sábado, 16 de janeiro de 2016

As responsabilidades de Lula e do PT


“Assistimos ao começo do fim. O PT tende a virar um arremedo do PMDB
(Frei Beto)

O ex-presidente Lula estaria a avaliar que em razão do enfraquecimento do processo de impeachment contra a presidenta Dilma, a grande batalha a ser travada em 2016 será a reeleição do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, por isso teria determinado que o PT que dê máxima atenção à disputa paulistana, pois a vitória poderá marcar o início da recuperação da imagem do partido após o desgaste dos últimos anos.

Lula acredita segundo noticia o 247, que a oposição a Haddad está mais fraca do que aparenta, pois o PSDB e PMDB paulistanos vão para a eleição com disputas e cizânias internas, Lula estaria a apostar que Haddad reeleito fortalece o PT com vistas a 2018.

Correta avaliação de Lula, mas é uma avaliação que tem em perspectiva apenas o processo eleitoral e, com todo respeito, Lula e o PT têm responsabilidades maiores que apenas vencer eleições. Lula e o PT têm compromissos com todos os setores progressistas e com a esquerda na construção de uma sociedade socialmente justa, de iguais e com o desenvolvimento social e econômico sustentado e sustentável, fundado em valores que o RAIZ Movimento Cidadanista oportunamente retoma e que deveria servir de orientação para toda a esquerda democrática do país. 

Bem, Haddad precisa vencer as eleições porque ele o melhor candidato para a cidade de São Paulo e porque a capital paulista é paradigma para todo o país em razão da sua complexidade, merece que lembremos que o jornal americano "The Wall Street Journal" publicou reportagem em tom elogioso ao prefeito de São Paulo e às iniciativas relativas à mobilidade urbana. A matéria diz que "Se o prefeito (....) de São Paulo, Fernando Haddad, fosse chefe de São Francisco, Berlim ou alguma outra metrópole que olha para o futuro, ele seria considerado um visionário urbano", escreveu a publicação. E de acordo com o jornal, os esforços mais progressistas do prefeito estão em "converter a cidade de 12 milhões de habitantes sufocada pelo trânsito em uma área amigável para bicicletas e ônibus, (...)".

Mas a esquerda democrática precisa mais do que vitórias eleitorais, precisa reconciliar-se com seus valores, pois cumpriram-se 13 anos da posse de Lula e seu governo de coalizão e nesse período muitas coisas boas foram realizadas, algumas excepcionais, mas é chegado o momento de o PT fazer autocrítica em relação aos erros, debater com a sociedade os caminhos a serem trilhados e reconciliar-se com seus aliados progressistas, com a esquerda democrática e com a sociedade, afastando-se

Frei Beto, um dos ícones do PT, tem dito que a única saída para o partido é voltar às origens e buscar a governabilidade com os movimentos sociais, sob pena de o PT “virar um arremedo do PMDB”.

Eu penso que a governabilidade deve ser garantida pela sociedade, como propõe Frei Beto, mas não se pode ignorar os partidos progressistas e éticos ou por setores éticos desses partidos. E esses partidos têm de identificar, vencer e banir a burocracia partidária que vive em disputa com as lideranças genuínas. Essa erva daninha [a burocracia partidária] vive nos escaninhos e corredores obscuros da Política, são parasitas; a burocracia partidária é maléfica, porque ela não tem compromisso ideológico e se encontra sempre pronta a cerrar os olhos perante os mais grosseiros erros em Política, se lhe forem garantidos os seus privilégios, mesmo que essa garantia seja oferecida pelo adversário e não pode haver privilégios onde o principal é o interesse público.
Não tenho dúvidas sobre o fato de que o PT foi um dos maiores acontecimentos da história política brasileira de todos os tempos, pois nasceu da práxis e não da aristocracia ou academia. Contudo, a História é dinâmica os acontecimentos não esperam por isso o PT tem de reconciliar-se com sua história e dialeticamente seguir adiante. O PT nasceu social-democrata, aliado do socialismo democrático e apoiador dos movimentos sociais progressistas; nasceu critico ao capitalismo e sua lógica; nasceu democrático e opôs-se, desde o principio, às experiências totalitárias de esquerda como a soviética.
O PT foi um partido original, hoje é um partido igual. Mas ele não surgiu para ser igual, por isso o PT deve buscar ouvir mais e a reconciliar-se com a sociedade e com antigos companheiros, assim como deve - com humildade - valorizar os pontos de convergência com o PSB, PSOL, PV, PCdoB, PDT, com os setores progressistas do PMDB e do PSDB (não podemos esquecer-nos do Bresser Pereira) e com o RAIZ, afinal, como já escrevi, todos têm muito a dizer, aprender e ensinar, desde que seja com honestidade.
E o governo federal? Bem, os mais de 35 acordos firmados entre Brasil e China representam a entrada da geopolítica da política nacional. A parceria que a Presidenta apresenta ao país vai trazer para o Brasil fábricas de alta tecnologia, ferrovias continentais, satélites, projetos modernos de telecomunicações, etc., o que segundo Paulo Moreira Leite, este acordo só tem paralelo com o Plano Marshall. Ou seja, Dilma está a dar “a volta por cima”, pois no Brasil, apenas um fundo de investimento, criado pela China para atuar no Brasil, receberá US$ 53 bilhões. O dinheiro não será usado, como foi o Marshall, para reconstruir pontes e estradas, mas para abrir novas.



Nenhum comentário:

Postar um comentário