segunda-feira, 26 de setembro de 2011

aprendendo com a história...


O Deputado Federal Osmar Junior do PCdoB do Piauí, que é líder da bancada comunista na Câmara dos Deputados, escreveu um artigo interessante sobre a reforma política. Esse artigo foi publicado na revista PRINCIPIOS e na conclusão ele afirma que “A ação partidária está sempre sujeita a contingências que determinam a necessidade de alianças para atingir objetivos de cada força política. (...). A História tem nos ensinado que todos os movimentos vitoriosos resultaram sempre de uma coalizão de forças políticas.”.
A conclusão do Deputado me levou a refletir sobre as “certezas” que alguns grupos políticos têm, certezas que obstam instrumentos e práticas de entendimento, certezas impedem que forças políticas se unam, juntem forças para atingir objetivos maiores, objetivos que não se atinge isoladamente. A certeza desses, acerca da sua capacidade plenipotenciária, é triste e trágica.
Campinas parece ter sobrevivido à tempestade política causada pelas medidas, necessárias, tomadas pelo Ministério Público, as quais acabaram atingindo secretários municipais, outros membros da administração e, injustamente, o então vice-prefeito Demétrio Vilagra (PT). Medidas que culminaram com a cassação do mandato do então Prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) e com Demétrio assumindo o leme da administração municipal, depois de um movimento juridicamente equivocado - patrocinado pela Câmara de Vereadores da cidade, mas que foi liminarmente suspenso pelo Juiz monocrático e confirmado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
Demétrio vem conduzindo com correção a tarefa que a História lhe reservou, e não poderia ser diferente, pois Demétrio é uma pessoa de bem, militante disciplinado, dirigente sindical de destaque, lutou pela redemocratização do país, foi inclusive cassado pela Ditadura Militar, e servidor público exemplar, seja na Petrobrás, na Fundação José Pedro de Oliveira ou na CEASA.
Demetrio fez nomeações e alterações na equipe, com destaque para o advogado Nilson Lucilio e o economista Fernando Pupo.
Nilson Roberto Lucílio foi nomeado para a Chefia de Gabinete, escolha mais do que acertada, pois Nilson sempre pode fazer boas escolhas e tem no seu currículo o fato de ter sido Secretário do Prefeito Antonio da Costa Santos e será capaz de imprimir um ritmo adequado a esse governo que o próprio Demétrio chama de “governo de transição”, uma transição que deverá ser além de democrática, orientada pelos princípios da legalidade, moralidade, publicidade, impessoalidade e eficiência.
Nomeou também Fernando Pupo para a Presidência da SANASA, ele vinha ocupando a coordenação geral do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de Campinas, o que demonstra a preocupação de Demétrio com o rigor técnico e com as boas relações institucionais com o governo federal. Fernando é economista capaz, homem de vida e honrada que traz no seu currículo ter sido vice-prefeito de Americana, SP, foi ainda candidato a vice-prefeito de Campinas em 1996 na chapa PSB/PCdoB encabeçada por Jacó Bittar, além de ter sido secretário municipal em cidades da região, sempre com competência e retidão.
Contudo, há um aspecto que me preocupa, seja como cidadão campineiro, seja como agente político ou como observador da história, qual seja: a transformação da posição ocupada na chefia do executivo em trincheira ideológica e de exclusão dos aliados com vistas às eleições de próximo ano.
Por que a preocupação? Bem, estou relendo o livro do Celso Marcondes "Em algum lugar do passado", ed. Brasil Urgente, 1ª. Edição, que trata dos conflitos políticos entre o então petista e prefeito Jacó Bittar e a direção local do PT e que culminaram numa ruptura cujas marcas e dores resistem ao tempo e existem até hoje.
Celso Marcondes “é um homem honrado”, como o qualifica Marco Aurélio Garcia na apresentação do livro, e é meu amigo faz mais de trinta anos, foi dirigente do PT em Campinas, candidato a vice-prefeito em 1.982, Presidente da legenda na cidade e artífice da vitória histórica de Jacó Bittar e Toninho em 1.988, foi também suplente de vereador na cidade e Presidente da SANASA.
Hoje Celso é diretor da revista CARTA CAPITAL e procurou no livro registrar fatos e “... fazer um balanço sério e responsável das razões da derrota.” (referindo-se à saída do PT do governo e a perda de um quadro histórico como Jacó Bittar). E afirma mais: “Não creio que dê para considerar a história encerrada no momento em que o prefeito deixa o partido, e que se ‘parta para outra’, como se muito pouca coisa tivesse acontecido. Afinal, o PT já tem dois precedentes importantes, pois das crises que culminaram com as perdas de suas primeiras prefeituras conquistadas, em Fortaleza e Diadema...”.
 Penso que todos deveriam ler ou reler para conhecer, relembrar e compreender os fatos e a história. Lá nas páginas 40 e 41 Celso escreveu: "... não havia existido esforço real do PT para compor uma frente partidária... (...). Desprezávamos possíveis alianças, partindo de dois pressupostos hoje claramente questionáveis: o tamanho diminuto de nossos possíveis aliados e a nossa crença de que só o PT era "oposição de verdade", uma auto-critica honesta, exemplo que merece ser observado por muitos.
Por que retomo esse episódio no atual contexto e a pretexto de que?
Primeiro para que não erremos novamente, afinal estamos na mesma trincheira e desejamos o bem para a cidade e para as forças políticas progressistas e segundo para que não esqueçamos que o PT em 2008 não venceu as eleições, ao contrário de 1.988 (ano em que o PT venceu as eleições praticamente sozinho, empurrado apenas pela sua militância e pelo vigor de Jacó e Toninho, como narra Celso Marcondes em seu livro) e em 2011 não houve eleições.
Essas circunstâncias não podem ser ignoradas, assim como não podem ser mitigadas e a legalidade e legitimidade do exercício do poder pelo prefeito Demétrio.

O PT volta pela terceira vez a ocupar o gabinete principal do Palácio dos Jequitibás porque fez parte de uma ampla coligação e teve o privilégio da indicação do candidato a vice-prefeito em razão da sua importância e tem hoje a missão de ajudar Demétrio a fazer o governo de transição ao qual o prefeito tem se referido.
Se em 1991 o PT não estava maduro para compreender o papel estratégico do partido e dos parlamentares e o papel tático de um seu filiado à frente do Executivo, passaram-se duas décadas e todos amadureceram.
Demétrio Vilagra tem um papel importantíssimo a cumprir, tem a tarefa de devolver à cidade e seus cidadãos a fé nas instituições e na ação e na prática política o que somente será possível através da não a transformação da administração municipal numa trincheira ideológica ou que tenha como horizonte apenas as próximas eleições e não as próximas gerações, pois como dizia minha professora de História no Vitor Meireles, a Dona Genny, “a História é a ciência dos homens no tempo e temos de aprender com ela”.

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