segunda-feira, 25 de agosto de 2014

OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA


Faz alguns dias, a pedido de um amigo, acompanhei o produtor de cinema Antônio de Andrade a uma visita ao “Pólo Cinematográfico de Paulínia”. Confesso que não conhecia nada além do “Theatro de Paulínia”. Visitar o “Polo” foi uma experiência fantástica.
O “Pólo” foi idealizado pela Secretaria da Cultura daquela cidade e custou muito investimento em estrutura aos cofres públicos, trata-se da maior estrutura para a produção audiovisual brasileira. São quatro estúdios, escritórios temporários, motor-home (casa motorizada), trailer (camarim móvel), e uma escola de formação técnica, a ESCOLA MAGIA DO CINEMA e muito mais (eu não teria competência para descrever tudo, mas posso afirmar que é uma obra magnifica, com um potencial fantástico e que merece atenção de todos da cidade, da RMC e do país).
Merece registro também que Antônio de Andrade é filho do cineasta Joaquim Pedro de Andrade, cineasta que tem na sua filmografia obra importante e emblemática como Macunaíma, (1969), grande vencedor dos festivais de Festival de Brasília 1969 e do Festival Internacional de Mar del Plata 1970 (Argentina).
Esses antecedentes, pensei, tornaria o encontro interessante.
Foi de fato interessante o encontro, mas não pelas razões que imaginei, pois Antônio de Andrade é uma pessoa brilhante pelo que é, não apenas por ser filho de quem é ou afilhado de quem é (ele é afilhado de Tom Jobim).
Depois de um dia longo de trabalho a caminho do aeroporto pudemos conversar sobre temas que nos inquietam e ele, num dado momento, fez referência a um documentário chamado “Obsolescência Programada”, é isso que quero compartilhar com o leitor.
O documentário “Obsolescência Programada”, sugestão do meu novo amigo, deve ser assistido por todos, está lá no youtube, de graça... Fiquei muito impressionado com o documentário.
Esse conceito "obsolescência programada" faz parte de um fenômeno industrial e mercadológico surgido nos países capitalistas no início do século XX e que ganhou força nas décadas de 1930 e 1940 conhecido como "descartalização". 
A tal "obsolescência programada" faz parte de uma estratégia de mercado que visa garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar ou tornem-se obsoletos em um curto espaço de tempo, tendo que ser obrigatoriamente substituídos de tempos em tempos por mais modernos.
Ou seja, uma estratégia baseada na fraude.
O documentário revela, dentre outras coisas, que a indústria de lâmpadas nos anos 20 decidiu que seus produtos, as lâmpadas, não poderiam “durar tanto”. Os zelosos industriais do setor reuniram-se em um cartel e definiram o tempo máximo de durabilidade de seu produto.
Havia e há tecnologia disponível para fazer uma lâmpada durar décadas, mas o objetivo estabelecido pelo cartel é que as lâmpadas durassem no máximo 1000 horas, ou seja, pouco mais de 45 dias. TODOS os produtos que compramos estariam hoje contaminados com um conceito que desconsidera a finitude dos recursos naturais ou a sustentabilidade. Um crime da indústria de bens de consumo à humanidade.
Essa “obsolescência programada” é a decisão do produtor de propositadamente desenvolver, fabricar e distribuir um produto para consumo de forma que se torne obsoleto ou não-funcional especificamente para forçar o consumidor a comprar a nova geração do produto.
Isso é ético? Esse conceito respeita os valores e o conceito de sustentabilidade?  
A resposta a essas questões é negativa, mas a “obsolescência programada” é uma realidade. Garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar ou tornem-se obsoletos em um curto espaço de tempo, tendo que ser obrigatoriamente substituídos de tempos em tempos por mais modernos é, salvo melhor juízo, verdadeiro crime contra o mercado de consumo ou um estelionato praticado pela indústria ao longo dos anos.
Esse é o mundo que desejamos? Um mundo em que fomos condenados a consumir para sustentar um sistema que não se sustenta?
Encontrei também um texto que afirma que a “obsolescência programada” foi criada, na década de 1920, pelo então presidente da General Motors Alfred Sloan. Ele procurou atrair os consumidores a trocar de carro frequentemente, tendo como apelo a mudança anual de modelos e acessórios. Bill Gates, fundador da Microsoft, também adotou esta estratégia de negócio nas atualizações do Windows, assim como a Apple e tantas outras companhias.

Uma curiosidade: inspirado na Centennial Bulb, lâmpada que continua em funcionamento desde 1901, o espanhol Benito Muros, da SOP (Sem Obsolescência Programada) desenvolveu uma lâmpada de longa durabilidade e recebeu ameaças por conta desta invenção...
Vamos celebrar a estupidez humana?

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