quinta-feira, 30 de julho de 2015

Ideologia e intelectuais na obra de Antônio Gramsci

Ideologia e intelectuais na obra de Antônio Gramsci (2ª parte)
 
Os intelectuais não são independentes em relação às classes sociais em luta. Aqueles sem vínculos orgânicos têm importância tão desprezível quanto as ideologias que produzem. Os intelectuais ligados à burguesia buscam manter a hegemonia dessa classe. Sem eles faltaria o consenso necessário para o exercício do poder político e ela teria que basear sua dominação sobre as classes subalternas apenas na coerção. Hegemonia pressupõe dominação ideológica. Se interessar clique no link abaixo:
 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Lula “um tesouro global”



UMA COMPARAÇÃO INADEQUADA. O polonês Lech Walesa, que nasceu em 1943, e Luiz Inácio Lula da Silva, que nasceu em 1945, tem poucas coisas em comum. É verdade que ambos foram operários, líderes sindicais e chegaram, pela via democrática, a Presidência de seus países.
É verdade que cada um foi acusado de malfeitos.
Walesa foi acusado de ser agente da KGB e Lula está agora sendo acusado de lobista dos interesses das grandes empresas brasileiras.
Tenho pouco conhecimento sobre Lech Walesa, sei que ele foi agraciado com o Nobel da Paz em 1983, sei que ele foi responsável ao lado de tantos, a derrubar o regime totalitário na Polônia, um regime burocratizado, num país sem democracia e sem liberdades, um regime que traiu a esquerda e sei que ele chegou à presidência prometendo levar a Polônia ao capitalismo.
Me lembro também que Walesa foi visitado por Lula e Jacó Bittar nos anos 80, mas não houve grande afinidade entre as visões de mundo deles, penso que Bittar e Lula estavam mais a esquerda.
Walesa chegou ao poder em 1990, Lula apenas em 2003, mais maduro.
Uma vez no poder Walesa viu sua liderança decair, talvez em razão do seu personalismo e prepotência. Tanto que perdeu a eleição para um segundo mandato e tornou-se um dos políticos mais impopulares da Polônia (talvez pela sua fé no capitalismo e no mercado). Já Lula venceu as eleições populares que deram a ele seu segundo mandato e ainda foi decisivo na eleição de sua sucessora. 
COMO VEJO LULA? Vejo Lula com um socialdemocrata e não como um militante de esquerda propriamente.
Lula, a quem Bono Vox chama de “um tesouro global”, é um dos responsáveis pelo processo de redemocratização no país, sua liderança nos anos 70 e 80 despertou a semente da liberdade e da democracia.
E este verdadeiro patrimônio da democracia brasileira, conhecido e reconhecido no mundo como um militante das liberdades e da democracia, um líder mundial que denuncia a fome como um mau que deve ser combatido, um está sendo investigado pelo Ministério Público Federal por “trafico de influência internacional”.
Minha avó diria: “Santo Deus!” Trafico de influência? Mas o que crime é esse?
Bem, “tráfico de influência consiste na prática ilegal de uma pessoa se aproveitar da sua posição privilegiada dentro de uma empresa ou entidade, ou das suas conexões com pessoas em posição de autoridade, para obter favores ou benefícios para terceiros, geralmente em troca de favores ou pagamento.
No Procedimento Investigatório Criminal, chamado ludicamente de PIC, o ex-presidente Lula é acusado de ter usado de suas relações para favorecer a Odebrecht e teria o ex-presidente obtido “supostas vantagens econômicas obtidas, direta ou indiretamente”, da empreiteira entre os anos de 2011 a 2014, “com pretexto de influir em atos praticados por agentes públicos estrangeiros, notadamente os governos da República Dominicana e Cuba, este último contendo obras custeadas, direta ou indiretamente, pelo BNDES”.
E, “considerando que as mencionadas obras são custeadas, em parte, direta ou indiretamente, por recursos do BNDES, caso se comprove que o ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva também buscou interferir em atos práticos pelo presidente do mencionado banco (Luciano Coutinho), poder-se-á, em tese, configurar o tipo penal do artigo 332 do Código Penal (tráfico de influência)”.
Ou seja, o PIC foi instaurado por “supostas vantagens” (ou seja, sem prova das tais vantagens) e também sem que exista nenhuma prova de que o ex-presidente da República Luís Inácio Lula da Silva também buscou interferir em atos práticos pelo presidente do...” BNDES.
Noutras palavras, o PIC é apenas mais uma peça de ficção, mais uma peça publicitária, a compor o espetáculo midiático que setores da imprensa, filhotes de uma UDN morta, vassalos ressentidos e sem-voto, usam para criminalizar a politica e os políticos que se opõe aos interesses de seus senhores.
Ou seja, Lula está sendo acusado de ajudar empresas nacionais. E foi instaurado um PIC sem nenhuma prova (só num país em que um Ministro da Suprema Corte e o Presidente de uma das casas do legislativo marcam um café da manhã para discutir o impeachment é que um procedimento investigatório sem provas é instaurado contra um presidente da republica)...
Como alguém escreveu: “Só um país à beira da irracionalidade completa pode encarar com naturalidade que um ex-presidente possa ser criminalizado por hastear a bandeira dos interesses nacionais fora do País”.
Lula, após deixar a presidência, tem viajado pelo mundo apresentando empresas brasileiras, suas competências, prática que ajudou a manter empregos brasileiros gerando trabalho e renda no país.
Tráfico de influência internacional? Essa é a lógica de um membro do Ministério Público, Lula cometeu o “gravíssimo delito” de defender que empresas brasileiras e ajuda-las a vencer concorrências internacionais em países como Cuba, onde a Odebrecht fez o Porto de Mariel, e República Dominicana.
Essa é a lógica dos imbecis, essa é a lógica daqueles que defendem a privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e dos CORREIOS, essa é a lógica daqueles que defendem interesses internacionais, os mesmos interesses que se movimentam e buscam desestabilização do País e pavimentam o caminho do golpe.
O BNDES SOFRE INFLUÊNCIA? Não, não acredito, pois todo o dinheiro emprestado pelo banco está voltando para o BNDES, pois a sua inadimplência é baixíssima, está entre 0,01% a 0,06%. 
É possível afirmar que a baixa inadimplência reflete a sua boa gestão, a qualidade da carteira de crédito e repasses e a consistência das políticas operacionais do BNDES. E somente a titulo de comparação, a taxa de inadimplência média do Sistema Financeiro Nacional (SFN) foi de 3% em 2013, a do BNDES foi 0,01%. Outro aspecto a ser registrado é que o BNDES tem aumentado significativamente seus lucros nos governos Lula e Dilma.

Em 2002, último ano do governo neoliberal dos vassalos dos interesses internacionais, o lucro do BNDES foi de menos de 600 milhões de reais, uma vergonha! Naquele ano o banco sofreu uma queda de 31,5% em relação a 2001, quando havia obtido um lucro pouco superior a 800 milhões de reais.

Já em 2013 o BNDES registrou um lucro líquido de R$ 8,150 bilhões no exercício de 2013, valor semelhante ao do exercício anterior, quando o Banco obteve lucro líquido de R$ 8,126 bilhões.

Os resultados do balanço de 2013 mostram melhora em outros indicadores relevantes, com destaque para a redução do nível de inadimplência, que atingiu a mais baixa taxa histórica do Banco, e para a melhora na provisão para risco de crédito. O desempenho expressivo do Sistema BNDES se mantém, a exemplo dos outros anos, em meio a um processo de redução de spreads cobrados pelo BNDES, em linha com o esforço do Governo Federal de estimular o investimento produtivo, e num momento desfavorável do mercado de capitais.

E 2014 foi ainda melhor. O lucro líquido do BNDES em 2014 foi 5,4% maior do que o de 2013 e alcançaram R$ 8,594 bilhões, é o terceiro maior lucro da história do banco.  

E o patrimônio O patrimônio líquido (PL) do Sistema BNDES aumentou, totalizando R$ 60,626 bilhões em 2013. Em 31 de dezembro de 2012, o PL era de R$ 49,993 bilhões. Com a elevação do PL, o patrimônio de referência (PR) do Banco atingiu R$ 108,669 bilhões, acima dos R$ 102,868 bilhões obtidos em 30 de setembro de 2013 e dos R$ 89,598 bilhões em 31 de dezembro de 2012. O crescimento do PL e do PR em relação a 2012, conforme já divulgado anteriormente, deveu-se, principalmente, à captação de R$ 15 bilhões do Tesouro Nacional, classificada como instrumento elegível a capital principal nos termos da Resolução CMN 4.192/13.  O índice de adequação de capital (Índice da Basiléia) registrado pelo BNDES foi de 19,2%, superior aos 11% exigidos pelo Banco Central, aos 17,7% registrados no balanço de setembro de 2013 e aos 15,4% de 2012, ou seja, gestão correta e até conservadora.

Os ativos totais do Sistema BNDES somaram R$ 782,0 bilhões em 31 de dezembro de 2013, apresentando crescimento robusto de R$ 66,5 bilhões em relação ao saldo em 31 de dezembro de 2012. O saldo da carteira de crédito e repasse, líquido de provisão para risco de crédito, atingiu R$ 565,2 bilhões em 31 de dezembro de 2013, dos quais 80,8% correspondiam a créditos de longo prazo. Esses números demonstram a qualidade da gestão do BNDES e afastam qualquer possibilidade de lobby de quem quer que seja.

E AGORA? Espero que o Poder Judiciário, senão o próprio MPF, coloque ordem na esculhambação que esse tal de Valtan Timbó impôs a instituições da grandeza de Lula e do ministério público federal.

Especialmente porque esse ignorante que firmou a abertura do PIC demonstrou desconhecer que o INSTITUTO LULA desenvolve o trabalho de apresentar o Brasil ao mundo desde 1990, tudo começou em 1990, quando Lula e outros companheiros criaram o Ipet – Instituto de Estudos e Pesquisas dos Trabalhadores –, que iria mais tarde se transformar no Instituto Cidadania, o qual em 2011 deu lugar ao Instituto Lula, “que em pouco tempo iria se construir numa nova referência para os que lutam pela paz, pela consolidação da democracia, pela cooperação entre os povos de todo o mundo e se unem no combate à fome e à miséria”.


Um pouco de honestidade do tal Valtan Timbó faria bem à sua conhecida desídia profissional e restabeleceria a honra de um brasileiro que nos honra chamado Luiz Inácio Lula da Silva.

ANALISE ECONÔMICA - A catástrofe foi evitada, mas e o crescimento?

É uma estultice dizer que os governos Lula e Dilma foram incompetentes. É uma estultice e uma leviandade porque basta lembrarmos que entre 2003 e 2013, houve significativo progresso econômico e social. No período citado mais de 26 milhões de pessoas saíram da pobreza e a desigualdade foi reduzida de forma exemplar, temos de registrar que o coeficiente de Gini caiu 6% em 2013, chegando a 0,54.

E não é só.
A renda dos 40% mais pobres da população cresceu, em média, 6,1% (em termos reais) entre 2002 e 2012, em comparação aos 3,5% de crescimento da renda da população total, ou seja, a renda de todos cresceu de forma importante no período em comento.
Tanto isso é verdade que o economista norte-americano e Prêmio Nobel Paul Krugman disse em março do ano passado que o Brasil não enfrenta tantos problemas hoje em dia, ou em suas palavras: “É importante olhar para trás de vez em quando e entender que momento de desastre nós passamos”, disse Krugman ao abrir o evento "Fórum Brasil - Diálogos para o Futuro", de Carta Capital, em São Paulo. Ele afirmou ainda que “Enfrentamos [o mundo] o segundo maior desastre da história. O primeiro foi a Grande Depressão. A crise recente afetou seriamente o Produto Interno Bruto (PIB) das economias desenvolvidas. O crescimento agora persiste lento, após o auge da crise de 2008/2009”.
No evento citado Krugman lembrou que a Comissão Europeia considera um crescimento de 1% na região, em vez de 0,5%, o que pode ser visto como a “medida do sucesso agora”. "A catástrofe foi evitada, mas o crescimento dos países avançados é ainda vagaroso", disse ele, antes de lembrar que a recuperação econômica de hoje é mais lenta quando se compara com a referente à crise de 1929.
OS SINAIS DE ESTAGNAÇÃO - Contudo, também é inegável que tanto a redução da pobreza, quanto a desigualdade vem mostrando sinais de estagnação desde 2013. E o Banco Mundial é fonte segura para a análise que faço a seguir.
A estagnação da desigualdade merece atenção e ação. O lado preocupante é verificável, por exemplo, na taxa de crescimento do PIB brasileiro, que diminuiu de 4,5%, entre 2006 e 2010, para 2,1% entre 2011 e 2014 e 0,1% em 2014 e a inflação, indesejada por todos, permanece alta.

INFLEXÃO LIBERAL DO GOVERNO DILMA? Para enfrentar os atuais desequilíbrios em nível macro e revitalizar o crescimento, as autoridades formularam metas de superávit primário para 2015 e 2016 e, para reduzir o déficit fiscal, foram anunciadas medidas de redução de direitos, corte de despesas discricionárias e redução do apoio do Tesouro aos bancos públicos e ao setor energético, o que é uma triste inflexão liberal de um governo que deveria ser, no mínimo, socialdemocrata.
O ajuste fiscal seria uma política passageira, que não veio para ficar, garantiu recentemente o ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo. Segundo o ministro, o governo estaria se adaptando para se adequar às exigências dos ajustes necessários ao orçamento e para a retomada do crescimento do País. Alentadora a afirmação do amigo Aldo Rebelo, alentadora, mas pouco esclarecedora. Há muitas questões que precisam ser respondidas com honestidade pelo governo.
O tal ajuste fiscal é o nome dado ao esforço para equilibrar as contas do Estado brasileiro e gerar superávit primário. O ajuste será duro por conta de anos de uma gestão econômica errática, segundo a oposição, os liberais e seus porta-vozes e “exigirá esforço”, completam.

Esforço? Mas que tipo de esforço? Esforço de quem e para quem? As contas estão desequilibradas? Desde quando? Os liberais estavam certos? Qual o tamanho do sacrifício? Essas são as perguntas a serem respondidas, com honestidade e clareza, pelo governo. Honestidade e clareza, era isso que eu esperava da Presidente Dilma e de sua equipe, afinal votei nela em 2010 e 2014.

Há um pelo artigo postado no blog do Professor da UNICAMP Fernando Nogueira da Costa tratando disso, o titulo é “Razão do Ajuste Fiscal – Realinhamento Tarifário-Tributário-Cambial-Inflacionário-Depressivo: Lógica do Capital”.


A OPINIÃO DE LUIZ GONZAGA BELLUZZO – o ajuste fiscal não é uma necessidade técnica, há outros caminhos.
Não é demais lembrar que em 31 de dezembro, a Rede Brasil Atual publicou excelente entrevista em que o repórter Eduardo Maretti dialogou com o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, sobre o “ajuste fiscal” iniciado pelo governo Dilma. O texto repercutiu muito menos que merecia, por motivos previsíveis, afinal aos setores conservadores procuram apresentar o “ajuste fiscal” como uma necessidade técnica – portanto, um tema que não pode sequer ser submetido ao debate político.
Algumas medidas já anunciadas e encaminhadas ao Congresso ou em estudo estão longe de representar o que o eleitorado de Dilma e do PT esperavam.
A OPINIÃO DE LADISLAU DOWBOR - o principal problema da economia brasileira situa-se no setor financeiro, e não nas finanças públicas.

E é triste observar, aqui na minha insignificância, a incapacidade de o Congresso debater, por exemplo, a posição de Ceci Juruá, que num artigo que li no blog do Dr. Roberto Amaral faz importante referência à entrevista publicada em CARTA MAIOR, na qual o professor Ladislau Dowbor reafirma o que pensam muitos e bons economistas brasileiros: o principal problema da economia brasileira situa-se no setor financeiro, e não nas finanças públicas.
Por que isso não é debatido?

Será que é porque os bancos (todos) são doadores de campanhas eleitorais para partidos (todos)?

Ou, noutras palavras, os entraves ao crescimento, na atual conjuntura, decorrem de dívidas elevadas e de padrões desatualizados no crédito bancário, desatualizados porque orientados para a maximização das taxas de juros e das tarifas aplicadas a serviços financeiros. Além das empresas, as famílias e o Governo são particularmente atingidos por taxas bancárias extorsivas.
A matéria indica que no mês de abril de 2015 calculava-se em aproximadamente R$ 4 trilhões os créditos direcionados a famílias e ao Governo (sendo R$ 1,5 trilhão para famílias e R$ 2,5 trilhões para o Governo), segundo as estatísticas do Banco Central compiladas pelo prof. Bergamini. Com as taxas de juros em vigor, pode-se estimar que esses atores – famílias e Governo – pagam anualmente aos bancos um montante próximo ou maior do que R$ 500 bilhões. Seria muito dinheiro, mais do que o dobro do volume nacional alocado à Formação Bruta de Capital Fixo, em série anualizado.

Se metade desse valor, os R$ 500 bilhões, fosse direcionada para o binômio poupança/investimento, sem dúvida poderíamos no mínimo dobrar a taxa de formação de capital fixo no curto espaço de dois anos. Deixaria igualmente de existir o problema fiscal, pois a moderação da taxa Selic, para níveis civilizados reduziria os juros pagos pelo Governo (que extrapolam atualmente os R$ 100 bilhões, mais do que 10% da receita corrente líquida anual).

Compartilhei esse texto antes de publicá-lo com meu Professor do Instituto de Economia da UNICAMP Fernando Nogueira da Costa e ele, sempre generoso, afirmou não concordar com  a assertiva de que “o principal problema da economia brasileira situa-se no setor financeiro, e não nas finanças públicas”. Segundo o professor Fernando “Esse setor é o tradicional "bode expiatório" da esquerda cristã medieval antiusura e antissemita... E dos marxistas que acham que o capital produtivo é melhor do que o capital financeiro e, pior, que são separados!”, registro a opinião que respeito muito.

Mas voltemos a problemas a serem observados. O déficit em Conta Corrente aumentou de 2,1% do PIB, em 2011, para 4,2% em 2014, refletindo o agravamento dos termos de troca e a queda das exportações de produtos manufaturados. Embora grande parte do déficit seja financiada por influxos de Investimento Estrangeiro Direto (2,9% do PIB), os fluxos de portfólio têm demonstrado comportamento volátil, evidenciando sua vulnerabilidade às reversões do fluxo de capital. Apesar do fraco desempenho econômico e das pressões sobre o setor externo, não há ameaça iminente de crise externa, visto que o Brasil possui US$ 360 bilhões de reserva (cerca de 17% do PIB) e um setor financeiro sólido, essa é a boa noticia nesse quadrante. Nessa linha Krugman afirmou que as economias emergentes, como a brasileira, têm se mostrado mais resilientes. Com o fim do problema de dívida externa, o Brasil tem menos exposição ao câmbio, tem mais estabilidade, com a inflação sob controle e a política fiscal mais responsável.

Para Krugman as companhias brasileiras, por meio de entidades offshore, tomaram muito empréstimo externo no valor de 300 bilhões de dólares, que é menos de 15% do PIB, lembrou, o que também não preocupa, mas alertou: “O Brasil exporta primariamente commodities e vai sofrer com a desaceleração da China. Não estamos falando de catástrofe, mas algo que pode ser manejável.”

O CLIMA - E São Pedro não ajudou... A seca prolongada fez surgir ainda o risco de racionamento de água e eletricidade em algumas partes do país. Isso teria consequências sobre as atividades econômicas e os preços e colocaria em risco a renda real - especialmente dos pobres.  

CONCLUSÕES (ou duvidas?) - Na lógica liberal, abraçada pelo segundo governo Dilma, as perspectivas de médio prazo do Brasil vão depender do sucesso dos ajustes atuais e da adoção de novas reformas que são promessa de favorecimento e retomada do crescimento.
Mas não vi respostas claras acerta do necessário aumento da produtividade e da competitividade, tido como um dos principais desafios para o Brasil aumentar seu índice de crescimento no médio prazo. Com o recuo dos fatores que fomentaram o crescimento ao longo da última década - o consumo alimentado pelo crédito e a expansão do mercado de trabalho e das commodities - serão necessários mais investimentos e ganhos de produtividade para promover o crescimento. De onde verão os investimentos? Quando virão?
E sempre atentos, pois como lembrou bem Fernando Nogueira da Costa, não podemos perder de vista que a produtividade aumenta quando se desemprega, ou seja, quando se produz o mesmo com menos... Os neoliberais acham que isso é mais "eficiente" e tentam nos convencer que a baixa produtividade existe porque ela esteve abaixo dos ganhos dos trabalhadores na Era Social desenvolvimentista. É reação falaciosa dos reacionários que desejam que voltemos à Era Neoliberal dos anos 90 com "reengenharia" e "downsizing"...

Mas não se pode esquecer também que o Brasil possui diferenças regionais extremas, especialmente em indicadores sociais - como a saúde, mortalidade infantil e nutrição. 
Os indicadores das regiões mais ricas do Sul e do Sudeste são muito melhores que os indicadores do Norte e do Nordeste, mas somos uma nação e apesar da redução da pobreza conquistada na última década, a desigualdade permanece relativamente alta para um país de renda média. 
Após garantir a cobertura universal da educação primária, o Brasil agora luta para melhorar a qualidade e os resultados do sistema, especialmente nos níveis básico e médio.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

“Tudo como dantes no quartel de Abrantes”


Outro dia almoçando com alguns amigos, conversávamos sobre tudo que permitido, futebol, religião e politica e, “lá pelas tantas”, um deles me perguntou: “Você defende o governo, defende esse PT tanto... O que você me fala da roubalheira que aconteceu na Petrobrás?”.

Evidentemente a pergunta teve caráter provocativo, pois já havíamos esgotado o estoque de questões altamente relevantes sobre o time dele, um time que “teima” em viver nos anos 70 e “teima” em ignorar que, de lá para cá, muita coisa mudou e não apenas no futebol.

Enfrentei a provocação da seguinte forma. “Ok, vamos falar da corrupção ou apenas da corrupção na PETROBRÁS?”. Ele topou que falássemos de corrupção e não apenas dos tristes eventos que ocorreram na maior companhia do país, desde que voltássemos a falar da Petrobrás também.

Concordamos que a corrupção ainda é um grave problema no Brasil, mas por quê? Porque o verdadeiro combate é novidade por aqui. Foi apenas a partir do governo Lula com a criação da Controladoria Geral da União que as coisas começaram a mudar. Essa é a verdade. Somado à criação da CGU e ao fato de a Polícia Federal ter multiplicado seu efetivo a partir de 2003.
O combate à corrupção tem sido implacável, tanto que o número de operações da PF e as demissões de servidores envolvidos em ilícitos se tornaram regra e não exceção.

É uma verdade incomoda aos setores que pretendem a volta dos serviçais do neoliberalismo reconhecer que antes de Lula e Dilma a única estatística conhecida e aceita é a do ex-procurador-geral da República de FHC, Geraldo Brindeiro (primo do vice-presidente Marco Maciel), que, até 2001, tinha em suas gavetas mais de 4 mil processos parados - fato que lhe rendeu o nada honroso apelido de “Engavetador-geral da República”.

De 2003 a 2013, compreendendo os governos de Lula e Dilma, a expulsão de servidores acusados de corrupção quase dobrou, passando de 268, em 2003, para 528, em 2013 e as operações da Polícia Federal saltaram de 9, em 2003, para mais de 200, a partir de 2008, ou seja, passou a haver inegável diligência e independência da Policia Federal.

Fato é que não existia combate à corrupção política antes de 2003. 
A comprovada corrupção existente nos escaninhos da PETROBRÁS deve ser apurada detalhadamente, seus responsáveis denunciados, processados e punidos. Tanto os agentes públicos, quanto os agentes privados devem ser punidos na forma da lei, mas não se pode sentenciar a Política como causadora de todos os males, pois não é, afinal quem pensava que o campo da Política é um “charco lodoso” eram os primeiros republicanos, praticantes de um positivismo seletivo, para quem as liberdades civis, os Direitos Humanos e a participação popular eram conceitos de segunda categoria, tanto que para esconder seus interesses, ambições e veleidades pessoais os embalavam cuidadosamente num discurso de austeridade, de excelência moral, de preferência à eficiência técnica e eficácia administrativa.

Mas e a corrupção na PETROBRÁS?
Inicialmente é importante lembrar que a LAVA-JATO investiga parlamentares do PP, PT, PSDB, PTB, SDD, além de empresários e diretores de grandes empreiteiras, ou seja, não é “privilégio” do PT. E o ex-gerente executivo da Petrobrás Pedro Barusco afirmou em sua delação premiada que houve pagamento de propina desde o primeiro contrato de navios-plataforma da estatal com a SBM Offshore, durante a gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em 1997, ou seja, o mal é antigo.

Bem, se o PT que surgiu para ser um partido diferente, e não é o responsável pela implantação da corrupção na companhia, mas ele é responsável por não ter identificado e acabado com ela e é também responsável pelos seus quadros que dela participaram. Penso que agora cabe à Policia Federal, ao Ministério Público Federal e ao Poder Judiciário (sem espetacularizar os fatos) investigar, denunciar e condenar exemplarmente os responsável, cada um dos agentes do nojento esquema de corrupção.

E uma reflexão precisa ser feita.
O PT surgiu para representar os interesses da classe média urbana em especial, nasceu socialdemocrata e foi caminhando para a esquerda, mas nos últimos 12 anos após chegar à presidência da republica fez uma inflexão conservadora e aproximou-se das empreiteiras - corruptores históricos - e de corruptos contumazes como os neocompanheiros do PP, que já foi ARENA, por exemplo... E essa aproximação se não foi fatal ao PT, foi trágica, pois se por um lado setores do PT e da esquerda foram capazes de implantar politicas socialdemocratas da maior importância, de outro a economia foi quase o tempo todo neoliberal e a roubalheira foi mantida como dantes no quartel de Abrantes.

O PT envelheceu, burocratizou-se e muitos de seus quadros, como afirmou Tarso Genro recentemente, ficaram cada vez mais distantes da sociedade, excessivamente ligados ao governo e às politicas públicas (as quais, num presidencialismo de coalização, são as “politicas possíveis”) e, eu acrescento, outros corromperam-se.

Não estou a ignorar a existência, entre seus quadros, de muita gente boa, políticos honestamente comprometidos com as lutas populares, com o desenvolvimento social e econômico do país, não é isso, mas o Partido dos Trabalhadores precisa de um choque que sociedade e de autocritica

O PT é, e sempre será, o partido da minha adolescência e da minha juventude, mas nem todo o carinho do mundo pode impedir, e não me impede, de fazer criticas necessárias.

domingo, 12 de julho de 2015

sobre verniz

"Verniz é uma película de acabamento quase transparente, usada geralmente em madeira e outros materiais para proteção, profundidade e brilho." (Wikipedia) 

O verniz civilizado e civilizatório rompe-se com facilidade em nossa sociedade quando interesses são contrariados, basta observarmos o que está acontecendo hoje no país, onde o moralismo publicado esconde a defesa de interesses de classe.

Anacronismos

Anacronismo é um erro em cronologia, expressada na falta de alinhamento, consonância ou correspondência com uma época. 
Ocorre quando pessoas, eventos, palavras, objetos, costumes, sentimentos, pensamentos ou outras coisas que pertencem a uma determinada época são erroneamente retratados noutra época.
Anacronismos podem ocorrer num relato narrativo ou histórico, numa pintura, filme ou qualquer meio real ou de ficção, ou como na foto ao lado...
Posto isso pergunto: ocorreu genocídio da Guerra do Paraguai, por exemplo?
Bem, houve massacre sistemático nesse evento histórico, ocorreu um verdadeiro morticínio, mas não genocídio no sentido jurídico do termo.
Numa consulta à Wikipédia temos a seguinte pista: "O termo foi criado pelo jurista judeu polonês Raphael Lemkin, em 1944, juntando as palavras génos (do grego γένος = família, tribo ou raça) e -caedere (do latim = matar).6 Foi criado como um conceito específico para designar crimes que têm como objetivo a eliminação da existência física de grupos nacionais, étnicos, raciais, e/ou religiosos.6 Em contraste, "direitos humanos", tais como definidos pela Declaração dos Direitos dos Cidadãos dos Estados Unidos ou pela Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas de 1948, dizem respeito a direitos individuais. Seus estudos iniciais basearam-se no genocídio armênio (1915-1923) cometido pelo império otomano e, desde então, dedicou sua vida a conseguir que as normas internacionais definissem e proibissem o "genocídio" de maneira que se introduzisse para os grupos o conceito de que homicídio refere-se a indivíduos, e o reconhecimento do seu direito à vida.7"(https://pt.wikipedia.org/wiki/Genoc%C3%ADdio).

Por isso falar em GENOCÍDIO pode ser um anacronismo.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Os deveres da imprensa com a verdade segundo João XXIII

No livro "HOMENS EM TEMPOS SOMBRIOS" (Ed. Companhia das Letras), traduzido por Denise Bottmann, Hannah Arendt escreve sobre o Papa João XXIII. Curioso, em se tratando de uma pensadora marxista e judia... 

Ela nos apresenta o Papa João XXIII como "um cristão no trono de São Pedro".

Ela, em traços rápidos, nos conta fatos super interessantes sobre esse papa revolucionario. Por exemplo, quando tece inicio o conclave ele não fazia parte dos chamados papabile, ou seja, não estava entre os favoritos, mas acabou sendo eleito para desespero, a principio, dos alfaiates do Vaticano. 

Arendt escreveu que ele só foi eleito porque os cardeais não conseguiam chegar a um acordo e o elegeram porque ele seria um para "provisório e transitório...", pois era considerado "uma figura sem maiores consequências"... Erraram, pois esse senhor de Bergamo revolucionou a Igreja Católica.

Reli recentemente  AD PETRI CATHEDRAM e lá encontramos um capitulo inteiro que trata dos deveres da imprensa quanto a verdade.

Ele faz referência à imprensa tradicional (jornais e revistas), mas expressamente inclui no quadrante de responsabilidade as rádios, o cinema e a televisão, e diz que é reprovável alterar a verdade, com objetivo de atrair o favor do povo simples e plasmar a seu modo a alma dos jovens, ele afirma tratar-se de um abuso enorme, pois é dever da imprensa apresentar a verdade e não sua visão dela.

Penso que ele chegou a propor uma regulação da mídia quando escreve que da imprensa e seus vários veículos "podem (ser usadas) como incentivo do mal, tornar-se-ão para o homem instrumentos de bem e ao mesmo tempo meios de honesta distração; e o remédio virá da mesma fonte donde muitas vezes vem o veneno.".

Esse é o caminho proposto: a verdade.

De João XXIII a Francisco

A presença do Papa Francisco nesses tempos sombrios, de triste e indesejada inflexão conservadora, tem sido luz e guia. Suas opiniões, divinamente humanas nos mantém certos de que "o mocinho sempre vence no final". E se não venceu ainda é porque o final não chegou...

Francisco me remete ao ultimo papa verdadeiramente importante, o Papa João XXIII. 

João XXIII, antes Angelo Giuseppe Roncalli nasceu no século XIX, foi ordenado presbítero no século XX, mas sua grande obra, o Concilio Ecumênico Vaticano II, chegou ao século XXI.

João XXIII foi um grande incentivador do ecumenismo, tanto que foi o primeiro papa, após a ruptura que ocorreu no século XVI, a receber em audiência o arcebispo de Canterbury, o primaz anglicano de então. Além disso verbalizou generosidade ao patriarca de Constantinopla e reuniu-se com varias personalidades protestantes e deu inicio a um necessário diálogo entre hebreus e cristãos.

Mas foi a reforma do Código de Direito Canônico e a convocação do Concilio Ecumênico seu legado. 

João XXIII afirmou numa das suas encíclicas a AD PETRI CATHEDRAM que a "causa e raiz de todos os males, por assim dizer, envenenam os indivíduos, os povos e as nações, e tantas vezes perturbam o espirito de muitos, está na ignorância da verdade." e segue adiante e afirma "... se por loucura ou preguiça, ou, pior ainda, por má vontade nos afastamos do reto usa da razão, apartamo-nos ao mesmo tempo do sumo bem e da lei moral.".

Evidentemente João referia-se à verdade da igreja, mas a verdade, o conhecimento, a honestidade deve nos guiar sempre em todos os quadrantes da nossa vida.



quinta-feira, 9 de julho de 2015

O ocaso de Boris Fausto

O historiador, bacharel em Direito,  e cientista politica Boris Fausto completará 85 anos no final desse ano. Ele nasceu em 1930, ano em que Getúlio Vargas pois fim à chamada Primeira República e ao poder das oligarquias paulistanas. Coincidentemente sua principal obra é A Revolução de 1930 - historiografia e história publicada pela primeira vez em 1970 e considerada ainda hoje um clássico. 

Profundo conhecedor da História do Brasil e eleitor de Aécio Neves falou bobagem... 

Numa matéria publicada no portal UOL Boris Fausto teria dito que considera difícil relacionar a crise política que enfrenta a presidente Dilma Rousseff com a que derrubou João Goulart, em 1964, mas não vê problemas, porém, em fazer comparações com a queda, em 1992, do primeiro presidente eleito após a redemocratização do país, Fernando Collor de Mello, quando é exatamente o contrário.

Fausto está em campanha pela ruptura institucional. Muito triste que alguém o ocaso da vida prestar-se a esse papel.


leiam: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2015/07/09/situacao-de-dilma-e-mais-complicada-do-que-a-de-collor-diz-historiador.htm