sábado, 24 de dezembro de 2016

A SANASA INSTRUMENTO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL E INTEGRAL.


“Os recursos (...) estão a ser depredados também por causa de formas imediatistas de entender a economia e a atividade comercial e produtiva. ” (Papa Francisco).

Campinas tem muito orgulho da sua companhia de tratamento de água e esgoto; temos orgulho da SANASA, uma das principais companhias do seu segmento no país.

A SANASA, cuja missão é contribuir para a qualidade de vida da população de Campinas, atender às necessidades atuais e futuras de saneamento básico, planejar e promover ações para o saneamento ambiental municipal, participar de atividades vinculadas ao saneamento no âmbito nacional e internacional e desenvolver ações voltadas à responsabilidade socioambiental, é instrumento fundamental para o desenvolvimento sustentável e integral de nossa cidade e é inspiração para toda RMC.

A questão ambiental e a sustentabilidade a estruturar o desenvolvimento são questões fundamentais, tanto que na encíclica Laudato Si’ o Papa Francisco trata da questão ambiental e nos lembra que ao tempo da Guerra Fria, quando havia o risco de uma crise nuclear e destruição ou degradação da natureza e de parcela da humanidade, o Papa João XXIII escreveu uma encíclica na qual transmitiu uma proposta de paz, na sua mensagem Pacem in terris conversou com todas as pessoas a todo o mundo, católicos ou não. 

Francisco lembrou também que o Papa Paulo VI  tratou da questão ecológica como uma crise de consequências dramáticas, pois a exploração desmedida da natureza expõe o ser humano ao risco de destruir-se e à humanidade, falou da possibilidade duma “catástrofe ecológica sob o efeito da explosão da civilização industrial” e ressalvou a “necessidade urgente duma mudança radical no comportamento da humanidade”, porque “os progressos científicos mais extraordinários, as invenções técnicas mais assombrosas, o desenvolvimento económico mais prodigioso, se não estiverem unidos a um progresso social e moral, voltam-se necessariamente contra o homem”.

O Papa João Paulo II também se dedicou à questão ecológica na sua primeira encíclica e advertiu que o ser humano parecia “não dar-se conta de outros significados do seu ambiente natural, para além daqueles que servem somente para os fins de um uso ou consumo imediatos”, para noutro momento convidar a todos para uma conversão ecológica global. João Paulo II teria lamentado o pouco empenho da humanidade em “salvaguardar as condições morais de uma autêntica ecologia humana”, pois a destruição do ambiente humano é um fato muito grave, por isso, propôs uma atitude de cuidar e melhorar o mundo, a começar pelo nosso estilo de vida, pela mudança dos modelos de produção e de consumo (assim como das estruturas consolidadas de poder, que hoje regem as sociedades), pois o progresso humano autêntico possui um caráter moral e pressupõe o pleno respeito pela pessoa humana, mas deve prestar atenção também ao mundo natural e ter em conta a natureza de cada ser e as ligações mútuas entre todos, num sistema ordenado.

Até o conservador Bento XVI falou em “eliminar as causas estruturais das disfunções da economia mundial e corrigir os modelos de crescimento que parecem incapazes de garantir o respeito do meio ambiente” e criticou o desperdício, numa clara reflexão sobre o consumo que nos consome e degrada.

O Papa Francisco trata como urgente a proteção da natureza e das coisas comuns através de um novo modelo de desenvolvimento sustentável e integral, especialmente a questão da água. A construção e a defesa das coisas comuns são tarefas nossas, pois as consequências da degradação ambiental na vida humana é uma enorme tragédia, especialmente para os mais pobres e as futuras gerações só terão uma vida se mudarmos de verdade e passarmos a proteger o meio ambiente e nesse contexto nos preocuparmos com o sofrimento dos excluídos.

Voltemos à questão da água.

Indicadores preveem a impossibilidade de sustentar o nível atual de consumo de água, seja nos países mais desenvolvidos, nos setores mais ricos da sociedade (onde o hábito de desperdiçar atinge níveis constrangedores) ou nos países pobres e nos setores mais humildes.  

A água potável e limpa constitui uma questão de primordial importância, porque é indispensável para a vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestres e aquáticos.

Um problema particularmente sério é o da qualidade da água disponível para os pobres, que em muitos lugares ceifa muitas vidas. Há relatos da ocorrência de doenças relacionadas com a água em razão de serviços de higiene e reservas de água inadequados (os quais constituem um fator significativo de sofrimento e mortalidade infantil), essa é uma realidade distante de Campinas graças à SANASA, mas está presente em muitos lugares, alguns não tão distantes da nossa cidade. Daí a importância da Secretaria do Verde em Campinas e integração de seus projetos e políticas com a SANASA, Educação, Planejamento, etc.

Em alguns lugares cresce a equivocada tendência para se privatizar este recurso escasso, tornando-o uma mercadoria sujeita às leis do mercado. Na realidade, o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos.


No que diz respeito à qualidade da água é importante que se registre o trabalho desenvolvido pela SANASA aqui em Campinas, bem como a lucidez do Prefeito Jonas Donizete acerca da importância estratégica da companhia com as características que tem, não apenas para cumprir adequadamente sua missão, mas especialmente para contribuir com a construção de uma cidade num modelo de desenvolvimento sustentável e integral. 

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