segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O sucesso do governo Lula segundo os tucanos.



Tenho grande respeito pelo intelectual Luiz Carlos Bresser Pereira, divergências ideológicas talvez, mas um grande respeito por alguém que escreve e publica regularmente idéias sob a forma de artigos, ensaios e os disponibiliza generosamente em seu site.
O professor Bresser Pereira recentemente argumentou que o aumento da taxa média de crescimento da economia brasileira de 3% para 5% do PIB a partir do terceiro ano do governo Lula deveu-se, em um primeiro momento, ao fortalecimento da demanda externa impulsionada por uma taxa de câmbio competitiva e pelo aumento do preço das commodities e, em um segundo momento, pelo crescimento da demanda interna provocado pelo aumento do salário mínimo, pelo Bolsa Família e pelo crédito consignado.
O professor André Singer num artigo publicado nos Novos Estudos Cebrap de novembro de 2009 cujo titulo é "Raízes ideológicas e sociais do lulismo", teria tido a felicidade, segundo palavras do Professor Bresser Pereira completado a análise, argumentando que da eleição de 2002 para a de 2006, vencidas por Lula teria havido uma mudança das suas bases de apoio.
Segundo André Singer o Governo Lula adotou uma política econômica ortodoxa e em razão da crise do mensalão, perdeu parte substancial do apoio da classe média intelectualizada e de esquerda, mas, em compensação, ganhou o apoio dos setores de baixa e, principalmente, de baixíssima renda.
Os novos apoios de Lula emergem de um imenso eleitorado formado pelas famílias que recebem menos de dois salários mínimos e que constituem quase 47% da população brasileira.
Nos primeiros quatro anos de governo, Lula logrou o apoio dessa massa popular, em primeiro lugar graças ao aumento do salário mínimo, ao Bolsa Família e ao crédito consignado a renda dessas famílias aumentou, sendo certo que significativa parcela dessas famílias teriam ascendido à condição de classe C ou de "classe média".
Mas o interessante é a análise feita pelo Professor Bresser Pereira o qual afirma que as famílias que recebem menos de dois salários mínimos são historicamente caracterizadas pelo "conservadorismo popular", tanto que elegeram Collor e FHC, pois ela, segundo o Professor Bresser Pereira, identifica a direita, com a "ordem", no caso representada pela estabilidade de preços, etc., por isso teria votado em candidatos mais conservadores nas eleições anteriores.
Mas essa significativa massa, 47% da população percebeu que Lula faz um governo no qual ela pode confiar, que é fiscalmente responsável e se mostrara capaz de manter a estabilidade de preços, além de haver estabelecido um caráter social e políticas de transferência de renda extremamente importantes para ela, tanto que mudou o seu apoio para ele já em 2006. Por esse raciocínio do Tucano Bresser Pereira podemos concluir que Dilma, comunicando-se adequadamente com a essa parcela da população torna-se uma candidata viável e fortíssima.
Lula é carismático, fala diretamente ao coração povo, e com trabalho e resultados que nem mesmo a oposição pode responsavelmente negar ganhou apoios de parcelas significativas, não apenas porque as favoreceu em termos concretos, mas também porque o fez com responsabilidade fiscal e não deixou que a inflação retornasse.
O governo Lula rompeu com o populismo fiscal irresponsável, que era o temor de tantos e constrói políticas sociais com grande responsabilidade e ao remeter projetos de lei ao Congresso Nacional busca pela via democrática, transformá-las em Políticas Públicas de Estado e não desse ou daquele governo.
O professor Bresser Pereira afirma que as decisões do Presidente Lula representam um ato de coragem, acrescento que foi decisão de um grande estadista, decisão do Presidente do Brasil e não do Presidente de Honra do Partido dos Trabalhadores, pois como me ensinou o ex-Prefeito Jacó Bittar: o chefe do executivo não pode transformar a administração pública em trincheira ideológica, esse é o papel dos partidos e, até certo ponto, do parlamento, onde todos os debates são democraticamente necessários.

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