domingo, 5 de agosto de 2012

O papel fundamental da esquerda



Durante o VII Colóquio Internacional Marx-Engels realizado no final de julho pelo Centro de Estudos Marxistas da Unicamp - CEMARX ouvi que vivemos num “estado de guerra”, vivemos a III Guerra Mundial. Seria uma guerra de contornos únicos na História. Seria uma Guerra econômica, Política e Ética, geradora de crises de natureza cultural, moral, ética e econômica.
Essa afirmação é capaz de produzir imagens bastante fortes, imagens que nos remetem a uma necessária reflexão sobre a pertinência e adequação do que ocorre hoje como resultado das escolhas realizadas nos anos 70, 80 e 90 quando o liberalismo econômico, rebatizado de neoliberalismo era tratado como o único caminho possível e adequado a partir do emblemático fato “a queda do muro de Berlin”.
Há toda uma geração de jovens que cresceu e vive sob a lógica dos interesses do mercado e essa mesma geração, especialmente na Europa e nos EUA, convive com o resultado das escolhas dos seus governantes. Na Espanha, por exemplo, há 42% de desemprego involuntário entre os jovens de 25 a 35 anos e aquele país, assim como outros da chamada “zona do euro”, tem taxas médias de desemprego superiores a 22% para todas as faixas etárias, nos EUA não é diferente.
Esse contexto tornou pertinente e ainda mais relevante o “colóquio”. A presença de centenas de jovens de todo o mundo, revisitando a filosofia de Marx e Engels, comprova essa afirmação. O marxismo é um caminho importante para reflexão sobre as alternativas à lógica do mercado.
O papel fundamental da esquerda é patrocinar a reconciliação do homem consigo mesmo, é uma meta irrenunciável, afirmou um dos palestrantes, concordo com ele. E acredito que a esquerda, que foi a espinha dorsal da resistência ao nazismo na Europa, tem esse papel reconciliador e o papel de discutir a democracia formal e a democracia substancial, para, através desse debate, ultrapassarmos os limites institucionais na construção de sociedades cujo centro de atenção e cuidado seja o ser humano e não o mercado.
E não se trata de defender o “Humanismo” como ideologia, pois todo ser humano contém uma centelha de humanidade ou, noutras palavras, o homem é naturalmente humano, trata-se de fazer da humanidade algo justo e generoso, algo do qual possamos nos orgulhar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário