Pular para o conteúdo principal

MUDANÇA DA META FISCAL NÃO É FATO INÉDITO.


Recordar é viver...  A alteração da forma de calculo da tal “meta fiscal” já ocorreu no Brasil, a estreia foi do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 2000, e apesar da mudança ter sido aprovada em 2001, a meta de superávit fiscal não foi sequer cumprida por FHC. A Lei Orçamentária de 2001, publicada em julho de 2000, foi aprovada sob a vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal, em vigor desde maio daquele. O texto da lei definia a meta fiscal do governo federal para aquele exercício.
Em 2001, o superávit primário previsto era de 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB), o correspondente a R$ 32,3 bilhões. No entanto, no mesmo ano o governo federal alterou a meta para R$ 28,1 bilhões, o equivalente a 2,25% do PIB, mas mesmo com o ajuste promovido, o governo tucano comandado não cumpriu a meta e o resultado obtido foi de R$ 21,9 bilhões, cerca de 1,70% do PIB.

Ou seja, a mudança não é fato inédito.

Apesar de o precedente ter sido aberto durante um governo do próprio PSDB, a oposição, liderada por tucanos irados, tentou obstruir o projeto do governo, tanto no Congresso Nacional, quanto judicializando a questão no STF (o deputado federal tucano Carlos Sampaio, ingressou com mandato de segurança no Supremo para tentar suspender a tramitação do projeto no Legislativo).

Tenho escrito que a JUDICIALIZAÇÃO DA POLITICA, fenômeno sociopolítico, enfraquece e desequilibra as instituições, a relação entre os poderes, própria democracia e o poder de articulação e influência da SOCIEDADE CIVIL, noutras palavras esse fenômeno enfraquece e condena à morte a Política.  

É necessário registrar também que em 2001, o senador fluminense-mineiro Aécio Neves (derrotado nas últimas eleições presidenciais) era o líder do PSDB na Câmara dos Deputados e naquele mesmo ano também exerceu a função de presidente da Casa. Apesar disso tudo Aécio sugeriu que a alteração da meta de superávit fiscal de 2014 deveria acarretar em impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Golpismo puro!


Compreendo o movimento de obstrução da oposição ao projeto, pois ele é previsto regimentalmente e numa democracia deve existir oposição, sob-risco de a diversidade de opiniões não ser efetivamente representada e comprometer a democracia em si.


Mas não compreendo e não reconheço legitimidade na judicialização do debate Político, pois o próprio Ministro Gilmar Mendes, tão simpático a essa oposição, afirma que ela [a Judicialização] é um fenômeno que não encontra paradigma nas democracias maduras, “chega-se ao absurdo de minorias derrotadas majoritariamente na arena política buscarem na Justiça revogar ou desqualificar as decisões da maioria”, ele opinou assim no “Sentidos da Judicialização da Política: Duas Análises” (Ed. Lua Nova No. 57, p. 117), e mais, os impactos do excessivo protagonismo do Poder Judiciário são indesejáveis, pois dentre outras coisas aumenta a incerteza do valor das decisões políticas.


A Judicialização alimenta visões equivocadas, pois sociedade passa a ver a arena política como um campo de segunda categoria, pois com a excessiva judicialização da política passa-se a ideia equivocada de que a sociedade civil seria incapaz de defender seus interesses organizadamente e que as instituições políticas não seriam confiáveis, ideia que somente interesse às minorias derrotadas e aos golpistas.

E compreendo a posição, histérica, do Senador Aécio Neves, como o velho golpismo da UDN, só pode ser isso.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Por que Jonas Donizette merece ser reeleito?

O PSB de Campinas em convenção municipal homologou a pré-candidatura do socialista Jonas Donizette à reeleição para prefeito de Campinas. A cidade precisa de mais quatro anos tendo à frente um administrador virtuoso que tenha a oferecer mais que palavras de ordem. Jonas Donizette tem obras a apresentar, afinal foram quatro anos de muito trabalho. Foi também um tempo de acertamento necessário. Evidentemente há muitas demandas a serem atendidas ainda, sempre há e sempre haverá, mas a cidade não precisa mais de aventuras ou malfeitos. Na convenção observei a presença de lideranças e personalidades que praticam de fato a busca da unidade (algo incomum nesses tempos de tanta tensão e certezas corrosivas). À frente do Executivo Municipal Jonas manteve seu perfil discreto e generoso, mas ao mesmo tempo decidido. Além das muitas obras há algumas iniciativas merecem destaque, dentre elas a conquista do título de “ Campeão ”, do projeto Cidade Resiliente Modelo da ONU, para ...

POR QUE MENTIU EXCELÊNCIA?

O conhecido e comentado Caso Dreufus diz respeito a um erro no julgamento que levou à condenação do Capitão do Exército Francês Dreyfus. A condenação foi contestada um ano depois do julgamento quando um oficial da área de informações resolveu fazer um novo exame das provas e descobriu que nada havia para incriminar aquele jovem capitão do Exército francês.  Estava claro que o verdadeiro espião que todos procuravam era outra pessoa. Mas isso não adiantou muito. Para evitar uma revisão, começaram a surgir novas provas – fraudadas – para incriminá-lo, o que atrasou o processo por mais tempo. Condenado em 1895, Dreyfus seria liberado, por graça presidencial, pois os tribunais jamais declararam sua inocência, em setembro de 1899. Um ano antes, o oficial que havia forjado documentos para proteger os superiores foi desmascarado e cometeu suicídio.  Podemos estar às portas de conhecermos um “caso Dreyfus” aqui no Brasil, pois a pedido do réu Henrique Pizzolatto e com base na ...

DA FAMÍLIA CORLEONE À LAVA-JATO

A autolavaggio familiare agiu e reagiu, impondo constrangimento injusto ao atacar a reputação de advogados honrados. Me refiro a Roberto Teixeira e Cristiano Zanin. Já perguntei aqui no 247 [1] : “ Serão os jovens promotores e juízes "de baixa patente" os novos tenentes" Penso que sim, pois assim como os rebeldes do inicio do século XX, os jovens promotores e juízes, passaram a fazer política e interferir nas instituições e estruturas do Estado a seu modo. Mas em alguns momentos as ações e reações deles lembram muito a obra de Mario Puzzo. As ideais dos rebeldes do início do século XX, assim como dos promotores e juízes desde inicio de século XXI, eram ao mesmo tempo conservadoras e autoritárias; os tenentes defendiam reformas políticas e sociais - necessárias naquele momento -, e no discurso estavam presentes os sempre sedutores temas do combate à corrupção e defesa da moralidade política. Deltan Dallagnol e Sérgio Moro representam os jovens promotores e juízes d...