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Os deveres da imprensa com a verdade segundo João XXIII

No livro "HOMENS EM TEMPOS SOMBRIOS" (Ed. Companhia das Letras), traduzido por Denise Bottmann, Hannah Arendt escreve sobre o Papa João XXIII. Curioso, em se tratando de uma pensadora marxista e judia... 

Ela nos apresenta o Papa João XXIII como "um cristão no trono de São Pedro".

Ela, em traços rápidos, nos conta fatos super interessantes sobre esse papa revolucionario. Por exemplo, quando tece inicio o conclave ele não fazia parte dos chamados papabile, ou seja, não estava entre os favoritos, mas acabou sendo eleito para desespero, a principio, dos alfaiates do Vaticano. 

Arendt escreveu que ele só foi eleito porque os cardeais não conseguiam chegar a um acordo e o elegeram porque ele seria um para "provisório e transitório...", pois era considerado "uma figura sem maiores consequências"... Erraram, pois esse senhor de Bergamo revolucionou a Igreja Católica.

Reli recentemente  AD PETRI CATHEDRAM e lá encontramos um capitulo inteiro que trata dos deveres da imprensa quanto a verdade.

Ele faz referência à imprensa tradicional (jornais e revistas), mas expressamente inclui no quadrante de responsabilidade as rádios, o cinema e a televisão, e diz que é reprovável alterar a verdade, com objetivo de atrair o favor do povo simples e plasmar a seu modo a alma dos jovens, ele afirma tratar-se de um abuso enorme, pois é dever da imprensa apresentar a verdade e não sua visão dela.

Penso que ele chegou a propor uma regulação da mídia quando escreve que da imprensa e seus vários veículos "podem (ser usadas) como incentivo do mal, tornar-se-ão para o homem instrumentos de bem e ao mesmo tempo meios de honesta distração; e o remédio virá da mesma fonte donde muitas vezes vem o veneno.".

Esse é o caminho proposto: a verdade.

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