domingo, 15 de abril de 2012

Social-desenvolvimentismo vs capitalismo parasitário



Os juros estão caindo e a queda dos juros cobrados pelos bancos públicos e privados é mais do que ponto de honra para o governo, que atribui às altas taxas o entrave para o crescimento da economia brasileira.
A batalha pela queda dos juros é movimento tático fundamental ao projeto estratégico em curso, o projeto de desenvolvimento sustentável e diferenciado do país, diferenciado, pois significará desenvolvimento econômico e social perene e referencia válida para outras nações que buscam rotas diferentes da receita óbvia e cruel imposta pela lógica neoliberal.
Aliás, Dilma vem deixando claro que deseja ver as instituições privadas seguirem os bancos oficiais e derrubarem o que o jargão econômico convencionou chamar de spread (diferença entre o juro pago pelos bancos no mercado e o que cobram de seus clientes).

Quem duvidou da capacidade do governo de influenciar o mercado e reduzir os juros talvez devesse ler a constituição no título que trata da “ordem econômica e financeira”...
O fato é que o bombardeio do governo aos juros vem dando certo e foi intensificado, quando Caixa e Banco do Brasil anunciaram redução de suas taxas e o HSBC foi o primeiro banco privado a seguir as instituições públicas, notem a importância da presença do Estado como agente regulador da economia.
Está claro que o Governo vem fazendo a sua parte e que agora cabe às instituições financeiras, e não ao governo, reduzir as margens para baratear o crédito. Nesse sentido o presidente da CNI, Robson de Andrade, disse apoiar "integralmente" a estratégia do governo na batalha contra os juros elevados.
Por que esse movimento tático do governo Dilma é importante e o que ele revela? Penso o compromisso da busca dos superávits primários, aliado à redução dos juros revela uma mudança significativa de paradigma, pois para além de qualquer dúvida o “tsunami financeiro” [1] de 2008 demonstrou que a ideia de “prosperidade para sempre”, de que os mercados e bancos capitalistas eram métodos incontestáveis para a solução dos problemas esta errada e que o capitalismo é, na realidade, uma usina de problemas, um sistema parasitário que não tem nenhum compromisso em solucionar os problemas que causa, cabendo ao Estado e aos governos comprometidos com uma sociedade e cidadãos a construção de rotas alternativas, seguras, justas e - sempre que possível - generosas.
O capitalismo, segundo Bauman, como todo parasita prospera durante certo período, desde que encontre um organismo ainda não explorado que lhe forneça alimento, mas não pode manter-se sem prejudicar o hospedeiro, destruindo quem que dá condições de prosperidade e sobrevivência. Essa é a grande mudança de paradigma. Mas a mudança decorrerá de um processo e não um ato de ruptura.
O professor Fernando Nogueira Costa, Professor Livre-docente do IE-UNICAMP, vice-presidente da Caixa Econômica Federal de 2003 a 2007, meu professor de Economia Monetária na Unicamp, lembrou que em sua intervenção durante a III Conferência Internacional Celso Furtado, em maio de 2004, lançou texto intitulado “Os Desafios da Nova Geração” onde se distingue dois programas. “O crescimento econômico, tal qual o conhecemos, vem se fundando na preservação dos privilégios das elites que satisfazem seu afã de modernização; já o desenvolvimento [econômico e social] se caracteriza pelo seu projeto social subjacente. Dispor de recursos para investir está longe de ser condição suficiente para preparar um melhor futuro para a massa da população. Mas quando o projeto social prioriza a efetiva melhoria das condições de vida dessa população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento.”, penso que é isso que se busca desde 2003, uma equação que compreenda DESENVOLVIMENTO como resultado do crescimento econômico e desenvolvimento social, da presença de políticas sociais perenes e capazes de transformar, transformar-se e evoluir com o país e através dele.


[1] A expressão “tsunami financeiro” é encontrada no Capitulo “Capitalismo Parasitário” do livro de mesmo nome de Zygmund Bauman, Ed. Zahar, de 2009.

Nenhum comentário:

Postar um comentário