sábado, 8 de novembro de 2014

O “ETERNO NETO” E SUA FACE LACERDISTA.

Birra, substantivo feminino, é a ação ou tendência para permanecer e/ou continuar de maneira insistente num mesmo comportamento, opinião, ideia. etc., é a teimosia chata daquele que, contraria alguém por capricho, é a implicância ou falta de entendimento entre duas pessoas, uma espécie de rixa, zanga ou aborrecimento.  Podemos imaginar que Aécio “eterno neto” da Cunha estaria de birra por ter perdido as eleições, mas pode não ser apenas isso.  Aécio “eterno neto” da Cunha representa hoje os setores mais atrasados e culturalmente colonizados do país, o pessoal que acredita que “Miami é o paraíso na Terra" e, apesar de nunca ter estudado a vida e obra libertária de Simon Bolívar o “odeia”.

Escrevi recentemente que saber perder é para pessoas honradas, que Lula, Serra e Alckmin souberem perder, já o Aécio “eterno neto” da Cunha aproxima-se do lacerdismo também no quesito “não saber perder” e com isso está a revelar que é mais filho de Aécio Cunha (deputado federal pela ARENA e pelo PDS, partidos de apoio ao regime militar), do que neto de Tancredo Neves (como diz meu pai: “o fruto não cai longe do pé”).
Aécio “eterno neto” da Cunha, assim como Carlos Lacerda – que jamais perdoou a sorte de não ter sido Presidente da República, está a flertar descaradamente com o golpe ou está de birra?
Vale relembrar o que fez e como agia Carlos Lacerda.

Lacerda como político e escritor, consagrou-se como um dos maiores porta-vozes das ideologias conservadora e direitista no país, e grande adversário de Getúlio Vargas, e dos movimentos políticos trabalhista.

Aécio “eterno neto” da Cunha, da mesma forma é hoje o porta-voz dos setores conservadores e de direita no Brasil. Coincidência?

Ainda sobre Lacerda basta lembrarmos que ele não teve nenhum escrúpulo e foi o grande coordenador da oposição à campanha de Getúlio à presidência em 1950 e durante todo o mandato constitucional do presidente, até agosto de 1954, esse é o ponto. Lacerda não fazia oposição republicana e democrática, afinal numa democracia deve existir oposição, sob risco de a diversidade de opiniões não ser efetivamente representada e comprometer a democracia em si. Mas Lacerda uniu-se aos militares golpistas e aos partidos oposicionistas (principalmente a UDN) num esforço conjunto para derrubar o presidente Vargas através de acusações que publicava em seu jornal, Tribuna da Imprensa, ou seja, deslocando o debate político da tribuna para os jornais, transformando-o em espetáculo midiático cujo único objetivo era o enfraquecimento e a destruição de Getúlio Vargas.

Aécio “eterno neto” da Cunha, a exemplo de Carlos Lacerda, em seu primeiro discurso da tribuna do Senado após a derrota nas eleições presidenciais, afirmou que qualquer diálogo com o governo "estará condicionado ao envio de propostas que atendam aos interesses dos brasileiros e, principalmente, qualquer diálogo tem que estar condicionado especialmente ao aprofundamento das investigações e exemplares punições àqueles que protagonizaram o maior escândalo de corrupção desse país, ...".
Ora, essa “condição imposta” pelo Senador do PSDB em relação às investigações chega a ser desrespeitosa com todas as instituições e Poderes da República.
Estará o Senador fluminense-mineiro a afirmar que a Policia Federal, o Ministério Público Federal, a Justiça Federal e os Tribunais desse país não são capazes de aprofundar as investigações e aplicar exemplares punições aos responsáveis pelo desvio de recursos da PETROBRAS? (E registre-se a sanha privatizante que movimenta (e financia) os interesses do PSDB e de seus arautos, mais ou menos emplumados, sanha que causou bilhões e bilhões de dólares de prejuízos ao país entre 1995 e 2002, sem causar indignação pública dos hoje paladinos da moralidade, sanha que levaria a PETROBRÁS, o BANCO DO BRASIL e a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL ao colo do mercado não fosse a vitória de Lula em 2003).
Patético? Não, não é patético, pois ele sabe o que está e porque está dizendo o que diz...
Aécio “eterno neto” da Cunha, assim como Carlos Lacerda, usa seus dotes de bom orador e a mídia conservadora para criar condições objetivas para o clima de tensão.

Não podemos esquecer que Carlos Lacerda em 1955 foi protagonista da tentativa de golpe de estado, quando se uniu aos militares e à direita udenista para impedir a eleição e a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek e seu vice-presidente, João Goulart, será que isso que Aécio quer?  Para ser honesto tenho que fazer constar que Lacerda foi considerado um grande administrador no antigo estado da Guanabara, mas não se pode esquecer que durante seu governo, foi divulgado que policiais assassinavam os mendigos que perambulavam pela cidade e jogavam seus corpos ao rio da Guarda, afluente do rio Guandu, assim como o seu governo foi acusado pela imprensa de oposição de ter dado instruções aos policiais para que realizassem estes assassinatos. Carlos Lacerda foi um dos líderes civis do golpe militar de 1964. Será que alguém acredita que em pleno século XXI ocorrerá um golpe que impedirá a posse da Presidente Dilma e de seu Vice Michel Temer, eleitos constitucionalmente? Será que são esses interesses que Aécio “eterno neto” da Cunha representa? Ou será que é apenas birra de meninos minados e de maus perdedores?

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