quarta-feira, 20 de junho de 2012

Garantir a continuidade do ciclo progressista


Enviei a todos os membros do COMITÊ MUNICIPAL de Campinas um texto para que pudessemos coletivamente PENSAR se uma coligação em Campinas com os setores conservadores representados pelo PSDB/DEM/PPS, garantiria ao PCdoB crescimento e a implantação de políticas progressistas, na linha daquelas que o PCdoB defende.



Eu não acredito nesse movimento e defendo a CANDIDATURA PRÓPRIA em Campinas ou a coligação do o PT, por uma questão de coerência. 

Não podemos ser, como alguns partidos, “base” do PSDB em São Paulo e “base” do PT em Brasilia. Esse pragmatismo cego nega a história do PCdoB.

É isso que eu penso e é isso que vou defender.
  
1.       Garantir a continuidade do ciclo progressista, aberto em 2002 no Brasil, promovendo o aprofundamento das mudanças

Ademais, há um documento firmado pelo Comitê Estadual do PCdoB de SP, datado de 11 de fevereiro de 2012 denominado “PCdoB-SP 2012: Eleger prefeitos e dobrar a bancada de vereadores” que merece ser relido por aqueles que defendem, equivocadamente, a coligação do PCdoB com os neoliberais locais, verdadeiros vassalos do governo tucano, um governo com o qual o PCdoB não tem qualquer identidade ideológica ou programática, um governo conservador, incompetente que se encastelou no Palácio do Bandeirantes a partir da vitória de Mario Covas em 1994 e que quase quebrou o Brasil.

Assim como deve ser relida, com mais atenção ainda, a Resolução Política sobre a situação conjuntural do Brasil, datado de 11 de Novembro de 2009 [1] que nos orienta a lutar para garantir o ciclo social-desenvolvimentista que teve inicio com a vitória de Lula em 2002, uma vitória para a qual o PCdoB contribuiu desde o 1º. Turno de 2002.

Por que reler os documentos? Para não perdermos de vista que a nossa política de alianças deve contribuir para o alcance dos objetivos estratégicos não para dar respostas emocionais (e irracionais) a circunstâncias. 

Eleger prefeitos e dobrar a bancada de vereadores é nosso objetivo tático.

E, (i) as candidaturas próprias (onde houver condições reais como em Jundiaí, por exemplo, e a reeleição do prefeito de Monte Alegre) ou as (ii) alianças políticas responsáveis são o caminho para atingir o objetivo.

Mas tudo deve ser feito sem perder de vista o objetivo estratégico do PCdoB que é: “Garantir a continuidade do ciclo progressista, aberto em 2002 no Brasil, promovendo o aprofundamento das mudanças[2]. Noutras palavras, o estratégico subordina o tático.

E o que é estratégico para o PCdoB? Ora, é garantir a continuidade do ciclo progressista aberto em 2002 no Brasil e não será coligando em Campinas com o PSDB/DEM/PPS que estaremos cumprindo a resolução de 11 de Novembro de 2009, do 12º. Congresso do PCdoB. Muito pelo contrário, estaremos descumprindo tal resolução e comprometendo, por exemplo, a estabilidade da coligação que haverá de eleger o camarada Pedro Bigardi Prefeito de Jundiaí este ano.

Como podemos pensar em participar de uma coligação onde um dos protagonistas é o PSDB se a Resolução do 12º. Congresso orienta que:

"O campo da oposição compreende o PSDB, partido estruturante da frente contra o Governo, essencialmente representante da oligarquia financeira, o DEM (antigo PFL) expressão das forças dominantes mais tradicionais, que vem mudando a roupagem para se “modernizar”, em disputa com parte do PMDB para ocupar o papel prioritário na aliança com o PSDB; o PPS, oriundo do PCB, produto da apostasia que acometeu parte dos partidos comunistas com o fim da União Soviética, hoje transformado em apêndice do PSDB. Essa oposição de direita ao governo Lula, com a derrota dos paradigmas neoliberais ficou sem programa, abraçou o ideário da moralização formal, dos velhos preceitos udenistas e do oco “choque de gestão”, para fazer crer serem detentores da racionalidade administrativa. Essa oposição conta com apoio da grande mídia, numa relação íntima que visa a permitir a volta dos tucanos à presidência da República.

O PSDB foi o artífice da liberalização, desregulamentação e desnacionalização do período da ordem neoliberal imperante nos oito anos dos governos de Fernando Henrique Cardoso. Seu plano principal e imediato é tentar ganhar as eleições presidenciais, para retornar ao centro do poder. Para isso, tornou-se decisivo a unificação do Partido em torno dos dois governadores – José Serra e Aécio Neves –, dos dois maiores colégios eleitorais do país, sendo essa a tarefa que envolve os cardeais do Partido e o conjunto da oposição.

Ao mesmo tempo realiza intensas gestões visando a atrair o PMDB para o leito da campanha oposicionista de 2010. A oposição de extrema esquerda, composta pelo PSOL, com pequena representação no Congresso Nacional e outras variadas e pequenas organizações políticas fora do parlamento nacional, vive uma crise de identidade, não se constituindo em alternativa real à esquerda do governo Lula e, na prática, joga água no moinho da oposição de direita na sua atividade contrária ao governo Lula."

Não é possível, responsavelmente, que a comissão política considere a possibilidade de ombrear em Campinas com o PSDB, com o DEM e com o PPS se a Resolução afirma tratarem-se partidos estruturantes da frente de oposição ao projeto social-desenvolvimentista e ao governo federal, governo que temos tarefa estratégica proteger, fortalecer e garantir a ele sucesso e força transformadora.

No Estado de São Paulo e em Campinas esses partidos são representantes das oligarquias de província, das visões mais preconceituosas e atrasadas, esses partidos são contra todas as políticas públicas que o PCdoB e o PT vêm construindo desde 2002. O DEM (antigo PFL) é dissidência do PDS, que já se chamou ARENA e antes UDN expressão das forças dominantes do atraso e dos interesses privados. 

2.       Pela Unidade das forças progressistas.

E não é só. A nossa tarefa é manter a unidade das forças democráticas e progressistas[3], o PCdoB tem maturidade, História e responsabilidade para fazer isso, mas não será participando ardiloso movimento articulado pelo governador Tucano que estaremos contribuindo para a unidade.

E ao lado do PSDB, do DEM e do PPS os movimentos sociais, que começaram a retomar o seu protagonismo político terá espaço? Será ouvido? O movimento sindical, os movimentos sociais ocupam espaço relevante na visão e na ação desses partidos? A resposta é evidentemente negativa.

O movimento estudantil, secundarista e universitário, liderados pela UBES e pela UNE, e o movimento comunitário, principalmente a CONAM, entre outros. A UBM, União Brasileira de Mulheres, e a Unegro, União de Negros pela Igualdade, que tem cumprido relevante papel na luta pela emancipação das mulheres, contra o racismo terá espaço relevante e influenciarão políticas públicas num governo que reproduz a lógica do Palácio dos Bandeirantes?

Participar de uma coligação com o PSDB/DEM/PPS numa cidade importante como Campinas[4] é negar a necessária luta pela continuidade e aprofundamento o ciclo progressista aberto com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente do Brasil.

Participar de uma coligação com o PSDB/DEM/PPS numa cidade importante como Campinas é descumprir a tarefa de manutenção tanto da unidade das forças democráticas e progressistas quanto pela preservação e fortalecimento de um Bloco de Esquerda, a fim de derrotar as tentativas revanchistas e de volta ao centro do poder das forças conservadoras responsáveis pela ordem neoliberal em nosso país.

Ademais, temos de ponderar que se cabe à conferência eleitoral municipal aprovar as alianças em âmbito local, essa aprovação é ad referendum da instância partidária superior, nos termos do artigo 29 dos Estatutos e, em sendo aprovada uma coligação/aliança com o  PSDB/DEM/PPS ela será impugnada e levaremos o debate democraticamente a todas as instâncias partidárias.


3.       Nossas tarefas em Campinas.

No campo Político a tarefa do PCdoB é: “(a) Concentrar todos os esforços partidários na montagem da nossa chapa própria de vereadores e criar condições objetivas para viabilização da chapa majoritária; (b) Planejar e buscar condições materiais e humanas para concretização das nossas campanhas.” [5].

Essa é a reflexão.      


[2] Resolução Política sobre a situação conjuntural do Brasil, datado de 11 de Novembro de 2009
[3] Item 12 da Resolução do 12º. Congresso.
[4] O que é reconhecido expressamente pelo documento de 11 de fevereiro de 2012 firmado pelo Comitê Estadual do PCdoB
[5] Conforme item “34” da Resolução da Conferência Municipal de Campinas/2011.

Um comentário:

  1. Muito bom, Pedro. Discussão mais do necessária, urgente. As cores partidárias e suas uniões deveriam ser mais bem definidas, pra se ter mais coerencia. Grande abraço

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