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25 ANOS DAS DIRETAS JÁ.


Em 1.984 nosso grupo estava à frente do DA - Diretório Acadêmico XVI de Abril na PUC de Campinas, em 1.982 vencemos as eleições na faculdade com Caio Carneiro Campos e em 1.983 com João Roberto Medeiros, o primeiro do PCdoB e o segundo do PMDB, mas a composição seguiu de centro-esquerda (PT, PSB e PDT estavam representados).


O nosso grupo quem em 1.982 e 1.983 venceu todas as eleições na faculdade e na universidade e ainda levou ao “nobrinho” (salão de conferências do prédio central da PUCC) os candidatos ao governo do estado de São Paulo, Lula, Rogê Ferreira, Montoro, Quércia estiveram na faculdade apresentando suas idéias e os então novos partidos, a ação política do nosso grupo modificou muitas coisas por lá...


Com Caio na presidência e sob coordenação do DA em 1.983 levamos ainda à Semana Jurídica Theotônio Vilella, Paulo Brossard, Rogê Ferreira e Jânio Quadros, dentre outros grandes nomes comprometidos com o processo de abertura política.


Mas foi em 1.984 o grande ano no que diz respeito aos movimentos civis, foi o ano das “Diretas Já”. Participamos e contribuímos com reuniões, assembléias, comícios em Campinas e São Paulo.


A campanha das “Diretas já” foi um dos maiores movimentos civis desse país, reivindicava eleições presidenciais diretas no Brasil, isso aconteceu em meados de 1984, e nós “revolucionários do Pátio dos Leões” participamos da campanha e sofremos muito com a derrota.


A História é a seguinte: bastaria a aprovação da proposta da Emenda Constitucional - apresentada pelo Deputado Dante de Oliveira - pelo Congresso Nacional que teríamos eleições diretas para presidência da república.


Foi um movimento mágico no qual se agregaram diversos setores da sociedade brasileira, inúmeros partidos políticos em oposição ao governo militar, além de lideranças sindicais, civis, estudantis e jornalísticas, unidas pelo desejo de eleições diretas para presidente da república.


A quem diga que foram essas manifestações que fizeram com que o regime militar perdesse seu prestígio junto à população menos politizada, e até entre os militares de baixo escalão, descontentes com seus salários consumidos pela inflação. Não sei, mas esse foi o clímax da luta pela redemocratização, foi um momento de mais Importância cidadã que a eleição de Tancredo e Sarney em 1.985, que a constituinte 86/88, ou que as eleições de 1.989.


A Emenda Dante de Oliveira foi rejeitada por um congresso conservador e desconectado dos desejos da sociedade, e não alcançou o número mínimo de votos para sua aprovação. Mas não tenho qualquer dúvida, no entanto, que o movimento pelas “Diretas já” teve enorme importância na redemocratização do país, e repito: participamos dele.


Decorre do mesmo movimento o processo de redemocratização, o qual completou-se com a volta do poder civil no ano de 1985, com a aprovação de uma nova constituição federal em 1988 e com a realização, em 1989, das eleições diretas para presidente da república.


Quando a emenda constitucional foi rejeitada a direção do DA decidiu fazer um protesto cívico no Pátio dos Leões. Convidaríamos alunos e professores para, de luto, cantar o Hino Nacional num ato cívico no qual não haveria discursos, a bandeira e o hino, que haviam sido esbulhados pelo regime militar, voltava a nos pertencer, eles perderam esses símbolos para a sociedade. Tudo corrida bem (afinal os professores e os alunos de todas as salas estavam, como nós “dirigentes”, entristecidos com o resultado da votação no congresso) até que certo professor de Direito Constitucional, então Delegado do DOPS e DOI CODI (era assim que ele se apresentava em sala de aula) decidiu não liberar os alunos de sua sala para o ato.


Houve alguma tensão especialmente entre este escriba, a também diretora do DA Frida Cristina Barbosa, então militante do PCdoB e que hoje vive na Itália, e o tal Professor.


Não conseguíamos entender como um professor de Direito, por mais conservador que fosse, estivesse numa freqüência histórica tão distante da do resto do país. Os alunos ignoraram o professor conservador e nós “dirigentes” acabamos sendo conduzidos pelos colegas até o Pátio dos Leões, onde colocamos a bandeira do Brasil no alto e cantamos o hino, foi emocionante.


Desse episódio e do movimento das Diretas Já participou, também como diretor do DA, Aderbal Bergo, que anos mais tarde tornou-se Presidente da OAB Campinas e cujo irmão, o Dr Marcelo Bergo, é Juiz de Direito em Americana.

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