sábado, 30 de julho de 2016

Elite: consumista, ridícula, ignorante, colonizada, subserviente, babona, golpista e entreguista.




“A elite brasileira é engraçada. Gosta de ser elite, de mostrar que é elite, de viver como elite, mas detesta ser chamada de elite, principalmente quando associada a alguma mazela social. Afinal, mazela social, para a elite, é coisa de pobre.[1] (Antonio Lassance)

Acredito que toda desigualdade no país é responsabilidade de sua elite.

Há muito ódio à vista hoje em dia, ódio semeado e cultivado pela elite, um ódio que ataca nordestinos, negros, analfabetos, mulheres e outras minorias; trata-se um ranço de classe, de uma elite que nunca aprendeu a conviver com o povo, pois nunca quis conhecer e compreender a beleza e grandeza do povo brasileiro.

O Brasil possui uma elite tão medíocre que sequer admitiu a abolição da escravatura; tão burra que “Bolsa Família” para ela é uma revolução socialista e investimentos sociais é desperdício de dinheiro público.

A elite brasileira é atrasadíssima, ignorante e semeia ódio. O povo é muito melhor que a elite.

Tanto é verdade que enquanto o capitalismo se modernizava na Europa o Brasil, dos séculos XVIII e XIX, seguia orientado por sua elite patrimonialista e atrasada, sobrevivendo da monocultura e do trabalho escravo, sem projeto de nação.

É possível afirmar que o atendimento aos interesses da elite brasileira atrasou a industrialização no Brasil, basta lembramos que o café, constituiu-se como principal produto de exportação do país, chegando quase a preencher toda a pauta de exportação.

A elite nacional, que tem em seu currículo apoio a todos os movimentos antidemocráticos de nossa História, apóia hoje em dia o Golpe de Estado travestido de legalidade e parece não se incomodar com os abusos cometidos pelo pessoal de Curitiba ou com o Estado totalitário que se insinua.

PRIMEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL[2].

E podemos lembrar que a Primeira Revolução Industrial ocorreu na Inglaterra, ainda no século XVIII, quando a elite nacional orientava o “desenvolvimento” nacional como colônia de Portugal. Por volta de 1830, a Primeira Revolução Industrial se completou na Inglaterra, e daí migrou para o continente europeu. Chegando à Bélgica e França, países próximos do arquipélago britânico. Por volta de meados do século XIX, atravessou o Atlântico e rumou para os Estados Unidos. E, no final do século, retornou ao continente europeu para retomar seu fio tardio na Alemanha e na Itália, chegando, também, ao Japão. Mas por aqui nossa elite “cheirosinha” impediu qualquer desenvolvimento.

O ramo característico da Primeira Revolução Industrial é o têxtil de algodão. Ao seu lado, aparece a siderurgia, dada a importância que o aço tem na instalação de um período técnico apoiado na mecanização do trabalho. As imagens marcantes desse período são a máquina de fiar, o tear mecânico, todas movidas a vapor originadas da combustão do carvão, a forma de energia principal desse período técnico. O sistema de transporte característico é a ferrovia, além da navegação marítima, também movida à energia do vapor do carvão. A base do sistema é o trabalho assalariado, cujo cerne é o trabalhador por ofício.

Por isso, para compreender o que era o Brasil nos séculos XVIII e XIX, o atraso aqui instalado e a responsabilidade da elite, temos de pensar nos moldes em que o Estado Nacional brasileiro foi se construindo. Olhar para a estrutura do poder, para a manutenção das desigualdades sociais e para a concentração de riqueza nas mãos de poucos, para a repressão, para a passagem do modelo de corte do 2o Reinado para a república dos coronéis no século XX, tudo sem qualquer participação popular. O povo nunca foi verdadeiramente preocupação da elite até a eleição de Lula.

SEGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL.

Mas voltemos ao século XIX.

Enquanto nossa elite escravocrata estava preocupada em manter seus “ativos” as mudanças no mundo seguiam, tanto que a partir de 1.870, novas mudanças aconteceram na economia da Europa. As transformações se basearam na descoberta de novas fontes de energia e nos avanços científicos e técnicos. Começava a segunda Revolução Industrial. A base dessa segunda fase industrial foram duas novas fontes de energia: a eletricidade e o petróleo.

Mas o Brasil seguiu seu caminho medíocre determinado por sua elite, tanto que durante quase todo o século XIX prosseguiria o lucrativo e odioso comércio de escravos, sem nenhum peso na consciência.

É verdade que o Império, tendo à frente D. Pedro II, encontrava-se num dilema, de um lado a pressão externa européia, em especial da Inglaterra, para eliminar a escravidão e seu comércio, e de outro lado a pressão interna por sua manutenção; a abolição de tal prática significaria a perda de sua maior fonte de apoio, os grandes latifundiários escravagistas, causando conseqüentemente o fim da Monarquia. Assim, a situação arrastou-se até 1888, com a abolição tardia da escravidão, e o igualmente previsível resultado de queda do Império; ou seja, o fim da monarquia e a implantação da republica não foi uma decisão do povo e sim da elite ressentida.

REFORMA AGRARIA.

No Século XIX nos EUA ocorria outro fato que considero de enorme relevância para compreender o caráter corrosivo da nossa elite.

Para ocupar o oeste norte-americano por colonos de todas as partes do país e do mundo, o presidente Abraham Lincoln sanciona em 20 de maio de 1862 o Homestead Act (Lei da Fazenda Rural). Tratou-se de um programa destinado a conceder terras públicas a pequenos fazendeiros a baixo custo. A lei concedia 160 acres – 650 mil metros quadrados – a todo solicitante, desde que fosse chefe de família e tivesse 21 anos ou mais, e garantisse permanecer e trabalhar a terra por no mínimo cinco anos, pagando uma pequena taxa de administração.

Mas lá como cá a elite atrasada atrapalhou o necessário processo de ocupação do oeste. O Homestead Act fora inicialmente proposto em 1850, contudo os congressistas do Sul temiam que a ocupação do Oeste por pequenos fazendeiros criasse uma alternativa agrícola ao sistema escravagista sulista. Em 1858, uma lei de reforma agrária foi derrotada por apenas um voto no Senado e, em 1859, um projeto de lei foi aprovado em ambas as casas tendo sido, no entanto, vetado pelo presidente James Buchanan.

Coube ao republicano Abraham Lincoln encaminhar a solução correta e o modelo baseado na pequena propriedade, aliado à mão de obra familiar, resolveu a questão agrária norte-americana (hoje em dia Lincoln seria chamado de comunista pela nossa elite, uma elite tão ridícula que desfila com a camiseta da corrupta CBF nas manifestações contra a corrupção, manifestações financiadas pela FIESP e FEBRABAN, manifestações que possuem área VIP com espumante e canapés).

Já no Brasil o modelo de colonização contribui para a perpetuação de um sistema fundiário baseado na grande propriedade, sempre a interesse da elite. Não se pode esquecer que o início da colonização no Brasil se deu através da concessão de grandes latifúndios no nordeste do país, chamadas Capitanias Hereditárias e Sesmarias.

O processo de criação dos latifúndios apenas aumentou com a vinda de diversos imigrantes ao Brasil e com a mecanização da agricultura principalmente durante o período da ditadura militar.

A primeira iniciativa em prol da reforma agrária foi a criação da SUPRA – Superintendência Regional de Política Agrária – em 1962, 100 anos depois do Homestead Act. Por conta do debate sobre as reformas de base, especialmente da reforma agrária, o Presidente João Goulart foi chamado de comunista pela elite nacional, elite que apoiou e financiou o golpe civil-militar de 1964.

ELITE RIDICULA.

Há fatos que nos revelam de forma mais lúdica o caráter e natureza da elite nacional, como o de uma milionária, de férias no litoral, que mandou o cão para o veterinário de helicóptero, porque viu o cãozinho comer a marmita de seu segurança[3].  Esse fato mostra a absoluta falta de vergonha da elite nacional e demonstra o seu caráter e a natureza.

Há ainda a história de uma senhora chamada Vera Loyola que teria enviado seu cãozinho para o cabeleireiro de helicóptero e, em seguida, explicado aos jornalistas que o fez "porque o Rio é uma cidade muito violenta".

CONCLUSÃO.  

Esses fatos ilustram a existência uma herança maldita: temos uma elite com a cabeça colonizada, saudosa dos tempos da nobreza e da realeza. Uma elite, consumista, ridícula, ignorante, colonizada, subserviente, babona, golpista, entreguista e que sonha com o dia em que o Brasil será uma mistura dos paraísos europeus e estadunidense.

São essas as reflexões de hoje.



[1] http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Como-pensa-a-elite-brasileira/4/31431
[2] http://www.coladaweb.com/geografia/as-tres-revolucoes-industriais
[3] http://antigo.brasildefato.com.br/node/6930

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