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Os excessos do senhor Arnaldo Jabor


Ouço a CBN praticamente todos os dias pela manhã indo para o trabalho e algumas vezes ouço também o comentário do cineasta Arnaldo Jabor, nem sempre concordo com as suas idéias que soam conservadoras e liberais, ele me parece um tanto ressentido, não sei exatamente com o que ou porque, mas todos tem o direito de pensar e expressar suas convicções livremente, contudo não acredito que a liberdade seja um conceito absoluto, ela é válida em relação à justiça, à verdade e ao interesse público. A defesa irracional dessa palavra algumas vezes acoberta ações politicas ou institucionais nem sempre legitimas ou simplesmente levianas.
Mas vamos lá, num dos seus comentários o cineasta reformado ao criticar Hugo Chaves e seu governo, criticas necessárias e corretas, por criticar também Simón Bolívar, o que se afigura renuncia ao justo.
Simón Bolívar pregou e praticou a construção de que o mundo deve estar constituído por nações livres e independentes, unidas entre si por um corpo de leis em comum que regulem seus relacionamentos externos. Por essa frase é possível afirmar que Simón Bolívar era um homem à frente de seu tempo, de idéias progressistas e revolucionárias.
Hugo Chaves é um ditador que abusa das instituições, as manipula, despreza a democracia pluralista, desrespeita a liberdade e tem se mostrado incompetente gestor da economia e dos interesses do povo venezuelano.
Já Simón Bolívar afirmava a necessidade de as nações serem livres, sem o comando das metrópoles da época. Buscava que as nações fossem Independentes, tanto politicamente como economicamente, Bolívar pregava a união dos povos, tanto com objetivo de formar blocos, sejam políticos ou econômicos, como para discutir problemas de ordem mundial. Isso na primeira metade do século XIX. Só por isso qualquer comentário negativo sobre Simón Bolívar ou é ignorância ou má-fé de quem o fez.
Simón Bolívar não foi apenas um idealizador, mas um verdadeiro guerreiro, enfrentando as mais diversas batalhas. Mas ele não estava sozinho nessa luta, os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade haviam se enraizado nos povos latino-americanos, pois o que se viu não foi uma luta isolada de Simón e seus fiéis seguidores. Foram lutas por toda a América Latina, onde cada região teve o seu "libertador", como era chamado Simón. Chaves, por seu turno, não é libertador é um usurpador da liberdade do povo venezuelano.
Na questão de independência, Bolívar via como necessário não só uma nação independente, mas também democrática, ao contrário de Chaves. Bolívar dizia: "Somente a democracia, no meu conceito, é suscetível de uma liberdade absoluta" vinculando a idéia de um governo democrático, além do fato também, de ver a necessidade de que se tenha um projeto de desenvolvimento econômico e social.
Ele propõe a união dos povos entre si "por um corpo de leis em comum que regulem seus relacionamentos externos" através da diplomacia que praticou, basta que lembremos do Tratado de União, Liga e Confederação Perpétua, assinado no Congresso do Panamá.
Simón Bolivar também foi um grande defensor da separação dos poderes temporal e espiritual (Estado e religião), posição essa fortemente influenciada pelos princípios maçônicos que professava ao lado de outros libertadores americanos, como San Martin.
Em 1826, Bolívar tentou promover uma integração continental ao convocar o Congresso do Panamá. Compareceram apenas os representantes dos governos do México, da Federação Centro-Americana, da Grã-Colômbia (Colômbia, Equador e Venezuela) e do Peru. Era o princípio das Conferências Pan-americanas. 
Hugo Chaves e seu governo merece criticas, mas os ideais e a vida exemplar de Simón Bolívar devem ser respeitadas, até pelo todo poderoso Arnaldo Jabor contra quem poucos tem direito à réplica.

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