domingo, 16 de março de 2014

O OUTONO EM CADA UM.

Recebi nem sei quantos telefonemas comentando a minha decisão de me afastar da vida partidária.

Foi uma decisão que só o pensar poético ou o poetar pensante conta de explicar.

Cazuza, poeta niilista da minha geração escreveu “Que aquele garoto / Que ia mudar o mundo / Mudar o mundo / Frequenta agora / As festas do "Grand Monde".

Este “garoto” aqui falhou, não mudou o mundo e chegado o seu outono, penúltimo quarto dessa aventura chamada vida, a reflexão é necessária, um período sabático para reflexão e auto-critica.

Para depois de conciliações e reconciliações seguir adiante com dignidade, exercitando uma virtude que talvez tenha ficado na retórica apenas: a humildade.

Antes vou explicar porque qualifico Cazuza como poeta niilista da minha geração.



Bem, o niilismo (do latim nihil, nada) é um termo e um conceito filosófico que afeta as mais diferentes esferas do mundo contemporâneo (literatura, arte, ciências humanas, teorias sociais, ética e moral) e representa a desvalorização e a morte do sentido, a ausência de finalidade e de resposta aos “por quês”. Os valores tradicionais depreciam-se e os princípios e critérios absolutos dissolvem-se. Uma atitude niilista tudo sacode, pois tudo é posto radicalmente em discussão, à polêmica. Não há certezas, não há verdades, não há tradição, não há um porto seguro. Vejo o niilismo (e o niilista) como movimento positivo, pois a crítica incômoda e o desmascaramento revelam a abissal ausência de cada fundamento, verdade, critério absoluto e universal e, portanto, convoca-nos diante da nossa própria liberdade e responsabilidade, agora não mais garantidas, nem sufocadas ou controladas por nada a dizer a verdade a nós mesmos.
Fiz uma equivalência entre as estações do ano (primavera, verão, outono e inverno) com a minha vida é possível dizer que a primavera equivaleria à infância e à adolescência, o verão à fase que vai da juventude até a maturidade, no outono somos todas pessoas de meia idade e tendo mais passado que futuro é justo pararmos, respirarmos antes de seguir adiante, até para que o inverno seja tranqüilo. Não sei se isso é uma bobagem, mas enfim vou por ai... 
O que não significa que eu tenha perdido a fé nos projetos, o rumo ou mudado de lado; não se enganem, apenas percebi que: "Não sou nada. / Nunca serei nada. / Não posso querer ser nada. / À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.", como escreveu Fernando Pessoa. 
E me dar conta disso tudo não me agradou, pois tenho ainda de fato todos os sonhos da primavera em mim.



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