sexta-feira, 13 de junho de 2014

SOBRE O CRESCIMENTO ECONÔMICO

Um nível maior e mais sustentado de crescimento econômico é o que desejamos evidentemente, mas esse crescimento desejado exige, dizem os especialistas, um esforço renovado em reformas estruturais, para dar mais peso ao mercado interno como motor da atividade.

Aliás, é essa a conclusão um estudo dos economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado no dia 12 de junho, chamado “Mercados emergentes em transição: perspectivas de crescimento e desafios”.

Os economistas do FMI, tão respeitados pelos neoliberais tucanos afirmam que, no curto prazo, o crescimento maior dos países desenvolvidos deve garantir maior demanda por produtos dos emergentes, não é difícil concluir que a crise pela qual passam tais países atrapalhou o ciclo virtuoso do Brasil e dos mais emergentes.

O estudo destaca que depois de serem estrelas de crescimento econômico, os emergentes estão amargando taxas decepcionantes, não só abaixo dos níveis pós-crise financeira mundial, mas também piores que os patamares na década pré-crise. O Brasil não seria diferente numa economia globalizada e temos de conviver com a realidade de, após a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2003 e 2010, vê-la reduzida desde 2010/2011, para “meros” 2,5% em 2013.

Mas o FMI é mais honesto que os críticos tucanos, pois afirma claramente que parte desta desaceleração é por conta de fatores cíclicos e não porque tenha a equipe econômica do governo manejado equivocadamente os instrumentos a disposição. O estudo diz que a recuperação maior esperada para os países avançados, como os Estados Unidos, deve ajudar os emergentes, na medida em que os mercados desenvolvidos vão demandar mais exportações.

Mas o que são as tais “reformas estruturais” necessárias a dar peso ao mercado interno como motor da atividade econômica? Bem, o Brasil já convivei com tal expressão. A década de 1990 foi marcada por importantes transformações de caráter estrutural ocorridas nos ambientes econômico e institucional, ligadas tanto ao novo conjunto de políticas macroeconômicas adotado, quanto à implementação de reformas de cunho liberalizante, ou seja, orientadas pelo neoliberalismo que imperava naquele então. O objetivo daquelas medidas adotadas era de estabelecer condições para a retomada do crescimento da economia, de forma a que a crise da década anterior fosse superada.

Na realidade já no final da década de 1980 e início dos anos 1990, iniciou-se um processo de tentativa de superação da crise através de esforços no sentido de reformar a economia e promover a estabilização macroeconômica. O período foi marcado pela adoção de uma nova estratégia de políticas de ajustes, com reformas estruturais orientadas para o mercado sob forte influência das recomendações do chamado “Consenso de Washington”, que identificou uma série de medidas consideradas como necessárias para os países em desenvolvimento criarem um ambiente econômico e institucional propício para a entrada em uma trajetória de crescimento auto-sustentável.

Na verdade já no final da década de 1980 e início dos anos 1990, iniciou-se um processo de tentativa de superação da crise através de esforços no sentido de reformar a economia e promover a estabilização macroeconômica. O período foi marcado pela adoção de uma nova estratégia de políticas de ajustes, com reformas estruturais orientadas para o mercado sob forte influência das recomendações do chamado “Consenso de Washington”, que identificou uma série de medidas consideradas como necessárias para os países em desenvolvimento criarem um ambiente econômico e institucional propício para a entrada em uma trajetória de crescimento auto-sustentável. O tempo mostrou que o as políticas neoliberais tiveram um efeito corrosivo nas estruturas e instituições nacionais e globais, causando crises sucessivas até a crise global de 2007/2008.

Por isso espero que o FMI e os seus simpatizantes quando falam em reformas estruturais não percam de vista que aquele modelo liberalizante falhou e lançou parte do mundo no caos, roubando vidas e aniquilando sonhos de uma geração toda. 

Outro aspecto a ser registrado é que o neoliberalismo já teve sua chance no Brasil e foi um fiasco retumbante, assim tem-se de ficar atento a esse agrupamento político, que vestido de azul a amarelo e com projeto de dirigir novamente o país, está a construir - com a ajuda de parcela significativa da mídia - uma narrativa ficcional do seu passado de fracassos para criticar o que deve ser mudado e justificar sua “tarefa histórica”. Mas sua tarefa é apenas tutelar interesses privados, não tem dimensão ou expressão do interesse público de superar crises causadas ou distribuir riqueza e buscar um desenvolvimento social.

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