sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Caminho de casa

Simples é pensar em descomplicar
complicado torna-se simplificar...

A simplicidade, liberdade absoluta,
busca em imagens falantes em silêncios perenes
as marcas indeléveis de almas felizes e vidas infinitas.

Mas nós humanos
seguimos errôneos
e errando sorrimos
certos da nossa importância
ignorância apenas...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

À imprensa cabe informar, com ou sem paixão, a verdade.

Assisti a entrevista do comandante Zé Dirceu no programa RODA VIVA da TV Cultura faz algumas semanas. Posso estar enganado, mas vi o ex-ministro da Casa Civil, ex-Deputado Federal, representante da geração de 1968, ser desrespeitado por alguns dos presentes e no melhor estilo inquisição espanhola e penso que ele deveria ter sido tratado com mais respeito pelos jornalistas.

Apenas para registrar a inquisição, era uma corte religiosa, era operada por autoridades da igreja, porém se uma pessoa fosse considerada herege, a punição era entregue às autoridades seculares, pois "a igreja não derramava sangue", uma hipocrisia brutal. A inquisição usava com frequencia a (i) tortura como modo de penitência e as punições variavam: da mais comum (quase 80% dos casos), que era a vergonha pública (obrigar o uso do sambenito, uma roupa de penitente, usar máscaras de metal com formas de burro, usar mordaças) até (ii) ser queimado em praça pública, quando o crime era mais grave. Havia também a morte pelo garrote (estrangulamento) que era usada para os arrependidos.

Por que a “entrevista” pareceu com a inquisição?

Ora, porque as punições da inquisição eram feitas em cerimônias públicas, chamadas autos-de-fé, que aconteciam uma vez por ano na maioria dos casos. Algumas pessoas acusavam outras por vingança, ou para obter recompensas da Coroa e alguns dos entrevistadores, especialmente o jornalista “vejaniano” Augusto Nunes, portaram-se como inquisitores e o programa foi verdadeiro auto-de-fé.

Zé Dirceu foi imolado politicamente por um congresso que estava pressionado pela opinião pública, teve seus direitos políticos suspensos por oito anos, mas não foi julgado, não foi condenado por nenhum órgão do Poder Judiciário, por isso – e isso não e pouco.

À imprensa cabe informar a sociedade, com ou sem paixão, a verdade e não apenas a versão que se lhe apresenta mais adequada aos interesses “desta ou daquela” companhia.

Edu Lobo

Edu Lobo é, na minha opinião, ao lado de Chico o maior compositor brasileiro. Sofisticado e popular. Perfeito.

http://www.edulobo.com.br/site_eng/site.html

As melhores coisas do mundo.


O filme é muito bom, surpreendemente bom. Ele traz a história de Mano, um jovem de 15 anos que, ao viver uma experiência em sua família, descobre que se tornar adulto não é tão fácil como parece.

E em meio a tantas dúvidas a respeito de relacionamentos, primeiro sexo e popularidade na escola, Mano terá que tirar as suas próprias conclusões sobre essa sua nova fase de vida.

sábado, 13 de novembro de 2010

“Capitalism: A Love Story” e o apoio de Marina a Dilma

Assisti duas vezes essa semana o documentário Capitalism: A Love Story do diretor Michel Moore. Por que duas vezes? Porque o documentário, que se propõe a discutir as razões para colapso do sistema financeiro capitalista mundial, a partir dos EUA, responde a muitas perguntas, de forma pertinente.

Penso que todos aqueles que defendem como desnecessária a regulação da economia pelo Estado deveriam assistir pelo menos umas dez vezes.

O documentario trata da política fiscal da administração Reagan (1981/89) e seus efeitos de médio e longo prazo e deixa claro que não apenas o sistema financeiro ganha, e muito, com a falta de regulação do Estado, mas a população perde muito.

A falta de regulação do Estado foi, segundo Michel Moore, o que possibilitou que as operações do sistema financeiro se tornassem muito complexas (derivativos, subprime, etc) e foi ela que deu carta branca para as grandes corporações, especialmente os bancos, lucrarem à custa do interesse público e da boa-fé o povo americano.

O documentário revela que todos aqueles que defendem o “Estado mínimo” e “marcos regulatórios simples e flexiveis” estão na realidade defendendo interesses corporativos os quais colidem com qualquer projeto de desenvolvimento econômico e humano com caracteristicas de sustentabilidade.

Depois de assistir o documentário tive certeza do apoio de Marina a Dilma nesse segundo turno das eleições presidenciais no Brasil.

Por que? Porque Marina não é cooptável, sabe que o governo Lula avançou muito em muitas áreas e que ela e o novo PV que haverá de surgir depois das eleições somente terão voz e vez com a vitória de Dilma e não com a vitória de Serra.

Por isso, e muito mais, ela não se deixará seduzir pelos neo-ecologistas do DEM e do PSDB que tanto a criticaram quando era ministra e também porque a distância entre a visão de mundo e as práticas de Marina são imensas quando as comparamos à UDN nacional que Serra representa sem constrangimento.

Há outros aspectos. Em 19 de agosto de 2009, por exemplo, quando Marina Silva anunciou sua desfiliação do PT fez questão de afirmar “…não se trata de desconstruir os frutos colhidos durante tantos anos com tantos trabalhos nas searas que plantamos dentro do Partido dos Trabalhadores…”, ou seja, não negou sua história, nem os avanços significativos do governo do qual ela foi uma das protagonistas.

Mas alguns dirão, dentre outras coisas, que Marina e Dilma são inimigas, que brigaram, etc e tal. Não penso assim, pois são duas grandes mulheres, duas grandes brasileiras que defendem suas posições com firmeza, e isso é positivo.

Bem, conheci Marina Silva em Brasilia em 2002 no inicio da cerimônia de filiação do então Senador Roberto Saturnino que naquele momento deixava PSB e filiava-se ao PT (por discordar da candidatura de Antony Garotinho à Presidência da República pelo PSB).

Como Marina estava, se não me engano, na apresentação do documentário de Lucélia Santos chamado “Timor Leste – O massacre que o mundo não viu” que aconteceu próprio Senado ela surgiu apressadamente para o inicio da cerimônia com um lindo e iluminado sorriso no rosto, transbordando generosidade. Ela recebeu como cumprimento um sorriso especialmente carinhoso do então candidato Lula, o qual estava sentado ao lado do seu futuro vice-presidente José Alencar e do Senador Roberto Saturnino.

Quem nos apresentou foi o então Deputado Luciano Zica, hoje no PV, conversamos um pouco, mas posso dizer que alguém com a luz interior de Marina não será capaz de negar sua propria história e alinhar-se àqueles que, como no documentario de Michel Moore, pretendem destruir o Estado e as conquistas da sociedade.

Sendo assim o conflito pretérito entre as ex-ministras Marina e Dilma não é impedimento substancial, até porque ele teve natureza de forma e não de mérito.

Tanto isso é verdade que a própria, que Marina Silva participou do atual governo por seis anos e meio, ao sair do governo e do PT não fez criticas substanciais nem ao governo em ao PT, e afirmou que sua decisão “… trata-se tão somente da disposiçao de, junto com outros homens e mulheres semear em outras searas.”

E como o também ex-Ministro Gilberto Gil escreveu lindamente: “(…) o amor da gente é como um grão /Uma semente de ilusão / Tem que morrer pra germinar/ Plantar n’algum lugar / Ressuscitar no chão nossa semeadura / Quem poderá fazer, aquele amor morrer/ Nossa caminha dura / Dura caminhada, pela estrada escura/ (…)”.


http://www.cartacapital.com.br/politica/%E2%80%9Ccapitalism-a-love-story%E2%80%9D-e-o-apoio-de-marina-a-dilma

Os orangotandos em Londres.

Poucos dias são tão longos
e as imagens,
as lembranças e jogos,
os caminhos seguros,
são como uma turma de orangotangos
passeando de ônibus em Londres:
improváveis...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Qual legado professor??

Deus nos deu dois ouvidos e uma boca, certo? É sinal de que devemos ouvir mais e falar menos?

Mas o Professor Bolivar Lamounier, sabidamente tucano, parece não acreditar na sabedoria popular e por isso perdeu a oportunidade de ficar calado e afirmou ao jornal “Valor” recentemente que o Presidente Lula “... se dedicou a ‘demonizar’ a gestão de Fernando Henrique Cardoso e que o PSDB não soube defender seu legado”.

Caro Professor Bolivar Lamounier, com todo respeito, não há o que ser defendido o Presidente Fernando Henrique foi um dos piores presidentes da história do Brasil e apesar dos mitos criados em torno dele a verdade é valor que triunfa.

Ademais o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ganhou “de presente” da sorte a presidência da republica, pois ela (a sorte) mais uma vez sorriu para ele (a primeira vez foi quando mesmo perdendo a eleição herdou a vaga no Senado de Franco Montoro que em 1982 foi eleito para o governo de São Paulo).

Não é demais lembrar que Fernando Henrique Cardoso tem contra si a suspeita lançada pelo Jornalista Sebastião Nery o qual afirma que FHC teria sido cooptado pela CIA e que tornou-se, financiado pela agência de informação dos EUA, um “propagandista” do american way of life, nem é sem propósito registrarmos mais uma vez que, através de artigo denominado “Carta Aberta a Fernando Henrique Cardoso” de Theotônio Costa afirma que FHC foi um fracasso como presidente em todas as áreas.

FHC e setores da midia, sempre muito simpaticos a ele (com afirma Brigitte Hersant Leoni no livro “Fernando Henrque Cardoso – O Brasil do Possível”, ed. Nova Fronteira, 1994) criaram mitos em torno dos chamados êxitos do governo tucano,os quais na verdade apenas escondem a verdade de que as premissas teóricas em que baseou a ação política eram equivocadas e contrárias aos interesses nacionais, tanto da população mais carente, quanto aos interesses do setor produtivo.

O propalado êxito econômico do governo FHC é uma falácia porque os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, todas as economias do mundo apresentaram uma queda da inflação para menos de 10%, ou seja, foi uma orientação mundial e não um fenômeno que ocorreu apenas no Brasil.

Assim como também é mentira que a política econômica de FHC teria assegurado a transformação do real numa moeda forte, pois em 1994 o real começou valendo R$ 0,85 por dólar e manteve um valor falso até 1998, mas quando foi flexibilizado o câmbio chegou rapidamente a R$ 4,00 por dólar, muito antes da chamada “ameaça petista”, pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. Professor Lamounier como uma moeda que se desvaloriza 4 vezes em 8 anos por ser considerada uma moeda forte?

Professor Lamounier o plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair a inflação em todos os países do mundo inteiro. Mas no Governo do seu correligionário a inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo.

Fernando Henrique multiplicou por 15 vezes a divida pública em oito anos. Exatamente, FHC e sua horda elevaram a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois. Isso é um caso de absoluta irresponsabilidade fiscal, talvez um recorde mundial de irresponsabilidade. E sendo isso é verdade seria essa a causa de o pessoal do PSDB preferir o ex-presidente longe de palanques e vinhetas eleitorais? Penso que sim. É um legado de patrimônio negativo esse de FHC.

O governo FHC foi um “fracasso econômico rotundo” e que a verdadeira ameaça ao Brasil, o verdadeiro caos foi FHC e é a política econômica fracassada defendida pelos tucanos, dentre eles o candidato José Serra.

PARABÉNS À OAB DE PERNAMBUCO!!

A Ordem dos Advogados do Brasil de Pernambuco (OAB-PE) protocolou ontem no Ministério Público Federal de São Paulo pedido de abertura de ação penal contra uma estudante de direito paulista por supostos crimes de racismo e incitação à prática de homicídio na internet.

Parabéns à OAB de Pernambuco e aos seus dirigentes, com quem me solidarizo e a quem apoio integralmente.

Por que? Porque o que aconteceu é surreal e uma vergonha para o sul e sudeste do Brasil. Após a eleição, a universitária teria escrito mensagens agressivas contra os nordestinos nas redes sociais Twitter e no Facebook, responsabilizando-os pela vitória da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), o que é além de tudo uma desinformação pois a futura Presidente Dilma Rousseff venceu também nas regiões Sul e Sudeste. Dilma teve nessas regiões 300 mil votos a mais que o candidato derrotado.

O conteúdo é uma vergonha para todo brasileiro, especialmente para nós das carreiras jurídicas. "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!", teria escrito ela no Twitter. No Facebook, a jovem teria afirmado: "Dêem direito de voto para nordestinos e afundem o país de quem trabalhava para sustentar os vagabundos que fazem filho para ganhar o Bolsa 171".

Às mensagens polêmicas seguiram-se mensagens de críticas e até também mensagens de concordância e apoio (o que exige reflexão de pais, educadores e dos setores ligados à comunicação social e à cultura).

Apesar de a estudante haver cancelado seu perfil nas redes sociais de relacionamento a OAB-PE conseguiu cópias das páginas com os textos e identificou a autora e com as informações, ofereceu a notícia-crime ao Ministério Público Federal. Parabéns mais uma vez à OAB de Pernambuco e aos seus dirigentes!

Estamos diante do crime de racismo, que é imprescritível e inafiançável, e tem pena prevista que varia de dois anos a cinco anos de reclusão. Racismo? Poderão questionar os leitores, mas temos que o crime de racismo não se restringe a ofensas associadas somente à cor da pele ou à etnia, mas ao segregar ou diminuir uma região, no caso o nordeste, também pode ser considerado racismo.

Não sei qual a verdadeira intenção da jovem, mas com certeza, poucos são os seres humanos que não desejam viver num mundo mais justo que o atual, penso que do pior criminoso ao mais honesto dos homens, feita esta pergunta, teríamos indiscutivelmente uma resposta em sentido afirmativo quase que unânime. Me parece que a jovem não deseja um mundo mais justo que o atual, parece desejar o mundo imaginado por Hitler.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A PRESIDENTE É MINEIRA, TCHÊ!

Como em 2002, quando a esperança venceu o medo, agora a verdade venceu a mentira e a Mineira Dilma Rousseff, que escolheu o Rio Grande do Sul para recomeçar a sua vida depois de sua luta heróica contra a ditadura militar, venceu as eleições.

Dilma é a 40ª. Presidente do Brasil, a primeira mulher eleita para a Presidência da República no Brasil e a 11ª. da America do Sul, ela foi eleita embalada no prestigio do Presidente Lula, e pela vontade popular que reconheceu nela alguém capaz de dar continuidade e aprofundar as Políticas Sociais em curso dando a elas caráter de Política de Estado com responsabilidade fiscal, social, política e, fundamentalmente com respeito à Democracia, essa a maior conquista da sociedade brasileira.

E ouvi-la ontem agradecendo ao povo brasileiro pela alegria da vitória e estendendo a mão à oposição foi um momento rico em revelações do acerto do voto da maioria da população brasileira.

Dilma falou em igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, reafirmou a necessidade de valorização da democracia em “toda sua dimensão”, com destaque à paz social, à liberdade de imprensa, à liberdade religiosa, ao respeito à Constituição Federal, combate à fome, luta pela inclusão social, através da erradicação da miséria e pediu ajuda de todos os partidos para que a reforma política valorize os valores republicanos.

E deu um recado “não haverá compromisso com o erro, o desvio e o mau feito”, avisou que será rígida com o interesse público.

A nossa Mineira Presidente afirmou que fará todos os esforços no sentido de melhorar os gastos públicos, pois o povo não aceita a inflação como solução irresponsável para solução da economia.

Afirmou corretamente que o povo não aceita gastos irresponsáveis, mas alertou que os programas sociais e os investimentos seguirão em busca de desenvolvimento econômico e social, com respeito ao meio ambiente, por exemplo.

E Dilma sabe como: através das políticas sociais, através da geração de riqueza.

Penso que as políticas sociais de transferência de renda, segurança alimentar, combate à pobreza e a ampliação de canais de participação popular, ao lado de uma política de necessário investimento do Estado em obras de infra-estrutura e no setor produtivo foram marcas do governo Lula e seu legado ao governo Dilma, tudo com responsabilidade fiscal e social.

Acredito como o Professor Theotônio Costa , que o “plano real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro.” e que no governo FHC “A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo...” um tempo em que o real foi uma moeda aviltada e a população iludida criminosamente, um período e que se mantinha artificialmente valorizado o real para depois desvalorizá-lo violentamente, por isso também a responsabilidade da futura Presidente é enorme, afinal o Governo Lula manteve com genuína responsabilidade a estabilidade econômica e o fez com inegável responsabilidade fiscal e com um viés que encantou o mundo: a responsabilidade social.

A futura Presidente participou de um governo que reverteu uma situação caótica herdada do governo FHC, ela começará seu trabalho com reservas cambiais e com o chamado risco Brasil em condições fantásticas.

O setor exportador brasileiro, mesmo com a espetacular desvalorização do real não conseguia recursos em dólar para pagar a dívida, por quê? Porque FHC e o pessoal da neo-UDN, aliado à sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, ligava nossas exportações a uma economia decadente, e 2008 mostrou isso ao mundo.

Lula retomou a promoção de uma política industrial de Estado, na qual o setor produtivo passou a saber que há políticas públicas confiáveis de apoio e orientadora das nossas exportações.

O Estado voltou a realizar investimentos em obras de infra-estatura, geradora de trabalho, emprego e renda, o Governo Lula fez isso mesmo sem poder contar com os enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras pelo governo anterior, valor que teria sido usado para “diminuir” uma dívida pública que nos anos FHC inexplicavelmente saiu de 60 bilhões para 850 bilhões de dólares . Muito triste lembrança aquele tempo em que os neo-liberais e os neo-udenistas, disfarçados de social-democratas e de democratas, davam as cartas.

Dilma falou também na necessidade de qualificar o desenvolvimento econômico e que isso envolverá trabalhadores e empresários, exatamente como prevê a constituição federal , declarou que lutara pelo fim da guerra cambial que ocorre no mundo e que investimentos e investidores são bem-vindos, mas que o Brasil continuará atuando fortemente nos fóruns internacionais para que o capital seja uma força verdadeiramente do bem e responsável e não de poucos.

Estou otimista,pois conheço a sabedoria das mulheres na condução justa e generosa de suas famílias e penso que num Brasil de irmãos era o momento de uma mulher nos trazer a visão sua visão de mundo.

domingo, 31 de outubro de 2010

A Dilma não brinca.

A Dilma não brinca. O primeiro discurso não foi de festa, já pareceu um discurso de trabalho, com um certo detalhamento técnico, além do indispensável conteúdo político. Está pintando uma Margaret Thatcher de esquerda!

sábado, 30 de outubro de 2010

Inferno astral do espião criador de mitos.

Primeiro o Jornalista Sebastião Nery afirma que FHC teria sido cooptado pela CIA e que tornou-se, financiado pela agência de informação dos EUA um “propagandista” do american way of life e agora através de artigo denominado “Carta Aberta a Fernando Henrique Cardoso” de Theotônio Costa / afirma que FHC foi um fracasso como presidente em t.odas as áreas


O artigo trouxe à reflexão argumentos cujo mérito não possuo competência técnica para avaliar o artigo, mas me parece bastante razoável e oferece interessantes elementos de reflexão.

O Professor Theotônio inicia seu artigo afirmando que a “Carta Aberta” de Fernando Henrique Cardoso ao Presidente Lula é uma espécie de peça de ficção, pois - de forma sarcástica - diz que se os argumentos de FHC não fossem pura ficção ele não teria saído “... do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação.”.

Ele claramente afirma que o sucesso do período FHC é puro mito, recriação a história, diz ainda que o governo do tucano foi eloquente, mas sem substância, seria, enfim, na realidade um enorme fracasso.

E diz que foram criados mitos em torno dos chamados êxitos do governo tucano,os quais na verdade, segundo ele, tentar esconde a verdade de que as premissas teóricas em que baseou a ação política eram equivocadas e contrárias aos interesses nacionais, tanto da população mais carente, quanto aos interesses do setor produtivo.

O primeiro mito seria de que o governo FHC foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos e isso seria uma grande mentira.

Mentira porque os “ ... dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, todas as economias do mundo apresentaram uma queda da inflação para menos de 10%.”.

Ainda segundo o Professor Theotônio também é mentira que a política econômica de FHC teria assegurado a transformação do real numa moeda forte, pois em 1994 o real começou valendo R$ 0,85 por dólar e manteve um valor falso até 1998, mas quando foi flexibilizado o câmbio chegou rapidamente a R$ 4,00 por dólar, muito antes da chamada “ameaça petista”, pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. Por isso nos pergunta o Professor: “Ora, uma moeda que se desvaloriza 4 vezes em 8 anos por ser considerada uma moeda forte?”

E conclui afirmando que o plano Real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o governo FHC.

Segundo mito diria respeito ao governo FHC ser um “exemplo de rigor fiscal”.

E pergunta: Como “... um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal?”, se isso é verdade de fato me parece que houve um significativo descontrole fiscal próximo ao caos. Seria essa a causa de o pessoal do PSDB preferir o ex-presidente longe de palanques e vinhetas eleitorais.



O terceiro mito criado por FHC diz respeito à causa da dificuldade do Brasil pagar sua dívida externa, que seria, segundo o ex-presidente, decorrente da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Isso seria uma mentira grande, pois já em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido todas as suas divisas, obrigando a nação a curvar-se frente aos EUA e ao FMI.

FHC também teria fracassado na tentativa de aumentar as exportações do país para gerar divisas para pagar esta dívida e a recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações geraram um endividamento interno colossal.

Outro aspecto que o Professor Theotônio levanta diz respeito à não realização de investimentos públicas, apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras, fato que ao lado da taxa de juros altíssima inviabilizava competitividade de qualquer empresa nacional.

E conclui dizendo que o governo FHC foi um “fracasso econômico rotundo” e que a verdadeira ameaça ao Brasil, o verdadeiro caos foi FHC e é a política econômica fracassada defendida pelos tucanos, dentre eles o candidato José Serra.

A luta contra o patrimonialismo

É público e notório o fato de o Poder Executivo nomeiar para cargos em comissão pessoas de qualificação questionável para atender interesses de seus aliados do Legislativo, dos Partidos Politicos e até, pasmem, do Judiciário, essa é uma prática reveladora do viés patrimonialista que reina na Política brasileira, o fato mais recente esta relacionado ao uso de passagens de forma imoral por parlamentares do congresso nacional.
Vale a pena reprisar o tema e relembrar que o patrimonialismo é a característica de um Estado atrasado e que não possui distinções entre os limites do público e os limites do privado.

O patrimonialismo, comum em praticamente todos os absolutismos, mantêm-se em sociedades de atrasadas e sem clara noção do que é interesse público, o triste é que parlamentares em tese progressistas, como Fernando Gabeira, confessam-se “vitimas” dessa confusão entre o público e o privado, ou o ex-Presidente do STF Gilmar Mendes sempre às voltas com essa confusão.

A luta pela derrota do patrimonialismo é a luta dessa geração.

 
Por que?Porque como o termo sugere, no Estado patrimonialista as suas instituições e estruturas acabam se tornando um patrimônio de seu governante, das suas autoridades, como no passado em que monarca gastava as rendas pessoais e as rendas obtidas pelo governo de forma indistinta, ora para assuntos que interessassem apenas à seu uso pessoal (compra de passagens, por exemplo), ora para assuntos de governo (como a construção de uma estrada) isso ainda acontece.

Há quem afirme que essa prática se instaurou na Europa através dos germanos que invadiram Roma. Os romanos tinham por característica a república, forma onde os interesses pessoais ficavam subjugados aos da república, mas os bárbaros vindos da Germânia, que aos poucos foram dando forma ao Império decadente, tinham o patrimonialismo como característica, onde o reino e suas riquezas eram transmitidas hereditariamente, de forma que os sucessores usufruiam dos benefícios do cargo, sem pudor em gastar o tesouro do reino em benefício próprio ou de uma minoria, sem prévia autorização do senado.

Acredito que o fato desses traços de patrimonialismo estarem sendo divulgados, possibilitando uma reação de repúdio e indignação da sociedade terá como reflexo o apaerfeiçoamento institucional, o progresso cidadão necessário à construção de espaços públicos respeitáveis e respeitados

domingo, 17 de outubro de 2010

Mundo


 
Sair de mim voar para além do mundo
Sair do mundo e explorar enfim o mundo
Sair por ai e encontrar novamente todo mundo
Sair em sorrisos livres
Descobrir caminhos novos nos sorrisos francos
Voltar para casa tranquilo
e encontrar você Celinha

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

LIBERDADE ARTISTICA.

Não. A liberdade de expressão não pode ser censurada, ao contrário do que afirma o I. Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seção São Paulo, Doutor Luiz Flávio Borges D’urso, em artigo publicado no CONJUR . Penso que a liberdade é um dos princípios pelos quais um Estado democrático se legitima, é através dela que se assegura a liberdade de expressão aos cidadãos e respectivas associações, principalmente no que diz respeito a quaisquer publicações que estes possam pôr a circular, por isso ela deve ser sempre preservada.

E não é só, pois a exemplo das constituições democráticas contemporâneas, a Constituição Federal de 1988 proíbe qualquer espécie de censura, seja de natureza política, ideológica ou artística (art. 220,§2°).

Com todo respeito é necessário afirmar que do ponto de vista do direito constitucional, o que o Dr. D’Urso chama de limites é na realidade censura, pois censura é todo procedimento do Poder Público visando a impedir a livre circulação de idéias contrárias aos interesses dos detentores do Poder Político. Vale dizer, o Estado estabelece previamente uma tábua de valores que deve ser seguida pela sociedade. Os censores oficiais aniquilam qualquer manifestação diferente da ideologia do Estado, o que é inaceitável.

Acredito que mesmo diante de abusos não é adequado imaginarmos qualquer forma de censura prévia a qualquer, artista, veículo ou profissional, o papel de punir os excessos e abusos é do Poder Judiciário.

Os quadros de Gil Vicente na Bienal de São Paulo são exemplo disso, pois se a Constituição Federal proíbe a censura, qual lei que não fosse inconstitucional autorizaria uma censura prévia à obra do artista citado?

E afirmar que a obra de Gil Vicente tipificaria algo como a apologia ao crime, hipótese legal que é tratada no Código Penal Brasileiro quando cuida dos crimes contra a paz pública é além de interpretação equivocada do artigo 287, tratar a sociedade como incapaz de compreender o sentido alegórico e metafórico que os quadros apresentam.

Segundo Edilsom Farias, Mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília-UnB, Doutorando em Direito Constitucional pela Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC, Professor da Universidade Estadual do Piauí -UESPI e Promotor de Justiça, há uma inegável antinomia entre censura e democracia, ou nas suas palavras: “Como é fácil ver, democracia e censura são termos antitéticos, antagônicos, inconciliáveis. A democracia é inconciliável com a censura porque a censura obsta o regular funcionamento da democracia. É que a das condições essenciais para o funcionamento da democracia é a livre circulação de idéias, opiniões, fatos e o pluralismo político, ideológico e artístico. E a censura é uma imposição autocrática e unilateral de idéias e opiniões. E a instituição do monopólio político, ideológico e artístico na sociedade, conforme observou-se durante amarga experiência de regime de censura imposto pela ditadura militar, que até recentemente vigorou em nosso País. Aliás, cumpre evocar que a censura está sempre aliada aos regimes autoritários e antidemocráticos. Assim, por violar um direito dos mais caros ao homem, a liberdade de expressão e informação (hoje considerada uma instituição fundamental para o funcionamento da democracia), a censura torna-se incompatível com a democracia.” .

Por isso tudo acredito que a garantia da liberdade artística abrange não apenas a atividade artística, mas também a apresentação e divulgação da obra de arte e, havendo excessos é o judiciário que cuidará da necessária reparação, mas nunca deve ser tolerada a censura prévia.

domingo, 26 de setembro de 2010

MIS-Campinas pede socorro!... por Luiz Antonio de Almeida *

Recentemente, uma amiga do orkut, Cláudia Beraldo, enviou e-mail pedindo que eu votasse contra a mudança do Museu da Imagem e do Som de Campinas, de sua sede no Palácio dos Azulejos para sabe-se lá onde...

Parece que o poder público quer transformar o prédio histórico numa espécie de sala de recepção, ou coisa que o valha.

A intenção, obviamente, se justifica: o edifício é deslumbrante. Prefeitura de qualquer cidade teria orgulho em possuir um salão nobre ou sala de recepção num palácio desses. Contudo, dizer que o MIS-Campinas, para justificar o “despejo”, não atrai público suficiente, é uma tremenda injustiça. Museu não é estádio de futebol. Cultura poderia até ser produto de “massa”, mas não é. Cultura é algo a ser trabalhado, de resultados demorados, porém permanentes. Vejamos o Louvre. Milhares de pessoas visitam esse museu diariamente. E isso não se alcançou em 10 ou 20 anos, mas, sim, depois de 200 anos dedicados a transformá-lo no que ele é. O governo francês, desde os tempos de Napoleão, entendeu que a instituição seria exatamente a resposta ao mundo, à posteridade, à civilização ocidental, da importância que a França representava. E Campinas?
Palácio dos Azulejos, tesouro arquitetônico de Campinas, construído em 1878 e atual sede do Museu da Imagem e do Som. (03)

Daqui do Rio de Janeiro, só ouço falar de Campinas quando o assunto está relacionado à Unicamp ou às duplas “Chitãozinho e Xororó” e “Sandy e Júnior”, ilustres residentes da cidade. E é só. Campinas, em termos de projeção junto à cultura nacional, poderia ter papel altamente significativo. Não tem. E uma prova de que tal situação possivelmente se perpetuará é o fato de um museu importantíssimo como o MIS-Campinas, de uma hora para outra, ser ameaçado pelo próprio poder público! Ao invés de se “pensar” o MIS, procurar entender suas dificuldades, carências... Não, o negócio é “remover”. Pra quê um prédio tão bonito abrigando tanta “velharia”?... Quer coisa mais absurda que no Estado de São Paulo, em pleno ano de 2010, uma prefeitura compreenda a cultura de sua cidade dessa maneira? É certo que o palácio transformado em sala de visitas do prefeito receberá as melhorias de que tanto precisa. Mas não é assim que a coisa deve funcionar. Isso é uma covardia com o pessoal do museu, com a memória de Campinas. Ou seja: para abrigo de futuros regabofes entre correligionários e palco das vaidades do alcáide falastrão, certamente o dinheiro aparecerá, o prédio será restaurado. Mas para a preservação do patrimônio histórico da cidade, nada.

O campineiro Antonio Carlos Gomes, autor da célebre ópera “Il Guarany” e primeiro compositor brasileiro a alcançar fama internacional. (01)

Sabemos que Carlos Gomes, o maior nome da música erudita brasileira, no século XIX, nasceu em Campinas. E daí? O que Campinas tem feito pela memória de Carlos Gomes, hoje? Onde estão, por exemplo, a “Medalha Carlos Gomes”, o “Festival Carlos Gomes”, o “Prêmio Carlos Gomes”?... Não estão em lugar nenhum! Simplesmente, não existem!... Fico pensando em Gramado (RS), com seu festival de cinema, Parati (RJ), com a Flip, sua feira literária, eventos de projeção internacional. Mas isso dá trabalho, não se faz de um dia para o outro, de uma gestão administrativa para outra... Há, ainda, o exemplo de Santa Rita do Passa Quatro, no interior de São Paulo, que aproveitou uma estação de trem desativada e a transformou num museu com o nome de Zequinha de Abreu, compositor nascido na cidade e autor do famosíssimo chorinho “Tico-tico no fubá”. Esse museu é uma das pérolas de Santa Rita.

Museu Histórico e Pedagógico Zequinha de Abreu. Na foto, a família: Ana Caroline Abreu de Almeida Stringuini Bernardo (criança), Hilda Abreu de Almeida, Dirce de Abreu (filha de Zequinha) e o Professor Carlos del Bel, então diretor da instituição. Santa Rita do Passa Quatro, São Paulo, 1986. (02)

Em 1926, nos primeiros dias de julho, o compositor Ernesto Nazareth, em turnê por algumas cidades de São Paulo, chegou a Campinas, ali se apresentando no Club Campineiro (por duas vezes), no Club Semanal de Cultura Artística e no Centro de Sciencias, Letras e Artes, perfazendo, portanto, um total de quatro recitais públicos. Quanto às audições particulares, certamente foram em bom número, pois só retornou à capital paulista entre 19 e 22 de agosto, levando, consigo, além das melhores impressões, dois pequenos álbuns com dez primorosos cartões-postais em cada, retratando o Largo Carlos Gomes e coreto, a Praça José Bonifácio, a Escola Normal, a Rua da Conceição, Monumento Ruy Barbosa, Rua Andrade Neves, 4º Grupo Escolar, a Catedral, o Clube Campineiro, a Rua Barão de Jaguará, a estátua de Carlos Gomes, a Rua Treze de Maio e a Igreja Matriz da Santa Cruz.

Três recordações de Ernesto Nazareth, datadas de 1926: programa, fotografia tirada por Valério Vieira (SP) e convite. (02)
Ernesto Nazareth dedicou a dois amigos de Campinas, o dentista Numa Corrêa de Carvalho e sua esposa Effe, uma de suas obras primas, o “Nocturno nº 1”, que pode ser ouvido na magistral interpretação de Alexandre Dias, acessando o link: http://sovacodecobra.uol.com.br/2010/06/noturno-op-1/

A terra que testemunhou o francês Hércules Florence realizando as experiências que projetariam seu nome entre os pioneiros da fotografia universal; Carlos Gomes, primeiro e único a levar histórias de nossos índios e negros aos palcos da Europa, por meio de suas óperas; Alexandre Levy, outro músico erudito, precursor no recolhimento de temas populares, especificamente o “Samba”, e perpetrando-os em partitura, isso em 1890... Que pena! Que descaso!... Cidade sem passado é cidade sem futuro. Não que Campinas vá desaparecer do mapa. Porém, conhecendo bem esse filme, que não é de ficção, mas de terror, vejo Campinas sendo transformada em mais uma daquelas cidades sem história, sem tradição, “sem alma”, anunciada pelos telejornais como “cidade-satélite” da megalópole São Paulo ou, o pior de todos os pesadelos: a transformação de Campinas numa espécie de “cidade-terminal ferroviário”.

Futura sede do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Praia de Copacabana, mais importante cartão-postal do Brasil. Maneira inteligente de se governar, com respeito à memória de uma cidade e à MPB. (03)

* Pesquisador da Música Brasileira



Fontes:

01 - Carlos Gomes por Arthur Anglada Lucas, Museu dos Teatros, RJ;

02 - Coleção Luiz Antonio de Almeida, Rio de Janeiro;

03 - Imagem disponibilizada pela Internet.




sexta-feira, 24 de setembro de 2010

SOBRE A LIBERDADE DE IMPRENSA.

As recentes manifestações do Presidente Lula acerca da liberdade de imprensa, pela qual ele lutou muito mais que muitos jornalistas e empresários da mídia corporativa, estão sendo objeto de oportunista interpretação e utilização por partidos e candidatos oposicionistas e merece reflexão.

Não é razoável imaginar que um democrata, com belíssima trajetória pessoal e política, como o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja, por qualquer viés, contrário à liberdade de expressão, à liberdade de informação e à liberdade de imprensa, quem afirma isso é, no mínimo, um incauto.

A Liberdade de imprensa é um dos princípios pelos quais um Estado democrático, é através dela que se assegura a liberdade de expressão aos cidadãos e respectivas associações, principalmente no que diz respeito a quaisquer publicações que estes possam pôr a circular, por isso ela deve ser sempre preservada.

Mas devemos analisar o tema da liberdade de imprensa com responsabilidade, nessa linha é oportuno citar o constitucionalista José Afonso da Silva que apresenta um diferente ponto de vista no tocante à liberdade de informação, segundo ele, "A liberdade de informação não é simplesmente a liberdade do dono da empresa jornalística ou do jornalista...” .

Segundo o prestigiado constitucionalista a liberdade dos donos das empresas jornalísticas “... é reflexa no sentido de que ela só existe e se justifica na medida do direito dos indivíduos a uma informação correta e imparcial.”.

E sendo a liberdade dos donos das empresas jornalísticas é apenas reflexa, por isso em havendo incorreção nas informações ou imparcialidade nelas não há que se falar liberdade, pois seria um absurdo chamarmos de liberdade o abuso de um direito e o desprezo ao dever de informar.

Mas mesmo diante de abusos não é adequado imaginarmos qualquer forma de censura prévia a qualquer veículo ou profissional, o papel de punir os excessos e abusos é do Poder Judiciário. O que o Presidente Lula fez foi exercer seu direito à liberdade de expressão, de opinião, de chamar atenção para a possibilidade do abuso, para a possibilidade de incorreção de informações, para a possível parcialidade de alguns veículos de comunicação na narrativa de alguns fatos, em momento algum ele negou a liberdade de imprensa, a liberdade de informação ou a liberdade de expressão.


E nessa linha talvez Lonardo Boff tenha tido a lucidez de sintetizar onde reside de fato o núcleo do conflito quando afirmou que "No entrevero entre Lula e a mídia comercial vejo que se trata de uma questão de classe: Lula deve ser só operário, nunca presidente, pensam.", ou seja, é possível que os donos das empresas jornalisticas, em alguma medida, tenham optado pela candidatura de José Serra, que o tempo transformou num liberal conservador, caracteristica que talvez seja mais adequada aos interesses corporativos desses homens de negócio, ao invés de manterem-se fieis à informação correta e imparcial.


Penso que caberia às grandes empresas jornalisticas ainda o direito de assumir publicamente a candidatura de José Serra, como fez honestamente a revista CARTA CAPITAL, mas a opção foi pela dissimulação, pela apresentação de posicionamentos e opiniões como se fossem informações, que chega a ser imoral.


Se por um lado os cidadãos tem o direito à informação, os jonalistas tem o direito/dever de acesso às fontes de informação e de obtê-la, cabe aos donos das empresas jornalisticas, assim como aos jornalistas, o direito/dever fundamental de exercer sua atividade, sua missão (que tem munus público na minha opinião), com honestidade.


Os veículos de comunicação tem o direito/dever de informar a sociedade acerca de acontecimentos e idéias, mas sobre isso deve ocorrer objetivamente, sem alterar-lhes a verdade ou esvaziar-lhes o sentido original, do contrário não será informaão, mas deformação.


Ou, noutras palavras, o lberdade de informação da imprensa traz consigo os deveres correlatos de responsabilidade e ética e de informar a sociedade de modo objetivo, sem alteração da verdade. Qualquer violação a esses deveres torna abusivo o exercicio da atividade jornalistica, foi apenas isso que o Presidente Lula disse, nada além disso.


Há ainda o dever constitucional dos veículos de comunicação de bem informar, o que implica na divulgação de fatos de interesse público, que envolvam pessoas públicas, coletividades e que sejam úteis e tratem do funcionamento das instituições fudamentais, sem deformações, sem edições que transformem a "informação" em "opinião" travestida de informação. Ou então que deixem claro que se trata da posição do veículo ou do jornalista, sua interpretação e compreensão, o que é legitimo. Acredito que o abuso esteja em não dizer com honestidade o que é informação e o que é a opinião.


Não tenho nenhuma dúvida que todos os assuntos relacionados ao funcionamento das instituições politicas gozam de certa presunção de interesse público a nortear-lhes a existência, mas é necessário ao jornalismo sério manter-se leal aos principios que fundamental essa atividade, especialmente quando apresentam informações com forte carga de critica aos atos dos agentes públicos, especialmente porque os atos dos agentes públicos também gozam de presunção de estarem inspirados pelo interesse público e esse aspecto é esquecido lamentavelmente.


A presunção de que os atos dos agentes públicos observam o interesse público decorre do disposto no artigo 37 da Constituição Federal, o que consagrou principios com a impessoalidade, moralidade e legalidade na conduta dos agentes públicos, nessa linha de raciocinio correta a afirmação de que "A liberdade de informação atende ao interesse público de fiscalizar os atos dos agentes governamentais', como assevera o professor Boaventura Santos.


Mas onde está o né? Bem, durante as eleições de 2008, na condição de advogado, tive a oportunidade de uma defesa em processo eleitoral denunciar a utilização do Poder Judiciário e a midiatização do fato para fins-politico eleitorais.


Como isso acontece? Bem, através da denuncia desmedida e da sua judicialização, seguida da midiatização imediata.


É necessário esclarecer que a judicialização da politica ocorre quando a relações entre o sistema judicial e o sistema politico atravessam momentos de tensão; há judicialização da politica sempre que os tribunais, no desempenho normal das suas funções, afetam de modo significativo as condições da ação politica, penso que no BRasil a judicialização é grandemente de responsabilidade da classe politica que tem se mostrado incompetente.


Mas é de se registrar que o excesso de judicialização pode conduzir à polititização da justiça, que é muito ruim, pois como ensina o Sociólogo Português Boaventura Santos ela pode comprometer a harmonia entre os poderes e a própria democracia e o quadro se agrava muito quando a midia não se mantém imparcial, altiva e ética.


Esse fato, segundo o Professor Boaventura, pode ocorrer por duas vias principais: uma, de baixa intensidade, quando membros isolados da classe política são investigadores e eventualmente julgados por atividades criminosas que podem ter ou não a ver com o poder ou a função que a sua posição social destacada lhes confere, o que é, na minha maneira de ver, positivo.



Mas há outra espécie de judicialização, a de alta intensidade, que ocorre quando parte da classe política, não se conformando ou não podendo desenvolver a luta pelo poder pelos mecanismos habituais do sistema político democrático, transfere para os tribunais os seus conflitos internos através de denúncias, nem sempre consistentes, seguidas da espetacularização o fato através da sua midiatização.


Isso na prática representa a renuncia ao debate democrático e uma opção elitista, pois desloca para o Poder Judiciário e para a mídia falsos conflitos e falsas crises, com um único objetivo: a manipulação da opinião pública com propósitos eleitorais.


Afinal não se pode desconsiderar a repercussão político-eleitoral que qualquer fato passa a ter a partir do momento em que uma simples denuncia é divulgada pela imprensa, antes mesmo de ser apreciado pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário.


O objetivo dessa tática antidemocrática (renunciar ao debate democrático e judicializar e midiatizar todos os fatos) é obter, através da mídia, a exposição negativa do adversário, qualquer que seja o desenlace, para enfraquecê-lo ou mesmo liquidá-lo politicamente, algo no mínimo questionável sob o ponto de vista ético e democrático.


O Professor Boaventura Santos afirma que no momento em que ocorre judicialização de alta intensidade a classe política, ou parte dela, renuncia ao debate democrático e transforma a luta política em luta judicial e tudo fica muito pior quando se visualiza prováveis joint ventures entre membros da classe política, e de empresas jornalísticas.


Penso que não é fácil saber o reflexo do impacto da judicialização e midiatização de fatos políticos (que passam a ser vistos como fatos judiciais) no sistema político, no sistema judicial ou na sociedade, mas seria possível afirmar que isso “... tende a provocar convulsões sérias no sistema político” e na própria sociedade.


A midiatização da política busca transportar fatos da plácida obscuridade dos processos judiciais para a trepidante ribalta midiática dos dramas espetaculares. É assim que se constrói o debate democrático?


E essa transformação é problemática devido às diferenças entre a lógica da ação midiática, dominada pela instantaneidade, e a lógica da ação judicial, dominada por tempos processuais lentos.


É certo que tanto a ação judicial como a ação midiática partilham o gosto pelas dicotomias drásticas entre ganhadores e perdedores, mas enquanto o primeiro exige prolongados procedimentos de contraditório e provas convincentes, a segunda dispensa tais exigências. Em face disto, quando o conflito entre o judicial e o político ocorre na mídia, estes, longe de ser um veículo neutro, são um fator autônomo e importante do conflito capazes de influenciar a vontade popular.



quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Sorrisos

Pertinho de casa
tem coisas lindas
flores e caminhos
pessoas e sorrisos
pertinho de casa tem um ipê
eu gosto muito dele sorrindo.
 
Há o sorriso do Ipê,
mas há sorrisos de todo tipo
sorrisos grandes
sorrisos pequenos
alguns distraidos
outros atentos
há sorrisos mensagem.

Um sorriso especial
invisível
é o sorriso do coração
anjos têm esse sorriso
são presentes generosos
nos trazem mensagens,

lançam sementes
e seus sorrisos ingênuos
orientam a nau.
seus gestos e afagos
alcançam a alma...

pbmn, 22/09/2010

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO: TRAIDOR E CORRUPTO?

Não é exatamente um segredo que após a 2ª. Guerra Mundial a CIA passou a financiar artistas e intelectuais de direita, mas o que eu não sabia, confesso que nem desconfiava, é que a CIA também financiou personalidades de centro e de esquerda, num esforço de cooptação e para afastar esses intelectuais do comunismo e aproximá-los do American way of life, mas essa é a conclusão de Frances Stonor Sauders, formada em Oxford em 1987 e residente em Londres, no seu livro “Quem pagou a conta? A CIA na Guerra fria da Cultura”, ed. Record. Terminei de ler o livro faz algumas horas.

O livro é muito interessante e desmascara a Fundação Ford, dentre outras, e, é possível que tenhamos a descobrir que Fernando Henrique Cardoso, e muita gente mais, se corrompeu, vendeu-se à CIA por um punhado de dólares. Isso porque a autora detalha que a CIA promoveu congressos culturais, exposições e concertos, bem como as razões que levaram os EUA a estimular a publicação e tradução naquele país de autores alinhados com o governo americano a patrocinar arte abstrata, como tentativa de reduzir espaço para qualquer arte de conteúdo social.

Noutro livro, que ainda não li, mas tomei contato com o overview, chamado "Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível", da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni (Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha), há a seguinte narração: "Numa noite de inverno do ano de

1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil dólares. Nasce o CEBRAP". Esta história estaria contada na página 154 do citado livro de Brigitte Hersant e somada à densa pesquisa da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders nos revela que possivelmente o Brasil tenha sido governado por oito anos por um intelectual corrupto, cooptado pela CIA em fevereiro de 1.969, e quem "pagava a conta" de Fernando Henrique e do seu CEBRAP era a CIA, através da Fundação Ford.

E não se pode esquecer que em dezembro de 1968 a ditadura havia lançado o AI-5 e jogado o Brasil no máximo do terror do golpe de 64, desde o início financiado, comandado e sustentado pelos Estados Unidos.

E enquanto centenas de cassações e suspensões de direitos políticos estavam em curso, com prisões lotadas, Fernando Henrique recebia da poderosa e notória Fundação Ford a primeira parcela de 145 mil dólares para fundar o CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) de um total de quase 1 milhão de dólares.

O jornalista Sebastião Nery afirma que “Os americanos não estavam jogando dinheiro pela janela. Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando sua grana. Com o economista chileno Faletto, Fernando Henrique havia acabado de lançar o livro "Dependência e desenvolvimento na América Latina", livro que tenho e li faz algum tempo, no qual os dois defendem a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes, ou alinhados, aos países mais ricos. Como os Estados Unidos.

Cheio da grana, fruto da venda de sua alma, Fernando Henrique logo se tornou uma "personalidade internacional" e passou a dar "aulas" e fazer "conferências" em universidades norte-americanas e européias. Era "um homem da Fundação Ford", ou melhor, da CIA.

E o que era a Fundação Ford? Uma instituição a serviço da CIA, um dos braços da CIA, o serviço secreto dos EUA, esse foi o Presidente do Brasil? Enfim, um intelectual corrupto.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A DECADÊNCIA INTELECTUAL DE FERNANDO HENRIQUE


Um dos primeiros intelectuais que eu ouvi “ao vivo” foi o então sociólogo Fernando Henrique Cardoso. Esse fato deu-se em 1.982 na PUC-SP na abertura do V ENED – Encontro Nacional de Estudantes de Direito. Fernando Henrique, que ainda não era FHC, ao lado de Hélio Bicudo empolgou a todos nós falando sobre a necessidade e importância do movimento estudantil para o sucesso do processo de redemocratização.



Fernando Henrique, segundo o próprio Lula numa entrevista histórica à revista PLAYBOY, era lado de Jacó Bittar e do sociólogo Chico Oliveira, um dos mais entusiasmados com a criação de um partido político que rompesse com a lógica elitista da política tradicional de direita e também com os dogmas dos históricos partidos de esquerda para construir-se a partir das experiências tão próprias dos trabalhadores urbanos, dos intelectuais engajados e do movimento popular.



Eu gosto de pensar que a visão deles naquele momento era como a de Bergson, que acreditava na vivência com um valor de importância transformadora, assim como a educação formal. E o filosofo espanhol Garcia Morente dá um exemplo, do qual gosto muito, para ilustrar isso, ele diz: “Uma pessoa pode estudar minuciosamente o mapa de Paris; estudá-lo muito bem; observar um por um os diferentes nomes das ruas; estudar suas direções; depois pode estudar os monumentos que há em cada rua; pode estudar os planos desses monumentos; pode revistar as séries das fotografias do Museu do Louvre, uma por uma. Depois de ter estudado o mapa e os monumentos pode este homem procurar para si uma visão das perspectivas de Paris mediante uma série de fotografias tomadas de múltiplos pontos. Pode chegar dessa maneira a ter uma idéia bastante clara, muito clara, claríssima, pormenorizadíssima, de Paris. Semelhante idéia poderá ir aperfeiçoando-se cada vez mais, à medida que os estudos deste homem forem cada vez mais minuciosos; mas sempre será uma simples idéia. Ao contrário, vinte minutos de passeio a pé por Paris são uma vivência.”.



Mas Fernando Henrique, intelectual que eu ouvi em 1.982 e que dois anos antes se animava ao lado de Lula e Jacó Bittar (os dois maiores expoentes do sindicalismo brasileiro dos anos 80), não existe mais e isso ficou claro especialmente depois de suas recentes declarações, reveladoras de triste decadência.



Suas declarações o aproximam da velha UDN e decreta, penso, o fim do PSDB como possibilidade de ser o representante da social-democracia no Brasil e na América Latina.



Por quê? Ora, o debate político nesse processo eleitoral vai deixando cada vez mais claro uma espécie de udenismo de setores PSDB, exemplo disso é a entrevista que Fernando Henrique, já FHC, deu ao jornal O Estado de S. Paulo recentemente.



Ele onde expõe com clareza seu desprezo em relação aos movimentos de massa e, simultaneamente, o eu temor de uma democratização mais profunda que assegure seu maior protagonismo de seguimentos não ligados a uma elite, igualmente decadente, a qual ele pensa e deseja representar.



Não convém esquecer que a UDN - União Democrática Nacional foi por seguramente vinte anos o partido do grande capital, dos banqueiros, dos aliados do colonialismo e de amplos setores conservadores da classe média. A prática da UDN, seu programa tinha a mesma marca liberal do PSDB de hoje, a UDN se opunha ao desenvolvimento industrial e à incorporação dos trabalhadores à política, defendia a integração subordinada do Brasil à divisão internacional do trabalho, sob obediente orientação macroeconômica dos EUA à época [1].



Sem participação da sociedade civil, sem participação das massas, sem a participação do povo não há democracia é nisso que eu acredito e é isso que FHC negou.



A falta de democracia é fatal também à esquerda, pois como sabemos a Revolução socialista de 1917 tinha dirigentes, mas não tinha classe operária consolidada, articulada e organizada na URSS e os dirigentes revolucionários, que passaram num primeiro momento a substituir a classe trabalhadora, impediram a efetiva participação das massas, pois o Partido passou a ser uma espécie de tutor político da classe trabalhadora, o que pode ter significado um distanciamento do Partido dos verdadeiros desejos e aspirações dos trabalhadores[2], um distanciamento que conduziu a URSS à perestroika.



Os dirigentes soviéticos tornaram-se porta-vozes da burocracia e não do povo, uma burocracia que negou desprezou a classe que pretendia representar, que negou o direito à efetiva participação no poder e na construção do Estado socialista, criou privilégios (cuja manutenção passou a ser a exclusiva luta de dirigentes) os quais não representavam as massas. Essa prática reduziu a URSS a um Estado operário e em processo de degeneração pela burocracia estatal.



Será que FHC pretende que os intelectuais e a elite que ele representa sejam os porta-vozes da nação? Sem ouvir o povo? Quem é o autoritário? Quem é o fascista?



Mas a entrevista de Fernando Henrique Cardoso ao O Estado de S. Paulo tem o mérito de expor claramente que ele nos enganou por décadas, ele não é um democrata ele é um elitista conservador.



Ao acusar Lula de juntar-se ao que “há de pior na cultura do conservadorismo” na política brasileira, referindo-se ao PMDB, esqueceu-se que o PMDB é um partido fundado por democratas que lutaram contra a ditadura militar de 1964 e que ele próprio foi filiado ao PMDB e dele aliado quando na presidência da república. FHC dissimula quando “se esquece” de dizer que o aliado preferencial do PSDB hoje são aqueles que durante a ditadura estavam do outro lado, e apoiavam a perseguição policial contra os verdadeiros democratas.



Ele é falacioso quando ataca a “democracia popular” afirmando que “democracia é mais do que ter maioria”, é evidente que democracia é respeito à lei e ao interesse público, respeito à Constituição (que ele desrespeitou e alterou de forma oportunista para ter direito ao um segundo mandato), é respeito às minorias e à diversidade.



Talvez o controvertido jornalista Sebastião Nery, tenha razão quando afirmou em recente artigo no jornal Tribuna da Imprensa, com base em dois livros – um mais antigo, Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível, da jornalista francesa Brigitte Leoni (Editora Nova Fronteira, 1997), e outro mais recente, Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura, da autora inglesa Frances Saunders (Editora Record, 2008) que o ex-presidente FHC, atualmente um dos mentores da oposição de direita ao governo Lula, foi financiado pela temida CIA, o serviço de espionagem dos EUA, que ajudou a desestabilizar vários governos progressistas no mundo todo.



Esses livros merecem ser lidos.

--------------------------------------------------------------------------------



[1] A UDN fez oposição aos presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e João Goulart, os quais são identificados genericamente com a luta para desenvolver e democratizar o país, ressalva a GV, e afirmar a soberania nacional. A UDN destacou-se em campanhas de mídia movidas à base de denúncias de falcatruas, muito parecido com o que o PSDB faz hoje. Essas denuncias vazias em sua maioria deram à UDN o mesmo caráter “moralista”, caráter que o PSDB busca ter também.







[2] O próprio Lênin se mostrava incomodado com esse fato, tanto que num congresso dos sovietes em dezembro de 1921 ele, argumentando contra os que se intitulavam, com demasiada insistência, “representantes do proletariado” disse: Desculpem-me, mas o que consideram proletariado? A classe trabalhadora empregada na indústria em grande escala. Mas onde está a indústria em grande escala (de vocês)? Que tipo de proletariado é esse? Onde está a indústria? Por que ele está ocioso? (Sochibenya, vol. XXXIII, p. 148, citado por Isaac Deustscher no livro TROTSKY, O PROFETA DESARMADO, ed. Civilização brasileira, p.39).

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

OS PORÕES DA PRIVATARIA (de Amaury Ribeiro Junior)

O livro de Amaury Ribeiro Junior promete dizer e provar quem recebeu e quem pagou propina durante o processo de privatização patrocinado pelo governo FHC.

Promete mostrar quem enriqueceu na função pública, quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria, quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos, quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais.

O jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do País, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, promete descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três de seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, têm o que explicar ao Brasil.

O livro promete detarlar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã.

A começar por seu primo Gregório Marin Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marin. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como Marin é conhecido, precisa explicar onde obteve US$3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos de 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra, e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil…

Atrás da máxima “siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.

A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República, mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista, nomeado quando Serra era secretário de Planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$448 milhões para irrisórios R$4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC. (Ricardo Sérgio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se der m…”, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol ).

Ricardo Sérgio também teria ajudado o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico, e por ai vai...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Crescimento ou Desenvolvimento?

Muita gente boa, e outros nem tanto, comparam o crescimento da China com o crescimento do Brasil. Penso que a comparação não é possível pois o Brasil é uma democracia em que pessoas, Estado e grupos de interesse têm direitos bem estabelecidos, além de meios para defendê-los.

A China é um sistema autoritário, sem democracia, sem Judiciário independente e com direitos individuais que existem mas são vulneráveis à vontade de um único partido.

Um crescimento com essas caracteristicas vale a pena?

domingo, 29 de agosto de 2010

Agarrem o vento... Explorem.

"Daqui a alguns anos você estará mais arrependido pelas coisas que não fez do que pelas que fez. Então solte suas amarras. Afaste-se do porto seguro. Agarre o vento em suas velas. Explore. Sonhe. Descubra."

(Mark Twain)

Dilma e Obama.

Em Gotemburgo e em Veneza ouvi de empresários elogios ao Governo Lula e sua Politica Macroeconômico e principalmente do seu viés social e humano, fiquei orgulhoso de ser brasileiro.

Comentei o fato com um amigo que me disse apenas: "É... E agora o povo vai eleger uma mulher que nem pode entrar nos EUA porque foi terrorista.".

Bem, é uma pena que esse amigo, de quem gosto tanto, não consiga vencer a paixão, e é para ele (e para tantos outros) que posto essa foto, uma imagem que fala por si.

Pramaggiore

Afeto é presente divino, não se explica apenas se sente...
foto: Pier Fancello e seu neto Alessandro em Pramaggiore, Veneto, Italia, 2010, agosto.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Chegamos a Gotemburgo (We arrived in Gothenburg)

Chegamos a Gotemburgo no sabado e fomos recebidos pela familia Sandelin como se fossemos da familia.
Estavam todos no aeroporto, inclusive a avo e as namoradas.
Essa parte das ferias e particularmente especial porque esta a confirmar que a amizade e uma virtude capaz de proporcionar experiencias unicas.

We arrived in Gothenburg on Saturday and were greeted by family Sandalin like we were family. They were all at the airport, including the grandfather and girlfriends. This part of the holidays and particularly special because this confirms that the friendship and a virtue able to provide unique experiences.

sábado, 14 de agosto de 2010

A PRIMAVERA DOS POVOS vs O CONGRESSO DE VIENA

Em Praga foi impossivel nao lembrar da expressao A PRIMEVERA DOS POVOS... 

Com o fim da era napoleônica, as monarquias européias se reuniram com o objetivo de conter as propostas de transformação disseminadas pela Revolução Francesa.

Tal encontro aconteceu no chamado Congresso de Viena, momento em que parte dos monarcas que ali se encontravam decidiu formar a chamada Santa Aliança. Nesse acordo, diversos monarcas se comprometiam a auxiliar militarmente toda monarquia que tivesse sua autoridade ameaçada.

Contudo, esse projeto que deveria preservar o Antigo Regime não foi capaz de conter a marcha das novas revoluções que tomariam conta da Europa.

No ano de 1848, as várias novas correntes políticas que surgiam em todo o Velho Mundo se mostraram decididas a dar fim ao regime monárquico. Em linhas gerias, o contexto político europeu se via tomado não só pelas propostas liberais oriundas da experiência francesa, mas também contou com a ascensão das tendências nacionalistas e socialistas.

Um pouco antes que tais levantes acontecessem, entre os anos de 1846 e 1848, uma seqüência de péssimas colheitas provocou uma crise econômica responsável pela elevação súbita do preço dos alimentos. Concomitantemente, a queda no consumo dos produtos industrializados motivou a demissão de operários nos centros urbanos. De fato, toda a economia capitalista européia enfrentava um delicado processo de estagnação que daria origem aos levantes que marcaram a chamada “Primavera dos Povos”.

Reagindo a esse quadro desfavorável, membros do operariado e do campesinato passaram a exigir melhores condições de vida e trabalho. Aproveitando das novas tendências que surgiam, fizeram uma forte oposição ao regime monárquico por meio de uma série de levantes. Alimentando ainda mais esse sentimento de mudança, devemos ainda salientar que nesse mesmo ano houve a publicação do Manifesto Comunista, obra do pensador Karl Marx que defendia a mobilização dos trabalhadores.

Comungando da união exprimida por esse livro, várias cidades foram tomadas por barricadas de trabalhadores que se espalhavam por cidades da França, dos Estados Alemães, da Áustria e outros grandes centros urbanos. Apesar dos ideais românticos e das bandeiras coloridas em favor de uma sociedade mais justa, a “Primavera” não conseguiu transformar definitivamente a Europa. Contudo, demonstraram a nova articulação política que estava sendo engendrada.

A partir desse evento histórico, a sociedade burguesa teve alguns de seus princípios assegurados, pois mesmo tendo caráter popular, essas revoltas não abririam mão das concepções favoráveis à igualdade civil, ao fim dos privilégios de ordem feudal, as novas instituições jurídicas e o acesso aos cargos públicos. Além disso, demonstrava para a nova ordem burguesa o potencial de mobilização das classes trabalhadoras em torno de seus interesses e projetos políticos próprios.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Praga multicultural

Praga e simplesmente a cidade mais viva e culturalmente intensa que conheci ate hoje. As pessoas sejam os residentes ou os turistas pulsam energia boa. Recomendo.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Adeus Berlim! Alo Praga!

Deixamos Berlim cedo.

Pegamos o trem para Praga as 10:30 hs e chegamos a capital da jovem Republica Checa, ou Tcheca, as 15:36, pontualmente.

Saimos da simetrica e organizada Berlim, de amplas avenidas, de transito organizado para o caos urbano de Praga, parecia que estavamos num daqueles engarrafamentos de Sao Paulo, capital.

PRAGA, fundada no seculo IX, e simplesmente fantastica e a sua idade contrasta com a Republica Checa que tem apenas 17 anos, afinal ela nasceu do desmembramento da antiga Tchecoslovaquia em dois paises: a Republica Checa e a Eslovaquia e mesmo a Tchecoslovaquia nao era exatamente um pais antigo, pois foi fundada apos a 1a. Guerra Mundial em razao do fim do imperio Austriaco-Hungaro.

E como diz o Manoel Cyrillo : ´a gente nao mora nos estados ou nos paises... a gente mora nas cidades´.

Depois eu escrevo mais.


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Portao de Brandenburgo

Hoje voltei ao monumento chamado "Portao de Bradenburgo". E verdadeiramente o local mais caracteristico de Berlim, pelo menos para mim... E ate 1989 foi o triste simbolo da divisao de Berlim, da Alemanha e de um mundo dividido.

O local foi todo reconstruido apos a 2a. Guerra. Daquele que era o "lado oriental" ha a PARISER PLATZ; uma praca de convivencia absolutamente linda, com edificios belissimos. De um lado dos portoes a o Parlamento Alemao e do outro o "Monumento os Judeus da Europa mortos", vejam: http://www.holocaust-denkmal.de/ e caminhando, ainda para o lado oriental, ha uma avenida de nome UNTER DEN LIDEN cheia de platanos, seguindo por ela chegamos aos museos, a cadetral e a outros pontos turisticos de Berlim.

O fato e que a cidade esta cheia de turistas europeus de todas as idades aproveitando as ferias e o verao. O que nos mostra a verdade do verso "a gente nao quer so comida, a gente quer comida diversao e arte". Viva os Titas!


domingo, 8 de agosto de 2010

Tim Burton's Alice in Wonderland





No voo assisti ALICE NO PAIS DAS MARAVILHAS de TIM BURTON.

Gostei muito, especialmente porque Alice, agora aos 19 anos, está em uma festa da nobreza em Oxford, onde vive, até que descobre que está prestes a ser pedida em casamento, mas ela nao quer casar-se, mas e o 'certo a fazer'.

Desesperada, ela foge seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que ela visitou quando tinha seis anos mas não se lembrava mais. Lá ela é novamente saudada pelo Coelho Branco, o Ratão, o Dodo, os gêmeos Tweedledee e Tweedledum e várias flores falantes. Eles discutem sobre a sua identidade como "a verdadeira Alice".

Essa questao, ou duvida, sobre ser ela "a verdadeira Alice" ou nao e uma metafora sobre a perda da nossa propria essencia (fato que ocorre em razao das pressoes sofremos durante nossa vida)...

Bem a síntese disso e a frase: " - Voce nao pode viver a vida para agradar os outros... Quando voce tiver de enfrentar a criatura, você o fara sozinha".

E Johnny Depp como Chapeleiro Maluco esta otimo.