças armadas, e geralmente é responsável pela garantia do cumprimento da lei (incluindo a investigação criminal) no interior das instalações sob jurisdição militar e no que diz respeito ao pessoal militar, mesmo fora dessas instalações, pela segurança de instalações, proteção de altas individualidades militares, custódia de prisioneiros de guerra, guarda e escolta de militares sob prisão, gestão de refugiados, defesa contra espiões e sabotadores, controle rodoviário e reconhecimento de itinerários e guardas honoríficas em cerimónias militares. Nem todos os serviços de Polícia Militar executam todas estas atribuições.

Ou seja, não é obrigação originária do Estado, através da Policia Militar garantir a segurança e a ordem em atividades privadas, por isso que acredito que a responsabilidade pela segurança do torcedor nos estádios é dos clubes, das federações e da confederação brasileira de futebol e não do Estado.

Todos os eventos no estádio de futebol são responsabilidade daquele que promove o evento e do dono de estádio de futebol, essa é a regra. Aos clubes cabe disponibilizar aos torcedores de qualquer agremiação conforto, segurança, respeito e higiene, e como os estádios, mesmo os particulares, encontram-se abertos à freqüência coletiva, necessitam atender às condições mínimas de segurança e conforto para seus usuários e freqüentadores, seja de qualquer agremiação futebolística.

A segurança dos freqüentadores é tutelada pelo ordenamento jurídico pátrio, na Constituição Federal, pelo Código de Defesa do Consumidor, Estatuto do Torcedor e pelas leis federais, estaduais e municipais que se apliquem ao caso.

E no que concerne à Constituição Federal, a função do Estado é exigir daquele que promove o evento e ao proprietário de cada estádio mais do que a execução das medidas de segurança exigidas pelos órgãos competentes do Município e do Estado, mas também garantir o efetivo respeito ao direito à segurança, consagrado expressamente na Constituição Federal, em seus artigos 5° e 6°. Segurança esta que, além do sentido de prevenção do crime, exprime-se em uma expectativa de incolumidade física necessária para o pleno desenvolvimento das funções urbanas típicas (habitar, recrear, circular e trabalhar), e que deve estar presente nas edificações públicas e privadas, mais ainda porque aberta à freqüentação pública.

Com relação à tutela dos interesses dos freqüentadores de estádios, é relevante observar o que dispõe o Estatuto do Torcedor (Lei 10.671/03), o qual claramente equipara o torcedor ao consumidor, inclusive, tendo em vista as normas protecionistas abarcadas no CDC: "Art. 40. A defesa dos interesses e direitos dos torcedores em juízo observará, no que couber, a mesma disciplina da defesa dos consumidores em juízo de que trata o Título III da Lei no 8.078, de 11 de setembro de 1990.”

Sobre o conceito do consumidor tem-se: "art.2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.”

As reflexões que trago através desse artigo decorrem do Código de Defesa do Consumidor, uma vez que a prestação de serviços de organização e realização de eventos esportivos constitui verdadeira atividade econômica, e sob tal aspecto, vale registrar o que preceitua a Constituição Federal: “Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...); V - defesa do consumidor;” (grifos nossos)

Todos os serviços prestados pelos organizadores e realizadores de eventos esportivos estão sujeitos, portanto, à disciplina do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), já que se enquadram no conceito de fornecedor disposto no artigo 3º do referido diploma legal, in verbis:
“Art. 3º. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.”

E as federações e a CBF, com relação à prestação de serviços desenvolvida, descumprem o que dispõe o artigo 6º do CDC, tendo em vista a situação de perigo imposta aos freqüentadores, em virtude da inércia do referidos organizadores e clubes em propiciar as necessárias exigências estruturais previstas em lei e pelas autoridades competentes, transferindo de maneira singela toda a responsabilidade da segurança para a Policia Militar, ignorando que: “Art. 6º. São direitos básicos do consumidor: I – a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigos ou nocivos;”.

Esse dispositivo guarda íntima relação com o art. 4º do CDC, que, no seu caput, coloca o respeito à saúde e segurança do consumidor entre os objetivos da Política Nacional de Relações de Consumo, e, no inciso II, alínea “d”, traz o “princípio da garantia de adequação”, no sentido de que os produtos e serviços devem apresentar padrões adequados de qualidade, segurança, durabilidade e desempenho, a serem assegurados ao consumidor pelo Estado.

A segurança como princípio mor do CDC, foi complementada pelo Estatuto do Torcedor, a saber:
“Art. 13. O torcedor tem direito a segurança nos locais onde são realizados os eventos esportivos antes, durante e após a realização das partidas.”

Mas quem é responsável pela segurança?
Preocupou-se o legislador, então, com o serviço realizado em local público, determinando que sejam eliminadas todas as possibilidades de acidente, as quais deverão ser previstas e evitadas, a fim de resguardar a incolumidade física e mental do torcedor. Por isso, para eventos dessa natureza, a segurança tornou-se preceito legal antes, durante e após a realização das partidas, art. 13, da Lei nº 10.671/2003.

Configura-se ainda prática abusiva das federações e clubes, segundo o CDC em seu art. 39, inc. VIII, o desrespeito à norma pública de segurança exigida pelas autoridades competentes:
“Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços: (...); VIII - colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - Conmetro;”.

E no que concerne ao Estatuto do Torcedor, são inúmeros os descumprimentos por parte dos clubes e federações. Mas eu acredito que a segurança do torcedor é dever da entidade detentora do mando de jogo, podendo esta inclusive ser responsabilizada pela sua não implementação.

Ademais, a responsabilidade dos clubes e federações é extensiva aos seus dirigentes, pois “aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito, art. 186, CC”, conforme o Código de Defesa do Consumidor – CDC e do Estatuto do Torcedor, traz à lume a incidência do conceito de responsabilidade objetiva. In verbis, os arts. 14 e 19 do Estatuto do Torcedor: “Art. 14. Sem prejuízo do disposto nos arts. 12 a 14 da Lei nº. 8.078, de 11 de setembro de 1990, a responsabilidade pela segurança do torcedor em evento esportivo é da entidade de prática desportiva detentora do mando de jogo e de seus dirigentes (...)”. Há ainda o “Art. 19. As entidades responsáveis pela organização da competição, bem como seus dirigentes respondem solidariamente com as entidades de que trata o art. 15 e seus dirigentes, independentemente da existência de culpa, pelos prejuízos causados a torcedor que decorram de falhas de segurança nos estádios ou da inobservância do disposto neste capítulo.”

Além disso, dispõe o art. 14 do Código de Defesa do Consumidor: “Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.”, são os clubes e federações e não o Estado que responde pela falha na segurança. Não seria o caso de os clubes e federações arcarem com os custos da contratação e treinamento de seguranças, cabendo ao Estado apenas a aprovação, ou não, do plano de segurança (a exemplo do que fazem os bombeiros no seu campo de competência)? Não estou pregando a privatização da segurança, apenas refletindo acerca da legalidade e moralidade do uso de dinheiro público para eventos privados que visam lucro.

Em sendo assim, quaisquer acontecimentos envolvendo torcedores tem por responsável os clubes e federações e não o Estado, pois cabe a eles garantir o cumprimento das normas de segurança vigentes, evitando que o freqüentador do estádio corra riscos, devendo, dessa forma, ser responsabilizado, no que couber, pelos danos causados a terceiros, segundo os dispositivos indicados acima.

E a responsabilidade que é objetiva, decorrente da própria atividade e do fornecimento dos serviços de entretenimento, conforme estabelece o CDC.

O Estado deve exigir dos clubes e federações a existência de condições de segurança, respeito e dignidade à pessoa humana. Esse respeito aos direitos deve ser cobrado como norma geral e como meio de dignidade humana – pois o estádio destina-se a receber pessoas – e também pelo simples fato de que a Constituição da República e a Legislação Federal em vigor obrigam a observância dos direitos do torcedor, não apenas do torcedor do clube dono do estádio, mas de qualquer torcedor ou pessoa freqüentadora do estádio de futebol. Mas por que o Estado tem de arcar com os custos e responsabilidades de atividade privada, cujos resultados financeiros não lhe pertencem?

Mas todas essas reflexões não são conclusivas. São reflexões apenas.

REFLEXÃO...


Quando você sente uma grande mágoa, ou sofre uma decepção profunda, há um risco grande de se viver tanto tempo essa dor e não perceber que as multiplas oportunidades e belezas da vida seguem acontecendo, o mundo segue em movimento e a Terra em rotação e translação... Por isso não é exagero dizer que nada é tão grande e importante quanto a própria vida.

domingo, 5 de abril de 2009

NÃO VOTO MAIS NO SUPLICY, NEM NO MERCADANTE...


Sou eleitor desde 1.982. Naquele ano votei no PT “de cabo a rabo”: Lula Governador, Jacó Bittar Senador, Clara Ant Deputada Estadual, João de Carvalho Prefeito de Campinas (com Celso Marcondes vice) e Mario Bigode Vereador. Não me lembro do candidato que votei para Deputado Federal, mas era com certeza ligado à “Libelu”.


De lá para cá poucas vezes meu voto não foi para os partidos de esquerda e para seus candidatos. As exceções foram o voto no Fleury no 2º turno em 1.990, mas o outro candidato era o Maluf então acho que estou perdoado... Em 1.994 também pratiquei o chamado voto útil e por conta disso o Mário Covas levou o meu voto também no 2º. Turno e em 1996 votei no Chico Amaral, também no 2º turno na disputa pela prefeitura de Campinas. Nos três casos teria sido melhor votar nulo...


Passados vinte e sete anos daquele 1.982 convivemos com um fato inegável: o nosso congresso é uma vergonha, talvez a grande vergonha nacional, e a revelação de que o Senado Federal conta com praticamente uma centena e meia de diretorias e de que alguns dos diretores são diretores deles próprios foi a gota d’água para me fazer tomar uma decisão: não voto mais no Suplicy e tão pouco no Mercadante, muita conversa e pouca atitude, essa é a verdade. São pessoas de grande competência, mas como ensinou o filósofo Martins Aires “nas ações do homem, vemos o seu juízo e no seu discurso lhe vemos o entendimento”.


Esses dois senadores representariam o Estado de São Paulo e seriam, segundo eu imaginava, incapazes de silenciar diante de qualquer desrespeito aos princípios da moralidade, da legalidade, da impessoalidade, da publicidade e da eficiência, esses informadores da administração pública, mas silenciaram por anos Mas se quedaram inertes é porque ou são coniventes com a imoralidade ou porque são incompetentes.


Acho que a sociedade deveria renovar 90% do congresso poucos deles são dignos de representar seus estados ou a população dos mesmos, se fossem não teríamos sigo pegos de surpresa com um simples manobrista da garagem do senado ganhando mais do que qualquer medico da rede pública.

A JUVENTUDE E A AÇÃO POLITICA.


Posso estar completamente enganado, mas meus filhos e sua geração carregam uma sensação desalentadora em seus corações... Penso que eles têm a sensação de que nada realmente importante resta a fazer no quadrante da Política, pois todas as oportunidades mais nobres e brilhantes já teriam sido exploradas e exauridas pelas gerações anteriores, afinal não há uma ditadura a ser vencida, a democracia estaria sendo consolidada e teríamos, inclusive, o segundo presidente progressista ocupando o Palácio do Planalto depois da abertura e fim do regime militar, tanto que poucos jovens criativos e de alma libertária buscam atuar politicamente.

Em razão disso eles vivem um dilema: “ou se tornam meros zeladores dos monumentos” que lhes legou a História ou, então, “libertam-se desse passado, sem condições de sobrepujá-lo”.

O professor Roberto Mangabeira Unger no seu livro “O Direito na sociedade Moderna” fala sobre esse sentimento, que chama de “o ônus do passado na Teoria Social” (Ed. Civilização Brasileira, 1.979, p.11), mas alerta para o fato de que esse dilema “na história do pensamento especulativo” assume forma característica... Seus discípulos podem tornar-se meros exegetas dos textos clássicos, mas roídos pelo remorso de haverem perdido a autonomia, ou, por outro lado, podem passar a adotar a especialização como uma espécie de evitar comparações, mas numa posição ou noutra ponto negativo é que estamos diante da renuncia do vigor e generosidade intelectual e exemplo de coragem que somente a juventude pode legar à geração seguinte.

O cineasta David Fincher no seu filme “CLUBE DA LUTA” nos diz, através do personagem de Brad Pit, algo como: “... somos uma geração sem peso na história, não temos uma guerra mundial, não temos a grande depressão, nossa guerra é espiritual, nossa depressão são nossas vidas...” e por ai vai.

Esse sentimento não corresponde à realidade ou às necessidades desse mundo, do nosso mundo ou das infinitas possibilidades da ação Política que tenha como protagonista a juventude.
Pedro Benedito Maciel Neto

sexta-feira, 3 de abril de 2009

SOBRE A VERDADE.


Esconder-se em segredos e versões tem algo de muito triste... Somente a verdade é capaz de libertar a alma.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O ELOGIO DE OBAMA


Lula 'é o cara', diz Obama durante reunião do G20, em Londres Presidentes se encontraram durante almoço de líderes. Para Obama, Lula é o 'político mais popular do mundo'. Tem TUCANO que morre hoje...




SOBRE A SEGURANÇA NOS ESTÁDIOS.


No último sábado dia 28 de março eu e três amigos fomos ao estádio Brinco de Ouro assistir à Guarani e Corinthians, ou melhor, como éramos dois são paulinos um corintiano e eu, ilustre pontepretano. Fomos assistir ao fenômeno de audiência, além de ser o fenômeno do futebol, pretendíamos ver o Ronaldo, jogar.
Nunca vi problema nenhum em assistir um jogo de futebol para quem aprecia futebol. Mas, naquele sábado à noite parte da torcida bugrina viu problema nisso.
Logo que chegamos ouvimos berros de marginais, que para esconderem a insensatez e barbárie usam o anonimato da multidão e o rótulo de membros de torcidas organizadas. Eles gritavam “Olha o Gambá”, a procura de torcedores não bugrinos. Presenciamos atos de violência, quando um rapaz levou socos e pontapés porque não estava cantando o hino o clube, ironicamente o mesmo rapaz tirou do bolso sua carteirinha de sócio torcedor do GUARANI depois de ser agredido. Fomos também caçados dentro do estádio, ameaçados e sem segurança nenhuma de que sairíamos de lá ilesos, pura sorte. Fomos tratados como animais, caçados, contando com a sorte e com o nosso instinto.
Isso me remeteu ao projeto da Carteira do Torcedor que o Governo Federal está tentando implementar. Eles querem fazer um cadastramento de todas as pessoas que vão aos estádios. Ou seja, cada pessoa deve ter uma carteirinha que deve ser renovada anualmente.
Primeiramente acho louvável a iniciativa, finalmente, em combater essa barbárie no futebol. Afinal, no fundo, bem no fundo, é apenas futebol. É claro que pessoas temem a ida aos estádios, mas não é esse cadastramento que vai ajudar diminuir a violência nem dar mais segurança a quem freqüenta os jogos. Digo isso enumerando uma série de fatores.
Primeiramente, porque é um equivoco achar que todas as pessoas que vão ao estádio procuram violência. Não vou nem discutir o imenso trabalho burocrático que isso traria, além da falta de praticidade. Ora, seria preciso criar um novo núcleo de cadastramento, afugentaria os torcedores casuais que não se dariam ao trabalho de se cadastrar, o policial terá um trabalho a mais, além de cuidar da segurança terá garantir que as pessoas estejam em dia com suas carteirinhas, é mais fácil cadastrar quem cria problema do que cadastrar todos os torcedores, uma nova logística deveria ser implementada etc.
O problema não é a violência em si, é a violência também, mas principalmente os fatores que levam essas pessoas a se comportarem de forma violenta. Em outras palavras, a estrutura montada para garantir a segurança e satisfação dos torcedores é pífia. E como disse Oliver Seitz, PhD em Indústria do Futebol da Universidade de Liverpool, em seu artigo reproduzido no blog e Juca Kfouri: “Quem é tratado como animal age como animal.” E no Brasil os torcedores são tratados de tal forma. Rebanhados aos estádios, submetidos a condições deploráveis de higiene, banheiros com mau cheiro e sujos, lixo no chão, estádios com suas estruturas em condições lastimáveis etc.
O verdadeiro problema é esse. As condições em que a violência ocorre. Há uma frase de um grande pensador, Dr. Pedro Benedito Maciel Neto, que nos remete a grande reflexão: “Não se pode comer com os porcos sem se lambuzar”. Não se espera nada além de atitudes nojentas de quem habita num lugar nojento. Naquele dia no estádio do Guarani, não tinha garantias nenhuma de que poderia assistir ao jogo e voltar tranqüilo para casa. Às vezes as pessoas só querem assistir futebol, por incrível que pareça.
É claro que a violência, assim como as torcidas organizadas devem ser discutidas e combatidas. Mas aqui, meu principal interesse é mostrar que o torcedor é tratado como lixo, um lixo sem garantias. Com essa carteirinha ele não passará de um lixo, sem garantias e cadastrado.

Caio Carmona Maciel, 20, estudante de jornalismo na FACAMP. caiomaciel@hotmail.com

quarta-feira, 1 de abril de 2009

SOBRE PRÊMIOS E OUTRAS HONRARIAS...


O prêmio não torna o homem ilustre, o que o torna ilustre é o merecimento...

SOBRE AS CRISES...


Ouvi de Sean Maguire que "as crises nos despertam para coisas boas que não percebemos".
Gostei dessa idéia...

SOBRE PESSOAS (APARENTEMENTE) INTELIGENTES.


Não acredito que a inteligência de uma pessoa possa ser medida pelas suas boas notas. Conquistar boas notas não é sinal de inteligência socialmente válida.
Contam que nos anos 60 um jovem formou-se pela pela universidade de MICHIGAN, nos EUA. Ele era brilhante em matemática, especialmente em funções harmônicas.
Depois esse jovem foi professor em BERKELEY, todos diziam que tinha um grande potencial... A partir dai foi para MONTANA e "detonou" seus adversários...
O nome dele era TED KACZYNSKI*.
O que me leva a acreditar que inteligência é um outro valor...
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*Dr. Theodore John Kaczynski (Chicago, 22 de Maio de 1942), mais conhecido como Unabomber, é um matemático norte-americano, escritor e activista político, condenado por terrorismo.
O Unabomber foi um brilhante matemático que abandonou a sua carreira na Universidade de Berkeley, e afastou-se da vida social moderna para viver como um
eremita numa cabana isolada, situada num espaço selvagem. Ele ficou famoso ao conseguir que o seu manifesto, intitulado “A sociedade industrial e o seu futuro”, fosse impresso através do Washington Post e New York Times, após vários anos de ataques a bombas por correio, maioritariamente a cientistas informáticos, geneticistas e outros tecnocratas de renome, também referidos, por entre aqueles que partilham a linha politica do Unabomber, como sendo os "arquitectos da Nova Ordem Mundial". A campanha deixou 22 pessoas feridas e 3 pessoas mortas.
Sob a ameaça de voltar a atacar e na esperança de que algum indício presente no estilo de escrita do autor pudesse conduzir à sua prisão, o manifesto foi impresso em
19 de Setembro de 1995 com o aval das autoridades. Nele, o Unabomber denuncia o desenvolvimento da sociedade industrial como sendo uma ameaça à liberdade humana e advoga que a acção imediata contra ela é necessária.
Acabou sendo preso em 1998, quando sua cabana foi transferida em um reboque para uma análise exaustiva, e diante das provas encontradas, foi finalmente acusado. O FBI chegou até ele pela delação do seu próprio irmão, que cobrou nada menos do que um milhão de dólares de recompensa.

A FORMULA DO PROGRESSO


Ouvi que o progresso é uma ação humana que depende de complementariedade... Um de nós equilibra a equação e o outro desequilibra... Somente assim haverá progresso.