quarta-feira, 11 de junho de 2014

QUEM É ADVERSÁRIO DE QUEM 2014?


A Presidente Dilma vem liderando a corrida presidencial, mas penso que setores do próprio PT são os seus maiores adversários e podem levar a presidente à derrota. A quais setores eu me refiro? Aos que, diferentemente da presidente e de Lula, passaram a crer que o país não existia antes deles, aqueles que se tornaram desprezíveis burocratas.

Penso que a burocracia assemelha-se a todos os tipos de castas dirigentes pelo fato de se encontrar sempre pronta a cerrar os olhos perante os mais grosseiros erros dos seus chefes em política geral se, em contrapartida, estes lhe forem absolutamente fiéis na defesa dos seus privilégios. E o país não precisa nem de neoliberais, bem de burocratas. O país precisa de brasileiros de verdade, capazes de ouvir as legítimas demandas de todos os setores, pois vivemos numa democracia e nas democracias as diferenças precisam ser respeitadas, as vozes precisam ser ouvidas.

Assim como tenho convicção que o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) é o principal adversário do ex-governador Eduardo Campos (PSB) na disputa pela Presidência da República por uma vaga num eventual 2o. turno, por isso não entendo bem porque parte da militância do PSB tem se mostrado tão agressiva nas críticas, sempre necessárias, ao governo – do qual esse mesmo PSB fez parte desde 1º. de janeiro de 2003 até pouquinho tempo atrás.

Por serem Aécio e Eduardo os candidatos a uma vaga num 2º turno essa aliança política entre ambos me parece extremamente inadequada, pois o único favorecido é o tucano, afinal Aécio é o adversário natural e direto de Eduardo Campos e vem sendo preservado de qualquer critica dos socialistas. Se o objetivo do PSB é ir para segundo turno essa aliança não favorece em nada tal objetivo.

Setores do PT dizem que o PSB e Eduardo Campos são “ingratos”. Não concordo com isso. Penso que o PSB deveria preparar-se para 2018 e apoiar mais uma vez o projeto desenvolvimentista, lutando para colocar o brilhante Eduardo como vice de Dilma, mas esse cenário não se apresentou, mas a candidatura do PSB é legitima. Legitima especialmente porque o PSB é um partido correto. Apoiou Lula em 1989 quando ele tinha 2%, fez oposição ao governo Collor e Fernando Henrique Cardoso, apoiaram o Lula em 1994 e em 1998, quando todos sabiam que a eleição era perdida. Mesmo em 2002, após o delírio da candidatura de Garotinho, o PSB no segundo turno de 2002 apoiou Lula. Em 2006 em 2010 estiveram juntos com o PT e o PCdoB desde o inicio. Portanto Eduardo Campos tem como adversário os movimentos táticos de seu partido ou de sua coordenação de campanha, movimentos que comprometem o objetivo estratégico.

O PSDB vem com Aécio Neves um político que, ao contrario de José Serra, não possui nenhuma das qualidades necessárias ao exercício da Presidência da Republica, pois não representa um projeto, uma ideologia ou uma geração ele é personagem dele mesmo, o eterno neto de alguém que foi grande sem nunca ter sido.

Aécio é o típico “político profissional”, alguém cujas convicções estão sempre a mercê dos interesses que mais eficientemente o seduzem. Aproveitou-se do prestigio residual de seu Avô Tancredo Neves e elegeu-se em 1986 Deputado Constituinte pelo PMDB. Concorreu, em 1992, à prefeitura de Belo Horizonte e foi derrotado. Sempre atento às oportunidades e aos bons ventos filiou-se ao PSDB em 1994.

Sua Principal bandeira política é o batido chavão denominado “o Choque de Gestão”, tão apreciado por rentistas e outros inescrupulosos, um chavão que nada mais é que a cantilena neoliberal que levou os EUA e parte significativa do mundo à crise de 2008. Seu adversário é a absoluta ausência de substância de sua candidatura, Aécio não tem um projeto para o Brasil, ele representa um retrocesso, aliás, sua candidatura que se viabilizou em razão da campanha midiática sem precedentes que busca desqualificar o qualificado governo capitaneado pela esquerda (PT, PSB e PCdoB).

Aécio e sua turma acreditam que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade" (frase de Joseph Goebbels, que foi ministro da Propaganda de Adolf Hitler na Alemanha Nazista, que exercia severo controle sobre as instituições educacionais e os meios de comunicação), a mentira é o movimento tático que vem sendo usado pelos tucanos e por seus nazi-apoiadores com o objetivo de criar uma sensação de tensão e caos no país.

Para esses senhores a verdade importa muito pouco, a realidade deixa de existir, passam a viver uma representação da realidade, difundida, na sociedade pós-moderna, por parte mídia, logo ela que deveria ser instrumento garantidor da verdade. Baudrillard defende a teoria de que vivemos em uma era cujos símbolos têm mais peso e mais força do que a própria realidade. Desse fenômeno surgem os "simulacros", simulações malfeitas do real que, contraditoriamente, são mais atraentes ao espectador do que o próprio objeto reproduzido.

Nesse momento cada um dos candidatos, a presidente Dilma, o ex-governador Eduardo Campos e o Senador Aécio Neves são adversários de si próprios. Aguardemos o inicio da campanha pela TV. Momento em que a verdade é percebida pela população, pois apesar de todo esforço dos publicitários ou marqueteiros de todo gênero ela [a população] compreende a verdade além da forma e muito além da embalagem.
  


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