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À imprensa cabe informar, com ou sem paixão, a verdade.

Assisti a entrevista do comandante Zé Dirceu no programa RODA VIVA da TV Cultura faz algumas semanas. Posso estar enganado, mas vi o ex-ministro da Casa Civil, ex-Deputado Federal, representante da geração de 1968, ser desrespeitado por alguns dos presentes e no melhor estilo inquisição espanhola e penso que ele deveria ter sido tratado com mais respeito pelos jornalistas.

Apenas para registrar a inquisição, era uma corte religiosa, era operada por autoridades da igreja, porém se uma pessoa fosse considerada herege, a punição era entregue às autoridades seculares, pois "a igreja não derramava sangue", uma hipocrisia brutal. A inquisição usava com frequencia a (i) tortura como modo de penitência e as punições variavam: da mais comum (quase 80% dos casos), que era a vergonha pública (obrigar o uso do sambenito, uma roupa de penitente, usar máscaras de metal com formas de burro, usar mordaças) até (ii) ser queimado em praça pública, quando o crime era mais grave. Havia também a morte pelo garrote (estrangulamento) que era usada para os arrependidos.

Por que a “entrevista” pareceu com a inquisição?

Ora, porque as punições da inquisição eram feitas em cerimônias públicas, chamadas autos-de-fé, que aconteciam uma vez por ano na maioria dos casos. Algumas pessoas acusavam outras por vingança, ou para obter recompensas da Coroa e alguns dos entrevistadores, especialmente o jornalista “vejaniano” Augusto Nunes, portaram-se como inquisitores e o programa foi verdadeiro auto-de-fé.

Zé Dirceu foi imolado politicamente por um congresso que estava pressionado pela opinião pública, teve seus direitos políticos suspensos por oito anos, mas não foi julgado, não foi condenado por nenhum órgão do Poder Judiciário, por isso – e isso não e pouco.

À imprensa cabe informar a sociedade, com ou sem paixão, a verdade e não apenas a versão que se lhe apresenta mais adequada aos interesses “desta ou daquela” companhia.

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