domingo, 1 de setembro de 2013

A banalidade do mal.

A absolvição do deputado presidiário é um mal para a sociedade, mas como o mal pode tornar-se banal? Como a monstruosidade do fato pode acontecer e ser compreendido por tantos como fato corriqueiro, trivial, como se fosse comum? Como o a atitude dos deputados que o absolveram e os que ausentes criaram condições tal, verdadeiro mal, pôde ocupar o lugar da normalidade e esconder o seu próprio horror?

Para responder a essas questões, é possível recorrer a duas características que Hannah Arendt aponta para a sociedade de massas: a superficialidade e a superfluidade.

Podemos esclarecer, ainda que para Hannah Arendt que o mal se torna banal porque os seus agentes [os deputados] são superficiais e suas vítimas [a sociedade e a fé nas instituições] são consideradas supérfluas.

Quanto mais superficial alguém for, mais provável será que ele ceda ao mal. Uma indicação de tal superficialidade é o uso de clichês.

Quanto à superfluidade da vida humana este tem sido um fenômeno decorrente do sentido extremamente utilitário das sociedades de massa ou, noutras palavras, grandes massas de pessoas constantemente se tornam supérfluas à lógica do sistema se continuamos a pensar em nosso mundo em termos utilitários, são eles todos que estão fora da sociedade de consumo e dentro do sistema acontecimentos políticos, sociais e econômicos de toda parte conspiram silenciosamente com os instrumentos totalitários da lógica sistêmica para tornar os homens supérfluos.


A câmara dos deputados ao absolver Donadon o vez de forma banal. A absolvição de Donadon é exemplo da banalidade do mal, pois, como explica Hannah Arendt, “A questão do mal não é, assim, uma questão ontológica, uma vez que não se apreende uma essência do mal, mas uma questão da ética e da política. [...] O problema do mal sai, verdadeiramente, dos âmbitos teológico, sociológico e psicológico e passa a ser focado na sua dimensão política.”

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