domingo, 10 de setembro de 2017

SOBRE PERIGOSO ESTADO MINIMO



O governo Temer trouxe de volta a pauta neoliberal, propostas e ideias derrotadas nas urnas em 2002, 2006, 2010 e 2014.

Esse é o fato.
Com a reintrodução da agenda neoliberal a crença cega no tal Estado Mínimo voltou a ser professada, sem qualquer constrangimento e com apoio ostensivo da mídia corporativa.
Penso que a volta das certezas que envolvem Estado mínimo, num país que ao longo da História não levou aos cidadãos o mínimo de Estado, é apenas um dos retrocessos do projeto neoliberal e anti-desenvolvimentista de Temer, pois não há nada mais velho e antissocial do que o enganoso “culto da austeridade”, remédio clássico seguido no Brasil dos anos de 1990 e aplicado na Europa desde 2008 com resultados catastróficos.
Para fundamentar a reflexão e a critica é necessário recuperarmos os fundamentos e princípios constitucionais que regem a Ordem Econômica, especialmente para acalmar o embate beligerante desnecessário, mas sempre presente.
A qual embate me refiro? Me refiro ao tolo e recorrente o debate apaixonado/embate beligerante entre os liberais (que defendem o tal “Estado Mínimo” e um “mercado” livre de regulação estatal) e os socialistas (que defendem um Estado “forte”, no qual as atividades econômicas estariam sob a responsabilidade do Estado e todos os estágios da produção estariam sob o comando do governo).

Nenhum desses modelos está previsto na constituição e que  me perdoem os liberais, mas a ação individual não possui a capacidade de prover o interesse social, apenas a ação estatal, não como negação da iniciativa individual, mas como condição mesma de sua sobrevivência. Estado e livre iniciativa não se opõem, mas se complementam. A livre iniciativa individual é cega em relação ao interesse social, mas, se for inteligentemente dirigida e controlada pelo Estado, ela ainda é o meio mais eficiente de se atingir o progresso econômico e social. Fazer é técnico e não filosófico. Keynes afirma ser possível separar os serviços que são tecnicamente sociais dos que são tecnicamente individuais. Assim, cabe ao Estado assumir aquelas funções que estão fora do âmbito individual, aquelas decisões que ninguém adota se o Estado não o faz, aquelas coisas que atualmente deixam de ser feitas.

Aliás, a nossa constituição orienta como deve ser a ordem econômica no nosso país e sua Carta Política não contempla extremos, nossa ordem econômica, s.m.j., prepara e orienta o caminho da socialdemocracia, via o social-liberalismo.

Apenas para registro, social-liberalismo (também chamado de liberalismo socialnovo liberalismo, liberalismo moderno) seria um desenvolvimento do liberalismo no início do Século XX que, tal como outras formas de liberalismo, vê a liberdade individual como um objetivo central do Estado, mas sua a compreensão de liberdade é diferente.

Se para o liberalismo clássico liberdade é a inexistência de compulsão e coerção nas relações entre os indivíduos, para o liberalismo social a falta de oportunidades de emprego, educação, saúde etc. podem ser tão prejudiciais para a liberdade como a compulsão e coerção. Registre-se que o social-liberalismo é considerado centrista ou de centro de centro-esquerda.

Portanto, a ordem econômica constitucional não pode ser compreendida fora dessa quadra e quem defende o Estado Mínimo dá de ombros à ordem econômica prevista em nossa constituição.

O artigo 170 da Constituição determina que a ordem econômica no Brasil deve ser fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, que tem por objetivo assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, ou seja, nem Estado Mínimo, nem Estado exageradamente interventor (o fundamento da valorização do trabalho humano coloca em xeque a reforma da CLT aprovada recentemente pelo congresso nacional, pois suas características condena à indignidade o trabalho).

E há também os princípios constitucionais para o desenvolvimento válido da ordem econômica, são eles: soberania nacional; propriedade privada; função social da propriedade; livre concorrência; defesa do consumidor; defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; redução das desigualdades regionais e sociais; busca do pleno emprego e o tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País.

No que diz respeito às empresas de pequeno porte o artigo 179 da CF determina que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas de tais obrigações (não se pode esquecer que as micro e pequenas empresas concentram o maior numero de empregados no Brasil; são responsáveis por cerca de 84% da geração de empregos, enquanto as médias e grandes ocupam apenas 16% da mão de obra).

E esses princípios que fundam a Ordem Econômica estão em perfeita harmonia com os fundamentos da república contidos no artigo 1º da Constituição (soberania; a cidadania; a dignidade da pessoa humana; os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político) e com os objetivos da república elencados no artigo 2º da CF (construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação).

Ademais, a ordem econômica deve assegurar a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei.

Ao Estado cabe o papel de agente normativo e regulador da atividade econômica, exercendo, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado, ou seja, não há espaço para a ideia de um Estado mínimo, pois, nas palavras de Paul Krugman, “É preciso muita ginástica intelectual para defender que o livre mercado estabiliza a si mesmo. Muitos economistas até criaram explicações para que as persistentes e elevadas taxas de desemprego não sejam mais consideradas deficiência do mercado. Mas certamente esse não é um ambiente muito amistoso a quem defenda o rigoroso funcionamento do livre mercado.”.

O debate necessário é o da qualidade dos serviços públicos, vamos enfrentá-lo, pois sem Estado não haveria universalização da educação e do ensino, da saúde ou da segurança pública; sem o Estado não haveria políticas públicas de distribuição de renda, como o “Minha casa, minha vida”, PROUNI, FIES, Seguridade Social; não haveria SEBRAE, universidades públicas, nem nada, apenas o “eficiente” processo de acumulação de riqueza nas mãos de poucos e o caos contido com a violência (pois, a juízo dos defensores do Estado Mínimo ao Estado caberia apenas proteger a propriedade privada e a livre iniciativa).


Essa é a reflexão.

sábado, 9 de setembro de 2017

PALOCCI, UM GRANDE FILHO DA PUTA.


Todos que jogam ou jogaram futebol, bem como aqueles apaixonados que frequentam as arquibancadas para torcer pelo seu time do coração ouvem e, por certo, já proferiram a libertadora expressão “filho da puta” ou, com mais esmero, “filho de uma puta”, dentre outros palavrões de caráter igualmente libertador.

E todos sabem que tal expressão tem semântica própria, pois ninguém que refere à mãe daquele a quem direcionamos qualquer dos necessários palavrões.

O adequado uso de palavrões representa síntese e expressa indignação diante de um erro inescusável do Juiz ou de um dos jogadores de qualquer dos times, há, portanto, uma dialética nos palavrões e isso merece atenção. Ou seja, é há uma dialética do palavrão.

Na literatura também encontramos o uso de palavrões. Entre os escritores mais lidos da literatura brasileira, o romancista baiano Jorge Amado (1912-2001) é um dos que mais usa o palavrão em sua vasta obra literária. E falando em romances, Amado não é o único intelectual que tem lugar garantido em cada letra do alfabeto. José Lins do Rego (1901-1957), Gilberto Freyre (1900-1987) e Oswald de Andrade (1890-1954), por exemplo, também figuram entre os "bocas-sujas" letrados.

Na poesia encontramos o uso do palavrão. Enquanto alguns poetas procuraram fazer dos seus poemas grandes manifestações dos sentimentos através de uma linguagem esteticamente bonita e apreciável, outros não pouparam ofensas, palavrões e descrições impróprias para fazer dos seus os mais obscenos.

Por quê? Porque há uma inegável dialética do palavrão que não pode ser ignorada; porque dialética é uma palavra com origem no termo em grego dialektiké e significa a arte do diálogo, a arte de debater, de persuadir, raciocinar ou comunicar. No processo dialético há um debate onde há ideias diferentes, onde um posicionamento é defendido e contraditado logo depois. Para os gregos, dialética era separar fatos, dividir as ideias para poder debatê-las com mais clareza. Não há nada mais claro que um palavrão bem colocado, com a entonação adequada e com firmeza.

Se dialética também é uma maneira de filosofar, e seu conceito foi debatido ao longo de décadas por diversos filósofos, como Sócrates, Platão, Aristóteles, Hegel, Marx, e outros o uso adequado do palavrão, algumas vezes, é a síntese da reflexão filosófica, pois a dialética é o poder de argumentação e ele [o poder de argumentação] pode ser utilizado em um sentido pejorativo, como um uso exagerado de sutilezas. 
O processo dialético consiste em uma forma de filosofar que pretende chegar à verdade através da contraposição e reconciliação de contradições. A dialética propõe um método de pensamento que é baseado nas contradições entre a unidade e multiplicidade, o singular e o universal e o movimento da imobilidade.
O “Palavrão é tido como um grupo de palavras que são consideradas, em meio à sociedade, como vulgares e desnecessárias, mas não é apenas isso... Podem ser utilizadas para definir exageros, para xingamentos, é verdade, mas podem [e devem] ser empregado para expressar raiva ou, como síntese um processo dialético, definir o outro, sua ação ou pensamento.

Tomando os dois conceitos [dialética e palavrão] e a ideia da Dialética do palavrão, após reflexão serena é possível definir Antonio Palocci e sua atitude como típica de um grande Filho de uma Puta.
Ele errou, traiu e apresentou-se nu diante de todos, apresentou-se como o que é um filho de uma puta sem ideais, sem sonhos, sem ideologia; um filho de uma puta de um traidor, mentiroso, covarde que cedeu à tortura do imparcial de Curitiba e ao Estado de Exceção [quando deveria denunciar], revelou-se um indigno de merda é, em síntese, um grande filho de uma puta.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

bussola triunfante


O caminhar seria errante 

mas a sorte 
bussola triunfante
trouxe presentes infinitos 
em jovens sorrisos 
e eles
ao lado dos seus amores definitivos

são fortaleza necessária
esperança renovada
certeza da vida eterna

NÃO À ESCOLA SEM PARTIDO! POR ESCOLAS PLURAIS, DEMOCRÁTICAS E EMANCIPATÓRIAS.


“Vós sabeis, queridos jovens universitários,
                                                                     que não se pode viver sem olhar para os desafios.    
[...] Por favor, não olheis para a vida da varanda! Misturai-vos lá, onde estão os desafios...”.
(Papa Francisco)

Começou a tramitar na Câmara de Campinas projeto que, além de inconstitucional, gera polêmica corrosiva.

O projeto, de autoria do vereador Tenente Santini (o mesmo que deseja o retorno da ditadura militar), propõe regras inspiradas na ideia da Escola sem partido e, entre tantas bobagens e restrições, proíbe o professor de estimular que alunos participem de manifestações, atos públicos ou passeatas.

Bem, ideias estúpidas seguem encantando imbecis de todo gênero... Assim é o tal “Programa Escola sem Partido”, um monstrengo apresentado como iniciativa de estudantes e pais, que estariam preocupados com o grau de contaminação político-ideológico das escolas brasileiras, em todos os níveis. Mas não se trata disso, é apenas mais um exemplo da inflexão conservadora, mais um movimento que busca afirmar sua própria ideologia e o faz de forma dissimulada.

Tentando apresentar-se ideologicamente asséptica a ideia revela-se ideológica e partidária quando a nega o valor e importância transcendente que a visão critica da realidade oferece a todos, possibilitando que tomemos nossas decisões a partir de reflexão livre. Negar o valor da visão critica de mundo é condenar uma geração toda à mediocridade e à escravidão intelectual.

A câmara de vereadores de Campinas, palco de debates fundamentais ao longo da História, vê-se debatendo um projeto estúpido que pretende implantar uma espécie de macarthismo em nossas escolas, uma odiosa censura, uma vigilância policialesca a conteúdos apresentados pelos professores.

Esse projeto propõe-se a defender princípios tais como neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado, pluralismo de ideias no ambiente acadêmico, liberdade de consciência e de crença, mas coloca, na prática, o professor sob constante vigilância, principalmente para evitar que afronte as convicções morais dos pais. Mas quais seriam as convicções morais do país afrontadas, segundo os zelosos estudantes e pais, ou segundo o edil?

A Constituição Federal responde essa questão. No seu artigo 205 a CF traz como objetivo primeiro da educação o pleno desenvolvimento das pessoas e a sua capacitação para o exercício da cidadania para, em seguida, enunciar também que o propósito do processo educacional é a qualificação para o trabalho.

Não há enunciados inúteis em nossa constituição.

A ordem posta (1º capacitação para a cidadania e 2º qualificação profissional) não está ao acaso. Nossa constituição busca orientar a atuação estatal dentro de uma visão e ação plural da sociedade nacional.

Noutras palavras, a escola é espaço livre para a construção da cidadania, espaço onde se colocam livremente as ideias num processo dialético e mágico, um processo formativo da cidadania, uma cidadania fundada no respeito e pluralidade; esse é o país que nossos constituintes indicaram um caminho que não se pode alterar com leis ordinárias oportunistas.

O Projeto de Lei da “Escola sem Partido”, assim como o tal “Programa Escola sem Partido”, seguidos pelo edil de Campinas, mentem descaradamente quando propõe uma “neutralidade ideológica”. A "neutralidade ideológica" é uma impossibilidade, temos que defender a pluralidade das ideias, a rica diversidade como processo necessário de construção cotidiana da cidadania e o respeito como fundamento.

O que esse tal “Programa Escola sem Partido” pretende é impor sua ideologia promovendo crenças e valores compatíveis com ela, desqualificando ideias que possam desafiar suas certezas e excluindo formas colidentes com o seu pensamento. Esse tal “Programa Escola sem Partido” obscurece a realidade social de modo a favorecer sua própria ideologia.

Outro aspecto a ser observado é que não há ideologia neutra. Ao contrário a ideologia é uma forma de pensamento de identidade, que expulsa para além de suas fronteiras singularidade, diferença e pluralidade, noutras palavras o oposto da ideologia não é a “verdade” ou a “teoria”, mas a heterogeneidade.

Por isso o projeto de lei do vereador Santini é retrato do inconformismo dos derrotados em 1988 e o discurso que procura qualificá-lo flerta com o mau-caratismo tão próprio daqueles que combatem a vitória das diversas lutas emancipatórias contempladas em nossa constituição.

Nesses tempos sombrios uma de nossas tarefas é a defesa de uma sociedade aberta a múltiplas e diferentes visões de mundo; manter a escola como espaço estratégico para a emancipação política, convivência com a diversidade, entendimento global e a construção de uma cultura de paz e respeito.


Ademais, como muito bem alertou o MPF a iniciativa legislativa nasce eivada de inconstitucionalidades, pois o projeto de lei que quer implementar a tal Escola Sem Partido é inconstitucional, pois impede o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, nega a liberdade de cátedra e a possibilidade ampla de aprendizagem e contraria o princípio da laicidade do Estado. 

E, apesar da necessária da laicidade do Estado, concluo citando o Papa Francisco que num discurso aos estudantes e professores das Escolas Italianas, em 2014 afirmou que “Os professores são os primeiros que devem permanecer abertos à realidade com a mente sempre aberta para aprender. Pois, se um professor não está aberto para aprender, não é um bom professor, e nem sequer é interessante; (...) que as instituições acadêmicas católicas não se isolem do mundo, mas saibam entrar intrepidamente no areópago das culturas contemporâneas e estabelecer um diálogo, conscientes do dom que podem oferecer a todos”.  

E o Papa Francisco conclui dizendo que: “Amo a escola porque é sinônimo de abertura à realidade. Pelo menos assim deveria ser! [...] ir à escola significa abrir a mente e o coração à realidade, na riqueza dos seus aspectos, das suas dimensões”.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Os hipócritas e canalhas salvaram Temer


São hipócritas, canalhas e corruptos salvaram Temer; todos os agentes públicos que aceitam receber salários acima do teto constitucional, aristocratas pós-modernos, cheios de privilégios e convicções, que em nome do combate à corrupção destroem irresponsável e irremediavelmente a economia e os projetos de modernização e protagonismo do país são hipócritas, canalhas e corruptos.

São hipócritas e canalhas todos aqueles empresários que tratam a coisa pública, as instituições e os poderes da república como simples áreas de suas empresas.

São hipócritas e canalhas todos os agentes públicos e agentes políticos (eleitos ou não) que receberam recursos de caixa 2 ou propina por serviços sujos, serviços nada republicanos.

São hipócritas e canalhas os grandes empresários da mídia, seus especialistas e jornalistas que a serviço de todos os outros canalhas contribuíram decisivamente com um golpe de contornos inéditos e sofisticação tal que sua compreensão ainda não existe de forma integral.
Cansei de todos eles.
Cansei também dos donos da verdade, que não gostam de ser contrariados, pois acreditam portar a última verdade, imbecis cheios de convicções, fanáticos com crenças e certezas a sobre de tudo.
Cansei dos bobos cujas convicções não têm necessariamente relação com a verdade e nem precisam estar fundadas em provas, suas razões são intimas, de ordem ideológica, religiosa e estética.
Cansei do Gilmar PSDB, do Dias Covarde Tofolli, da Rosa condena sem provas Weber e da Carmen Analfabeta Lucia, cooptados pela lógica da desumanidade e pela moral da classe média, vassalos da plutocracia; ministros e juízes parciais, seduzidos pelos holofotes e sorrisos dos urubus da mídia e seus irrelevantes prêmios.
Cansei da hipocrisia e canalhice dos jucás, padilhas, paulos preto, moreiras, termers, serras, aécios. Alckmins, marinas. Cansei também de ser condescendente com a incapacidade, hipocrisia e canalhice dos meus “amigos” da esquerda e centro-esquerda, pois eles deveriam fazer diferente as praticas que sempre criticamos, cansei de vocês também, pois o que define o que somos é o que fazemos não o que dizemos.
Cansei de vocês para sempre; o único caminho é consultar o povo sobre uma constituinte exclusiva, eleições gerais de tal sorte que os canalhas sejam lançados na latrina que é o lugar deles.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Jow


Não havia dias tristes
Sol ou chuva a obstar
a transcendente hora de passear



domingo, 30 de julho de 2017

HÁ LEI NA REPUBLICA DA 13ª VARA DE CURITIBA?


Sergio Moro confessou que condenou Lula sem provas.

Sim, sem provas... Ele teria dito a jornalistas sul-americanos o seguinte: “Sobre a sentença do ex-presidente, tudo o que eu queria dizer já está na sentença, e não vou fazer comentários. Teoricamente, uma classificação do processo penal é a da prova direta e da prova indireta, que é a tal da prova indiciária...”, noutras palavras: LULA FOI CONDENADO SEM PROVAS.

É possível a condenação apenas pelas provas indiciárias? Sim, a prova indiciária autoriza o decreto condenatório, mas apenas quando amparada num conjunto idôneo, de validade indiscutível no contexto fático dos autos, o que não é a realidade do processo contra Lula, pois há “um caminhão” de depoimentos, testemunhos e documentos a comprovar que Lula JAMAIS foi dono do tal triplex, não tem a chave do triplex, jamais “pousou” no triplex, ou seja, inexiste um conjunto idôneo e indiscutível de provas contra Lula.

Nenhuma surpresa para mim, pois jamais acreditei que Lula teria alguma chance nessa caçada imoral que parte das instituições e da imprensa empreende contra ele e sua família, uma caçada de destruição que busca apenas atender interesses plutocráticos de além-fronteiras.

Vamos aos fatos (provas mais que indiciárias do meu argumento).

Ainda na fase de investigação o imparcial da 13ª Vara de Curitiba determinou a condução coercitiva de Lula, um evento que causou indignação às pessoas de bem, pois evidentemente, tratou-se de violação à lei brasileira, afinal Lula JAMAIS se negou a atender uma intimação.

Moro descumpriu a lei? Sim.

Mas juízes podem descumprir a lei? Não.

E se o fazem qual a consequência disso? Punição.

A verdade é que ninguém, nem os Juízes, podem descumprir a lei e há, ou deveria haver consequências...

A que me refiro?

Quando Moro determina a condução coercitiva de Lula ele descumpriu a regra do artigo 260 do CPP.
Bem, artigo 260 do Código de Processo Penal – CPP disciplina que “Se o acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar conduzi-lo à sua presença.”, o que significa que a condução coercitiva é exceção, mas em alguns casos necessária, contudo deve respeitar as condições previstas no citado artigo. Sérgio Moro desrespeitou o CPP, noutras palavras descumpriu a lei, pois Lula JAMAIS foi intimado para prestar qualquer esclarecimento, mas foi violentamente levado a depor.

E, presumivelmente, o juiz Moro possui conhecimentos jurídicos básicos em processo penal para isso não ter ocorrido, razão pela qual não é absurdo questionar ou imaginar se ele saiba do caráter ilegal e arbitrário da ação que tomou ao restringir a liberdade de Lula com a emissão de um mandado de condução coercitiva ao arrepio da hipótese legal.

Até os alunos de graduação sabem que observar as condições do citado artigo 260 do Código de Processo Penal Brasileiro, o qual estabelece que é condição essencial para a emissão de um mandado de condução coercitiva o acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado. Lula não deixou de atender nenhuma intimação, nenhuma! Sendo assim foi vítima de uma arbitrariedade.

O artigo 35 da Lei Orgânica da Magistratura diz que são deveres do magistrado: “I - Cumprir e fazer cumprir, com independência, serenidade e exatidão, as disposições legais e os atos de ofício; (...)”, o parcial de Curitiba, salvo melhor juízo, além de descumprir o artigo 260 do CPP revelou parcialidade no trato do caso envolvendo Lula.

E não é só.

O artigo 36 da LOMAM veda expressamente que o magistrado se manifeste por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais ressalvados a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério, mas Sérgio Moro não observa essa regra também e no caso especifico da ilegal condução coercitiva teve a pachorra de emitir uma nota justificando seu pedido para o depoimento coercitivo de Lula.

A agora depois da condenação de Lula dá entrevistas sem o menor respeito à lei orgânica da magistratura.
A LOMAM no artigo 42 prevê penas disciplinares ao Juiz, que vão desde a advertência simples, até a demissão, não tenho notícias que o TRF4 ou o CNJ tenham dado manejo adequado a esses e outros “deslizes” de Sérgio Moro.

Alias, o tal TRF4 deu, faz algum tempo, “carta branca” ao imparcial de Curitiba, quando na decisão do PROCESSO ADMINISTRATIVO – P.A. CORTE ESPECIAL Nº 0003021-32.2016.4.04.8000/RS, relatado pelo Desembargador Federal Rômulo Pizzolatti que decidiu, por maioria, que a operação "lava jato" não precisa seguir as regras processuais comuns, por enfrentar fatos novos ao Direito. Quais fatos novos? Estamos sendo invadidos por ETs?

E o TRF4, o que vai julgar o recurso de Lula, fundamentou essa temerária decisão na "Teoria do Estado de Exceção", sobre o que já escrevi[1], o que é, data máxima vênia, um crime contra a nação.
Estamos vivendo a decretação do fim do Estado Social e Democrático de Direito, um tempo onde um Juiz ignora a lei processual, promove com dinheiro público verdadeiro lawfaer, condena sem provas o maior líder popular do mundo e a indignação de todos não resiste ao horário de assistir próximo capitulo de sua série favorita na Netflix ou ao jogo de futebol do seu time do Campeonato Brasileiro...



[1] https://www.brasil247.com/pt/colunistas/pedromaciel/261953/Da-judicializa%C3%A7%C3%A3o-da-pol%C3%ADtica-ao-estado-de-exce%C3%A7%C3%A3o.htm