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Os senhores da verdade, não conhecem e não praticam o compartilhar, nem a importância das alianças táticas ou das alianças estratégicas


Esse é o último artigo que escrevo sobre esse assunto. Por quê?

Porque, um dos meus filhos, todos eles muito mais lúcidos que eu, ponderou o seguinte: Acho que a sua defesa pública a Demétrio um exagero. (...) o que esse homem fez por você? Por mais que exista uma afinidade, empatia com ele, defender um homem que responde a um processo na justiça no maior escândalo político da cidade de campinas é um exagero. Defender um homem pelo qual você se desgasta publicamente passa por atritos gratuitos é um exagero. Defender um homem que você trouxe para dentro da sua casa e que não foi nem capaz de te convidar para a posse dele é um exagero. Defender um homem pelo qual você viajou para a Europa para defender, orientar, ajudar, e depois ser dispensado pelo partido dele, é um exagero. Pai, (...) só quero seu melhor e que isso te ajude e ver além da sua convicção política.”


Vamos lá. O prefeito Demétrio Vilagra foi afastado pela segunda vez em menos de dois meses.
Logo após o primeiro afastamento decidido pelo plenário da Câmara o bom advogado Hélio Silveira impetrou um mandado de segurança e obteve liminar através da qual o MM Juiz acolheu o argumento invocado no sentido de que a Comissão Processante somente pode ser instaurada para apurar eventuais infrações praticadas no exercício do cargo de Prefeito, porque assim prevê o artigo 4º do Decreto-Lei 201/1967, e as acusações que pesam sobre Demétrio são anteriores à sua posse como prefeito e porque não há provas de que ele tenha praticado algum ato na condição de prefeito em exercício.
Bem, não havia, e não há, provas de que os ilícitos imputados pelo Ministério ao prefeito afastado tenham ocorrido quando ele exerceu em substituição o cargo de prefeito de Campinas e por isso o afastamento e a comissão processante foi liminarmente suspensa.
Naquele momento o Juiz afirmou que “o objetivo do legislador foi apenar com a perda do mandato as condutas que tenham sido praticadas durante o exercício do mandato de Prefeito Municipal, e não condutas anteriores – sem prejuízo da responsabilidade penal, civil ou administrativa que possa decorrer desses fatos pretéritos.”, me pareceu justa a decisão.
Mas a sentença do mandado de segurança acabou por decidir que, para apuração de eventual participação do então vice-prefeito no esquema de corrupção na SANASA e se isso aconteceu quando ele substituiu o prefeito Hélio de Oliveira Santo, “pode ser instaurada a Comissão Processante, já que praticado, “em tese”, durante o exercício do cargo de Prefeito.”, ou seja, o prefeito Demétrio Vilagra foi afastado pelo plenário da Câmara dos Vereadores mesmo não havendo comprovação de sua participação em atos ilícitos denunciados e mesmo não havendo certeza de que ele tenha praticado algum ato ilícito na condição de prefeito.
Equivocada a decisão o MM. Juiz e precipitada a decisão de afastamento decidida pelo Parlamento Municipal. Mas essas são as regras institucionais colocadas e as regras do jogo político. Torço para que o Tribunal de Justiça de São Paulo cancele o afastamento porque me parece o mais justo.
Mas pelo andar da carruagem penso que a maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Campinas esta convencida da necessidade de cassação de Demétrio, independentemente de haver prova robusta ou não da participação dele nos ilícitos investigados pelo Ministério Público e enviados ao Judiciário para inicio do processo criminal. Porque há inegavelmente um viés ou um componente político-eleitoral nesse encaminhamento. Aliás, esse foi o argumento usado pelo ex-Secretário Chefe de Gabinete Nilson Lucílio para justificar o placar de 28 a 4 que decidiu pelo afastamento.
Acredito que esse é um argumento fraco, ruim ou no mínimo insuficiente, pois tenta esconder a verdade verdadeira que na minha opinião é a seguinte: os articuladores políticos, os interlocutores do prefeito Demétrio Vilagra foram incapazes e incompetentes e não conseguiram convencer os vereadores e os partidos que até outro dia estavam na base de apoio desse governo que Demetrio faria uma transição democrática, pluralista e compartilhada.
O argumento de que Demétrio foi afastado porque os partidos têm interesses eleitorais é risível, afinal todos os partidos políticos têm interesses eleitorais.
A verdade é que os articuladores políticos escolhidos para convencer os partidos e os vereadores de que Demetrio faria uma transição democrática, pluralista e compartilhada falharam.
E não é a primeira vez que falham. Eles conseguiram injustamente destruir com o Jacó Bittar, não cuidaram do Toninho (que pela sua generosidade e coragem precisava de segurança, mesmo não querendo), foram incompetentes na gestão da Izalene Tiene (que fez uma boa gestão, o que não é reconhecido), deram carta-branca para o Dr. Helio e agora ao invés de pensar na transição compartilhada proposta por Demétrio, dedicaram-se a pensar apenas nas próximas eleições, medíocres.
São uns incompetentes, arrogantes e egoístas, sentem-se senhores da verdade, não conhecem e não praticam o compartilhar, nem a importância das alianças táticas ou das alianças estratégicas e por isso a cidade vê-se privada de conhecer de fato um homem bom chamado Demetrio Vilagra.

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