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sonhos de primavera

Quando estive em Praga foi impossível não lembrar a expressão “A primavera de Praga” e de tantos outros fatos históricos chamados de “Primavera dos povos”.
Mas o que é isso? Penso que são a expressão reflete o desejo humano por justiça e paz social através de ações heróicas e que buscaram, cada uma no seu tempo, paz e justiça para a sociedade.
A Primavera de Praga, por exemplo, foi um período de liberalização política na Tchecoslováquia durante a época de sua dominação pela União Soviética. Nesse curtíssimo período de liberalização (de janeiro de 1968, quando o reformista eslovaco Alexander Dubcek chegou ao poder, e durou até o dia 21 de Agosto do mesmo ano, quando a União Soviética e os membros do Pacto de Varsóvia invadiram o país para interromper as reformas) algumas reformas foram implantadas.

As reformas da Primavera de Praga foram uma tentativa de Dubcek, aliado a intelectuais tchecoslovacos, de conceder direitos adicionais aos cidadãos num ato de descentralização parcial da economia e de democratização. Tais reformas concediam também um relaxamento das restrições às liberdades de imprensa, de expressão e de movimento e ficaram conhecidas como a tentativa de se criar um “socialismo com face humana”. Dubcek também dividiu o país em duas repúblicas separadas; essa foi a única reforma que sobreviveu ao fim da Primavera de Praga.

As reformas não foram aceitas pelos soviéticos que enviaram milhares de tropas e tanques do Pacto de Varsóvia para ocupar o país. Uma grande onda de emigração varreu a Tchecoslováquia e apesar de ter havido inúmeros protestos pacíficos, inclusive o suicídio de um estudante, não houve resistência militar. A Tchecoslováquia continuou ocupada até 1990, mais um triste episódio da história da humanidade.

A Primavera de Praga imortalizou-se na música e na literatura pelas obras de Karel Kryl e de Milan Kundera, como “A Insustentável Leveza do Ser”.

As primaveras despertam o medo nos poderosos, poderosos que rejeitam o sonho de justiça e paz das pessoas generosas. Com o fim da era napoleônica, por exemplo, as monarquias européias se reuniram com o objetivo de conter as propostas de transformação disseminadas pela Revolução Francesa.

Tal encontro aconteceu na Austria naquele que ficou conhecido como o Congresso de Viena, num momento em que parte dos monarcas que ali se encontravam decidiu-se formar a chamada “Santa Aliança”, quantas barbaridades ocorrem em nome dessa tal santidade... No tal acordo santo, diversos monarcas se comprometiam a auxiliar militarmente toda monarquia que tivesse sua autoridade ameaçada.

Contudo, o projeto, que deveria preservar as monarquias, não foi capaz de conter a marcha das novas revoluções que tomariam conta da Europa.


No ano de 1848, as várias novas correntes políticas que surgiam em todo o velho mundo se mostraram decididas a dar fim ao regime monárquico. Em linhas gerias, o contexto político europeu se via tomado não só pelas propostas liberais oriundas da experiência francesa, mas também contou com a ascensão das tendências nacionalistas e socialistas.

Um pouco antes que tais levantes acontecessem, entre os anos de 1846 e 1848, uma seqüência de péssimas colheitas provocou uma crise econômica responsável pela elevação súbita do preço dos alimentos. Concomitantemente, a queda no consumo dos produtos industrializados motivou a demissão de operários nos centros urbanos. De fato, toda a economia capitalista européia enfrentava um delicado processo de estagnação que daria origem aos levantes que marcaram a chamada “Primavera dos Povos”.

Reagindo a esse quadro desfavorável (a mais uma das inúmeras crises do capitalismo), membros do operariado e do campesinato passaram a exigir melhores condições de vida e trabalho. Aproveitando das novas tendências que surgiam, fizeram uma forte oposição ao regime monárquico por meio de uma série de levantes. Alimentando ainda mais esse sentimento de mudança, devemos ainda salientar que nesse mesmo ano houve a publicação do Manifesto Comunista, obra do pensador Karl Marx que defendia a mobilização dos trabalhadores.

Comungando da união exprimida por esse livro, várias cidades foram tomadas por barricadas de trabalhadores que se espalhavam por cidades da França, dos Estados Alemães, da Áustria e outros grandes centros urbanos.

Apesar dos ideais românticos e das bandeiras coloridas em favor de uma sociedade mais justa, a “Primavera” não conseguiu transformar definitivamente a Europa. Contudo, demonstraram a nova articulação política que estava sendo engendrada.

A partir desse evento histórico, a sociedade burguesa teve alguns de seus princípios assegurados, pois mesmo tendo caráter popular, essas revoltas não abririam mão das concepções favoráveis à igualdade civil, ao fim dos privilégios de ordem feudal, as novas instituições jurídicas e o acesso aos cargos públicos. Além disso, demonstrava para a nova ordem burguesa o poder de mobilização das classes trabalhadoras em torno de seus interesses e projetos políticos próprios.

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