segunda-feira, 23 de julho de 2012

transcender na imanência.


"Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário.
E agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.”

Bertolt Brecht

Vivemos sob uma lógica muito triste e cruel, a lógica do consumo, a lógica da eficiência, a lógica que exige padrões de comportamento e nos conduz para a estética descartável, para relações descartáveis. Isso tudo é resultado da lógica de um sistema econômico que forjou uma cultura. Isso é muito triste, pois a beleza, a bondade e a verdade perderam a unicidade e se fragmentaram nesse mundo que Bauman chama de “liquido”.

Para os gregos a beleza, a bondade e a verdade eram uma coisa só, hoje estão fragmentados e condicionados a padrões e interesses privados. É como se antigamente fossemos todos artistas, autores e protagonistas da nossa própria vida e hoje nos deixamos reduzir a consumidores apenas...

Identifico nesse ponto a genialidade de Fritz Lang, Charlie Chaplin e de Andy Wachowski e Larry Wachowski, os quais, respectivamente em METROPOLIS, TEMPOS MODERNOS e MATRIX denunciam o perdimento do “eu” para o mercado e sua lógica.

Temos que caprichar na construção dessa obra chamada vida e não nos contentarmos em fazer apenas um rascunho dessa oportunidade. Podemos ser conduzidos pelo mundo ou conduzi-lo. A escolha é nossa. Temos de "fortalecer" o nosso "ser interior", pois é ele que nos conduz pelo "exterior" e é o "ser exterior" que conduz e transforma o mundo ou, contemporaneamente, nos transforma em consumidores e, creiam, somos muito mais do que isso.

As experiências de felicidade e de dor nos humanizam, ou seja, a vida vivida nos humaniza... Vamos tomar as rédeas e conduzir isso tudo. Temos de transcender nesse mundo e para ele, e não para outro mundo.
Temos de transcender na imanência. Temos de nos amar como se não houvesse amanha, pois na verdade não há. 

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