quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Ousadia e generosidade para vencer a falta de moral e de humanidade.


Não tem sido fácil afirmar-se de esquerda atualmente, pois o neoliberalismo foi virtuoso por quase trinta anos, período em que foram mascaradas as mazelas do capitalismo e forjou-se ideologicamente toda uma geração (jovens abaixo de 35 anos nasceram e cresceram num tempo em que a ideologia neoliberal não sofria contestações e era difundida pela mídia como sendo o “paraíso na terra), e temos que conviver ainda com o fato de alguns dos quadros da esquerda terem equiparado suas ações às práticas históricas da direita e ao “lambuzarem-se” (como disse Jaques Wagner) deram munição aos desafetos.

E ocorreu ainda nesse período a queda do Muro de Berlim e do fim da URSS, fatos históricos apresentados ao mundo como a reconquista da liberdade na Alemanha e nas repúblicas soviéticas. Bem, essa visão de reconquista da liberdade não é totalmente descabida ou equivocada, pois os regimes do leste europeu não merecem admiração quando lembramos o totalitarismo lá presente e que a experiência soviética não foi socialista e democrática, mas como um Estado Operário burocraticamente degenerado.

E a história do Ocidente não é menos triste, afinal está fundada num paradoxo, como escreveu Emir Sader, o qual pode ser compreendido a partir da história dos EUA.

Qual paradoxo?

Bem, a democracia liberal, desenvolveu-seno âmbito da comunidade branca e simultaneamente à existência de relações de escravidão dos negros e deportação dos índios. Por trinta e dois anos, dos primeiros trinta e seis anos de vida dos Estados Unidos, proprietários de escravos detiveram a presidência, assim como foram esses proprietários de escravos os que elaboraram a Declaração da Independência e a Constituição.

Ou seja, compreender o conceito de "liberdade"no liberalismo do american way of live exige não perdemos de vista esses fatos históricos, bem como não se pode perder de vista as palavras de Roosevelt:

"Não chego a acreditar que os índios bons sejam apenas os índios mirtos, mas acredito que nove em dez sejam assim; e não gostaria de me aprofundar muito sobre o decimo"

ou as de John Hobson, o qual afirmou que a expansão colonial caminha paralelamente ao

"extermínio das raças inferiores que não podem ser exploradas com lucro pelos colonizadores brancos superiores.".

democracia e a liberdade na qual o tal liberalismo, neoliberalismo ou capitalismo acreditam tem essa origem. 

Creio que temos de fazer nosso próprio caminho, que podemos reinventar nosso país e nossa sociedade, para torná-la mais humana, ética, solidária, inclusiva, justa, democrática e sustentável. Temos de pensar o Brasil de baixo para cima, semeando os processos horizontais e interativos, garantindo o efetivo empoderamento das pessoas numa nova concepção da ação politica. É necessário um novo fazer político, uma práxisque transforme em realidade os discursos que falam de vida digna, saúde, paz, conhecimento, ciência, trabalho, sustentabilidade, arte, lazer, respeito à diversidade de gênero, credo, etnia e cultura.


Temos de fazer isso com ousadia e generosidade para vencer a falta de moral e de humanidade que está deteriorando as instituições e empobrecendo a alma do povo brasileiro.

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