Pular para o conteúdo principal

FELIZ 2016!!!


Dois bilhões de habitantes do mundo vivem na miséria, uma situação de "brutal desigualdade", segundo estima a Organização das Nações Unidas (ONU).

Relatório sobre a população mundial o Fundo de Populações da ONU no México afirmou que um dos sinais da grande distância que separa os maios ricos dos mais pobres é que a renda per capita em 17 países superava 20 mil dólares por ano, mas que 21 países sobreviviam com uma renda per capita de menos de 1.000 dólares por ano.

Em um dos extremos da escala estavam a Tanzânia e Serra Leoa, com rendas per capita de menos de 500 dólares por ano. Por que não podemos ter um mundo mais justo?

Para o Professor da PUC-SP Ladislau Dowbor o problema da pobreza no mundo não é propriamente econômico, pois se produz hoje 10,5 mil dólares per capita por ano em riquezas, há riquezas na sociedade capitalista para uma vida digna e confortável para todos. Então por que há miséria? Onde estaria o problema, se o problema não é a carência de recursos?

Bem, a questão da desigualdade na distribuição da riqueza produzida está no cerne dos conflitos políticos, opondo duas posições; de um lado os liberais de direita, que crêem que apenas as forças do mercado, a iniciativa individual e o aumento de produtividade é que poderão, no longo prazo, a melhora da renda e das condições de vida dos menos favorecidos e, de outro a posição tradicional da esquerda que afirma que somente as lutas sociais e políticas são capazes de atenuar a miséria dos menos favorecidos produzida pelo sistema capitalista.

Curioso que ambos, liberais e esquerdistas, prometem que se atingirá justiça social se o seu caminho for seguido.

Não há espaço aqui para esse debate, que é feito com brilhantismo por Thomas Piketty no seu “A economia da desigualdade” que todos devem ler, mas há espaço para lembrar que a ONU afirma que países ricos poderiam acabar com a miséria no mundo se arcassem com a ajuda prometida.

Os países ricos comprometeram-se a investir 0,7% do seu PIB anualmente em ajuda ao desenvolvimento, com isso mais de 500 milhões de pessoas poderiam deixar a linha da miséria e dezenas de milhares escapariam da morte, concluiu o relatório “Investindo no Desenvolvimento: Um Plano Prático para Atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio” [1], divulgado pela ONU.

De acordo com o relatório, 11 milhões de crianças morrem a cada ano de doenças que poderiam ter sido evitadas; mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vive com menos de US$ 1 por dia; 840 milhões convivem com fome crônica; e outro bilhão não tem acesso à água potável. 

Vale lembrar que o economista Jeffrey Sachs, coordenou a pesquisa, que foi elaborada por 265 especialistas e que a iniciativa para o documento surgiu em 2002, quando a ONU propôs para alcançar o objetivo de reduzir à metade a pobreza do mundo até este 2015; o que todos os países se comprometeram a fazer ao assinar as Metas do Milênio, em 2000, mas nem todos os signatários do documento cumpriram satisfatoriamente as metas.

A boa noticia para nós brasileiros é que o Brasil cumpriu integralmente dois dos oito Objetivos do Milênio (ODM) das Nações Unidas (ONU) com anos de antecedência. A (i) meta de reduzir a mortalidade infantil em dois terços em relação aos níveis de 1990 até 2015 foi cumprida em 2011 e a (ii) meta de reduzir a fome e a miséria foi outro objetivo cumprido.
De acordo com a ONU, a extrema pobreza tinha de ser reduzida pela metade até 2015 em relação aos níveis de 1990. O Brasil adotou metas mais rigorosas e estabeleceu a redução a um quarto desse mesmo nível, o que foi cumprido já em 2012. Os dados estão no Relatório Nacional de Acompanhamento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio[2].
A construção de um mundo mais justo é possível através de políticas públicas que sejam capazes de compreender a realidade e enfrentá-la com projetos estruturados na generosidade, pois como se referiu Desmond Tutu[3] a nossa humanidade está indissoluvelmente ligada à do outro, somos humanos porque vivemos em sociedade, porque se somos capazes de sentir compaixão, acolher, compreender, sermos generosos e dispostos a compartilhar somos capazes de produzir justiça. A humanidade dá às pessoas a resiliência, permitindo-as sobreviver e emergir mais humanas, apesar de todos os esforços para desumanizá-las. Somos humanos porque estamos abertos e disponíveis aos outros e porque sentimo-nos assegurados pelos outros, somos um e por sermos um merecemos um mundo mais justo. Feliz 2016!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Por que Jonas Donizette merece ser reeleito?

O PSB de Campinas em convenção municipal homologou a pré-candidatura do socialista Jonas Donizette à reeleição para prefeito de Campinas. A cidade precisa de mais quatro anos tendo à frente um administrador virtuoso que tenha a oferecer mais que palavras de ordem. Jonas Donizette tem obras a apresentar, afinal foram quatro anos de muito trabalho. Foi também um tempo de acertamento necessário. Evidentemente há muitas demandas a serem atendidas ainda, sempre há e sempre haverá, mas a cidade não precisa mais de aventuras ou malfeitos. Na convenção observei a presença de lideranças e personalidades que praticam de fato a busca da unidade (algo incomum nesses tempos de tanta tensão e certezas corrosivas). À frente do Executivo Municipal Jonas manteve seu perfil discreto e generoso, mas ao mesmo tempo decidido. Além das muitas obras há algumas iniciativas merecem destaque, dentre elas a conquista do título de “ Campeão ”, do projeto Cidade Resiliente Modelo da ONU, para ...

POR QUE MENTIU EXCELÊNCIA?

O conhecido e comentado Caso Dreufus diz respeito a um erro no julgamento que levou à condenação do Capitão do Exército Francês Dreyfus. A condenação foi contestada um ano depois do julgamento quando um oficial da área de informações resolveu fazer um novo exame das provas e descobriu que nada havia para incriminar aquele jovem capitão do Exército francês.  Estava claro que o verdadeiro espião que todos procuravam era outra pessoa. Mas isso não adiantou muito. Para evitar uma revisão, começaram a surgir novas provas – fraudadas – para incriminá-lo, o que atrasou o processo por mais tempo. Condenado em 1895, Dreyfus seria liberado, por graça presidencial, pois os tribunais jamais declararam sua inocência, em setembro de 1899. Um ano antes, o oficial que havia forjado documentos para proteger os superiores foi desmascarado e cometeu suicídio.  Podemos estar às portas de conhecermos um “caso Dreyfus” aqui no Brasil, pois a pedido do réu Henrique Pizzolatto e com base na ...

DA FAMÍLIA CORLEONE À LAVA-JATO

A autolavaggio familiare agiu e reagiu, impondo constrangimento injusto ao atacar a reputação de advogados honrados. Me refiro a Roberto Teixeira e Cristiano Zanin. Já perguntei aqui no 247 [1] : “ Serão os jovens promotores e juízes "de baixa patente" os novos tenentes" Penso que sim, pois assim como os rebeldes do inicio do século XX, os jovens promotores e juízes, passaram a fazer política e interferir nas instituições e estruturas do Estado a seu modo. Mas em alguns momentos as ações e reações deles lembram muito a obra de Mario Puzzo. As ideais dos rebeldes do início do século XX, assim como dos promotores e juízes desde inicio de século XXI, eram ao mesmo tempo conservadoras e autoritárias; os tenentes defendiam reformas políticas e sociais - necessárias naquele momento -, e no discurso estavam presentes os sempre sedutores temas do combate à corrupção e defesa da moralidade política. Deltan Dallagnol e Sérgio Moro representam os jovens promotores e juízes d...